terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cartas sobre a mesa

Uma parceria entre Daniel Menezes e Carlos Eduardo Freitas, o Cadu, resultou em ótimo blog de análise política. A crítica sem amarras e o rigor avaliativo marcam as primeiras postagens de um espaço que promete ser fonte de muitas controvérsias em um futuro próximo. Nossas efusivas boas vindas aos blogueiros. E longa vida ao "Cartas sobre a mesa"! Acesse e confira.

Ranking das universidades latno-americanas

Acesse aqui o ranking das universidades latino-americanas. A UFRN aprece em 18º lugar.

Te cuida, Natal

Reproduzo abaixo matéria postada no Ex-Blog do César Maia. Para aumentar um pouco a tensão dos que nos venderam a Copa de 2014 como a salvação da lavoura na esquina do Atlântico.

"COPA 2014: CIDADES PODEM DEIXAR DE SER SEDE!

1. Foi de 3 anos e meio o período entre o início da obra do Engenhão e a entrega para o jogo de estreia. Uma área livre, onde as únicas dificuldades foram desarmar um galpão tombado, transferir trens fora de uso e uma linha de abastecimento de água. Um estádio de 45 mil pessoas, que pode ser ampliado para 60 mil, obedecendo as normas técnicas da FIFA e do COI, no caso da pista de Atletismo. Agora, partindo de janeiro de 2010, até janeiro de 2013 (estádios prontos para a Copa das Confederações em junho), temos 3 anos cravados.

2. Na coluna Panorama Esportivo (Globo, 29/08), JL. Rodrigues e M. Fonseca voltam a alertar para os atrasos e lembram que a FIFA deu datas firmes, e cidade que não cumprir, perde o mando dos jogos e será substituída por outra já selecionada. Por exemplo: se são 12 cidades e 2 não cumprem, passam a ser 10. Na coluna, informam que "as plantas de cada estádio tem que ser enviadas até sexta-feira, 04/09. No início desta semana vence o prazo para o estudo sobre viabilidade econômica, e em fevereiro de 2010 as obras devem estar licenciadas para pronta execução.

3. E citam o presidente da CBF: "O não cumprimento desse cronograma poderá levar a desqualificação da cidade-sede pela FIFA". Os estádios questionados foram Morumbi (que terá que refazer o projeto), Cuiabá e Manaus (ajustar os projetos) e Rio, pela lentidão da conclusão da licitação para a concessão do estádio e parcerias.

4. Os atrasos e problemas para 2014 afetam a credibilidade para JJOO-2016."

As advertências me divertem

Acho que deve ser a aproximação do processo eleitoral. Ou uma interferência dos astros... Mas o fato é que, de uma hora para outra, todos os conhecidos se tornam muito, mas muito mesmo!, realistas. E isso ocorre muito fortemente nesse pequeno mundinho que é a Universidade. Nestas paisagens, há sempre uma justificativa racionalizada para, deixem-me ser diplomático, as mais esquisitas redefinições de posições. Assim, de uma hora para outra, qualquer coisa como defesa de interesse público passa a ser lida como moralismo ou “principismo”.

Mas essa patuscada não me causa menos enjôo do que a subordinação da discussão pública aos interesses de pessoas que supostamente estariam do “nosso lado”. Minha nossa! Vive-se em um mundo no qual a discussão pública deve estar subordinada aos interesses políticos e partidários. Antes de se perguntar sobre o quê você está comentando, de imediato, já salta um patrulheiro a te perguntar, de bate pronto, se você não está fazendo o jogo de “a” ou “b”. E eu com isso? Já passei desse tempo...

Se você se dispõe a escrever um blog é porque, espera-se, sinta-se livre o suficiente para escrever o que pensa e assumir as suas posições. O espaço da internet é livre (ainda!) e quem quer defender interesses partidários (e isso pulula na grande rede, não é?) pode e deve fazê-lo. Mas, por favor, não me cobrem o que eu nunca me propus a ser: alguém que subordina as suas posições à conveniências políticas e partidárias.

Por fim, as advertências não me metem medo. O que é isso? Então, o jogo é assim? Comigo, não funciona. Chegam-me avisos que me divertem: “você vai perder amizades...”. Ora, ora, amizades verdadeiras não subordinam as pessoas. Uma amizade que só se mantém na conivência e na aceitação acrítica de tudo o que o(a) outro(a) faz não merece ser nomeada enquanto tal.

Um livro para referenciar o debate sobre violência e economia


No edição do último final de semana do jornal Valor Econômico, o Professor Ricardo Abramovay (FEA-USP) fez uma competente resenha de um livro do qual Douglas North é um dos autores. Com a verve de sempre, Abramovay nos convence da necessidade de comprar e ler imediatamente a obra.

Trinta anos depois...


© A autoria da foto acima é de Sergio Berezovsky.


1979. Eu lia com avidez jornais como Em Tempo, Movimento, Versus e outros mais, veículos da então chamada "imprensa alternativa". A anistia, mesmo limitada, permitia a volta dos exilados. Militantes históricos (e, pelas lentes de hoje, mitificados) da luta contra a ditadura retornavam ao país. Miguel Arraes, Brizola e tantos outros. Dentre esses outros, um personagem que ainda está presente e fazendo história. A sua entrada em cena foi uma lufada de vento novo no ambiente carregado e sisudo da esquerda brasileira. Tratava-se do atual Deputado Fernando Gabeira. O ex-guerrilheiro (do MR-8, veja só!), não sei se já tinha lançado o livro "O que é isso, companheiro?", mas já era o sinônimo da provocação. Para os patrulheiros de sempre, o jornalista não passava de um porra-louca desbundado. O fato é que Gabeira marcou toda uma época com a sua, digamos, perfomance na Praia. Lembro que a foto provocou páginas e mais páginas de discussão na dita imprensa alternativa.

Moral da história: A revista Caras, por meios transversos, é uma neta bastarda da esquerda brasileira. E as atuais celebridades, de alguma forma, são caricaturas de personagens que utilizaram o que então se chamava "política do corpo" para tornar mais arejado o nosso ambiente político e cultural.

Comece bem o dia...