quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Texto do IPEA sobre a desigualdade social no Brasil
Intitulado O RITMO DE QUEDA NA DESIGUALDADE NO BRASIL É ADEQUADO? EVIDÊNCIAS DO CONTEXTO HISTÓRICO E INTERNACIONAL, de autoria de Sergei Suarez Dillon Soares, é uma análise de boa qualidade técnica e uma ferramenta necessária para os que se dispõe a pensar sobre a realidade brasileira contemporânea. Acesse-o aqui.
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Entrevista de Wanderley Guilherme dos Santos

Um dos mais importantes cientistas políticos do país, Wanderley Guilherme dos Santos tem produzido, nos últimos anos, algumas das mais instigantes análises da realidade brasileira. Vale a pena, por isso, ler o que ele escreve. Indico, então, uma entrevista dele na revista do IPEA. Leia aqui (em PDF).
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Wanderley Guilherme dos Santos
Discurso de paraninfo.
Ontem à noite, com muito orgulho, fui, pela quarta vez nos últimos sete anos (uma em Londrina, na UEL, e as outras na UFRN), paraninfo de uma turma concluinte de Ciências Sociais. Mesmo ainda imerso em um período de recuperação de uma cirurgia, estive lá. É sempre muito gratificante, para um professor, receber esse tipo de reconhecimento dos alunos. Por isso, reproduzo, abaixo, o discuros que fiz ontem.
Meus caros,
Término de curso. Momento de festa. Fim de um período, início de um outro. Permitam-me, nesta despedida, mobilizar um pouco dos instrumentos teóricos usados em nossas aulas para uma conversa sobre o tempo. Especialmente esse tempo que vocês estão vivendo agora. E o tempo que se descortina para vocês.
Acredito que ocorre com vocês, nesse momento, o que ocorre com todos nós, na vida adulta. Tudo se passa, como se, não de súbito, mas, sorrateiramente, os astros tramassem, imergimos num tempo diferenciado. Tempo de (des) conhecimento de nós mesmos. De incômodo duradouro, porque ainda teimamos em pensar que somos iguais ao dia anterior, mas, no fundo, desconfiamos de que já não o somos. Olhamos no espelho: o rosto refletido parece o mesmo de sempre, mas, bem no fundo, sabemos que não é assim.
Pierre Bourdieu, o maior cientista social da segunda metade do século XX e alguém que tirou a sociologia da modorra e a tornou uma espécie esporte de combate intelectual, apontou-nos que o “pensamento escolástico” toma o tempo como se fosse uma exterioridade ao sujeito. Algo que se “tem” e que se pode controlar. Mas, lembra-nos ele em Meditações Pascalianas, nós “não estamos no tempo”, nós “fazemos o tempo”. Mas não o fazemos de forma livre e arbitrária. Fazemo-lo condicionado pelo nosso lugar social no mundo (ou, em sua terminologia, pelo habitus). E se o tempo é “feito” socialmente, é, como de resto, todas as dimensões da vida social, hierarquizado. Assim, há um tempo que vale muito e um outro que nada vale. O tempo “sem tempo” dos altos executivos e o tempo “sem nada” (e, portanto, do ponto de vista dos jogos sociais, sem importância) dos desempregados. A TV ajuda os que têm tempo de “sobra” (dado que estão excluídos do tempo social dos espaços sociais que verdadeiramente impactam o mundo) a “passarem o tempo”.
E o individualismo moderno que não é uma essência, e nem uma condenação divina, mas o subproduto de uma vida de trabalho e consumo de produtos que dispensam a partilha e a comunhão, vai, quase imperceptivelmente, nos distanciando de quem amamos e gostamos. É também Bourdieu quem nos alerta para algo que quase não notamos: como não temos tempo, damos presentes. É como se quiséssemos compensar as nossas ausências.
John Lennon disse certa vez que a vida é uma coisa que ocorre enquanto estamos ocupados fazendo outras coisas. O pior é que, enquanto fazemos as tais coisas, nos imaginamos deuses e pensamos que pudemos controlar o tempo. Lembro do escritor Dino Buzatti. Em seu majestoso livro O deserto dos tártaros, o romancista exemplifica, através da figura do militar Giovani Drogo, esse esvaziamento do tempo da vida pela espera do “grande acontecimento”. Esse personagem representa a todos nós, homens e mulheres produzidos pela modernidade. A clausura do nosso tempo ao jogo social (o qual não passa, como de resto tudo o que é jogado nos mais diversos campos sociais, de ilusões alimentadas pela nossa busca, mais que humana, de reconhecimento) nos torna cultivadores de saídas mágicas que nos salvem da cotidianidade cinzenta.
Mas, como diz a letra da música, a “vida é real” e nos prega ciladas inescapáveis. Firmamos compromissos, construímos laços de amizade e amamos, mas também nos esquecemos de alimentar tais laços, de reavivá-los. Enquanto fazemos as “coisas” imaginamos formas de responder as inquietações “mais que humanas” expressas nas relações de co-presença. Mas, eis que a “roda-viva” leva “tudo pra lá”. O encontro com aquele amigo, quase um “débito” na nossa co(n)ta de tempo, vai sendo adiado. Quando nos damos conta, passaram-se anos. O que dizer? O que fazer? O medo das mágoas e ressentimentos, porventura criados pela ausência, adia um pouco mais o encontro.
Em alguns momentos, em dilacerados rasgos de lucidez, reconhecemos que o tempo não pára. Quando completamos quarenta anos, não raro, somos assomados pela consciência de que a maior parte da vida, provavelmente já se foi. Mas, nem assim, conseguimos superar a voragem das horas.
Mas, se o tempo é, como afirmava o pai da sociologia, Émile Durkheim, “uma construção social”, então, talvez seja possível a realização de pequenas subversões. O habitus não é uma condenação, penso eu.
“Gostaria de remediar as coisas e ter dado mais tempo para as pessoas”, talvez seja esse um dos nossos últimos pensamentos antes da morte. Por que não o fazemos? Porque a roda-vida, forma poética de se referir às estruturas sociais, não é um mero moinho-de-vento, mas algo muito real, que molda nossas vidas e fornece substrato para as nossas identidades (para o que somos!).
Mas, subvertendo Maiakovsky, talvez devêssemos “arrancar alegrias”, não do “futuro” redentor imaginado pelo trágico poeta russo, mas do nosso sofrido presente. Que tal resistir aos apelos do consumo, não darmos presentes, mas, sim, um pouco de tempo,e, portanto, de nós mesmos, as pessoas que gostamos e amamos? Espero que vocês concluintes, nessa noite de festa, partilhada com os seus parentes, não comecem já a trair os pactos de amizade construídos nos anos passados nesta instituição.
Então, por favor, celebrem hoje, amanhã e sempre tudo o que conquistaram aqui. E não me refiro apenas ao diploma. Mais aos laços afetivos que os unem. Afinal, vocês não são a turma concluinte do curso de ciências sociais de 2008 por mero acaso...
Meus caros,
Término de curso. Momento de festa. Fim de um período, início de um outro. Permitam-me, nesta despedida, mobilizar um pouco dos instrumentos teóricos usados em nossas aulas para uma conversa sobre o tempo. Especialmente esse tempo que vocês estão vivendo agora. E o tempo que se descortina para vocês.
Acredito que ocorre com vocês, nesse momento, o que ocorre com todos nós, na vida adulta. Tudo se passa, como se, não de súbito, mas, sorrateiramente, os astros tramassem, imergimos num tempo diferenciado. Tempo de (des) conhecimento de nós mesmos. De incômodo duradouro, porque ainda teimamos em pensar que somos iguais ao dia anterior, mas, no fundo, desconfiamos de que já não o somos. Olhamos no espelho: o rosto refletido parece o mesmo de sempre, mas, bem no fundo, sabemos que não é assim.
Pierre Bourdieu, o maior cientista social da segunda metade do século XX e alguém que tirou a sociologia da modorra e a tornou uma espécie esporte de combate intelectual, apontou-nos que o “pensamento escolástico” toma o tempo como se fosse uma exterioridade ao sujeito. Algo que se “tem” e que se pode controlar. Mas, lembra-nos ele em Meditações Pascalianas, nós “não estamos no tempo”, nós “fazemos o tempo”. Mas não o fazemos de forma livre e arbitrária. Fazemo-lo condicionado pelo nosso lugar social no mundo (ou, em sua terminologia, pelo habitus). E se o tempo é “feito” socialmente, é, como de resto, todas as dimensões da vida social, hierarquizado. Assim, há um tempo que vale muito e um outro que nada vale. O tempo “sem tempo” dos altos executivos e o tempo “sem nada” (e, portanto, do ponto de vista dos jogos sociais, sem importância) dos desempregados. A TV ajuda os que têm tempo de “sobra” (dado que estão excluídos do tempo social dos espaços sociais que verdadeiramente impactam o mundo) a “passarem o tempo”.
E o individualismo moderno que não é uma essência, e nem uma condenação divina, mas o subproduto de uma vida de trabalho e consumo de produtos que dispensam a partilha e a comunhão, vai, quase imperceptivelmente, nos distanciando de quem amamos e gostamos. É também Bourdieu quem nos alerta para algo que quase não notamos: como não temos tempo, damos presentes. É como se quiséssemos compensar as nossas ausências.
John Lennon disse certa vez que a vida é uma coisa que ocorre enquanto estamos ocupados fazendo outras coisas. O pior é que, enquanto fazemos as tais coisas, nos imaginamos deuses e pensamos que pudemos controlar o tempo. Lembro do escritor Dino Buzatti. Em seu majestoso livro O deserto dos tártaros, o romancista exemplifica, através da figura do militar Giovani Drogo, esse esvaziamento do tempo da vida pela espera do “grande acontecimento”. Esse personagem representa a todos nós, homens e mulheres produzidos pela modernidade. A clausura do nosso tempo ao jogo social (o qual não passa, como de resto tudo o que é jogado nos mais diversos campos sociais, de ilusões alimentadas pela nossa busca, mais que humana, de reconhecimento) nos torna cultivadores de saídas mágicas que nos salvem da cotidianidade cinzenta.
Mas, como diz a letra da música, a “vida é real” e nos prega ciladas inescapáveis. Firmamos compromissos, construímos laços de amizade e amamos, mas também nos esquecemos de alimentar tais laços, de reavivá-los. Enquanto fazemos as “coisas” imaginamos formas de responder as inquietações “mais que humanas” expressas nas relações de co-presença. Mas, eis que a “roda-viva” leva “tudo pra lá”. O encontro com aquele amigo, quase um “débito” na nossa co(n)ta de tempo, vai sendo adiado. Quando nos damos conta, passaram-se anos. O que dizer? O que fazer? O medo das mágoas e ressentimentos, porventura criados pela ausência, adia um pouco mais o encontro.
Em alguns momentos, em dilacerados rasgos de lucidez, reconhecemos que o tempo não pára. Quando completamos quarenta anos, não raro, somos assomados pela consciência de que a maior parte da vida, provavelmente já se foi. Mas, nem assim, conseguimos superar a voragem das horas.
Mas, se o tempo é, como afirmava o pai da sociologia, Émile Durkheim, “uma construção social”, então, talvez seja possível a realização de pequenas subversões. O habitus não é uma condenação, penso eu.
“Gostaria de remediar as coisas e ter dado mais tempo para as pessoas”, talvez seja esse um dos nossos últimos pensamentos antes da morte. Por que não o fazemos? Porque a roda-vida, forma poética de se referir às estruturas sociais, não é um mero moinho-de-vento, mas algo muito real, que molda nossas vidas e fornece substrato para as nossas identidades (para o que somos!).
Mas, subvertendo Maiakovsky, talvez devêssemos “arrancar alegrias”, não do “futuro” redentor imaginado pelo trágico poeta russo, mas do nosso sofrido presente. Que tal resistir aos apelos do consumo, não darmos presentes, mas, sim, um pouco de tempo,e, portanto, de nós mesmos, as pessoas que gostamos e amamos? Espero que vocês concluintes, nessa noite de festa, partilhada com os seus parentes, não comecem já a trair os pactos de amizade construídos nos anos passados nesta instituição.
Então, por favor, celebrem hoje, amanhã e sempre tudo o que conquistaram aqui. E não me refiro apenas ao diploma. Mais aos laços afetivos que os unem. Afinal, vocês não são a turma concluinte do curso de ciências sociais de 2008 por mero acaso...
Voto útil de esquerda
A disputa por uma vaga na Câmara Municipal de Natal reedita situações típicas das eleições da primeira metade da década de oitenta. Quem é mais velho, com certeza, lembra do "voto útil" pregado pelo PMDB, em detrimento do PT e do PDT, para justificar o voto em seus candidatos, os únicos com possibilidade de derrotar os "herdeiros da ditadura" (a fauna engajada no então PDS). Pois não é que, devido a Operação Impacto, o tal do voto útil está de volta. Muita gente, preocupada em garantir a eleição ao menos de um vereador de esquerda e, ao mesmo tempo, não ajudar a eleger alguma das raposas flagradas por aquela operação policial, está aportando de malas e bagagens na candidatura de George Câmara, do PC do B. Isso é especialmente verdade no que diz respeito a estudantes, funcionários e professores da UFRN.
A eleição começa a esquentar em Natal
Enfim! A disputa pela prefeitura da cidade do Natal, finalmente, começou a esquentar. E quem faz a festa são os advogados. Com as eleições cada vez mais tuteladas pelo judiciário, os advogados são alçados à condição de atores principais. É mandado judicial para todos os lados. E juízes desperdiçam o seu precioso tempo decidindo se alguém pode dizer que a outra é "dona de televisão" e se fulana "trouxe verbas para Natal". Quanta besteira!
Tratam o eleitor como um demente. Como se ele precisasse, a todo momento, ser protegido para "fazer sua escolha". Ora, o eleitor é um ator reflexivo e faz suas escolhas levando em conta muitos fatores, e não só aqueles que os "bem pensantes" gostariam que ele tomasse como referências.
Pessoalmente, acho que liberdade de expressão politiza mais e produz melhores escolhas. A tutela e o paternalismo tornam as eleições cansativas e modorretas.
Mas, como ia dizendo, a eleição esquentou. As principais candidatas começaram a descer dos tamancos. Isso e bom! Precisamos de mais política e menos marketing. Agora é torcer para que os "operadores do direito" não queiram tomar o centro do palco.
Tratam o eleitor como um demente. Como se ele precisasse, a todo momento, ser protegido para "fazer sua escolha". Ora, o eleitor é um ator reflexivo e faz suas escolhas levando em conta muitos fatores, e não só aqueles que os "bem pensantes" gostariam que ele tomasse como referências.
Pessoalmente, acho que liberdade de expressão politiza mais e produz melhores escolhas. A tutela e o paternalismo tornam as eleições cansativas e modorretas.
Mas, como ia dizendo, a eleição esquentou. As principais candidatas começaram a descer dos tamancos. Isso e bom! Precisamos de mais política e menos marketing. Agora é torcer para que os "operadores do direito" não queiram tomar o centro do palco.
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terça-feira, 9 de setembro de 2008
Marcos Nobre põe o dedo na ferida
O Professor Marcos Nobre, em sua coluna de hoje na Folha, coloca as coisas no seu devido lugar no que diz respeito à chamada "crise do grampo". Coloco, abaixo, trechos do artigo.
MARCOS NOBRE
Como se faz uma crise
NO QUE FOI divulgado até agora no episódio do grampo, não há nada que permita concluir que haja uma tentativa de controle ilegal de um Poder sobre o outro. Por que então Gilmar Mendes atua para produzir uma crise entre os Poderes? Por que diz que todo o Poder Judiciário foi atacado, tentando com isso transformar uma ilegalidade em uma crise institucional?
Deve haver muitas explicações para isso. Em termos políticos, o estímulo à crise serve para que Gilmar Mendes consiga pelo menos provisoriamente unir sob sua autoridade um STF fraturado e estruturalmente dividido. Mas seu objetivo é ainda mais ambicioso: pretende submeter todo o Poder Judiciário a seu comando.
Indícios disso não faltam. Gilmar Mendes viu insubordinação na decisão do juiz de primeira instância que ordenou por duas vezes a prisão de Daniel Dantas. Em encontro com integrantes da CPI dos Grampos, teria afirmado que grupos de juízes, procuradores e policiais federais atuariam como uma espécie de "milícia". E, no fundo, o controle das instâncias inferiores de jurisdição é o principal assunto do diálogo do grampo divulgado pela revista "Veja".
(...)
É inegável o avanço representado pela criação do CNJ. Mas a produção da atual crise mostra que concentrar o poder jurisdicional e o poder administrativo em uma única pessoa traz para o controle administrativo projetos e disputas políticas que não lhe dizem respeito e que podem impedir o seu devido funcionamento.
Até o momento, as respostas à crise dos grampos foram as propostas de criminalização agravada para escutas ilegais e a criação de uma agência de controle da atuação da Abin. A atual dupla presidência de Gilmar Mendes -do STF e do CNJ- mostra a necessidade de uma outra mudança na legislação: que a presidência do CNJ seja exercida por um ministro do STF, mas não necessariamente pelo seu presidente. O Judiciário e a democracia agradecem.
Assinante UOL lê a matéria completa aqui.
MARCOS NOBRE
Como se faz uma crise
NO QUE FOI divulgado até agora no episódio do grampo, não há nada que permita concluir que haja uma tentativa de controle ilegal de um Poder sobre o outro. Por que então Gilmar Mendes atua para produzir uma crise entre os Poderes? Por que diz que todo o Poder Judiciário foi atacado, tentando com isso transformar uma ilegalidade em uma crise institucional?
Deve haver muitas explicações para isso. Em termos políticos, o estímulo à crise serve para que Gilmar Mendes consiga pelo menos provisoriamente unir sob sua autoridade um STF fraturado e estruturalmente dividido. Mas seu objetivo é ainda mais ambicioso: pretende submeter todo o Poder Judiciário a seu comando.
Indícios disso não faltam. Gilmar Mendes viu insubordinação na decisão do juiz de primeira instância que ordenou por duas vezes a prisão de Daniel Dantas. Em encontro com integrantes da CPI dos Grampos, teria afirmado que grupos de juízes, procuradores e policiais federais atuariam como uma espécie de "milícia". E, no fundo, o controle das instâncias inferiores de jurisdição é o principal assunto do diálogo do grampo divulgado pela revista "Veja".
(...)
É inegável o avanço representado pela criação do CNJ. Mas a produção da atual crise mostra que concentrar o poder jurisdicional e o poder administrativo em uma única pessoa traz para o controle administrativo projetos e disputas políticas que não lhe dizem respeito e que podem impedir o seu devido funcionamento.
Até o momento, as respostas à crise dos grampos foram as propostas de criminalização agravada para escutas ilegais e a criação de uma agência de controle da atuação da Abin. A atual dupla presidência de Gilmar Mendes -do STF e do CNJ- mostra a necessidade de uma outra mudança na legislação: que a presidência do CNJ seja exercida por um ministro do STF, mas não necessariamente pelo seu presidente. O Judiciário e a democracia agradecem.
Assinante UOL lê a matéria completa aqui.
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