O artigo abaixo transcrito, de autoria do jornalista Juremir Machado da Silva, é de leitura obrigatória. Confira!
O BOLSA-FAMÍLIA NA EUROPA
Juremir Machado da Silva
Extraído do Jornal Correio do Povo
Dizem que bolsa-família é coisa de país atrasado. Concordo. Todo país europeu desenvolvido e com algum senso de responsabilidade social tem bolsa-família. Sem esse nome, claro. A Alemanha tem. A França tem. Os países escandinavos tem. Até a Inglaterra tem. Os europeus são dinossauros. Na França, o bolsa-família atende pelo nome de “aides sociales” (ajudas sociais). A França é totalmente insensível aos novos tempos. O seguro-desemprego francês pode durar até 36 meses. Depois disso, se a vida continua dura, o sujeito pode ter acesso ao RMI (renda mínima de inserção): 447 euros para uma pessoa só, 671 euros para quem tiver um filho. Quase 2 milhões 500 mil franceses recebem o RMI (nome válido até este ano). A partir dos 59 anos de idade, a pessoa pode receber o RMI sem sequer ter a obrigação de procurar trabalho. Não dá!
As famílias francesas recebem ajuda financeira conforme o número de filhos. O Estado ajuda a alugar apartamento e até a tirar férias. O sistema de saúde é universal e gratuito, inclusive os medicamentos. Que atraso! Um estudante estrangeiro em situação regular na França pode receber ajuda do Estado para ter onde morar. É muita mamata. Lembrete: o governo francês atual é, como eles dizem, de direita. Mas o Estado francês é republicano. A concepção de Estado dos europeus é muito esquisita: uma instituição para ajudar a todos e proteger os interesses da coletividade, devendo estimular a livre-iniciativa e dar condições de vida digna aos mais desfavorecidos. Agricultores recebem subsídios. Empresas ganham incentivos. A universidade é gratuita para todos os aprovados no BAC, o Enem deles. Há vagas para todos. Obviamente não há necessidade de cotas. Que loucura!
Existem instituições privadas de ensino, cujos salários dos professores são, em geral, pagos pelo Estado, pois se trata de um serviço de utilidade pública. Aí os nossos liberais adoram dizer: “E por isso que a França está quebrada”. Tive a impressão de que a crise mundial mostrou os Estados Unidos mais quebrados do que a França. Os mesmos liberais contradizem-se e afirmam: “A França é rica e pode se dar esse luxo...” É rica ou está quebrada? Quase 30% do PIB francês é distribuído em ajudas sociais. O modelo francês enfurece os capitalistas tupiniquins, leitores de revistas como a Veja, cujas páginas pingam ideologia. Visto que dá mau exemplo de proteção social, o Estado francês é chamado de anacrônico, ultrapassado, assistencialista e outros termos do mesmo quilate usados na guerra midiática. Está certo. Moderno é ajudar a turma dos camarotes e mandar a plebe se virar. Acontece que a plebe do Primeiro Mundo não aceita esse tipo de modernidade tão avançada. É plebe rude. Se precisa, quebra tudo, mas não cede. Os ruralistas de lá são mestres em incendiar prefeituras quando falam em cortar-lhes os subsídios estatais. Nas cidades, a turma adora queimar uns carros para fazer valer seus direitos. Na Europa, pelo jeito, não se melhora o Estado piorando a sociedade. A França tem muito a aprender com o Brasil. Somos arcaicamente modernos. Numa pesquisa recente, a França tem a melhor qualidade de vida da Europa. Nada, claro, que possa nos superar.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Música para quem ainda está no trabalho
Cansaço, cansaço e cansaço. Meu dia de trabalho começou cedo. Muito cedo. E ainda tenho aula durante toda a jornada da noite. Um pouco de música me dá forças para continuar. Espero que te recarregue também.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
A sociologia de Gilberto Freyre
Ricardo Benzaquen, professor de sociologia do IUPERJ, dispensa maiores apresentações. É quase certo que você deve ter lido algum artigo ou livro de sua autoria. Por isso mesmo, acredito que vale a pena você assistir ao vídeo abaixo. Trata-se de uma aula proferida pelo mestre a respeito da obra de Gilberto Freyre. A atividade fez parte do Encontro Nacional da ANPOCS de 2008.
A cidadania e a AIDS
Transcrevo abaixo artigo de autoria do Deputado Chico D`Angelo (PT-RJ) e articulador da Frente Parlamentar HIV/ADS. O artigo foi publicado no jornal O GLOBO.
RAZÃO E SENSIBILIDADE
Ao longo dos anos, o Brasil construiu uma avançada política de controle da Aids, que é paradigma para outros países.
Entre os vários aspectos deste processo, há que se destacar o frequente ajuste das estratégias de atuação e a permanente mobilização social. Estas questões se interrelacionam, pois, além de garantir status de prioridade entre as políticas de saúde pública, o intenso ativismo de cerca de 500 organizações não governamentais proporciona sensibilidade e propicia ajustes que garantem a eficiência das ações voltadas para diferentes grupos populacionais.
Além da permanente ênfase na prevenção, a política de Aids tem sido levada a públicos estratégicos, mobilizando-os para o diagnóstico precoce do HIV. No entanto, dados do Ministério da Saúde demonstram que, se existem avanços nos grandes centros urbanos, ainda é preciso buscar alternativas para as cidades com menos de 50 mil moradores.
Em síntese, a Aids recua nas grandes cidades do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste, mas avança no interior do País. No Norte e Nordeste, as taxas aumentaram nas pequenas, médias e grandes cidades.
A Aids é um fenômeno social que envolve diversos tabus da sociedade, como a sexualidade, a homoafetividade e o uso de drogas. Não se pode executar uma política de controle da doença de forma homogênea, desconhecendo as amplas variações de comportamento.
Por isso, também são fundamentais ações que combatam o preconceito.
Estima-se que cerca de 630 mil brasileiros estejam infectados pelo HIV, mas supõe-se que 255 mil desses indivíduos nunca tenham feito o teste e, logo, não se saibam portadores do vírus.
Em 2009, a incidência da doença era maior entre moças do que entre rapazes, de 13 a 19 anos. Isto porque, em 2008, a proporção de mulheres com esse perfil que procuraram conhecer sua condição sorológica não passou de 50% do percentual estimado.
O medo do diagnóstico e da discriminação também são fortes aliados do mito de que a vulnerabilidade está limitada a segmentos específicos da sociedade, o que torna a importância do diagnóstico menor para o senso comum.
Consequentemente, entre 33% e 44% dos pacientes de Aids têm diagnóstico quando já apresentam o quadro clínico da doença e estima-se que 17% vão a óbito no primeiro ano após o diagnóstico.
Se os números mais recentes caracterizam a estabilização da doença, em termos nacionais, também deixam clara a necessidade de políticas locais diferenciadas, que levem em conta peculiaridades socioculturais da população.
Mobilizações itinerantes de testagem e iniciativas de organizações da sociedade civil muitas vezes acessam públicos com os quais os serviços formais têm dificuldade de aproximação. As pessoas vivendo com HIV e Aids são fundamentais neste esforço, pois são multiplicadoras de informações sobre a doença com maior credibilidade. Divulgar informações de forma estratégica e tornar o teste de Aids acessível a toda a população ainda são desafios que exigem a participação e o controle da sociedade.
Entre os avanços e recuos deste processo, cabe uma certeza: a política de controle da Aids é uma progressiva conquista da cidadania brasileira.
CHICO D’ANGELO é deputado federal (PT-RJ) e presidente da Frente Parlamentar HIV/Aids.
RAZÃO E SENSIBILIDADE
Ao longo dos anos, o Brasil construiu uma avançada política de controle da Aids, que é paradigma para outros países.
Entre os vários aspectos deste processo, há que se destacar o frequente ajuste das estratégias de atuação e a permanente mobilização social. Estas questões se interrelacionam, pois, além de garantir status de prioridade entre as políticas de saúde pública, o intenso ativismo de cerca de 500 organizações não governamentais proporciona sensibilidade e propicia ajustes que garantem a eficiência das ações voltadas para diferentes grupos populacionais.
Além da permanente ênfase na prevenção, a política de Aids tem sido levada a públicos estratégicos, mobilizando-os para o diagnóstico precoce do HIV. No entanto, dados do Ministério da Saúde demonstram que, se existem avanços nos grandes centros urbanos, ainda é preciso buscar alternativas para as cidades com menos de 50 mil moradores.
Em síntese, a Aids recua nas grandes cidades do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste, mas avança no interior do País. No Norte e Nordeste, as taxas aumentaram nas pequenas, médias e grandes cidades.
A Aids é um fenômeno social que envolve diversos tabus da sociedade, como a sexualidade, a homoafetividade e o uso de drogas. Não se pode executar uma política de controle da doença de forma homogênea, desconhecendo as amplas variações de comportamento.
Por isso, também são fundamentais ações que combatam o preconceito.
Estima-se que cerca de 630 mil brasileiros estejam infectados pelo HIV, mas supõe-se que 255 mil desses indivíduos nunca tenham feito o teste e, logo, não se saibam portadores do vírus.
Em 2009, a incidência da doença era maior entre moças do que entre rapazes, de 13 a 19 anos. Isto porque, em 2008, a proporção de mulheres com esse perfil que procuraram conhecer sua condição sorológica não passou de 50% do percentual estimado.
O medo do diagnóstico e da discriminação também são fortes aliados do mito de que a vulnerabilidade está limitada a segmentos específicos da sociedade, o que torna a importância do diagnóstico menor para o senso comum.
Consequentemente, entre 33% e 44% dos pacientes de Aids têm diagnóstico quando já apresentam o quadro clínico da doença e estima-se que 17% vão a óbito no primeiro ano após o diagnóstico.
Se os números mais recentes caracterizam a estabilização da doença, em termos nacionais, também deixam clara a necessidade de políticas locais diferenciadas, que levem em conta peculiaridades socioculturais da população.
Mobilizações itinerantes de testagem e iniciativas de organizações da sociedade civil muitas vezes acessam públicos com os quais os serviços formais têm dificuldade de aproximação. As pessoas vivendo com HIV e Aids são fundamentais neste esforço, pois são multiplicadoras de informações sobre a doença com maior credibilidade. Divulgar informações de forma estratégica e tornar o teste de Aids acessível a toda a população ainda são desafios que exigem a participação e o controle da sociedade.
Entre os avanços e recuos deste processo, cabe uma certeza: a política de controle da Aids é uma progressiva conquista da cidadania brasileira.
CHICO D’ANGELO é deputado federal (PT-RJ) e presidente da Frente Parlamentar HIV/Aids.
domingo, 4 de abril de 2010
Eleições na UFRN: a candidatura de Cipriano Maia
Cipriano Maia, atual Pró-Reitor de Extensão da UFRN, tem se colocado com um dos candidatáveis à sucessão do Professor Ivonildo Rego. A seu favor, Cipriano tem uma gestão eficiente e reconhecida à frente de uma pró-reitoria que não chega a ser exatamente uma vitrine. Igualmente significativa tem sido a sua atuação destemida e crítica nos colegiados superiores.
Nos dois espaços, Cipriano tem tomado a inclusão como mote de sua ação. Algo que se coaduna com a sua longa trajetória como profissional e gestor do SUS.
Contra Cipriano, de forma um tanto sorrateira, gesta-se um discurso pseudo-meritocrático e apolítico, que procura identificá-lo como um outsider no "mundo acadêmico", alguém muito bom para ser pró-reitor, mas, ainda, sem as "credenciais" para ser Reitor. Parece piada, mas não é. E o pior: tem quem leve a sério essa conversa mole...
Mas, deixando a politiquice e as baixarias de lado, o fato é que Cipriano tem todas as condições de enfrentar, de igual para igual, em todos os quesitos importantes a serem abordados em um processo eleitoral para Reitor, todos os demais candidatos(as) que têm aparecido nas conversas dos corredores da UFRN.
Voltarei ao assunto...
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