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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A NSE e a prostituição

Em artigo publicado na revista Caderno CRH, a professora Gláucia Helena Russo (UERN), expõe, desde uma perspectiva similar àquela assumida pela Nova Sociologia Econômica, o singificado do dinheiro nas relações de prostituição. O artigo de Gláucia é um resumo de sua tese de doutorado, orientada pelo Professor Orlando Miranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRN. Intitulado No labirinto da prostituição: o dinheiro e seus aspectos simbólicos, o artigo pode ser acessado aqui.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Anônimo faz uma análise interesante do resultado eleitoral em Natal

Alguém que não se identificou enviou uma mensagem analisando o resultado das eleições municipais em Natal. Comentou especialmente o posicionamento do PT. A missiva teve como mote um post intitulado O PT nas eleições de Natal: crônica de um desastre anunciado. Transcrevo abaixo o texto.


Caro Edmilson,

Cadu me falou hoje a respeito do teu blog. Os seus textos sobre as eleições municipais são legais. É preciso, apenas, ressaltar uma questão importante - a necessidade de renovação dos quadros do partido. Acredito, em minha vã ignorância que, sem isso, o PT vai ser totalmente engolido por aqui. Segue um texo que eu escrevi dois dias depois das eleições. Foi essa a maneira que encontrei de colocar a minha decepção para fora.

As últimas avaliações de membros da cúpula do PT sobre a derrota nas eleições municipais merecem, no mínimo, algumas análises. As teses levantadas são desenvolvidas em torno dos problemas sobre a coligação feita entre o PT / PMDB e PSB, falta de renovação política dos quadros do partido dos trabalhadores, a fraca atuação do marketing criado pelos publicitários da campanha e a imposição do nome da deputada Fátima Bezerra sem a prévia discussão do seu nome em âmbito local. É interessante refletir sobre cada uma delas.

Primeiro, não foi negativa a aliança desenvolvida pelos partidos coligados na “União por Natal”. Apoio foi importante. O problema foi a maneira como esses apoios foram canalizados, discutidos e utilizados no decorrer da campanha. As eleições das demais capitais mostraram que é preciso considerar o cenário local de um ambiente eleitoral. Federalizar uma eleição municipal, apesar de tentador pela simplicidade que apresenta, não resolve o problema. Será que apenas mostrar imagens televisivas dos caciques políticos, defendendo o voto a Fátima Bezerra resolveria a questão? As eleições mostraram, entre outras coisas, que tal medida não é suficiente. O apoio se processou como se Garibaldi e Vilma tivessem, “agora sim”, avalizando a campanha de Fátima Bezerra. Ocorre que Fátima construiu toda sua carreira política contra a necessidade desse aval das “forças políticas mais atrasadas do Estado”, como ela disse em outras campanhas. A estratégia desastrosa, ao invés de potencializar a candidatura da PTista, trouxe uma imagem de incoerência extremamente negativa.

Segundo, a eleição nos traz outras lições importantes. Em alguns momentos, é melhor investir em um candidato desconhecido do que descaracterizar uma imagem de uma política já consolidada. Daí a necessidade de renovação. Fátima Bezerra foi totalmente descaracterizada. Ela foi uma personalidade política que nunca se serviu do discurso de devoção à família ou da sua eficiência para conseguir recursos para Natal enquanto deputada. A imagem da candidata do PT nessas eleições parecia ter sido construída pela escritora inglesa de Frankestein – Mary Shelley.
Terceiro, a estratégia de Marketing desenvolvida pelo PT se apresentou como uma das campanhas publicitárias mais ridículas dos últimos tempos. Acredito que há questões sobre esse tema que só quem pode responder é o “brilhante” publicitário que promoveu a estratégia. Até hoje não entendo por “Agora Sim”? Fátima antes era uma despreparada que foi jogada na disputa eleitoral? Porque não explorar mais a aproximação da candidata do partido verde com os democratas, em especial, com o Senador Jose Agripino. Sua rejeição em Natal é alta. Não adianta tentar entender. Incompetência é incompetência! Ponto!

Quarto, a maneira “pouco” democrática, para não dizer totalitária, como Fátima impôs seu nome ao PT, sem dúvida enfraqueceu a militância e atentou contra uma das questões fundamentais do partido, que é sua democracia interna. Seria interessante que ela deixasse, pelo menos um pouquinho, de pressionar o PT em âmbito local, para assim permitir que novos quadros emirjam dos escombros que sobraram da sua derrota eleitoral.

Enfim, acredito que as explicações são válidas. O problema é que elas são fragmentadas. E são mobilizadas isoladamente por determinados grupos do partido para fazer valer as suas intenções. Todas contribuem para compreender a derrota e o enfraquecimento do PT na esfera estadual. Não dá para fazer política com amadorismo, produzindo, como dizia minha avó, a “papagaiada” que os publicitários e politiqueiras da campanha fizeram. É preciso saber tirar aquilo que os apoios podem proporcionar. Além disso, Fátima precisa deixar o partido “respirar” e renovar seus quadros. Novos nomes com carisma e com ética responsável devem surgir. Caso contrário, ele será engolido e a estrela vermelha irá deixar de brilhar por essas bandas.


Agradeço sinceramente ao anônimo pela mensagem enviada. Aproveito para parabenizá-lo pela boa qualidade da argumentação desenvolvida.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Homicídios, tráfico de drogas e crise juvenil em Natal (RN): por que as candidaturas à prefeitura precisam se posicionar sobre essas questões.

Homicídios, tráfico de drogas e crise juvenil se desenrolam nas paisagens destituídas de atrações turísticas das regiões periféricas de Natal e ceifam vidas de jovens pobres e negros. O que a/o próximo prefeita/o da capital do RN tem a dizer a respeito? E, mais importante, o que ela (ou ele, sei lá!) propõe-se a fazer a respeito? No que segue, trato dessa questão e tento apontar um caminho para a intervenção do poder público municipal nessa dramática realidade.

Em 2007, segundo levantamento realizado pela Coordenadoria de Direitos Humanos e das Minorias da Secretaria de Justiça e Cidadania do RN, ocorreram 322 homicídios no município de Natal. Quase um homicídio por dia! Desse total, segundo análise preliminar que ainda estou realizando, mais de 90% das vítimas eram jovens com idade entre 15 e 27 anos, pertenciam ao sexo masculino e residiam em bairros periféricos de Natal (RN), especialmente na Zona Norte. Quando ouvidas a respeito, as autoridades policiais locais, invariavelmente, atribuem as mortes à guerra de gangues e a ação de grupos de extermínio. A causa dessa verdadeira guerra é facilmente identificada por essas mesmas autoridades: o resultado do ajuste de contas, cobranças de dívidas e disputas por controles de territórios e espaços sociais por grupos ligados ao tráfico de drogas.

Mesmo se levarmos em conta o necessário distanciamento crítico que devemos ter em relação a discursos pouco fundamentados em resultados finais de inquéritos policiais concluídos, como é o habitual no posicionamento das nossas autoridades policiais, não restam dúvidas a respeito da dramaticidade da violência na capital do Rio Grande do Norte. E essa realidade é não apenas uma reversão de tendência anterior (de queda relativa na taxa de homicídios), mas também a expressão de uma situação que é frontalmente contraditória com a situação mais geral de ligeira queda da taxa de homicídios no país na última década. Pode-se, e deve-se, discutir causas e razões mais profundas desse quadro. Entretanto, neste momento, mesmo contando com informações ainda pouco sistematizadas, podemos apontar alguns elementos que são fundamentais para um diagnóstico aprofundado e para a formulação de um conjunto de ações e projetos de enfrentamento desse quadro. Fazemo-lo por entendermos que a disputa eleitoral que se avizinha pode vir a se constituir em um momento privilegiado para um debate sério sobre essa questão decisiva para a construção de uma cidade cidadã e segura. O entendimento subjacente a esse posicionamento, como já adiantei em postagem anterior, é o de que o poder público municipal não pode se alhear das questões relacionadas à segurança pública.

1. O TRÁFICO DE DROGAS É MAIOR AMEAÇA À PAZ E A SEGURANÇA URBANA EM NATAL
Se no mundo social das grandes metrópoles, penso particularmente em São Paulo, uma droga como o crack funciona como um elemento devastador e como base impulsionadora de delitos e de aniquilamento físico e psíquico de jovens e adolescentes, nos bairros periféricos de Natal a disseminação dessa droga tem afetado muito mais profundamente o tecido social. Uma das primeiras conseqüências da expansão do crack tem sido a destruição da segurança ontológica da família. Isso porque, nessa realidade, inexiste experiência anterior significativa com drogas que possam funcionar como referência a ser mobilizada nas dolorosas situações em que os parentes (pais e mães, particularmente) descobrem que um dos seus se tornou um usuário ou pequeno traficante.

Os desdobramentos cruéis dessa situação – furtos em casa, busca de “soluções” pela adesão a algum culto religioso e que termina com o acompanhamento impotente das ameaças de morte e execução de seus filhos, filhas ou irmãos – se traduzem em um aumento da sensação de insegurança e, não raramente, na perda de sentido existencial. O seu corolário é a emergência de um sofrimento social que se expressa através do absenteísmo político (produzindo uma descrença generalizada em relação a qualquer ação de mudança sobre o mundo) e em um velado ressentimento contra os que não foram atingidos pelo mesmo drama. Essa situação corrói os as bases da solidariedade comunitária e diminui as possibilidades de atuar positivamente sobre o seu próprio sofrimento. Fraturas familiares (aumento de separações conjugais e da violência intrafamiliar), alcoolismo e depressão, eis alguns dos outros efeitos perversos da expansão do consumo do crack nas regiões periféricas.

2. O IMPACTO DEVASTADADOR DO ALCOOL COMO MEDIADOR DAS RELAÇÕES ENTRE JOVENS E ADOLESCENTES

Nos canteiros e praças das ruas de muitos bairros da capital, muitas vezes na proximidade de colégios, pequenos bares e lanchonetes, precariamente instalados nos espaços públicos, são pontos de reunião e de consumo de bebidas alcoólicas. Nesses locais, quase sempre, predomina a presença de jovens e até adolescentes. Se o consumo de bebidas alcoólicas atinge e provoca sofrimentos também no universo da classe média (basta se levar em conta o seu impacto sobre os acidentes de trânsito!), o seu efeito destrutivo é muito maior entre os jovens das classes populares. Não apenas porque as famílias têm menos recursos para enfrentar os efeitos do envolvimento de seus parentes com o consumo (e o vício) do álcool, mas também, e esse é o lado mais perverso e devastador do consumo de bebidas alcoólicas nesse universo, porque isso implica, na maioria das vezes, no estancamento do já difícil processo de mobilidade social desses jovens e de suas famílias. Isso porque, quanto mais bebem mais eles se afastam da única e frágil ponte para a sua melhoria de suas vidas: a escola.

3. A CRISE JUVENIL E SEUS DESDOBRAMENTOS

A sensação de fechamento de horizontes emerge cedo entre os jovens das classes populares. Embora essa não seja uma situação específica de Natal, nesta cidade, dominada pelas paisagens e locais destinados ao consumo de luxo das atividades turísticas, essa é uma sensação que pesa mais fortemente. E essa sensação é a expressão da derrota de conquistar os requisitos necessários para o reconhecimento em universo no qual as identidades pessoais são, em grande parte, modeladas pelos objetos de consumo.

Os dados a respeito do desempenho dos estudantes das redes públicas de ensino da região da Grande Natal, realizados pelo MEC, são preocupantes. Se há registro de algum avanço no ensino fundamental, no nível médio, desafortunadamente, a situação continua quase inalterada. E sabemos bem qual realidade o baixo desempenho no ENEM traduz: reprovação, absenteísmo e mera matrícula formal nas escolas. E os dados extra-oficiais, fornecidos pelos diretores de escolas, dão contornos mais cinzas a esse quadro ao apontar os altos índices de evasão escolar. Ora, a exclusão do universo escolar tem conseqüências sociais e culturais significativas. Normalmente, adolescentes e jovens vivenciam a sensação de perda da capacidade integradora da escola (como “um lugar social” que poderia fornecer elementos vitais como identidade e expectativas de mobilidade social) como uma amarga constatação das suas limitações de afirmação pessoal e sucesso.

Por outro lado, conhecedores do inacessível universo de consumo (e do seu aparecer social), especialmente, como já afirmei mais acima, em uma cidade como Natal, esses jovens não se satisfazem mais com a vida e as conquistas da geração de seus pais. Não raramente, desdenham de “vitórias” que se expressam na aquisição de bens como geladeiras, televisão e frágeis casas próprias. Querem mais do que isso, embora, dolorosamente, nem mesmo “isso” esteja facilmente ao seu alcance.
A frustração do jovem ou adolescente que se percebe sem “lugar no mundo” é continuamente alimentada pelos sentimentos de injustiça e do não-reconhecimento. Quando a tradição (e os seus ritos e papéis) não parece ter sentido, abre-se uma avenida para que se comece a projetar caminhos alternativos (“mágicos” e desastrosos, como sabemos) para uma afirmação de si na única dimensão da vida social passível de conferir reconhecimento nos dias que correm: o consumo. E, assim, como que prisioneiros de um círculo de giz, esses jovens, buscam no inatingível consumo a afirmação como sujeitos.

Nesse universo, a ação social afirmativa, base de movimentos, é continuamente solapada pela descrença e pelo conformismo. Por isso mesmo, a revolta quando emerge, e ela assoma de vez em quando, dirige-se contra pessoas e não estruturas. Transmuta-se em atos de vandalismo, agressividade contra os mais próximos (especialmente os mais vulneráveis!) e em destruição de bens e espaços públicos.
O déficit educacional e uma socialização predominantemente horizontal (na medida em que se aprende, e se torna “gente”, mais na vivência com os amigos da mesma idade do que com a escola ou com os parentes mais velhos) desabilitam uma boa parte desses jovens para o exercício de atividades de trabalho que têm como pré-requisitos a disciplina (do corpo, do tempo e do espaço) e o respeito à autoridade. E, na medida em que rejeitam o penoso trabalho de seus pais como alternativa, não raro, sujeitam-se à “ficar à deriva”, sobrevivendo de pequenos expedientes. E as atividades criminosas, que seguem em uma onda concêntrica, de Natal para as demais cidades da região metropolitana, terminam se constituindo em uma “alternativa”.

E O QUE PODE FAZER A/O PRÓXIMA PREFEITA/O DE NATAL DIANTE DE TUDO ISSO?

Ora, o que está posto acima são traços e expressões locais de uma questão social mais ampla e nem mesmo as três esferas de governo atuando juntas e concertadas, poderiam mudar muito esse quadro, dizem-me não poucos interlocutores. Outros, com desdém, afirmam que “segurança pública não é questão precípua do poder municipal”. Afirmo-lhes que um governo municipal orientando pela ampliação da cidadania não apenas não pode ficar alheio a essa situação, mas, pelo contrário, deve atuar fortemente sobre ela, tomando-a como foco central de sua ação nos próximos anos. Apoio-me em uma proposição, formulada pelo ex-prefeito de Porto Alegre, Raul Pont, em um debate a que tive oportunidade de assistir há alguns anos: “as prefeituras municipais devem ser concebidas como vanguardas sociais”, isto é, como instâncias governamentais que, estando mais próximas dos cidadãos e de seus problemas, mobilizam pessoas, entidades e outras instâncias de governo para enfrentar problemas bem identificados. Em politiquês acadêmico, denomina-se isso de “liderança governamental”.

Apoiado nessa perspectiva, entendo que um(a) candidato(a) ao governo municipal da cidade do Natal que realmente queira politizar o próximo processo eleitoral local não deveria temer enfrentar as questões que encimam este post. Até porque, reconheçamos, elas têm sido, pelo menos até aqui, monopólio dos demagogos e da direita tradicional. Talvez assim, quem sabe, teríamos a oportunidade de ouvir uma(o) candidata formulando o seguinte compromisso: “VAMOS DISPUTAR CADA CRIANÇA, ADOLESCENTE E JOVEM DESTA CIDADE QUE ESTEJA SOB INFLUÊNCIA DO TRÁFICO DE DROGAS!”.

E, se a frase acima for a expressão de uma escolha política séria e aprofundada, esse candidato ou candidata proporá um conjunto de ações factíveis para dar substância à sua escolha. E nem precisaria se preocupar em formular coisas muito mirabolantes, bastar analisar tomar como referência experiências já realizadas em cidades como Diadema (SP) e Belo Horizonte. Da primeira, traria importantes lições sobre como a Guarda Municipal pode vir a se constituir em uma força catalisadora de energias para enfrentar altas taxas de homicídios. Já de Belo Horizonte, buscaria informações a respeito do projeto “Fique vivo”.

Objetivamente, uma boa intervenção de um governo municipal na segurança pública em Natal deve se orientar por três objetivos básicos:
1) Formular e desenvolver projetos e programas direcionados para a diminuição substantiva da delinqüência na cidade do Natal;
2) Promover ações que levem à redução da vitimização (particularmente homicídios, estupros, agressões físicas e ameaças à integridade das pessoas) na cidade;
3) Realizar intervenções diretas objetivando a retirada de jovens e adolescentes do raio de influência do tráfico de drogas e do crime organizado;
4) Criar espaços e eventos que funcionem como alternativas e atrações para jovens e adolescentes envolvidos com o consumo de drogas e gangues.

Tais objetivos poderiam se traduzir nas seguintes ações e projetos:

a)Com base na condensação de informações científicas sobre as ocorrências policiais na Cidade do Natal, identificar áreas prioritárias de intervenção social (APIS). Seguindo o modelo preconizado pelo Governo Federal no PRONASCI, cada APIS terá uma coordenação específica e procurará articular, com para alcançar os objetivos acima, as ações dos órgãos da Prefeitura atuantes na região;

b)A prefeita (ou prefeito, vá lá, tudo é possível) deve articular com a bancada federal do estado a inclusão da Grande Natal como região prioritária (para receber forças policiais e recursos) do PRONASCI;

c)Campanha e apoio a ações da PM e da Polícia Civil para o desarmamento. O número de homicídios perpetrados por armas de fogo foi significativo nos últimos doze meses em Natal. Por isso, campanhas pelo desarmamento, além do apoio da Guarda Municipal e da STTU à ações de desarmamento promovidas pelos órgãos policiais são fundamentais;

d)Articular espaços de encontro e sociabilidade nas comunidades periféricas. Muitos conflitos interpessoais que resultam em mortes ocorrem em bares. Isso porque, quando o bar é o único espaço de sociabilidade disponível, a tendência é o aumento de conflitos e agressões. Some-se a isso a ampliação do alcoolismo e da visibilidade pública de comportamentos socialmente indesejados. Para enfrentar essa realidade, através da mobilização da Fundação Capitania das Artes, a Prefeitura da Cidade do Natal deverá realizar atividades culturais nas comunidades e bairros periféricos;

e)Criar um Programa Municipal de Apoio Psicológico às vítimas diretas e “ocultas” da violência em Natal. Quando ocorre um homicídio, a vítima nunca é apenas a pessoa assassinada. Estudos psicológicos e criminológicos, conduzidos dentre outros pelo Professor Gláucio Ary Dillon Soares, indicam que, além da vítima primeiramente identificada, outras vítimas (ocultas) padecem de sofrimento e perdas irreparáveis. São não apenas pais, filhos, irmãos e amigos do(a) assassinado (a), mas também todos os que, direta ou indiretamente, entraram em contato com o evento, como as testemunhas (policiais, pessoal do SAMU, médicos, etc.). A PMN deve implantar um amplo programa de apoio à essas vítimas, contratar psicólogos e montar um serviço específico com esse objetivo nos serviços municipais de saúde.

Em uma outra postagem tratarei do seguinte tópico:
PRESSUPOSTOS METODOLÓGICOS DE UMA INTERVENÇÃO DA PREFEITURA MUNICIPAL NA SEGURANÇA PÚBLICA DE NATAL

segunda-feira, 21 de julho de 2008

SOBRE A ÚLTIMA PESQUISA ELEITORAL PARA A PREFEITURA DE NATAL

A pesquisa eleitoral publicada no último final de semana pelo Diário de Natal/O poti não pode ser levada muito a sério. Não que não seja uma pesquisa séria, mas é que ela diz muito pouco da disputa eleitoral que recém começa e do quadro que, acredito, só estará melhor definido no final de agosto. O único dado realmente significativo da nova pesquisa é que quase 50% dos eleitores ainda não definiu em quem votará em outubro. Nesse sentido, vale a pena ler análise sobre as últimas pesquisas eleitorais feita pelo Prefeito César Maia em seu Ex-Blog. Advirto aos patrulheiros de carteirinha que o prefeito do Rio, discordâncias políticas à parte, tem uma grande capacidade de análise dos processos eleitorais (obviamente, algumas vezes, enfia o pé na jaca, como nas suas análises sobre as eleições presidenciais passadas, mas, no geral, tem uma boa visão do que é uma eleição municipal no Brasil).

"TAXA DE ALHEAMENTO DO ELEITOR, MAIOR QUE NUNCA!

1. A última pesquisa do Ibope realizada entre 15 e 17 de julho- vem prejudicada pelos fortes acontecimentos que comoveram a opinião pública carioca naqueles dias, com a tragédia da morte de um menino fuzilado por uma ação desastrada da polícia. Nem o Ibope, nem o Estado de SP, nem a TV Globo tem culpa. Mas esta é uma pesquisa que deve ser desconsiderada. A taxa de não-voto (nulo+branco+não sabe+não respondeu) cresceu para 32% (uma semana antes eram 20%). Todos caíram. Mas quando há um choque de opinião, a distribuição dos que desistiram de escolher candidato é totalmente aleatória e portanto qualquer um poderia ter caído mais ou menos. No caso dos 3 que estão empatados em terceiro lugar há 45 dias, estatisticamente não há diferença em função do aumento do não-voto em 50%.

2. Mas é mais complexo do que isso. As pesquisas que vão se sucedendo mostram uma enorme volatilidade de quase todos os candidatos. Muitas vezes uma mesma porcentagem não traduz um mesmo perfil de eleitor. Analisando um período de 3 meses, o que menos flutua sob qualquer ponto de vista é o candidato do PSOL, sempre na faixa dos 5%.

3. Este Ex-Blog já chamou a atenção quanto a inexistência de pré-campanha em 2008, seja pelos limites da legislação, seja pelos fatos de grande repercussão que ocorreram no primeiro semestre e desviaram a atenção. A pesquisa do Ibope se comparada a outras e se supõe, as anteriores do próprio Ibope mostrou um aumento de pelo menos 12 pontos no "não-voto".

4. Em Belo Horizonte, esta mesma pesquisa do Ibope-ESP-TVG dá ao candidato do governador e do prefeito da capital, com toda a divulgação de imprensa, meros 8%. Os líderes têm 17% e 14%. Mas o surpreendente é que em BH, o "não voto" alcançou nessa pesquisa 49% das intenções de voto. Rio e Belo Horizonte são as capitais em que as Taxas de Alheamento, são as maiores do Brasil.

5. O melhor que fariam os contratantes dessa pesquisa num quadro de clamor público é deixá-la de lado, esperar um pouco, e contratar outra."

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O MUNICÍPIO E A SEGURANÇA PÚBLICA

Neste momento, quando se avizinham as eleições municipais, vale a pena analisar as proposições dos diversos postulantes à cadeira de Prefeito/a de nossa cidade em relação ao papel do município no que toca à segurança pública. Não poucos candidatos, prisioneiros de um discurso ideológico que remete o enfrentamento da insegurança urbana à resolução das “questões sociais”, passam ao largo da discussão. Além de deixarem uma avenida aberta para o crescimento dos discursos autoritários (“tolerância zero”, dentre outros), deslizam para um imobilismo que só traz prejuízo aos setores populares, exatamente os que contam com menos instrumentos (vigilância privada, cercas elétricas, residências em condomínios fechados, etc.) para se defender ante a violência urbana. Existem ainda aqueles, pouco criativos, que chamam a atenção para as limitações constitucionais das ações da Guarda Municipal. Como se as ações de uma Prefeitura Municipal em relação à segurança pública só pudessem contar com a Guarda. A construção de uma política de paz e segurança urbana nas nossas cidades exige criatividade, ousadia e superação de velhos e superados clichês ideológicos. Qualquer candidatura que tencione construir um diálogo com os setores dispersos e desorganizados (a maioria da população, especialmente em uma cidade como Natal), deve apontar claramente um conjunto de ações e medidas relacionadas à construção de um plano de paz e segurança urbana para o município.

Uma perspectiva política que aposte em tal caminho incorporará noções como as de liderança governamental e de capital social. Essa direção política significa tomar o Estado (no nosso caso, a Prefeitura Municipal da Cidade do Natal) como uma instância catalisadora de energias sociais. Ou, em outras palavras, alicerça-se na ampliação do leque de proposições a respeito do que é possível fazer desde o “lugar social” do estado. E, mais importante, de que como é possível, na gestão pública moderna, a instituição de relacionamentos proveitosos (e transparentes) entre as agências estatais e os atores privados.

PS: Continuarei a bater nessa tecla em outras postagens.