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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Violência e criminalidade no Grandes Temas

Grandes Temas é um espaço privilegiado para o debate público na televisão potiguar. Tenho participado, de vez em quando, de alguns programas. Ontem, segunda-feira, mais uma vez, estive lá discutindo violência e segurança pública no RN. Na companhia do Delegado e Vereador Heráclito Noé, da Delegada Geral de Polícia e do jornalista Paulo de Sousa, do Diário de Natal. A produção do programa, mais uma vez, foi muito boa. E Vânia Marinho, com a sua competência e brilho, garante um debate de qualidade. Foi uma experiência realmente gratificante. A TV Universitária, com o Programa Grandes Temas (agora com uma hora e quarenta minutos), cumpre um importante papel na democratização das comunicações no Rio Grande do Norte.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A TV e o intelectual desencantado

Jesus Martin-Barbero (veja aqui, em espanhol, seus dados biográficos) é um cientista social colombiano dedicado à reflexão sobre a relação entre a cultura de massas e os meios de comunicação na América Latina. Sua vasta produção é conhecida em muitos territórios disciplinares, mas é especialmente levada em conta na área da comunicação. Em um texto recente, Barbero faz uma interessante análise sobre a relação dos intelectuais com a televisão. Intitulado "La desencantada experiencia del intelectual contemporáneo", o texto pode ser acessado aqui.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O populismo eletrônico: um artigo de Alex Galeno




Alex Galeno, o cara da foto acima, é professor de sociologia da UFRN e um criativo analista do social. Tem diversas obras e artigos publicados (veja aqui o seu curriculum lattes) sobre política, literatura e epistemologia. Nos brinda, agora, com um texto sobre o peso do populismo eletrônico nestas eleições municipais. Leia-o aí abaixo.

Populistas eletrônicos

Vivemos a proliferação de Homo Videns (Sartori). Sujeitos construídos artificialmente por imagens eletrônicas e, em geral, desprovidos de consistência e do lastro do pensamento. Não existem porque pensam, mas existem porque aparecem. São políticos que se assemelham a vedetes televisivas. A conseqüência desse sentimento midiático é transferida para a política. Assistimos na passarela eleitoral, em Natal, diversos homo videns dessa espécie. A começar pela candidata Micarla de Sousa - PV. Uma candidatura forjada (editada?) pela imagem de seu programa diário na emissora da qual é proprietária. Aparece sob os efeitos das lentes do fotógrafo de estrelas da revista Playboy, J.R. Duran. Com cabelos alisados, dentes branqueados, roupas de grifes, fala com sotaque para parecer diferente. Uma espécie de Alice ingênua e imatura politicamente, que diante dos desafios e dificuldades para discernir o caminho certo para o destino de nossa cidade, poderá escolher qualquer um. O mais importante. Sob a chancela da bandeira ecológica se diz defensora do meio-ambiente, embora esteja aliada com aqueles que mais têm destruído o ambiente e representado o capital especulativo na história da cidade do Natal. Refiro-me ao DEM do senador de grife, José Agripino. Sua única tradição em política é sua filiação ao já falecido senador populista Carlos Alberto. Que usou programas na TV e nas rádios para doar cadeiras de rodas. Este fez escola. Basta que olhemos o atual deputado estadual Luis Almir ( PSDB), quando na televisão se transforma num chefe político eletrônico que despacha com seus espectadores. Podemos destacar ainda: Gilson Moura, atual deputado estadual-PV e candidato a prefeito em Parnamirim, Aquino Neto, Salatiel de Sousa e Paulo Wagner, todos concorrendo a uma vaga na câmara municipal de Natal. Este último parece mais um ator que encena cotidianamente, em seu programa, espetáculos da crueldade. Lembrando os espetáculos nos antigos coliseus romanos, quando nobres assistiam aos leões estraçalharem pessoas. Uma espécie de xerife eletrônico destilando moralismo e punições aos mais pobres.

As celebridades midiáticas são eficientes na relação com seus espectadores-eleitores. Caso contrário, não estariam representando seus papéis no teatro político das eleições. A TV e seus programas têm transformado o tradicional líder carismático da política, numa celebridade de auditório. O princípio da liderança das ruas, hoje, parece substituído pelo princípio do programa televisivo. A política virou edição e se apresenta como videoclipe. E aí reside o perigo civilizatório. O Brasil já vivenciou tal vedetismo quando da eleição de Fernando Collor de Melo para a presidência da República. O homem que parecia portar a imagem do justiceiro caçador de marajás, mas quando a população se deu conta que se tratava de um ilusionista ou de uma imagem fake, foi para as ruas pedir seu impeachment. Natal deverá ficar atenta a esta experiência midiática e histórica da política. A cidade não é uma TV com seus programas e apresentadores ávidos por audiências eleitorais. Nem sua administração é uma ilha de edição que transforma seus habitantes em meros espectadores-eleitores.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A TV e as eleições: uma visão pragmática

Abaixo, reproduzo uma visão pragmática sobre o papel da TV como instrumento da disputa política eleitoral. Trata-se de análise desenvolvida por César Maia, em seu "Ex-Blog" de hoje.

"A TV NAS ELEIÇÕES HOJE!

1. Desde 2003 que se sente um impacto cada vez menor dos programas e comerciais políticos de TV sobre os eleitores. A "morte do comercial de 30 segundos" se sentiu especialmente na comunicação política.

2. Curiosamente, para os eleitores, quem tem muito pouco tempo de TV é como se não fosse competitivo, não estivesse no jogo. Mas ao contrário, quem tem muito tempo não tem mais a vantagem que tinha anteriormente. Em 2006, Cabral tinha mais que o dobro do tempo de Denise Frossard na TV, mas -na Capital- perdeu para ela a eleição no primeiro turno. Denise chegou a TV com 13%. Cabral com 40%. Depois de 45 dias, ela teve 31% e ele 30%. Crivella caiu de 22% para 14% neste período de TV.

3. A comunicação política na TV, hoje, para ser eficiente deve ser muito mais direta e menos rebuscada. As cenas chocantes voltam-se como bumerangue contra quem as usa. O eleitor já as vê todos os dias nos noticiários da TV. Não se impacta com um programa eleitoral. Quem sai com uma câmera na mão buscando desgraça na rua termina sendo parte dela mesma.

4. Há um nó fatal na comunicação em TV: confiança. Esse é o único decisivo. Como comunicar para que o eleitor tenha confiança no candidato? Esse é o X da questão. O conteúdo só entra, se o nó da confiança for aberto.

5. Esse ano as Olimpíadas entram atrasadas, entre 8 e 23 de agosto. E depois vem as dramatizações das coberturas da TV com as famílias dos medalhistas torcendo, chorando, com suas chegadas em carro do corpo de bombeiros, com suas vidas tão sacrificadas, com o apoio de um parente ou amigo, com o beijo de seu namorado ou namorada, esposo ou esposa ou filhos, ou pais... Isso no mínimo completa agosto. Será portando uma eleição de tiro curto.

6. Usar a TV a partir do dia 19 exigirá comunicar num ambiente de enormes ruídos. Não adianta falar alto. Deve-se falar certo. No ouvido. Quase murmurando pela TV. Abaixo do nó ou vértice da confiança vem o triângulo do perfil do candidato: proximidade, capacidade de realizar, ideologia ou tema. O ideal é um grande triangulo eqüilátero. Mas é raro. Se for um triângulo isósceles, que o vértice da maior altura, o seja muito alto, caracterizando claramente pelo menos um perfil.

7. O lugar adequado de bater forte é na internet."