Do Ex-Blog do César Maia transcrevo a matéria abaixo. Fornece dados para uma análise mais profunda. Vale a pena conferir!
HOMICÍDIOS CAEM NO SUDESTE E SUL COM DESLOCAMENTO DA EXPORTAÇÃO DE COCAÍNA PELA ÁFRICA!
César Maia
1. O uso do índice de homicídios dolosos por cem mil habitantes como indicativo de violência deve ser analisado num contexto geral de criminalidade. Sempre que há um elemento exógeno aos níveis internos de violência e este se relaciona diretamente com os homicídios dolosos, há que se avaliar essa condição para não se cometer equívocos. Foi o caso das máfias antes e, nas últimas três décadas e meia, do tráfico de drogas na América Latina.
2. A correlação do tráfico de drogas com mortes violentas é direta e a correlação com outros tipos de criminalidade é indireta. E quanto maior o índice por habitantes, maior a correlação. Se algum fato novo alterar a dinâmica do tráfico de drogas, a análise da criminalidade deve ser mais abrangente que a circunscrita às mortes violentas. Incluindo, portando, os demais delitos e, em especial, Roubos e Furtos, que afetam a percepção de insegurança da população.
3. O índice de homicídios dolosos vem caindo nos últimos anos no sudeste e no sul do Brasil. Há um caso especial, que é o de S. Paulo, em que à razão geral se agrega a unificação das facções que operam no tráfico de drogas, o que acentuou a queda daquele índice. A razão geral mencionada é o deslocamento do corredor de exportação de cocaína para a Europa, que, em parte, saiu dos portos e aeroportos internacionais do Sudeste e Sul para o Nordeste.
4. Isso ocorre pela mudança da porta de entrada da cocaína na Europa, que sai da Península Ibérica e passa para a África Ocidental. Por exemplo: Guiné Bissau se transformou num narcoestado. Com isso, as plataformas por ar e por mar se deslocaram para o Nordeste, facilitadas por aeronaves e barcos de médio e pequeno porte atravessando o Atlântico.
5. Os índices de homicídios dolosos cresceram em geral no Nordeste, sendo exponenciados em cidades como Salvador e Maceió, que passaram a liderar as estatísticas entre as capitais. Recife mantém esta condição desde antes, pois seu aeroporto internacional e base portuária acompanhavam a lógica do Sudeste.
6. Por isso, ao se constatar a curva decrescente dos homicídios dolosos no Sudeste e Sul nos últimos anos, deve-se, antes de qualquer conclusão precipitada (como tem ocorrido), verificar outros indicadores, entre eles os Roubos e Furtos, que evidenciam, mais ainda que os homicídios, a exposição da população à violência e ao delito.
7. A secretaria de segurança do ERJ divulgou dias atrás, para publicação da imprensa, os números relativos a Homicídios Dolosos e mostrou a curva decrescente que vem desde quase 10 anos atrás, com oscilações eventuais. A tendência tem sido essa. De forma precipitada os números foram divulgados com manchetes favoráveis, como se houvesse uma reversão do quadro de violência. Infelizmente não foi assim. Faltaram cuidados e análise das razões e do conjunto dos indicadores
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
A morte de um mestre, a perda de um amigo

Eu assimilo as notícias trágicas devagar. Assim, ainda estou sob estado de choque. Devo chorar mais tarde, sei bem. Por ora é só um nó terrível na minha garganta... Morreu Daniel Joseph Hogan, um grande pesquisador, um gestor impecável e uma figura humana fantástica.
Daniel foi, para mim, muito mais que um orientador de tese. Respeitoso, cuidadoso e rigoroso, Daniel é, até hoje, o melhor modelo de professor universitário. Sabe aquele cara que você se orgulha de conhecer e partilhar algo com ele? Esse era o Daniel Hogan...
Devo o meu contato com Daniel ao grande amigo Haroldo Gama Torres. E creio que, como eu, o Haroldo deve estar sofrendo muito. E não apenas nós, óbvio. Todos os que conviveram mais de perto com ele, especialmente seus companheiros de pesquisa no NEPAM e NEPO devem estar sofrendo muito com essa perda.
No site da UNICAMP você encontra mais informações sobre essa notícia triste.
terça-feira, 27 de abril de 2010
E Ciro Gomes?
Leia abaixo artigo de autoria do jornalista Alon Feuerwerker abordando, com consistência e objetividade, a posição de Ciro Gomes nas próximas eleições presidenciais. Ou, de forma mais provinciana(do ponto de vista disciplina, of course!), uma análise sobre jogo, jogador e conseqüências não-intencionais.
O amigo dos inimigos
Alon Feuerwerker
Ciro não percebeu os sinais de que o segundo mandato marcaria uma flexão importante na política de alianças de Lula: o lugar à direita de sua excelência estaria reservado não para animar os dispostos a lhe fazer o bem, mas para demover quem ameaçasse fazer-lhe o mal
Ciro Gomes é a enésima vítima de um sistema eleitoral cuidadosamente concebido para transformar a política brasileira nesta confederação de cartórios esclerosados. Oferecido pelo PSB na mesa de câmbio das negociações paroquiais, das pequenas ambições e do apetite exacerbado pelas miudezas, o razoável seria Ciro concorrer à Presidência por outro partido, ou como independente.
Não vai acontecer, porque o monopólio da política por legendas desobrigadas de praticar qualquer democracia interna foi no Brasil transformado em virtude.
Prazos de desincompatibilização, prazos de filiação, fidelidade partidária, proibição de propaganda paga nos veículos de comunicação, proibição de arrecadar recursos se você não for dono de partido (antes do “início oficial” da campanha), exigência de filiação partidária para concorrer. Todos remédios certificados para curar, mas que vão levando à morte do paciente na mão do neocoronelismo.
Houvesse uma Anvisa para o setor, os alquimistas da politicagem nacional estariam em péssimos lençóis.
Mas esta coluna não é sobre reforma política, é sobre Ciro Gomes e suas circunstâncias. Até 1994 ele teve uma carreira política brilhante. Em pouco mais de uma década já percorrera as posições de deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e ministro da Fazenda. Rompeu com o PSDB no início do governo Fernando Henrique e foi para o PPS. Conseguiu 10% dos votos na eleição presidencial de 1998, garantindo fôlego para disputar quatro anos depois com chances no primeiro turno — e participando decisivamente da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
Ciro entrou no governo Lula e esteve na linha de frente da batalha da reeleição. Ali cometeu o primeiro erro realmente grave. Não percebeu os sinais de que o segundo mandato marcaria uma flexão importante na política de alianças do presidente: o lugar à direita de sua excelência estaria agora reservado não para animar os dispostos a lhe fazer o bem, mas para demover quem ameaçasse fazer-lhe o mal. O velho ditado de manter os inimigos mais por perto ainda.
Se a flexão era mesmo necessária, Lula operou-a de maneira tosca e amadora, detalhe surpreendente num profissional da política. O presidente vem deixando um a um os aliados históricos (uso aqui o termo com alguma flexibilidade) sucumbirem em batalhas desiguais e desmoralizantes contra os neoamigos, refregas sempre temperadas por convenientes vazamentos palacianos sobre as “preferências pessoais” e a “torcida” do presidente. E sobre a “tristeza” após cada infeliz desfecho.
São as únicas batalhas que Lula “perde”. Nas demais ele sempre tenta a vitória com a faca nos dentes.
Descartada a candidatura, o quase ex-presidenciável Ciro Gomes tem hoje dois problemas.
O PT ameaça colocar em marcha o projeto de demolir o grupo dele no Ceará, caso Ciro não se junte à operação para liquidar a carreira política de Tasso Jereissati. É uma das muitas metas de Lula nesta eleição. Como Tasso e Ciro são — aí sim — aliados históricos, ao ponto de o tucano Tasso ter largado a candidatura presidencial de José Serra em 2002 para apoiar o parceiro, é coisa que Ciro não fará.
O segundo problema de Ciro é ter dinamitado as pontes com o outro lado. Num sistema linear de pensamento, isso deveria ter engordado seu cacife com o presidente. Mas diminuiu. Ao menos por enquanto, Ciro só tem bala para fazer mal a Lula em discursos. Coisa que pode ser facilmente neutralizada com os vazamentos de sempre, difundindo-se como Lula está “triste”, “chateado” ou “irritado”.
Um belo cardápio de supostos estados de espírito.
Alienação
De todo modo, Ciro presta pelo menos um serviço ao país nesta saída, ao advertir para os riscos da situação cambial.
O Banco Central dá sinais de que vai subir para valer o juro básico nos próximos meses. A medida irá acelerar a deterioração das contas externas e agravar nossa dependência dos investimentos diretos do exterior. Ou seja, da alienação de ativos para o exterior.
Enquanto isso, Lula discursa sobre o patriotismo do seu governo e o chanceler cuida de produzir factoides para preencher o noticiário.
Coluna (Nas entrelinhas) publicada neste domingo (25) no Correio Braziliense.
O amigo dos inimigos
Alon Feuerwerker
Ciro não percebeu os sinais de que o segundo mandato marcaria uma flexão importante na política de alianças de Lula: o lugar à direita de sua excelência estaria reservado não para animar os dispostos a lhe fazer o bem, mas para demover quem ameaçasse fazer-lhe o mal
Ciro Gomes é a enésima vítima de um sistema eleitoral cuidadosamente concebido para transformar a política brasileira nesta confederação de cartórios esclerosados. Oferecido pelo PSB na mesa de câmbio das negociações paroquiais, das pequenas ambições e do apetite exacerbado pelas miudezas, o razoável seria Ciro concorrer à Presidência por outro partido, ou como independente.
Não vai acontecer, porque o monopólio da política por legendas desobrigadas de praticar qualquer democracia interna foi no Brasil transformado em virtude.
Prazos de desincompatibilização, prazos de filiação, fidelidade partidária, proibição de propaganda paga nos veículos de comunicação, proibição de arrecadar recursos se você não for dono de partido (antes do “início oficial” da campanha), exigência de filiação partidária para concorrer. Todos remédios certificados para curar, mas que vão levando à morte do paciente na mão do neocoronelismo.
Houvesse uma Anvisa para o setor, os alquimistas da politicagem nacional estariam em péssimos lençóis.
Mas esta coluna não é sobre reforma política, é sobre Ciro Gomes e suas circunstâncias. Até 1994 ele teve uma carreira política brilhante. Em pouco mais de uma década já percorrera as posições de deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e ministro da Fazenda. Rompeu com o PSDB no início do governo Fernando Henrique e foi para o PPS. Conseguiu 10% dos votos na eleição presidencial de 1998, garantindo fôlego para disputar quatro anos depois com chances no primeiro turno — e participando decisivamente da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
Ciro entrou no governo Lula e esteve na linha de frente da batalha da reeleição. Ali cometeu o primeiro erro realmente grave. Não percebeu os sinais de que o segundo mandato marcaria uma flexão importante na política de alianças do presidente: o lugar à direita de sua excelência estaria agora reservado não para animar os dispostos a lhe fazer o bem, mas para demover quem ameaçasse fazer-lhe o mal. O velho ditado de manter os inimigos mais por perto ainda.
Se a flexão era mesmo necessária, Lula operou-a de maneira tosca e amadora, detalhe surpreendente num profissional da política. O presidente vem deixando um a um os aliados históricos (uso aqui o termo com alguma flexibilidade) sucumbirem em batalhas desiguais e desmoralizantes contra os neoamigos, refregas sempre temperadas por convenientes vazamentos palacianos sobre as “preferências pessoais” e a “torcida” do presidente. E sobre a “tristeza” após cada infeliz desfecho.
São as únicas batalhas que Lula “perde”. Nas demais ele sempre tenta a vitória com a faca nos dentes.
Descartada a candidatura, o quase ex-presidenciável Ciro Gomes tem hoje dois problemas.
O PT ameaça colocar em marcha o projeto de demolir o grupo dele no Ceará, caso Ciro não se junte à operação para liquidar a carreira política de Tasso Jereissati. É uma das muitas metas de Lula nesta eleição. Como Tasso e Ciro são — aí sim — aliados históricos, ao ponto de o tucano Tasso ter largado a candidatura presidencial de José Serra em 2002 para apoiar o parceiro, é coisa que Ciro não fará.
O segundo problema de Ciro é ter dinamitado as pontes com o outro lado. Num sistema linear de pensamento, isso deveria ter engordado seu cacife com o presidente. Mas diminuiu. Ao menos por enquanto, Ciro só tem bala para fazer mal a Lula em discursos. Coisa que pode ser facilmente neutralizada com os vazamentos de sempre, difundindo-se como Lula está “triste”, “chateado” ou “irritado”.
Um belo cardápio de supostos estados de espírito.
Alienação
De todo modo, Ciro presta pelo menos um serviço ao país nesta saída, ao advertir para os riscos da situação cambial.
O Banco Central dá sinais de que vai subir para valer o juro básico nos próximos meses. A medida irá acelerar a deterioração das contas externas e agravar nossa dependência dos investimentos diretos do exterior. Ou seja, da alienação de ativos para o exterior.
Enquanto isso, Lula discursa sobre o patriotismo do seu governo e o chanceler cuida de produzir factoides para preencher o noticiário.
Coluna (Nas entrelinhas) publicada neste domingo (25) no Correio Braziliense.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Qual o referente?
Uma trilogia que seduz tanto quanto Tolkien
Tá, tá, é uma obra que cativa mais os adolescentes. Minha enteada, por exemplo, não consegue desgrudar dos livros. Devorou as quase quinhentas páginas do primeiro volume em três dias. Agora, está me cobrando que eu termine logo o segundo volume.
O negócio vicia tanto que você, quando começa a ler, não consegue mais abandonar a leitura. O autor, já falecido, infelizmente, devia ser uma espécie de bruxo... Só pode ser isso...
Estou me referindo, claro!, à trilogia millenium. Com mil coisas prá fazer, mas não consigo desgrudar da leitura... Eu estou me sentindo com quando comecei a devorar, há muitos anos, "O Senhor dos Anéis". Olha, tem uma edição econômica (29 pila cada volume...). Sei não, mas acho díficil você parar de ler após começar... Quer se livrar do tédio e da chateação? Entre no mundo da hacker Lisbeth Salander. De quebra, tenha uma aula sobre cibercriminalidade, violência e crime organizado na Suécia contemporânea.
O negócio vicia tanto que você, quando começa a ler, não consegue mais abandonar a leitura. O autor, já falecido, infelizmente, devia ser uma espécie de bruxo... Só pode ser isso...
Estou me referindo, claro!, à trilogia millenium. Com mil coisas prá fazer, mas não consigo desgrudar da leitura... Eu estou me sentindo com quando comecei a devorar, há muitos anos, "O Senhor dos Anéis". Olha, tem uma edição econômica (29 pila cada volume...). Sei não, mas acho díficil você parar de ler após começar... Quer se livrar do tédio e da chateação? Entre no mundo da hacker Lisbeth Salander. De quebra, tenha uma aula sobre cibercriminalidade, violência e crime organizado na Suécia contemporânea.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
O plágio em debate na UFRN
Na próxima terça-feira, dia 27 de abril, em dois horários (8h30 e 19h30), teremos, na UFRN, um importante (e oportuno) debate sobre o plágio na produção acadêmica.
Confira abaixo os dados do debate:
Plágio: Crise ética ou crise da noção de autoria? Reflexões sobre formação acadêmica, novas tecnologias de informação e Direito.
Participantes:
Prof. Dr. Zéu Palmeira (Dep. de Direito Privado)
Prof. Dr. Alípio de Souza Filho (Dep. de Ciências Sociais)
Prof. Dr. Edmundo Pereira (Dep. de Antropologia)
Coordenação: Prof. Dr. Gabriel Vitullo (Dep. de Ciências Sociais)
Dia 27/048:30 hs, Auditório da Biblioteca Central
19:00 hs, Auditório B do CCHLA
Confira abaixo os dados do debate:
Plágio: Crise ética ou crise da noção de autoria? Reflexões sobre formação acadêmica, novas tecnologias de informação e Direito.
Participantes:
Prof. Dr. Zéu Palmeira (Dep. de Direito Privado)
Prof. Dr. Alípio de Souza Filho (Dep. de Ciências Sociais)
Prof. Dr. Edmundo Pereira (Dep. de Antropologia)
Coordenação: Prof. Dr. Gabriel Vitullo (Dep. de Ciências Sociais)
Dia 27/048:30 hs, Auditório da Biblioteca Central
19:00 hs, Auditório B do CCHLA
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