Domingo, para quem sabe que vai ficar em casa, como era o meu caso ontem, amedronta desde o dia anterior. Então, para a evitar a companhia da TV, minha mulher passou na locadora e pegou alguns filmes. Dentre eles, uma jóia rara chamada "As tartarugas podem voar". É cinema como não via há muito. Duro, cruel, cortante e demasiadamente humano. Dirigido por Bahman Ghodad, o filme é uma daquelas preciosidades vindas da antiga Pérsia.
Produção iraniana-iraquiana, "As tartarugas podem voar" dirige o nosso olhar para um mundo e um povo esquecidos. Para um país que, como a Palestina, quer existir. Teima em querer existir quando a geopolítica mundial aponta para o contrário. Refiro-me ao Curdistão. A ação do filme transcorre em uma aldéia curda iraquiana, mais precisamente em um mistura de aldeia e campo de refugiados. O momento é o que antecede à invasão do Iraque pelas tropas norte-americanas.
O filme nos pega pelo enredo, mas também pela interpretação realista emprestada à obra pelas crianças curdas. As crianças do filme, como tantas outras no mundo contemporânea, são as vítimas primeiras da guerra. E não apenas da guerra de agora. Mas de uma outra, igualmente sangrenta e cruel. A guerra conduzida por Saddam e sua Guarda contra o povo curdo.
No filme, entregues à própria sorte, as crianças buscam os caminhos mais improváveis para continuar vivendo. "Satélite" é uma delas. É o líder de um grupo de crianças, diversas delas mutiladas, dedicadas a recolher minas ainda não explodidas para vendê-las no infame mercado de armas das redondezas. Por que Satélite? Porque ele, com seus catorze anos, é um negociador, comunicador e um técnico em comunicações. E, por conta disso, é quem assme a tarefa, atribuída pelos anciãos, de adquirir uma parabólica para que a população local obtenha informações sobre os andamentos da guerra.
A vida de Satélite é revirada com a chegada à aldeia de uma bela menina, de não mais que treze anos, acompanhada de seu irmão sem braços e de uma criança - que ela rejeita com aspereza - e que, vamos a saber depois, é seu filho, resultado de um estupro coletivo perpetrado pelos soldados de Saddam quando da devastação de sua aldeia.
Descrito assim, o filme parece pouco atrativo. Mas, em que pese tal enredo e o realismo das cenas, a obra nos apresenta momentos de ternura, cenas caricatas e motivos para boas gargalhadas. Vale a pena, de verdade, assití-lo.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
domingo, 7 de setembro de 2008
Texto de Alejandro Portes sobre o conceito de capital social
Alejandro Portes, importante nome da sociologia norte-americana, especialista em estudos sobre migrações, é também teórico dedicado a potencializar as contribuições do conceito de capital social. Assumindo uma perspectiva teórica muito próxima daquela esposada pela Nova Sociologia Econômica (NSE), Portes tem articulado teoricamente insights presentes nas obras de Pierre Bourdiue e James Colemam sobre a temática. Por isso, vale a pena acessar aqui texto de sua autoria, intitulado "Capital social: origens e aplicações na sociologia ccontemporânea".
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Serrinha dos Pintos, município do oeste do RN, é notícia na Folha
O jornal Folha de São Paulo publica hoje uma matéria sobre doença rara que atinge moradores de Serrinha dos Pintos. Leia, abaixo, trechos dessa preocupante notícia.
Cidade do RN vira foco de doença rara
72 dos 73 portadores da síndrome de Spoan, descoberta em 2005, se concentram no oeste do Rio Grande do Norte
Doença degenerativa atinge principalmente filhos de primos de primeiro grau; portador tem dificuldade de enxergar e se locomover
EDUARDO SCOLESE
ENVIADO ESPECIAL A SERRINHA DOS PINTOS (RN)
Escondido no alto de uma serra do oeste potiguar, o município de Serrinha dos Pintos, a 357 km de Natal (RN), é a capital mundial de uma rara doença genética conhecida como síndrome de Spoan.
A doença, neurodegenerativa, foi descoberta em 2005 e mapeada neste ano de forma mais abrangente por especialistas do Hospital das Clínicas e do Centro de Estudos do Genoma Humano, ligado ao Instituto de Biociências da USP. A doença é mais comum em filhos de casamentos consangüíneos (entre familiares).
Os pesquisadores da USP mapearam 73 pessoas com a síndrome em todo o país, sendo 72 delas no oeste do RN, em especial em Serrinha dos Pintos. Esses 72 casos no Estado são frutos de 43 casamentos, sendo 39 deles comprovadamente entre familiares, quase sempre entre primos de primeiro grau.
Os sintomas da Spoan já aparecem no primeiro ano de vida e vão se agravando com o passar do tempo. A criança tem dificuldade de engatinhar e de ficar em pé, tem fortes problemas de visão (enxerga apenas 10% do normal) e sente fraqueza nas pernas. Até a adolescência, a maioria já é obrigada a usar cadeira de rodas.
(...)
Assinante UOL lê a matéria completa aqui.
Cidade do RN vira foco de doença rara
72 dos 73 portadores da síndrome de Spoan, descoberta em 2005, se concentram no oeste do Rio Grande do Norte
Doença degenerativa atinge principalmente filhos de primos de primeiro grau; portador tem dificuldade de enxergar e se locomover
EDUARDO SCOLESE
ENVIADO ESPECIAL A SERRINHA DOS PINTOS (RN)
Escondido no alto de uma serra do oeste potiguar, o município de Serrinha dos Pintos, a 357 km de Natal (RN), é a capital mundial de uma rara doença genética conhecida como síndrome de Spoan.
A doença, neurodegenerativa, foi descoberta em 2005 e mapeada neste ano de forma mais abrangente por especialistas do Hospital das Clínicas e do Centro de Estudos do Genoma Humano, ligado ao Instituto de Biociências da USP. A doença é mais comum em filhos de casamentos consangüíneos (entre familiares).
Os pesquisadores da USP mapearam 73 pessoas com a síndrome em todo o país, sendo 72 delas no oeste do RN, em especial em Serrinha dos Pintos. Esses 72 casos no Estado são frutos de 43 casamentos, sendo 39 deles comprovadamente entre familiares, quase sempre entre primos de primeiro grau.
Os sintomas da Spoan já aparecem no primeiro ano de vida e vão se agravando com o passar do tempo. A criança tem dificuldade de engatinhar e de ficar em pé, tem fortes problemas de visão (enxerga apenas 10% do normal) e sente fraqueza nas pernas. Até a adolescência, a maioria já é obrigada a usar cadeira de rodas.
(...)
Assinante UOL lê a matéria completa aqui.
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sábado, 6 de setembro de 2008
Sobre as empregadas domésticas
Leia, abaixo, coluna de autoria de Sérgio Malbergier, colunista do UOL, a respeito da situação das empregadas domésticas. Comento no final do post.
Dependência de empregada
Sérgio Malbergier
Uma das piores memórias que tenho é dos gritos: "Tereeeeeeza! Tereeeeeeeeeeza! Traz um copo d'água! Por favor!".
Gritávamos da sala, seis, sete anos de idade, assistindo à TV, para a empregada trazer um copo d'água.
Um horror...
A Constituição dita "cidadã" de 1988 gravou em lei essa discriminação, herança da escravidão, que "permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil", na profecia de Joaquim Nabuco do final do século 19.
As domésticas são a maior categoria profissional do Brasil, com 6,8 milhões de empregadas. E mesmo assim os constituintes tiraram delas direitos inalienáveis dos trabalhadores, quase todos desde os anos 1940, como jornada de trabalho estabelecida em lei, hora extra, adicional noturno, salário-família e FGTS. Uma mancha na Carta "cidadã" que só pode estar fincada numa "característica nacional do Brasil" bem representada naquele Congresso.
Como mostrou reportagem do caderno Dinheiro, acabar com a discriminação deve dobrar os custos com as domésticas. A jornada de trabalho no Brasil é de 44 horas semanais. Sem discriminação, sua empregada trabalhará, por exemplo, das 7 da manhã às 3 da tarde de segunda a sexta e das 8 ao meio-dia no sábado. O que passar disso, hora extra. Jantar? Adicional noturno.
Nisso, o governo fala o que deve: "O que o governo quer é apagar essa mancha de discriminação presente na Constituição. A idéia é mandar ainda neste ano, quando comemoramos 20 anos da Constituinte, uma PEC para resolver essa questão e ampliar os direitos dessa categoria que é a maior do país", disse a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, às repórteres Fátima Fernandes e Claudia Rolli.
Só em países de péssimo sistema educacional e de desigualdades gritantes as relações trabalhistas permitem, no século 21, multidões de domésticos prontos para servir às classes altas e mesmo médias.
Um americano que se casou com uma amiga brasileira e depois veio morar aqui com as filhas não vê a hora de arrumar emprego em Nova York para levar a família de volta. Diz que lhe revolta ver as crianças deixando a mesa sem levar os pratos à cozinha nem nunca lavá-los. Não quer as filhas crescendo nesse ambiente senhorial.
Talvez seja mais fácil ao olhar estrangeiro observar o absurdo dessa relação, como as minúsculas e claustrofóbicas "dependências de empregada", as entradas de serviço, a comida diferente, o trabalho de sol à lua, humilhações inomináveis diariamente em milhões de lares brasileiros.
Justiça, mesmo que tardia.
Comentário:
Smpre me indignei com a forma como são tratadas as empregadas domésticas no Brasil. Não raras vezes, visitando pessoas amigas, perco toda a alegria quando vejo como as mesmas, geralmente pertencentes à dita classe média intelectualizada, tratam suas empregadas. É gente que não consegue manter uma conversa por mais de dez minutos sem tomar Foucault ou Bourdieu como muletas, mas, sem nenhuma cerimônia, grita e faz exigências descabidas às suas empregadas. Outras vezes, na aula de ballet de minha filha ou em algum restaurante aqui em Natal, vejo como os pimpolhos são tratados e tratam as empregadas. Nessas situações, o amargo sobe à garganta e uma desesperança erosiva quer adentrar na minha alma.
Dependência de empregada
Sérgio Malbergier
Uma das piores memórias que tenho é dos gritos: "Tereeeeeeza! Tereeeeeeeeeeza! Traz um copo d'água! Por favor!".
Gritávamos da sala, seis, sete anos de idade, assistindo à TV, para a empregada trazer um copo d'água.
Um horror...
A Constituição dita "cidadã" de 1988 gravou em lei essa discriminação, herança da escravidão, que "permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil", na profecia de Joaquim Nabuco do final do século 19.
As domésticas são a maior categoria profissional do Brasil, com 6,8 milhões de empregadas. E mesmo assim os constituintes tiraram delas direitos inalienáveis dos trabalhadores, quase todos desde os anos 1940, como jornada de trabalho estabelecida em lei, hora extra, adicional noturno, salário-família e FGTS. Uma mancha na Carta "cidadã" que só pode estar fincada numa "característica nacional do Brasil" bem representada naquele Congresso.
Como mostrou reportagem do caderno Dinheiro, acabar com a discriminação deve dobrar os custos com as domésticas. A jornada de trabalho no Brasil é de 44 horas semanais. Sem discriminação, sua empregada trabalhará, por exemplo, das 7 da manhã às 3 da tarde de segunda a sexta e das 8 ao meio-dia no sábado. O que passar disso, hora extra. Jantar? Adicional noturno.
Nisso, o governo fala o que deve: "O que o governo quer é apagar essa mancha de discriminação presente na Constituição. A idéia é mandar ainda neste ano, quando comemoramos 20 anos da Constituinte, uma PEC para resolver essa questão e ampliar os direitos dessa categoria que é a maior do país", disse a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, às repórteres Fátima Fernandes e Claudia Rolli.
Só em países de péssimo sistema educacional e de desigualdades gritantes as relações trabalhistas permitem, no século 21, multidões de domésticos prontos para servir às classes altas e mesmo médias.
Um americano que se casou com uma amiga brasileira e depois veio morar aqui com as filhas não vê a hora de arrumar emprego em Nova York para levar a família de volta. Diz que lhe revolta ver as crianças deixando a mesa sem levar os pratos à cozinha nem nunca lavá-los. Não quer as filhas crescendo nesse ambiente senhorial.
Talvez seja mais fácil ao olhar estrangeiro observar o absurdo dessa relação, como as minúsculas e claustrofóbicas "dependências de empregada", as entradas de serviço, a comida diferente, o trabalho de sol à lua, humilhações inomináveis diariamente em milhões de lares brasileiros.
Justiça, mesmo que tardia.
Comentário:
Smpre me indignei com a forma como são tratadas as empregadas domésticas no Brasil. Não raras vezes, visitando pessoas amigas, perco toda a alegria quando vejo como as mesmas, geralmente pertencentes à dita classe média intelectualizada, tratam suas empregadas. É gente que não consegue manter uma conversa por mais de dez minutos sem tomar Foucault ou Bourdieu como muletas, mas, sem nenhuma cerimônia, grita e faz exigências descabidas às suas empregadas. Outras vezes, na aula de ballet de minha filha ou em algum restaurante aqui em Natal, vejo como os pimpolhos são tratados e tratam as empregadas. Nessas situações, o amargo sobe à garganta e uma desesperança erosiva quer adentrar na minha alma.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008
A disputa pela prefeitura de Natal está no ritmo da dança do quadrado
Estou em casa, recuperando-me de uma cirurgia, então, sou obrigado a ouvir uma música, tocada com insistência na vizinhança. É um barulho infame, com uma letra que repete à exaustão: “ado, ado, ado, cada um no seu quadrado...”. Parece que a “proposta” estética da “coisa” é a de uma evolução corporal, um rebolado, vá lá!, em que o dançarino se movimenta apenas em um espaço previamente demarcado (o “seu quadrado”). Pois bem, a eleição para a prefeitura de Natal neste ano está seguindo as regras desse novo ritmo. O resultado é uma coreografia previsível, sem tesão, nem emoção. Até o humor saiu de cena. Talvez, quem sabe, todos estejam de acordo com o Dr. Joanilson e tenham incorporado a sua consigna de que “eleição é coisa séria”. Vejamos, então, o quadro, ou melhor, o quadrado de cada um até o presente momento.
O quadrado de Micarla
Primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, Micarla não tem porque sair do seu quadrado. Como era de se esperar, ela tem um bom desempenho na TV. As suas peças publicitárias copiam os truques da última campanha de Lula, e, segundo os experts, também o material publicitário de Barak Obama. Vai no CTRL C+ CTRL+V, mas vai bem. E lança uma densa cortina de fumaça, tão densa que faz todos esquecerem que a sua candidatura é ancorada em forças políticas muito distantes do modelito moderno e verde com que se apresenta.
Assim, bem situada no seu quadrado, pode se dar ao luxo de ser (ou se passar por) propositiva em relação a duas temáticas fundamentais: segurança pública e saneamento básico. Como no Brasil não é de bom tom se fazer aquele tipo de pergunta, tipicamente norte-americano, a respeito de quem vai pagar o almoço (alguns dizem que é coisa de seguidores de Milton Friedman e dos neoliberais fazer tal tipo de questão), pode prometer coisas mirabolantes sem explicar de onde virão os recursos. E dá-lhe promessas!
Com os adversários cometendo tantos erros, como veremos mais abaixo, Micarla só pode temer mesmo as trapalhadas de integrantes de sua inacreditável trupe. Tem que torcer para que o tempo passe rápido e ninguém preste muito atenção no Senador José Agripino, o verdadeiro patrono de sua candidatura. E parece não ser fácil segurar o senador. Ele tem se insinuado no horário eleitoral e, com a sua reconhecida modéstia, tem nos lembrado de sua passagem pela administração da capital potiguar no final dos anos setenta. Convenientemente, esquece de mencionar que foi prefeito biônico, em um tempo em que a legislação da ditadura fazia das Câmaras Municipais legislativos mais figurativos do que reais. Bom, mas o fato é que o Senador, algumas vezes, enfia os pés pelas mãos e dá uma ajudinha involuntária ao PT. Lembremo-nos da sua atuação desastrosa como inquiridor da Ministra Dilma. Se ele continuar a querer aparecer mais do que a candidata pode fazer algum estrago.
O certo é que Micarla, tal qual a Lady Kate do “Zorra Total”, também busca o glamour (no seu caso, a prefeitura) amparada por um senador. E, por falar em José Agripino, a incompetência da campanha petista em explorar negativamente essa companhia da candidata verde está a merecer algum estudo psicanalítico. Sem o questionamento da campanha petista, Micarla pode se dar ao desfrute de confundir as coisas, como fez no horário eleitoral desta semana, chamando a atenção para a sua vinculação com Lula, afirmando que o seu partido faz parte da base aliada. Tivesse um cadinho mais de competência, o marketing petista questionaria: como pode Micarla estar ao lado de Lula se a sua candidatura é patrocinada pelo maior adversário do presidente?
Fátima no seu quadrado
Fátima tenta se vender como a candidata do Presidente Lula. É o que tem à mão. Em outro contexto, o da eleição para governador de 2006, por exemplo, seria um trunfo decisivo, mas, nesta eleição em Natal (ressalve-se o “em Natal”), esse é um dado que tende a não pesar tão significamente. A popularidade de Lula não rende votos? Rende, mas esse é um “rendimento” mediado pelas variáveis locais. Em outras palavras, o apoio de Lula pesa, mas não é decisivo. O candidato ou candidata apoiado por ele tem que saber (ou poder) sair do seu “quadrado” para faturar a proximidade com o grande cabo eleitoral. É o caso de Marta Suplicy, candidata à prefeitura paulistana pelo PT, que cresce colada à imagem do presidente. Mas, e é aí que está o nó da questão, sendo ela mesma, sendo Marta. Não é, como aponto mais abaixo, o caso de Fátima.
Na sua dança, Fátima também tenta se mostrar como a candidata da Governadora Wilma de Faria, do Senador Garibaldi Filho e do Prefeito Carlo Eduardo. Mas esses apoios não estão se traduzindo em crescimento significativo nas intenções de votos na candidata petista. Isso quer dizer que os apoios da Governadora, do Presidente do Senado e do Prefeito não são importantes? Pelo contrário, eles o são, mas, tal qual o apoio de Lula, tais apoios também têm que ser mediados pela vida política local. Em Recife e em Belo Horizonte, só para citar dois casos nestas eleições, verdadeiros “postes” estão sendo alçados aos primeiros lugares das disputas locais. O “poste” de Recife, João Costa (PT), é bancado pelo prefeito João Paulo (PT), que, está a concluir um governo de oito anos com forte reconhecimento e aceitação. Já em Belo Horizonte, o que vitaminou o “poste”, Márcio Lacerda, do PSB, foi a aliança, muito torpedeada pelo petismo paulista, entre o Governador Aécio Neves (PSDB) e o Prefeito Fernando Pimentel (PT). E, então, por que Fátima não se beneficia dos seus apoios? Ora, a minha hipótese é a de que é mais fácil dar vida a um poste do que mudar um perfil identitário fortemente arraigado. E é exatamente esse o caso de Fátima.
No que interessa em uma eleição, isto é, a imagem percebida pela população, Fátima cristalizou, com as três disputas anteriores, um “lugar” político e social: era a política de origem popular que enfrentava todos os “outros”. Não importa a veracidade ou não dessa imagem, mas, sim, a sua força mobilizadora. Ora, é exatamente tal imagem que está sendo desconstruída com a coligação “união por Natal”. Cada vez que Wilma, Carlos Eduardo ou Garibaldi aparecem na TV, com ares compungidos, pronunciando discursos autorizativos sobre Fátima (“nela, eu confio”, “agora, ela está madura”, “Fátima está preparada”, etc.), aquela imagem, que dava vida à personagem perde os seus referentes. E toda uma biografia desmancha-se no ar. Em seu lugar, o que propõem os experts e marqueteiros da campanha petista? A imagem de uma Fátima que traz recursos para a cidade, que é “competente”. Essa, entretanto, não é uma imagem ancorada em coisa mais substantiva do que a tradicional intermediação parlamentar de recursos da União. É pouco, muito pouco.
Por outro lado, e muito ao contrário de um dos mitos que move o PT, as eleições municipais brasileiras apenas em alguns momentos excepcionais (1988, por exemplo) são “federalizadas”. Ora, o eleitor já “sabe” que Fátima é a candidata de Lula. E isso muda muito pouco dado que o que ele, eleitor, precisava era de uma imagem, uma identidade definida, e é exatamente isso que Fátima não conseguiu passar até agora. A sua campanha na TV tem sido um strip-tease político degradante. Os vocábulos dominantes nas suas peças publicitárias - “continuidade”, “competência” e “maturidade” – destroem quaisquer veleidades políticas críticas e progressistas. E pior ainda: desarmam o PT para as disputas políticas futuras, especialmente no período pós-Lula (e pós-governo) que se avizinha.
Pode ser que a situação mude. As tais “máquinas” podem entrar em cena e arrastar a disputa para um imprevisível segundo turno. Não é a hipótese mais provável, penso eu. E por quê? Porque a imagem de Fátima que existia, alimentada em certo sectarismo, reconheçamos, teve que ser desconstruída para dar lugar a uma outra (a da “obreira” e “garantidora de recursos”) que não cola com a história do personagem.
Mas há algo mais encerrando Fátima em seu quadrado. É a história da administração municipal de Natal. Há quase duas décadas, Natal é uma cidade governada por mão única. Com a exceção de um pequeno interregno, durante uma parcela de tempo da gestão de Aldo Tinoco, o wilmismo tem dado as cartas por aqui. E isso cansa, mesmo quando as administrações são boas. Foi o caso do PT em Porto Alegre, em 2004. O que isso significa? Que Fátima comprou uma empresa, a “União por Natal”, com uma fachada vistosa e ações futuras que se anunciavam sedutoras, mas, ao abrir o livro de contas, descobriu um imenso passivo. Daí que vai Fátima vai ficando no seu quadrado...
Miguel Mossoró não dança, mas fica no seu quadrado
Miguel Mossoró, em 2004, foi um fenômeno. O candidato-cacareco que encantou a criançada e foi adotado irreverentemente por uma parcela da juventude natalense, especialmente da zona sul da cidade. Agora, ele tenta repetir o feito. Mas é uma farsa. Perdeu originalidade. E, sem esta, toda a sua graça anterior. Engolido pelo marketing, o personagem divide o seu quadrado com um ator metido a engraçadinho. Empurraram-no um script que não cola com o personagem. Assim, Miguel Mossoró fica no seu quadrado, faz porocotó, mas não dança e o seu espaço só tende a diminuir. Como o horário eleitoral é tudo, menos gratuito, já que é bancado com o seu, o meu, o nosso suado dinheirinho, então, o humor de Miguel Mossoró está ficando caro. Se em 2004, a sua ascensão significou uma crítica da juventude ao esgotamento do sistema político, em 2008, é apenas uma caricatura de si mesmo. A cidade não perderá grande coisa com o ocaso dessa figura.
Vober não tem um quadrado
A performance mais intrigante desta eleição em Natal é, sem dúvidas, a de Vober Jr. De um político com a experiência e trajetória de Vober, esperávamos muito mais. Vereador, deputado e secretário de governo, Vober foi tudo isso e mais um pouco. Foi também militante do movimento estudantil e membro dessa escola de política que foi o PCB. Por tudo isso, a nossa expectativa era a de que ele, no mínimo, se mostrasse um candidato com um quadrado definido para se movimentar.
Sandro Pimentel, se conseguir um quadrado, vira bailarino
Sandro Pimentel alia a condição de metralhadora giratória dos candidatos ditos “nanicos” com uma ousada investida em um campo pouco explorado pela ultra-esquerda: o posicionamento, com alguma desenvoltura, sobre temas como segurança, saneamento, transporte coletivo e saúde. No debate da TV Universitária, por exemplo, conseguiu se mostrar e marcar um espaço próprio. Foi o melhor dentre os candidatos “pequenos”. Só escorrega na maionese quando começa a falar de um certo “governo do sol”. Sandro é sagaz, tem tino, e, se conseguir demarcar um quadrado, com certeza, vira bailarino. Em outras palavras, alcançar uma votação típica do PT nos anos oitenta: 5%.
Dr. Joanilson se diverte no seu quadrado
Para Dr. Joanilson, eu desconfio, tudo não passa de uma grande brincadeira. Eu o vejo na TV e fico com a impressão de que ele está apenas se divertindo. Um advogado de sucesso que, após uma longa carreira, decidiu espairecer um pouco. Dança direitinho no seu quadrado... Não se pode esperar muito mais de um democrata-cristão.
Dário Barbosa
E trotskista dança?
Pedro Quithé
Quem?
O quadrado de Micarla
Primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, Micarla não tem porque sair do seu quadrado. Como era de se esperar, ela tem um bom desempenho na TV. As suas peças publicitárias copiam os truques da última campanha de Lula, e, segundo os experts, também o material publicitário de Barak Obama. Vai no CTRL C+ CTRL+V, mas vai bem. E lança uma densa cortina de fumaça, tão densa que faz todos esquecerem que a sua candidatura é ancorada em forças políticas muito distantes do modelito moderno e verde com que se apresenta.
Assim, bem situada no seu quadrado, pode se dar ao luxo de ser (ou se passar por) propositiva em relação a duas temáticas fundamentais: segurança pública e saneamento básico. Como no Brasil não é de bom tom se fazer aquele tipo de pergunta, tipicamente norte-americano, a respeito de quem vai pagar o almoço (alguns dizem que é coisa de seguidores de Milton Friedman e dos neoliberais fazer tal tipo de questão), pode prometer coisas mirabolantes sem explicar de onde virão os recursos. E dá-lhe promessas!
Com os adversários cometendo tantos erros, como veremos mais abaixo, Micarla só pode temer mesmo as trapalhadas de integrantes de sua inacreditável trupe. Tem que torcer para que o tempo passe rápido e ninguém preste muito atenção no Senador José Agripino, o verdadeiro patrono de sua candidatura. E parece não ser fácil segurar o senador. Ele tem se insinuado no horário eleitoral e, com a sua reconhecida modéstia, tem nos lembrado de sua passagem pela administração da capital potiguar no final dos anos setenta. Convenientemente, esquece de mencionar que foi prefeito biônico, em um tempo em que a legislação da ditadura fazia das Câmaras Municipais legislativos mais figurativos do que reais. Bom, mas o fato é que o Senador, algumas vezes, enfia os pés pelas mãos e dá uma ajudinha involuntária ao PT. Lembremo-nos da sua atuação desastrosa como inquiridor da Ministra Dilma. Se ele continuar a querer aparecer mais do que a candidata pode fazer algum estrago.
O certo é que Micarla, tal qual a Lady Kate do “Zorra Total”, também busca o glamour (no seu caso, a prefeitura) amparada por um senador. E, por falar em José Agripino, a incompetência da campanha petista em explorar negativamente essa companhia da candidata verde está a merecer algum estudo psicanalítico. Sem o questionamento da campanha petista, Micarla pode se dar ao desfrute de confundir as coisas, como fez no horário eleitoral desta semana, chamando a atenção para a sua vinculação com Lula, afirmando que o seu partido faz parte da base aliada. Tivesse um cadinho mais de competência, o marketing petista questionaria: como pode Micarla estar ao lado de Lula se a sua candidatura é patrocinada pelo maior adversário do presidente?
Fátima no seu quadrado
Fátima tenta se vender como a candidata do Presidente Lula. É o que tem à mão. Em outro contexto, o da eleição para governador de 2006, por exemplo, seria um trunfo decisivo, mas, nesta eleição em Natal (ressalve-se o “em Natal”), esse é um dado que tende a não pesar tão significamente. A popularidade de Lula não rende votos? Rende, mas esse é um “rendimento” mediado pelas variáveis locais. Em outras palavras, o apoio de Lula pesa, mas não é decisivo. O candidato ou candidata apoiado por ele tem que saber (ou poder) sair do seu “quadrado” para faturar a proximidade com o grande cabo eleitoral. É o caso de Marta Suplicy, candidata à prefeitura paulistana pelo PT, que cresce colada à imagem do presidente. Mas, e é aí que está o nó da questão, sendo ela mesma, sendo Marta. Não é, como aponto mais abaixo, o caso de Fátima.
Na sua dança, Fátima também tenta se mostrar como a candidata da Governadora Wilma de Faria, do Senador Garibaldi Filho e do Prefeito Carlo Eduardo. Mas esses apoios não estão se traduzindo em crescimento significativo nas intenções de votos na candidata petista. Isso quer dizer que os apoios da Governadora, do Presidente do Senado e do Prefeito não são importantes? Pelo contrário, eles o são, mas, tal qual o apoio de Lula, tais apoios também têm que ser mediados pela vida política local. Em Recife e em Belo Horizonte, só para citar dois casos nestas eleições, verdadeiros “postes” estão sendo alçados aos primeiros lugares das disputas locais. O “poste” de Recife, João Costa (PT), é bancado pelo prefeito João Paulo (PT), que, está a concluir um governo de oito anos com forte reconhecimento e aceitação. Já em Belo Horizonte, o que vitaminou o “poste”, Márcio Lacerda, do PSB, foi a aliança, muito torpedeada pelo petismo paulista, entre o Governador Aécio Neves (PSDB) e o Prefeito Fernando Pimentel (PT). E, então, por que Fátima não se beneficia dos seus apoios? Ora, a minha hipótese é a de que é mais fácil dar vida a um poste do que mudar um perfil identitário fortemente arraigado. E é exatamente esse o caso de Fátima.
No que interessa em uma eleição, isto é, a imagem percebida pela população, Fátima cristalizou, com as três disputas anteriores, um “lugar” político e social: era a política de origem popular que enfrentava todos os “outros”. Não importa a veracidade ou não dessa imagem, mas, sim, a sua força mobilizadora. Ora, é exatamente tal imagem que está sendo desconstruída com a coligação “união por Natal”. Cada vez que Wilma, Carlos Eduardo ou Garibaldi aparecem na TV, com ares compungidos, pronunciando discursos autorizativos sobre Fátima (“nela, eu confio”, “agora, ela está madura”, “Fátima está preparada”, etc.), aquela imagem, que dava vida à personagem perde os seus referentes. E toda uma biografia desmancha-se no ar. Em seu lugar, o que propõem os experts e marqueteiros da campanha petista? A imagem de uma Fátima que traz recursos para a cidade, que é “competente”. Essa, entretanto, não é uma imagem ancorada em coisa mais substantiva do que a tradicional intermediação parlamentar de recursos da União. É pouco, muito pouco.
Por outro lado, e muito ao contrário de um dos mitos que move o PT, as eleições municipais brasileiras apenas em alguns momentos excepcionais (1988, por exemplo) são “federalizadas”. Ora, o eleitor já “sabe” que Fátima é a candidata de Lula. E isso muda muito pouco dado que o que ele, eleitor, precisava era de uma imagem, uma identidade definida, e é exatamente isso que Fátima não conseguiu passar até agora. A sua campanha na TV tem sido um strip-tease político degradante. Os vocábulos dominantes nas suas peças publicitárias - “continuidade”, “competência” e “maturidade” – destroem quaisquer veleidades políticas críticas e progressistas. E pior ainda: desarmam o PT para as disputas políticas futuras, especialmente no período pós-Lula (e pós-governo) que se avizinha.
Pode ser que a situação mude. As tais “máquinas” podem entrar em cena e arrastar a disputa para um imprevisível segundo turno. Não é a hipótese mais provável, penso eu. E por quê? Porque a imagem de Fátima que existia, alimentada em certo sectarismo, reconheçamos, teve que ser desconstruída para dar lugar a uma outra (a da “obreira” e “garantidora de recursos”) que não cola com a história do personagem.
Mas há algo mais encerrando Fátima em seu quadrado. É a história da administração municipal de Natal. Há quase duas décadas, Natal é uma cidade governada por mão única. Com a exceção de um pequeno interregno, durante uma parcela de tempo da gestão de Aldo Tinoco, o wilmismo tem dado as cartas por aqui. E isso cansa, mesmo quando as administrações são boas. Foi o caso do PT em Porto Alegre, em 2004. O que isso significa? Que Fátima comprou uma empresa, a “União por Natal”, com uma fachada vistosa e ações futuras que se anunciavam sedutoras, mas, ao abrir o livro de contas, descobriu um imenso passivo. Daí que vai Fátima vai ficando no seu quadrado...
Miguel Mossoró não dança, mas fica no seu quadrado
Miguel Mossoró, em 2004, foi um fenômeno. O candidato-cacareco que encantou a criançada e foi adotado irreverentemente por uma parcela da juventude natalense, especialmente da zona sul da cidade. Agora, ele tenta repetir o feito. Mas é uma farsa. Perdeu originalidade. E, sem esta, toda a sua graça anterior. Engolido pelo marketing, o personagem divide o seu quadrado com um ator metido a engraçadinho. Empurraram-no um script que não cola com o personagem. Assim, Miguel Mossoró fica no seu quadrado, faz porocotó, mas não dança e o seu espaço só tende a diminuir. Como o horário eleitoral é tudo, menos gratuito, já que é bancado com o seu, o meu, o nosso suado dinheirinho, então, o humor de Miguel Mossoró está ficando caro. Se em 2004, a sua ascensão significou uma crítica da juventude ao esgotamento do sistema político, em 2008, é apenas uma caricatura de si mesmo. A cidade não perderá grande coisa com o ocaso dessa figura.
Vober não tem um quadrado
A performance mais intrigante desta eleição em Natal é, sem dúvidas, a de Vober Jr. De um político com a experiência e trajetória de Vober, esperávamos muito mais. Vereador, deputado e secretário de governo, Vober foi tudo isso e mais um pouco. Foi também militante do movimento estudantil e membro dessa escola de política que foi o PCB. Por tudo isso, a nossa expectativa era a de que ele, no mínimo, se mostrasse um candidato com um quadrado definido para se movimentar.
Sandro Pimentel, se conseguir um quadrado, vira bailarino
Sandro Pimentel alia a condição de metralhadora giratória dos candidatos ditos “nanicos” com uma ousada investida em um campo pouco explorado pela ultra-esquerda: o posicionamento, com alguma desenvoltura, sobre temas como segurança, saneamento, transporte coletivo e saúde. No debate da TV Universitária, por exemplo, conseguiu se mostrar e marcar um espaço próprio. Foi o melhor dentre os candidatos “pequenos”. Só escorrega na maionese quando começa a falar de um certo “governo do sol”. Sandro é sagaz, tem tino, e, se conseguir demarcar um quadrado, com certeza, vira bailarino. Em outras palavras, alcançar uma votação típica do PT nos anos oitenta: 5%.
Dr. Joanilson se diverte no seu quadrado
Para Dr. Joanilson, eu desconfio, tudo não passa de uma grande brincadeira. Eu o vejo na TV e fico com a impressão de que ele está apenas se divertindo. Um advogado de sucesso que, após uma longa carreira, decidiu espairecer um pouco. Dança direitinho no seu quadrado... Não se pode esperar muito mais de um democrata-cristão.
Dário Barbosa
E trotskista dança?
Pedro Quithé
Quem?
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terça-feira, 2 de setembro de 2008
Você leu o artigo de Alba Zaluar na Folha de domingo?
Alba Zaluar dispensa apresentações. É uma grande cientista social. Tem uma obra qualificada e, melhor de tudo, publica artigos legíveis para além dos muros do mundo acadêmico. Escrevia sobre criminalidade e violência semanalmente no jornal do Folha de São Paulo. Não sei se cansou ou se cansaram dela, mas deixou de ser colunista. Sinto falta dos seus artigos. Eram muito bons. Agora, parece-me, escreve esporadicamente para o jornalão. Dando uma olhada nas edições anteriores (lembre-se: estou de molho, pós-cirurgia), encontrei um ótimo artigo dela, publicado no caderno MAIS de domingo passado. Abaixo, partes do artigo:
Vivendo em Gotham City
"Fobópole" e "Não Matarás" discutem a violência urbana e soluções para combatê-la
ALBA ZALUAR
ESPECIAL PARA A FOLHA
Não poderiam ser mais diferentes as perspectivas dos dois livros recém-publicados sobre a violência.
Um foca apenas o Rio de Janeiro, o outro revê a literatura sobre homicídio de quatro continentes para discorrer sobre a necessidade de teorias próprias na América Latina, embora ao final sugira apenas que tais teorias são imperativas. Um discute teorias no teste de hipóteses, o outro, nem um número sequer.
O livro de Gláucio Soares, "Não Matarás - Desenvolvimento, Desigualdade e Homicídios" (ed. FGV, 200 págs., R$ 35), exige um leitor versado em termos estatísticos que o autor não explica nem disseca e, muito freqüentemente, representa apenas com uma letra, de preferência grega.
Não é para leigos nesse idioma exato e hermético. No entanto o autor realiza o trabalho muito necessário de discutir as teorias que explicam as diferentes taxas de homicídios pelo mundo afora, sem esquecer séculos anteriores ao nosso. Só que o faz de um modo muitas vezes surpreendente, passando rápido por séculos de história ou por distâncias continentais em uma mesma página.
Esse grande esforço tem um ponto de vista claramente apresentado desde o início: as tentativas de entender o homicídio que se valem apenas de palavras, mas não de números, fracassam.
Assinante UOL lê o artigo completo aqui.
Vivendo em Gotham City
"Fobópole" e "Não Matarás" discutem a violência urbana e soluções para combatê-la
ALBA ZALUAR
ESPECIAL PARA A FOLHA
Não poderiam ser mais diferentes as perspectivas dos dois livros recém-publicados sobre a violência.
Um foca apenas o Rio de Janeiro, o outro revê a literatura sobre homicídio de quatro continentes para discorrer sobre a necessidade de teorias próprias na América Latina, embora ao final sugira apenas que tais teorias são imperativas. Um discute teorias no teste de hipóteses, o outro, nem um número sequer.
O livro de Gláucio Soares, "Não Matarás - Desenvolvimento, Desigualdade e Homicídios" (ed. FGV, 200 págs., R$ 35), exige um leitor versado em termos estatísticos que o autor não explica nem disseca e, muito freqüentemente, representa apenas com uma letra, de preferência grega.
Não é para leigos nesse idioma exato e hermético. No entanto o autor realiza o trabalho muito necessário de discutir as teorias que explicam as diferentes taxas de homicídios pelo mundo afora, sem esquecer séculos anteriores ao nosso. Só que o faz de um modo muitas vezes surpreendente, passando rápido por séculos de história ou por distâncias continentais em uma mesma página.
Esse grande esforço tem um ponto de vista claramente apresentado desde o início: as tentativas de entender o homicídio que se valem apenas de palavras, mas não de números, fracassam.
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De volta, embora meio grogue
Olá! Passei pela cirurgia. Estou em casa, de molho. E pesando um pouquinho menos. Sem a vesícula (que estava tão grande e cheia de pedras e outras coisitas, que foi necessária uma cirurgia tradicional com um corte maior e tudo), mas estou bem. Meio grogue de tanto remédio, mas inteiro. E, então, vou postando com mais vagar algumas coisas.
Grampearam o Gilmar Mendes. Meu Deus! E toma discurso sobre estado policialesco e quejandos. Quando a economia vai bem, tem que aparecer alguma coisa para atrapalhar. Mas isso não chega a ser novidade, não é mesmo? É, em realidade, mais do mesmo. A mesma farsa...
Grampearam o Gilmar Mendes. Meu Deus! E toma discurso sobre estado policialesco e quejandos. Quando a economia vai bem, tem que aparecer alguma coisa para atrapalhar. Mas isso não chega a ser novidade, não é mesmo? É, em realidade, mais do mesmo. A mesma farsa...
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