sábado, 8 de maio de 2010

Ainda blogando com o freio de mão puxado

Pois é, mais uma semana devagar, quase parando. Prometi voltar com tudo, mas não deu. “As coisas” foram mais fortes do que eu. Estou, desde quinta-feira, adoentado. Assim que eu estiver 100%, espero que isso ocorra logo, estarei a postos, com a força de sempre. Conto com a sua paciência.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Jornalismo?

Passei na banca, hoje de manhã, e me deparei com a capa do jornal FOLHA DE SÃO PAULO de ontem. É estarrecedora a manchete a respeito de um suposto estímulo do governo para que as mães portadoras do vírus HIV tenham filhos. Cultiva o preconceito e estimula a ignorância. Meu Deus! Logo a Folha... E pensar que é o jornal que faz a cabeça da "elite pensante"...
É a lama para aonde nos leva o vale-tudo eleitoral... O fito, claro!, é bater no governo. Mas descendo assim...

Quem tudo quer...

Lula joga para levar tudo. Essa, nem sempre, é a melhor postura de um jogador. Mas Lula tem experiência e já demonstrou competência em garantir o seu projeto. Nem que, para isso, tenha que destroçar o PT. Leia abaixo a análise de Feuerwerker a respeito.

Escravo da ribalta (04/05)
Alon Feuerwerker.

Mais do que demonstração de força, a blitz do presidente nos últimos dias talvez seja sintoma de alguma fragilidade. Lula não quer só ganhar. Quer fazer barba, cabelo e bigode, para Dilma governar sem oposição efetiva. Terá força para tanto?A largada desta etapa da “pré-campanha” presidencial neutralizou o ambiente de euforia no campo governista que marcou os primeiros meses do ano. A oposição mostrou duas coisas não exibidas até então: disposição para o embate e capacidade de articular um discurso. Acostumados a jogarem sozinhos ao longo de muito tempo, o presidente da República e o PT dão sinais de, como se diz no boxe, terem sentido o golpe.

Um sintoma é o pronunciamento de Luiz Inácio Lula da Silva em rede nacional de TV por motivo do Dia do Trabalho. Questões procedimentais à parte, ele provoca pelo menos uma dúvida: por que o presidente precisa adotar comportamento algo heterodoxo agora, se daqui a pouquinho ele terá o gordo tempo de televisão de Dilma Rousseff na campanha, para se fartar de mandar o eleitor votar nela?

A resposta deve ser buscada na lógica das construções políticas. O presidente entrou em campo nos últimos dias menos para impressionar o público — ainda nem aí para a eleição — e mais para causar boa impressão aos aliados. O processo eleitoral entra agora na fase decisiva da costura de alianças, e Lula quis deixar claro aos amigos em potencial que ele tem sim um discurso para, como se diz nas entranhas do governo, desconstruir a oposição.

Isso para os potencialmente amigos não cederem à tentação de virarem inimigos. Um fenômeno sempre ameaçador em exércitos que, antes de tudo, estão juntos por interesses apenas materiais.

Assim, mais do que demonstração de força, a blitz do presidente nos últimos dias talvez seja sintoma de alguma fragilidade.

Lula tem objetivos ambiciosos em 2010. Além de eleger Dilma, pretende remover o PSDB do poder em São Paulo e Minas Gerais, e também encerrar a carreira política dos que lhe fizeram oposição cerrada no Congresso Nacional, com foco no Senado. Ali, Lula projeta construir para Dilma uma maioria folgada, deixando o futuro governo petista de mãos livres para as reformas constitucionais que bem entender.

Lula não quer só ganhar. Quer fazer barba, cabelo e bigode, para Dilma governar sem oposição efetiva. Terá força para tanto? Quais são os trunfos de Dilma e de Lula na eleição? A aliança dos maiores partidos, o maior tempo na tevê, a popularidade do presidente.

Tempo de TV é importante, mas a história das eleições brasileiras está cheia de exemplos de não ser tudo. As alianças são importantes, mas eleição presidencial embute bom grau de autonomia do eleitor na relação com os candidatos. E o apoio de Lula, qual será o peso efetivo dele na hora da decisão?

Há certezas e dúvidas sobre como o cidadão comum enxerga o presidente. Certezas? Ele o vê como alguém que faz um bom governo, de realizações reconhecidas. E valoriza sua trajetória. As dúvidas estão em outro lugar. Até que ponto Lula é um líder a quem a maioria seguirá incondicionalmente? Até que ponto o pragmatismo presidencial não acabou diluindo, no transcorrer do governo, uma certa relação afetiva que o eleitor não petista talvez mantivesse com o líder histórico do PT?

O filme sobre a vida de Lula, por exemplo, não foi um sucesso de bilheteria. Ao contrário. Uns dizem que a fita é simplesmente ruim, mas o insucesso não foi previsto quando ela estreou, ou pré-estreou. Muita gente boa que viu na época apostou na capacidade de a obra galvanizar emocionalmente o país, com óbvios efeitos no processo eleitoral. Simplesmente não aconteceu.

Num extremo, o entorno de Lula busca convencê-lo de que se transformou num guia condutor de almas, para além da simples racionalidade. No outro, a oposição gostaria de acreditar que Lula só transferirá a Dilma os votos que ela já teria por ser a candidata do PT. A verdade está em algum lugar no meio. Onde? Ninguém, no governo ou na oposição, tem certeza. Daí que Lula tenha precisado voltar à ribalta. De onde não consegue sair sem gerar na turma dele uma sensação chata de insegurança.

(...)
Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta terça (04) no Correio Braziliense.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A análise das pesquisas eleitorais

Transcrevo abaixo artigo de autoria de César Maia a respeito de como analisar as pesquisas eleitorais. Acredito que seja do interesse de todos quantos se interessam pela análise eleitoral.

PESQUISAS ELEITORAIS E "JOGO DE COORDENAÇÃO"!

Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP (01).

1. Uma pesquisa de opinião pública, sobre qualquer questão, depende da informação ter chegado às pessoas. Fazer uma pesquisa de opinião no Brasil sobre os conflitos subnacionais na Bélgica neste momento não dará nenhum resultado, mesmo que parte das pessoas marque uma resposta. Da mesma forma, quando a informação a ser pesquisada é restrita, a pesquisa não testa opinião pública. Por exemplo: você acha que o Copom vai aumentar, diminuir ou deixar os juros iguais?

2. O processo básico para que uma pesquisa eleitoral traduza o que pensa a opinião pública é que o "jogo de coordenação" (expressão técnica) tenha se desenvolvido. Num processo eleitoral, a opinião das pessoas vai se formando em contato com a opinião de outras pessoas. Elas recebem informações dos candidatos e dos meios de comunicação e conversam entre si. É esse processo de tomada de decisão, a partir das conversas entre as pessoas, o que se chama de "jogo de coordenação".

3. Longe do processo eleitoral, quando os partidos ainda não iniciaram suas campanhas, sem sua própria TV/rádio e a imprensa ainda não priorizou a cobertura, as informações que chegam aos eleitores ainda são diluídas. Vale a memória dos nomes. No caso da eleição presidencial deste ano, um dos candidatos tem o nome mais conhecido por sua participação em outras eleições e em governos. O presidente da República, por um ano e meio, foi reduzindo essa vantagem, divulgando o nome de sua candidata e buscando colá-la às realizações do governo.

4. Mas quando o processo se abre e a mídia amplia os espaços pré-eleitorais é que se inicia o "jogo de coordenação". Os candidatos procuram colocar seus nomes e propostas no meio desse "jogo", assim como desqualificar os seus adversários. As pessoas passam a tratar do tema progressivamente. As pesquisas, portanto, medem, de início, opiniões frias e vão retratando de forma crescente a tendência efetiva da opinião eleitoral, a meio do "jogo de coordenação".

5. Os fatos eleitorais vão afetando essa opinião pública, mantendo ou alternando tendências. Dessa forma, as pesquisas divulgadas nestes meses falam da opinião pública antes do "jogo de coordenação". Os candidatos, em suas campanhas, vão influenciando esse "jogo" de maneira a que as conversas estimuladas pela propaganda, direta e indireta, produzam, no final, decisões a seu favor. E as pesquisas, que no início apenas faziam diagnóstico, no final passam a fazer prognóstico.

Música para um começo de jornada...

Violência na escola

A nota abaixo, transcrita do Ex-Blog do César Maia, vale como ponto de apoio para uma reflexão mais profunda.

BULLYING NAS ESCOLAS CHILENAS!

Fonte: María Isabel Toledo, Facultad de Psicología, UDP (emol, 27).

28% dos alunos dizem não se sentir felizes em suas escolas \ 30% dos alunos da quinta série foram agredidos no mês passado \ Os professores acham que são 51% \ 30% dos estudantes se sentem excluídos das atividades em classe \ 4% dos alunos são agredidos mais de uma vez ao dia \ 24% do bullying acontece nas salas de aula \ As intimidações ocorrem 10% a mais entre os meninos.

Blogando com o pé no freio...

Cansaço. Em meio a uma correria sem sentido - a alma não acompanha o corpo nesses dias, não tenho tido muito tempo para esse espaço que é fonte de prazer e alegria. Vou retomando aos poucos. Peço-lhes um cadinho de paciência. Já, já, volto com tudo.