Devo ao colega Alex Galeno, professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN, a assertiva de que a esquerda brasileira, em especial a dita acadêmica, teme o gozo da vitória. Daí adorar tanto a derrota. Na prática, isso se traduz, sempre, na elaboração dos piores cenários. Lembrei-me do Alex quando soube ontem, por fonte merecedora de crédito, que, em uma performance acadêmica recente, certo luminar do marxismo acadêmico brasileiro, comentando a vitória eleitoral de Barak Obama afirmou, para espanto da platéia, o seguinte: “não se iludam com o Obama, ele é um negro de alma braça (sic)”. Dado que há um clima de comemoração, nas áreas, digamos, mais arejadas da vida social com a eleição de Obama, é necessário, para se ser crítico, supõe a vulgata, mobilizar todas as armas (decerto, pelo visto, não as "da crítica) contra as "falsas ilusões". Além do medo do gozo ou, quem sabe, um gozo limitado à derrota, esse tipo de afirmação não é apenas uma manifestação “infeliz”, mas também reveladora do racismo embutido que viceja em certos ambientes acadêmicos brasileiros.
Em tempo: o luminar que produziu a pérola racista é tido nas searas do serviço social como uma espécie de “guia genial”. Suas obras, geralmente referenciadas em Lukacs, são incorporadas por alunos e alunas da área (tanto da graduação quanto da pós) com o mesmo fervor com que a militância chinesa da Revolução Cultural devorava o “Livro Vermelho” de Mao-Tse-Tung.
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
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