Hélio Scwartsman pilota uma das colunas mais inteligentes da grande rede. Ancorada no UOL, a coluna trata, com criatividade, de temas geralmente negligenciados ou tratados com ligeireza pela imprensa diária. Leia abaixo uma instigante análise do resultado do ENEM recentemente divulgado. Repare, em especial, na mobilização criativa que o autor faz do clássico estudo de Coleman.
A escola serve para alguma coisa?
hélio schwartsman
Todo ano é a mesma coisa. O Ministério da Educação divulga os resultados do Enem por escola, os jornais montam os rankings de melhores e piores e diretores de colégios se lançam num recorrente bate-boca em que um acusa os truquezinhos utilizados pelo outro para inflar as notas médias e todos se queixam dos critérios utilizados para estabelecer a pontuação.
São questões legítimas, mas que às vezes me dão a impressão de passar ao largo do ponto central do debate. Pelo menos desde os anos 60, sociólogos, economistas e estatísticos tentam determinar o que chamam de "efeitos da escola". Numa tradução rude, tentam responder se a escola serve para alguma coisa --e a resposta tem sido mais negativa do que positiva.
Quem começou tudo foi o sociólogo James Samuel Coleman (1926-1995), que, a pedido do governo dos EUA, analisou dados de centenas de milhares de estudantes e professores e publicou em 1966 um relatório de mais de 700 páginas que mudaria para sempre o paradigma dos estudos educacionais. No que provavelmente é o maior achado do ªColeman Reportº, o autor mostrou que a extração familiar e a condição socioeconômica do estudante eram fatores muito mais importantes para explicar seu sucesso (ou fracasso) do que variáveis mais específicas como a qualidade dos professores, o gasto médio por aluno etc.
O trabalho de Coleman também revelou que jovens negros pobres se beneficiavam de estudar em instituições com garotos brancos de classe média, no que foi a justificativa pedagógica para a política de dessegregação racial das escolas americanas no final dos anos 60, mas essa é outra história.
De lá para cá, inúmeras pesquisas confirmaram o enorme peso das variáveis família e status socioeconômico, a ponto de alguns estudiosos chegarem muito perto de afirmar que matricular seu filho nas melhores escolas é irrelevante.
(...)
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
domingo, 9 de novembro de 2008
Vida de professor(a) será tema da próxima novela da Globo
Pesquei na Folha de São Paulo de hoje a notícia abaixo:
Novela das oito vai mostrar vida "infernal" de professores
Próxima novela das oito da Globo, "Caminho das Índias" vai retratar o "inferno" em que trabalham professores, principalmente de escolas públicas. Na trama, Sílvia Buarque e Deborah Bloch serão professoras. Duda Nagle interpretará um bad boy, filho de pais permissivos, que vive a infernizá-las.
"Há tempos venho conversando com professores na internet. Discutimos os problemas que eles vivem hoje nas salas de aula, enfrentando o desrespeito dos alunos, que atendem celulares, escutam MP3, papeiam livremente durante as aulas, indiferentes aos esforços do professor para se fazer ouvido. Isso quando a coisa não degringola em agressões, que vão parar no noticiário policial", conta a autora, Glória Perez.
Nos últimos meses, Perez recebeu relatos impressionantes de professores. Um deles afirmou ter recebido uma gravata (golpe em que a vítima fica imobilizada) de um aluno, enquanto os demais passavam as mãos em suas nádegas. Ele teve um colapso nervoso e mudou de profissão.
Perez irá comparar o ensino no Brasil e na Índia. "Vamos falar de educação, que é mais do que ensinar a ler e a escrever. Também é ensinar valores. Por isso a comparação com a Índia, onde se reverencia aquele que transmite alguma sabedoria ou alguma experiência."
Além dos maus alunos, Deborah Bloch, que interpretará Sílvia, terá de enfrentar a vilã Yvone (Letícia Sabatella), que Perez define como psicopata.
Comento:
Pela força da teledramaturgia na construção de pautas da sociedade brasileira, essa pode ser uma boa notícia. Para quem acompanha o cotidiano dos professores, especialmene daqueles dedicados ao ensino básico, não há muita novidade no que acima é tocado, mas, sabemos bem, quando o tema é incorporado em uma drama no horário nobre da Globo ganha outro estatuto. Esperemos que essa novela contribua para uma discussão substantiva sobre a educação e a juventude no Brasil contemporâneo.
Novela das oito vai mostrar vida "infernal" de professores
Próxima novela das oito da Globo, "Caminho das Índias" vai retratar o "inferno" em que trabalham professores, principalmente de escolas públicas. Na trama, Sílvia Buarque e Deborah Bloch serão professoras. Duda Nagle interpretará um bad boy, filho de pais permissivos, que vive a infernizá-las.
"Há tempos venho conversando com professores na internet. Discutimos os problemas que eles vivem hoje nas salas de aula, enfrentando o desrespeito dos alunos, que atendem celulares, escutam MP3, papeiam livremente durante as aulas, indiferentes aos esforços do professor para se fazer ouvido. Isso quando a coisa não degringola em agressões, que vão parar no noticiário policial", conta a autora, Glória Perez.
Nos últimos meses, Perez recebeu relatos impressionantes de professores. Um deles afirmou ter recebido uma gravata (golpe em que a vítima fica imobilizada) de um aluno, enquanto os demais passavam as mãos em suas nádegas. Ele teve um colapso nervoso e mudou de profissão.
Perez irá comparar o ensino no Brasil e na Índia. "Vamos falar de educação, que é mais do que ensinar a ler e a escrever. Também é ensinar valores. Por isso a comparação com a Índia, onde se reverencia aquele que transmite alguma sabedoria ou alguma experiência."
Além dos maus alunos, Deborah Bloch, que interpretará Sílvia, terá de enfrentar a vilã Yvone (Letícia Sabatella), que Perez define como psicopata.
Comento:
Pela força da teledramaturgia na construção de pautas da sociedade brasileira, essa pode ser uma boa notícia. Para quem acompanha o cotidiano dos professores, especialmene daqueles dedicados ao ensino básico, não há muita novidade no que acima é tocado, mas, sabemos bem, quando o tema é incorporado em uma drama no horário nobre da Globo ganha outro estatuto. Esperemos que essa novela contribua para uma discussão substantiva sobre a educação e a juventude no Brasil contemporâneo.
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