quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Uma defesa do voto obrigatório

Em artigo publicado na edição de hoje do jornal FOLHA DE SÃO PAULO, dois cientistas políticos defendem, com argumentos convincentes, a continuidade do voto obrigatório. Os "bem-pensantes", você sabe, descarregam as mazelas da política nacional na conta da obrigatoriedade do voto. Esse é um mito que serve a interesses bem identificáveis. Confira abaixo trechos do artigo.

JOÃO FERES JÚNIOR E FÁBIO KERCHE
Em defesa do
voto obrigatório
Seria irracional para um político eleito implementar políticas populares em um contexto em que o eleitorado de baixa renda vota menos
Uma das consequências das manifestações de junho foi ter colocado a reforma política mais uma vez em pauta. O grupo de trabalho constituído na Câmara apontou para avanços importantes, como a questão do financiamento de campanhas e das coligações nas eleições proporcionais. Entretanto, o fim do voto obrigatório é uma proposta que pode piorar o que se busca consertar.

Não há qualquer comprovação do argumento de que o voto obrigatório prejudica a qualidade de nossa democracia. O único dado concreto é que mantemos altas doses de participação em nosso processo eleitoral, mesmo sendo a obrigatoriedade do voto no Brasil muito mais simbólica do que real.

O eleitor pode justificar seu voto em qualquer seção eleitoral do país e aqueles que nem sequer isso fazem recebem a multa irrisória de R$ 3,50! Além disso, o eleitor pode inclusive manifestar sua indignação ao escolher anular seu voto nas modernas urnas de nosso sistema.

Quer ler o texto integral? Acesse aqui o site da Folha.

A prisão de Genoíno e o sofrimento partilhado

Genoíno inspirou a toda uma geração. Sua prisão de agora, ao contrário da anterior, sob a Ditadura, está sendo acompanhada, monitorada. E faz com o que seu sofrimento seja também sentido por todos nós que, há tempos, aprendemos a admirá-lo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Obstinadas linhas : uma esquisse de apresentação

Luciana de Oliveira Chianca*




Em 1995 chegava ao público Linhas Apagadas, publicado pela editora da UFPB  e com um prestigioso Prefácio de Manuel Correia de Andrade. Esta obra explicita a dinâmica do desaparecimento progressivo e definitivo dos bondes na cidade do Recife pelos anos 40 do século XX.

Ao contrário daquelas, este livro tem linhas obstinadas, que hoje se renovam nesta segunda edição (ed. Clube de autores, 2013).

Linhas Apagadas repousa numa sensível reflexão sobre o "misterioso caso" da extinção dos bondes no Brasil. Revelando como o discurso das classes dirigentes é reproduzido pelos meios de comunicação de massa num diálogo sem interlocução, Gilvando Sá Leitão Rios, sociólogo e professor da UFRPE, revela como se deu o investimento da imprensa recifense na formação de uma opinião pública que deveria acreditar que o sistema o bonde era "transporte de pobre".  Qual a íntima convicção e os verdadeiros interesses destes dirigentes?  Como se constrói um imaginário onde o combustível fóssil substitui a eletricidade, e o veículo de transporte individual aos poucos suplanta o coletivo?

Sem saudosismos, Gilvando Rios responde essas e outras perguntas, dialogando em completa abertura com conceitos sociológicos e filosóficos cruciais neste debate: a modernidade, o individualismo e o progresso por exemplo, são apreendidos em sua análise através de uma convincente contextualização atingida através de  noticias de jornal, propagandas impressas, crônicas e uma entrevista com Barbosa Lima Sobrinho, ex-governador de Pernambuco.

Através de Linhas Apagadas percebemos como algumas categorias nativas foram progressiva e ideologicamente construídos através da mídia escrita, para suportar um projeto nacional de substituição progressiva do capital inglês pelo norte americano, consolidando um modelo de industrialização e urbanização nacional cujas marcas conhecemos em nosso cotidiano contemporâneo.

Enfrentando o seu tempo, Gilvando Rios mostra também que apesar de apagados, silenciados, esquecidos ou ainda romantizados ou folclorizados noutras realidades e estados brasileiros, o bonde elétrico subsiste como um importante ícone da racionalidade e da sustentabilidade no transporte coletivo urbano em muitas partes do mundo.

Por estas e outras razões melhor explanadas para um leitor atento, Linhas Apagadas é hoje uma referencia nos estudos sobre a cidade, pois discute o transito, o transporte, a mobilidade, a urbanização e o direito à cidade no Brasil.  

Obrigada Gilvando Rios, por nos proporcionar esta apaixonante e deliciosa leitura que recomendo a todos que se interessam sinceramente por esses temas.
João Pessoa, 25/10/2013



*Dra. em Antropologia, profa. da UFPB

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A epidemia de homicídios na América Latina

Para a ONU, os homicídios na América Latina já se configuram como uma epidemia. Confira matéria do EL PAÍS a respeito aqui (em espanhol).

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Análise de Luiz Eduardo Soares sobre proposta de nova arquitetura para a segurança públcia

O Senador Lindbergh Farias propôs uma nova arquitetura para a segurança pública brasileira. Um dos quadros mais qualificados do senado brasileiro, o senador elaborou um conjunto de proposições que deveriam merecer um debate mais qualificado por todos quantos nos preocupamos com a temática da segurança no nosso país.

Leia aqui a proposta do Senador e aqui uma análise do antropólogo Luiz Eduardo Soares.

O significado da vitória de Mineiro nas eleições internas do PT

O grupo ligado ao Deputado Fernando Mineiro está ganhando a presidência dos principais diretórios municipais do PT no RN. Mais importante ainda: deve levar a presidência do diretório estadual.

Isso muda pouco nos arranjos e acordos que estão sendo construídos desde cima e que desagradam as bases locais. A Presidenta Dilma já bateu o martelo e indicou que o que está em jogo é a disputa nacional. Mas, no mínimo, o resultado do final do semana indica algo: há que se ter mais jogo de cintura para fazer as tais bases engolirem os acordos costurados.

sábado, 9 de novembro de 2013

Albert Camus, nosso contemporâneo

Clique aqui e leia (em espanhol) um ótimo texto de Fernando Savater a respeito de Albert Camus. Aproveito para colocar, abaixo, o discurso do filósofo quando do recebimento do Prêmio Nobel.