terça-feira, 30 de junho de 2009

Estou fora...

...trabalhando na avaliação de cursos na CAPES. Assim que possível, eu voltarei a postar aqui. Agradeço a atenção e a paciência de vocês.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fique aí com Bola de Nieve que eu tenho visita...

... os avaliadores da Capes estão por aqui, analisando o meu curso. Então, posto rapidinho. Aproveito para te presentear com Bola de Nieve. Uma voz maravilhosa. Confira!

Sobre constrangedor silêncio dos ecologistas europeus em relação à exportação de pneus usados para os trópicos

Leia aí embaixo a resposta de Augusto Max, o Guru, ao texto de Alon Feuerwerker que eu postei antes (Pneu usado no meio ambiente dos outros...) . Confira!

Silêncio?
Augusto Max

Opa, a pergunta de Alon já foi respondida por um ex-membro do CONAMA no blog dele, mas reforço aqui. O presidente abriu essa ação junto ao supremo sob pressão de vários grupos ambientalistas, há 3 anos atrás. Eu ouvi em vários encontros ambientalistas nos últimos anos isso ser posto em pauta. Alguns grupos chegaram a se manifestar em Genebra, na sede da OMC, pelo assunto.

Se o 'alarido' dos ambientalistas não foi ouvido, isso se deve tão somente ao espaço que lhes é concedido na mídia. Em minha experiência nesse campo, vi que somente aos ambientalistas era dado espaço relevante em algum meio quando interessava ao grupo midiático usar as declarações para alguma alfinetagem política. Sempre carregadas de muito maniqueísmo, sempre manobradas com alguma crítica a determinado grupo político. Quando é uma questão que não vá criar uma polêmica que lhes interesse na política em que se inserem, pouco importa à mídia publicar o que pensam os ambientalistas.

Acho que o maior impecilho à "questão ambiental" no Brasil é esse modo como é tratado o problema nos meios de comunicação. Munição para politicagem de jornal. Existe um amplo porém frágil campo de articulação, que pouco chega ao nordeste, entre institutos, associações civis, movimentos etc. ligados ao tema. Há de tudo: revistas de meio ambiente ligadas ao PSDB; tematização pelo MST; greenpeace; grandes portais gerais como o ambientebrasil, agrupamentos empresariais como o Instituto Ethos etc. Se, dentre tudo isso, mesmo um jornalista bem informado só consegue ouvir Marina Silva, o problema está muito mais no sistema midiático brasileiro que "no silêncio de ONG's financiadas pelo capital estrangeiro" ou paranóia semelhante.

De qualquer forma, é gratificante que pelo menos nas questões de "não jogue seu lixo no meu território nacional!" nacionalistas se coadunem com ambientalistas.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Em defesa dos touros, ecologistas ficam pelados

Você, que leu e gostou das obras de Ernest Hemingway nas quais ele, de forma apaixonada, descrevia o mundo das touradas e dos touros na Espanha dos anos 1920 e 1930, vai ficar com a consciência culpada. Pois é, os pobres dos touros sofrem prá caramba. E poucos os defendem, não é verdade? Isso agora mudou. Ecologistas - eles estão em toda parte, especialmente próximos de alguma câmera fotográfica ou de uma TV - assumiram a defesa do maltratado bovino. E ameçam a tradicional corrida de Pamplona... com um protesto em, bem, claro, onde mais não é mesmo?, em Nova York. Assista abaixo o vídeo do UOL com a notícia.

Pneu usado no meio ambiente dos outros...

Concordo inteiramente com a posição do Alon Feurwerker a respeito da decisão do Supremo vetando a importação de pneus usados pelo Brasil. Vale lembrar: a ação positiva foi iniciada pelo Governo Lula. Confira!

O cinismo europeu, derrotado
Alon Feuerwerker

Do stf.jus.br:
Por 8 votos a 1, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou procedente a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 101, na qual o presidente da República alegava que a importação de pneus usados e inservíveis fere a Constituição Federal. Para a maioria dos ministros, os danos causados ao meio ambiente justificam a recusa do país a receber os produtos. Já o ministro Marco Aurélio acredita que os pneus usados ainda servem para o uso, o que favoreceria principalmente as camadas mais pobres da população brasileira. A ação foi proposta pelo presidente da República, por intermédio da Advocacia Geral da União, questionando decisões judiciais que permitiram a importação de pneus usados. A AGU pede que o Supremo declare a constitucionalidade de normas em vigor no país que a proíbem. O governo utiliza como principal fundamento o artigo 225 da Constituição Federal (CF), que assegura a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, ameaçado pela incineração e pelo depósito de pneus velhos.

Escrevi algumas coisas sobre isso (clique e role a página). E o intrigante no episódio foi o quase silêncio dos ambientalistas. Minha homenagem à senadora Marina Silva (PT-AC), uma exceção. Alguém poderia explicar por que a mesma Europa que vive nos azucrinando sobre a Amazônia e sobre a qualidade de nossa carne bovina queria nos empurrar, na cara dura, os pneus velhos sem serventia e que ameaçam o ecossistema do velho continente? E por que não ouvimos desta vez o alarido das ONGs?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O futuro que se anuncia

Leia abaixo matéria publicada hoje no El País. Vale a pena conferir!

El futuro según los sabios
Expertos de ocho áreas debaten los grandes desafíos científicos y sociales
MALEN RUIZ DE ELVIRA - Madrid - 24/06/2009

Durante casi dos horas, el climatólogo Wallace S. Broecker, los físicos Peter Zoller e Ignacio Cirac, el investigador en biomedicina Joan Massagué, los ecólogos Thomas Lovejoy y William Laurance, el ingeniero Jacob Ziv, el economista Jean Tirole, el arquitecto Steven Holl y la experta en cooperación Esther Duflo, del Laboratorio de Acción contra la Pobreza Abdul Latif Jameel (MIT), se reunieron el pasado jueves, con motivo de la entrega de los premios Fronteras del Conocimiento, de la Fundación BBVA, para comentar los desafíos científicos y sociales actuales. Lo siguiente es un resumen de la visión del futuro de estos sabios.

Cirac. Estoy convencido de que los avances futuros serán mucho más importantes que los pasados, pero lo difícil es predecir cuáles serán. Cuál es el origen de la vida, cuál es el origen de la complejidad, éste es uno de los mayores desafíos.

Massagué. Estamos entrando en una era de grandes cambios en todas las áreas de la medicina, como las enfermedades neurodegenerativas, pero todavía nos falta mucho por desarrollar. El nuevo brote de gripe es un ejemplo. En cáncer, conocer mejor los factores de riesgo propios y medioambientales es vital.

Laurance. En los últimos años ya hemos tenido grandes sorpresas, como descubrir la enorme biodiversidad de los microorganismos oceánicos. Los próximos años serán muy interesantes.
Lovejoy. La verdad es que no creo que pronto pase algo tan importante como fue la teoría de la evolución, pero tenemos grandes desafíos medioambientales, como saber cómo va a afectar el cambio climático a las precipitaciones, especialmente en la selva tropical. Necesitamos mucha más información.


Broecker. El cambio climático no es reversible a corto plazo y no creo que se dejen de utilizar pronto los combustibles fósiles. Tenemos que diseñar métodos para sacar el dióxido de carbono de la atmósfera y almacenarlo de forma segura.

Ziv. En tecnologías de la información estamos construyendo puentes con expertos en computación cuántica, con los biólogos, expertos en sistemas complejos. Predecir es muy difícil, lo que sí está claro es que ha pasado el tiempo del inventor aislado, todo lo que se avance será fruto de la colaboración, aunque no se puede olvidar la importancia de la ciencia básica especializada.
Tirole. Los economistas hemos progresado de forma importante en los últimos 30 años y creemos que sabemos mucho, pero en realidad nos falta mucho por saber en algunas áreas. Un área muy activa de investigación es la interacción con las otras ciencias sociales, con sociólogos, psicólogos, expertos en derecho, para incorporar la racionalidad real de los seres humanos a nuestros modelos.


Duflo. Una rama de nuestra actividad es puramente científica. A nadie se le había ocurrido antes hacer lo que hacemos nosotros, experimentos como los médicos, pero sobre la efectividad de los proyectos de cooperación. Respecto a la ciencia en general, es útil pensar en ella como una pelota. Todos trabajamos en añadir una capa más a esta esfera, así que cada vez hay más trabajo que hacer. No se trata de rellenar huecos sino de hacer la pelota más grande, y así se plantean continuamente nuevas preguntas.

Zoller. La física es al final experimental, y siempre se pueden producir sorpresas. Reconciliar la relatividad con la mecánica cuántica es un gran desafío, así como interconectar las diferentes áreas de la ciencia; la biología con la física, por ejemplo.Holl. Soy muy optimista sobre las posibilidades de la arquitectura. Voy a poner algunos ejemplos, como la luz. La iluminación con diodos LED es 500 veces más eficiente que la tradicional. Veo sectores enteros de las ciudades que tengan huella cero de CO2, que estén en equilibrio con el ambiente. La tecnología nos permitirá disfrutar más de la vida. Hay que pensar en lo que supusieron los ascensores en el siglo pasado y veo en el futuro avances tecnológicos de similar importancia.

Massagué. La ciencia, especialmente las ciencias de la vida, deben guiarse por las necesidades de la sociedad. Los científicos, no todos ellos, no siempre, pero sí colectivamente, deben estar atentos a lo que su labor puede significar. Y en los aspectos éticos de la medicina hace falta el diálogo, que sería bueno que iniciaran los propios científicos. Es importante tener en cuenta estos aspectos y también que no se manipulen.

Lovejoy. Es crucial que combinemos nuestros conocimientos para diseñar un futuro sostenible. Para eso debemos de conocer cómo funcionan el planeta, el clima, cómo eliminar los gases de efecto invernadero.

Laurance. Los desafíos a los que nos enfrentamos derivan de un mundo que está cambiando simultáneamente en muchos aspectos. Un gran tema es la población, que afecta a todas las áreas aquí representadas. Sin embargo, la relación de la población con los grandes problemas mundiales no se refleja suficientemente, seguramente porque es un tema políticamente sensible. Deberíamos debatir mucho más sobre la población.

Broecker. Tendemos a olvidar que los grandes consumidores de energía del futuro serán los actuales países pobres. Desde el punto de vista ético debemos de ayudarles a disponer de energía barata, más que impedírselo. La pobreza es uno de los mayores problemas del mundo y para aliviarla es necesaria la energía.

Ziv. Conseguir aplicar reglas éticas en los medios de comunicación es difícil y no creo que deban de hacerlo los Gobiernos. Lo que espero es un servicio que avale la calidad de los contenidos en Internet. Quizás haya que pagar por él, pero es mejor solución que intentar regularlo.

Tirole. En economía, la ética está prácticamente limitada a los temas de redistribución de la riqueza a los países pobres, a cómo lo hacemos eficientemente. Pero en el cambio climático el papel de los economistas es minimizar los costes para alcanzar los objetivos, porque si se multiplican los costes la lucha contra el cambio climático no es viable.

Duflo. La ética es la base de nuestro trabajo y lo que desde luego no es ético es gastar toneladas de dinero, no sólo de los países ricos sino también de los propios países pobres, para ayudar a los pobres sin tomarnos el tiempo de ver si este gasto ha sido útil o no.

Cirac. Lo que descubrimos siempre se puede utilizar para el bien o para el mal y ésa es, en parte, nuestra responsabilidad, igual que la de informar a la sociedad de lo que hacemos.

Yentl, um filme para não esquecer.

Eu assiti Yentl há muito tempo. Foi amor à primeira vista. Nunca o encontrei em dvd (existe?). Como consolo, busco no youtube imagens dessa grande obra, na qual Barbra Streisand está simplesmente fenomenal. Confira abaixo!

sábado, 20 de junho de 2009

Uma música para Raquel Luna

Raquel adora qualquer música cantada pela Fernanda Takay. Então, é para Raquel a música abaixo...


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Genoíno enterra a descabida proposta do terceiro mandato

Do Estadão (versão online) recolhi a matéria abaixo transcrita. Dá conta do enterro da proposta (equivocada sob todos os ângulos) da possibilidade de Lula concorrer a um terceiro mandato. Uma vitória do bom senso (dado que preserva o respeito às regras do jogo) e da democracia. O relator da matéria na Câmara, o deputado José Genoíno, é um dos políticos mais inteligentes e íntegros que eu já conheci. Infelizmente, durante um curto período, foi engolido e tragado pela trupe do Zé Dirceu et caterva (Delúbio e Silvinho). E uma biografia foi manchada... Acontece com muitos, infelizmente. Mas, com a postura de agora, Genoíno demonstra a sua força moral.


Genoino pede arquivamento do terceiro mandato
Relator da emenda na CCJ da Câmara sustenta em parecer que medida, se aprovada, vai ferir democracia

Denise Madueño, BRASÍLIA

Apoiada por setores do PT, a proposta de emenda constitucional que permite um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem - de um petista histórico - um golpe importante. Em seu parecer, o deputado José Genoino (PT-SP), relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), pediu o arquivamento do projeto.

A CCJ era a primeira etapa da tramitação. A tendência da comissão, agora, é de aprovar a recomendação de Genoino. Os maiores partidos da base e os de oposição se manifestaram contra um eventual terceiro mandato para Lula, assim como governadores e prefeitos.

O relator argumentou que a mudança na regra - atualmente só é permitida uma reeleição - beneficiaria os atuais ocupantes dos cargos de presidente, governador e prefeito. Além disso, justificou, o princípio republicano estabelece a alternância do poder. "A democracia é a certeza das regras e a incerteza dos resultados", afirmou.

"A aprovação de possibilidade de mais um mandato acabaria sem limites. Daqui a pouco podem propor mais um, outro e mais mandatos, quebrando o princípio republicano", argumentou. Para Genoino, a regra não pode ser mudada porque pertence à categoria das "cláusulas pétreas implícitas", que não podem ser alteradas.

O parlamentar, que já ocupou a presidência do PT, passou um período submerso depois do escândalo do mensalão. Foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, acusado de participar do esquema de compra de votos no Congresso. O caso está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF).

Tecnicamente, os integrantes da comissão consideraram questionáveis as justificativas apresentadas por Genoino para pedir o arquivamento da proposta pela Câmara.

Esse mesmo raciocínio foi derrotado no passado, quando aprovada a emenda constitucional que deu a possibilidade de reeleição ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No entanto, não há disposição política na Câmara em permitir o andamento da proposta.

O próprio Lula já declarou ser contra o terceiro mandato diversas vezes. Somado a isso, a manutenção do assunto na pauta política poderia enfraquecer a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, escolhida do presidente para sua sucessão e em crescimento nas pesquisas de intenção de voto.

A defesa do terceiro mandato ressurgiu entre os petistas com a revelação da doença de Dilma, em tratamento contra um câncer linfático. Tanto o presidente quanto Dilma, porém, rebateram a hipótese.

REPERCUSSÃO

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), classificou o parecer de Genoino de "adequado" e disse esperar que a questão seja definitivamente resolvida na CCJ.

As declarações dos líderes aliados seguiram o mesmo tom. "O PMDB acompanha o voto do relator", afirmou o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), também reafirmou ser contra a mudança na Constituição. "O relatório do deputado Genoino confirma a posição do governo, contrária a essa tese", disse. "Vamos trabalhar para que o terceiro mandato seja conquistado com a ministra Dilma."

O parecer de Genoino deverá ser lido na próxima semana e votado nos primeiros dias de julho. A proposta de emenda constitucional havia sido apresentada no início do mês pelo deputado Jackson Barreto (PMDB-SE). Ele obteve 176 assinaturas, cinco a mais que o necessário.

A aprovação do parecer de Genoino resulta no arquivamento da proposta. Haveria, ainda, a possibilidade de recurso. Nesse caso, seriam necessárias 171 assinaturas, ou líderes que representem bancadas com esse número de deputados, para levar a questão ao plenário.

Como os líderes das maiores bancadas e o presidente Temer, que decidem o que entra ou não em votação no plenário da Casa, já se manifestaram contra a proposta, um eventual recurso seria "bloqueado".

Na hipótese, pouco provável, de o parecer de Genoino ser derrubado pela CCJ, a proposta seguiria para a comissão especial, que teria um prazo de 40 sessões para votar o projeto. Para que entrasse em vigor, a emenda teria de ser promulgada até 3 de outubro, um ano antes das eleições de 2010.


RELATOR

Os argumentos

Inconstitucional

"A proposta de emenda à Constituição ora examinada
me parece, irremediavelmente, fulminada de inconstitucionalidade, atingindo valores e elementos essenciais do Estado democrático-republicano, consagrado pelo texto constitucional de 1988"

Alternância de poder

"A proposta de emenda à Constituição sob análise, ao pretender instituir a possibilidade de a mesma pessoa ocupar a titularidade da chefia do Poder Executivo, por até doze anos consecutivos, tende a abolir o caráter periódico do mandato, assim como a reduzir as possibilidades reais de alternância entre os titulares. Porque afinal (e aqui me socorro mais uma vez do princípio da razoabilidade) doze anos é período excessivamente longo para que um mandato possa comportar, adequadamente, ou razoavelmente, o qualificativo temporário"

Jogo eleitoral

"A medida proposta agride o senso comum de justiça e razoabilidade ao pretender aplicar-se aos atuais detentores de mandato eletivo, alterando regras do jogo político em andamento no intuito de favorecer determinados Resultados"

Consulta popular

"A norma que visa a aprovar, cabe reconhecer, constitui
mesmo verdadeira tentação para quem dela poderia se beneficiar. Uma tentação que espera legitimar-se democraticamente por meio
da obtenção de apoio popular, prevendo a realização de um
referendo sobre a matéria.

Como se fosse razoável supor que o povo pudesse decidir um assunto como esse de forma isenta ou alheia aos interesses eleitorais em jogo, sem se deixar seduzir nem contaminar, também ele, por esses interesses e paixões e pelo ambiente político
específico, conjuntural, do momento da consulta popular
a ser realizada!"

PT e Lula

"Ao finalizar, registro que é absolutamente necessário
sublinhar aquilo que a opinião pública já sabe, sobre o que,
porém, talvez haja uma reiteração de dúvida que lhe é insinuada. Refiro-me a que, tanto a direção do meu partido, o PT, quanto o presidente Lula, têm, insistentemente, se manifestado contrários a mudar as regras do jogo, possibilitando um terceiro mandato, para cargos de chefia do Poder Executivo em nível federativo"

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O ProUni e as cotas: a avaliação de Elio Gaspari.

Gaspari: a cota de sucesso do ProUni

Na edição de hoje da Folha de São Paulo, um ótimo artigo do jornalista Elio Gaspari sobre o ProUni.

A DEMOFOBIA pedagógica perdeu mais uma para a teimosa insubordinação dos jovens pobres e negros. Ao longo dos últimos anos o elitismo convencional ensinou que, se um sistema de cotas levasse estudantes negros para as universidades públicas, eles não seriam capazes de acompanhar as aulas e acabariam fugindo das escolas. Lorota. Cinco anos de vigência das cotas na UFRJ e na Federal da Bahia ensinaram que os cotistas conseguem um desempenho médio equivalente ao dos demais estudantes, com menor taxa de evasão. Quando Nosso Guia criou o ProUni, abrindo o sistema de bolsas em faculdades privadas para jovens de baixa renda (põe baixa nisso, 1,5 salário mínimo per capita de renda familiar para a bolsa integral), com cotas para negros, foi acusado de nivelar por baixo o acesso ao ensino superior. De novo, especulou-se que os pobres, por serem pobres, teriam dificuldade para se manter nas escolas.
Os repórteres Denise Menchen e Antonio Gois contaram que, pela segunda vez em dois anos, o desempenho dos bolsistas do ProUni ficou acima da média dos demais estudantes que prestaram o Provão. Em 2004, os beneficiados foram cerca de 130 mil jovens que dificilmente chegariam ao ensino superior (45% dos bolsistas do ProUni são afrodescendentes, ou descendentes de escravos, para quem não gosta da expressão).
O DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino foram ao Supremo Tribunal Federal, arguindo a inconstitucionalidade dos mecanismos do ProUni. Sustentam que a preferência pelos estudantes pobres e as cotas para negros (igualmente pobres) ofendiam a noção segundo a qual todos são iguais perante a lei. O caso ainda não foi julgado pelo tribunal, mas já foi relatado pelo ministro Carlos Ayres Britto, em voto memorável. Ele lembrou um trecho da Oração aos Moços de Rui Barbosa: "Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".
A "Oração aos Moços" é de 1921, quando Rui já prevalecera com sua contribuição abolicionista. A discussão em torno do sistema de acesso dos afrodescendentes às universidades teve a virtude de chamar a atenção para o passado e para a esplêndida produção historiográfica sobre a situação do negro brasileiro no final do século 19. Acaba de sair um livro exemplar dessa qualidade, é "O jogo da Dissimulação - Abolição e Cidadania Negra no Brasil", da professora Wlamyra de Albuquerque, da Federal da Bahia. Ela mostra o que foi o peso da cor. Dezesseis negros africanos que chegaram à Bahia em 1877 para comerciar foram deportados, apesar de serem súditos britânicos. Negros ingleses negros eram, e o Brasil não seria o lugar deles.
A professora Albuquerque transcreve em seu livro uma carta de escravos libertos endereçada a Rui Barbosa em 1889, um ano depois da Abolição. Nela havia um pleito, que demorou para começar a ser atendido, mas que o DEM e os donos de faculdades ainda lutam para derrubar:
"Nossos filhos jazem imersos em profundas trevas. É preciso esclarecê-los e guiá-los por meio da instrução".
A comissão pedia o cumprimento de uma lei de 1871 que prometia educação para os libertos. Mais de cem anos depois, iniciativas como o ProUni mostraram não só que isso era possível mas que, surgindo a oportunidade, a garotada faria bonito

Dor e solidão: a foto que capturou a dor de Pelé...

...quando, após uma grave contusão, sentiu que estava fora da copa de 1962. A foto, publicada no site images & visions, foi vencedora de um Prêmio Esso, e é de autoria de Alberto Ferreira (1932-2007).


Música para quem ainda está no trabalho...

A internet e a liberdade dos adversários

Mais abaixo, como tem ocorrido sempre, transcrevo o artigo que o jornalista Alon Feuerwerker publica semanalmente no Correio Brasiliense (e disponibiliza no seu blog).

A liberdade dos adversários (18/06)
As pessoas adoram a internet, desde que ela sirva aos seus propósitos. Já quando pode ser usada pelos adversários, ela é odiada. É uma contradição curiosa, mas previsívelEm meio a contestações sobre o recente resultado eleitoral, o governo do Irã vem cerceando o trabalho da imprensa e tentando limitar o fluxo de informações pela internet. O mundo mudou com as novas tecnologias da informação, mas ainda é possível em algum grau estabelecer restrições à atuação do jornalismo dito empresarial. Mais difícil de conter, entretanto, é a atividade jornalística difusa, pulverizada, exercida pelo cidadão comum. Graças exatamente à popularização da internet.

A principal novidade introduzida pela rede global digital é a redução do custo de distribuir informação. Essa queda levou ao colapso a tradicional unidirecionalidade ensinada nas escolas. Na prática, é possível dizer que todo mundo hoje em dia pode ser um jornalista. Inclusive para criticar os jornalistas e o jornalismo. Somos profissionais que ao longo do tempo nos acostumamos a dar a última palavra sobre tudo. Agora, devemos nos adaptar ao fato de que nosso veredito, além de não mais ser o último, está, com a internet, a anos-luz de ser o único.

A nova realidade vem sendo recebida com satisfação por quem habita o polo da contra-hegemonia. Quem está por baixo, quem se sente esmagado pelo pensamento único dominante, esse adora a internet. Já quem tem o domínio dos canais ditos hegemônicos, esse a vê com desconfiança. Dia sim outro também tem gente falando mal dos blogs. E no Senado Federal está para ser votado um texto com restrições ao uso da rede. A proposta, do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), é draconiana, completamente inadaptada aos novos tempos. Por isso mesmo tem chance de passar. Ainda mais no Senado que aí está.

Comum é a posição do sujeito oscilar de acordo com as conveniências. Ele adora a internet, desde que sirva aos seus propósitos. Já quando pode ser usada pelos inimigos, ele a odeia. É uma contradição curiosa, mas previsível. O difícil na democracia é aceitar e reconhecer a legitimidade do oposto, do adversário. Um caso emblemático são os direitos humanos. O que mais se vê é gente inchando a veia do pescoço para defender os direitos humanos dos amigos, enquanto relativiza os de quem circunstancialmente está na trincheira oposta.

Daí a importância de uma Justiça realmente dotada de independência, e de termos leis democráticas, a começar da Constituição. A Carta de 1988 pode ter vários defeitos, mas vem garantindo ao Brasil o mais longo e mais estável período de democracia na nossa História. Não é pouca coisa. Por isso, sempre que se fala em reformar a Constituição para lhe dar "mais funcionalidade" é preciso olhar com lupa e tentar enxergar os interesses envolvidos. Num país de tradição autoritária, é medida sempre prudente.

Ontem, o Supremo Tribunal Federal decidiu por 8 votos a 1 que é livre o exercício da profissão de jornalista, independente de o profissional ser portador de diploma universitário de jornalismo. No caso deste colunista, a decisão do STF tem pelo menos uma consequência prática: poderei exercer com tranquilidade, e alma leve, a atividade que escolhi (ou pela qual fui escolhido) há quase três décadas. Aqui, faço uma referência a meus colegas que, mesmo sem o diploma, têm ao longo destes anos procurado exercer com dignidade e competência a profissão.

Como parte interessada, sou suspeito para opinar. Mas que o Brasil está melhor depois da sessão de ontem do Supremo, isso está.

Começar pelos números

Saltitando no óleo quente, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que vai dar publicidade à lista dos salários dos funcionários da Casa. Espera-se que sejam os vencimentos brutos. Vamos ver se ele terá força para cumprir o prometido. Em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) já fez o que Sarney promete. Kassab enfrenta resistências na Justiça, mas tomara que tenha sucesso na empreitada.

Para evitar protelações, o presidente do Senado poderia começar com uma medida mais modesta. Divulgar só a relação dos vencimentos brutos, sem os nomes. Seria bom saber qual o maior salário do Senado, qual é a média salarial, qual é a concentração de renda entre os servidores. Não atingiria a privacidade de ninguém e serviria para lançar alguma luz sobre o assunto.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O racismo nada sutil do mundinho fashion


Leia abaixo o que foi publicado, há pouco, na Folha Online. Racismo cordial? Pois, sim...

Modelo negra vai ganhar menos da metade do cachê médio da SPFW, diz agente
VANESSA TEODORO
da Folha Online

Apesar de ter acabado de chegar da Ásia, onde realizou vários trabalhos, a modelo Juliana Nepomuceno, 18, vai ganhar apenas R$ 400 para desfilar para o estilista Ronaldo Fraga na SPFW (São Paulo Fashion Week). É o que afirma o agente Helder Dias, da HD, agência especializada em modelos negros do país.

Dias conta que, em média, as modelos brancas costumam ganhar R$1.500 para realizarem o mesmo trabalho. O pagamento de menor valor é feito para "new face" [modelo em início de carreira] , o que não é o caso de Nepomuceno, de acordo com o empresário.

"A maioria das modelos negras não ganham nada. Nesses nove anos de HDA eu só ouço isso, que as modelos não têm perfil e quando desfilam é para divulgar e dar visibilidade, não tem cachê. Quando tem cachê, demora cinco meses para receber", diz.

Segundo o empresário, a modelo passou três anos fora do Brasil e trabalhou em diversos países. Mesmo tendo voltado com um material profissional, ela só fechou um desfile, que foi confirmado na última sexta-feira.

Em relação a política das cotas para que modelos negros desfilem na SPFW, Dias acredita que, como o mercado da moda não está dando essa oportunidade espontaneamente, a lei irá incentivar a discussão da inclusão de negros, pardos e índios nos desfiles brasileiros.

"Trabalhar com modelos negros é uma paixão, mas se fosse depender de moda para minha agência estar há nove anos no mercado, ela já tinha fechado no primeiro ano", declara.

Sobre o esvaziamento de algumas atividades acadêmicas na UFRN

Palestras, amplamente divulgadas e com custo altíssimo, para as quais comparecem dez pessoas. Eventos, como lançamentos de livros, restritos aos amigos do autor da obra. O esvaziamento das atividades, comentam alguns colegas, é crescente no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFRN. Há quem se aventure a longas digressões, com análises sofisticadas sobre a produção do conhecimento na pós-modernidade e firulas assemelhadas. Talvez, como dizem em Apodi, "o buraco seja mais embaixo". Quem sabe, não esteja na programação mesma das atividades e na ausência de sintonia com o que realmente as pessoas querem e fazem? Como assim? Ora, ainda temos atividades com grande comparecimento de público. Quais as suas características? No geral, são patrocinadas por grupos ou bases de pesquisas ancoradas em densas redes de relacionamentos. Ou, o que também deve se levar em conta, por professores que, carismáticos, contam com o apoio e a adesão dos seus alunos e colegas. No geral, atividades pretensamente grandiosas, cercadas de pompas ("abertura de semana disso ou aquilo", "conferência tal"...), estão condenadas ao ostracismo.

Deve-se levar em conta também o fato de que, com a entronização da lógica de avaliação de agências como CAPES e CNPq, o tempo nas universidades passa a ser regida pela instrumentabilidade. Ora, se são tantas as atividades ocorrendo ao mesmo tempo, as pessoas procurarão ir às atividades relacionadas com o que elas fazem. Vai ficando, portanto, distante aquele tempo em que um grande literato ou um historiador famoso proferiam palestras para alunos e professores de todo um centro. Hoje, apenas os pensadores mais inseridos (e incensados) nos mass media - um Maffesoli ou um Morin - atraem grandes públicos.

Talvez seja o momento de, como diria minha prima, "levantarmos alguns questionamentos" (minha prima gosta de levantamentos...). Penso em algumas perguntinhas simples. Palestras-comícios são realmente produtivas? Que efeitos produzem, além da auto-satisfação dos promotores? Uma "oficina de trabalho", na qual um pequeno grupo trabalho concentrado, não tem menor custo e mais ganhos?

Há ainda que se levar em conta o fato de que as diversas instâncias da instituição parecem que só se asseguram de sua existência se nos convocarem para uma reunião. Ocupe um cargo qualquer, coordenador de curso, por exemplo, e aí você vai ser convocado para trezentas reuniões. Cada pró-reitoria te quer em uma delas, cada colegiado também. Aí, pragmaticamente, você vai escolhendo àquelas que irá, do contrário não terá tempo nem para se coçar...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Música para acordar quem está sonolento neste começo da jornada da tarde

Notícia preocupante.

Deu na Folha Online:

Instituto Adolfo Lutz detecta mutação no vírus da gripe suína em SP


CLAYTON FREITAS da Folha Online

O Instituto Adolfo Lutz, ligado ao governo do Estado de São Paulo, conseguiu isolar o vírus da gripe suína --como é chamada a gripe A (H1N1)-- e detectou uma nova "estirpe" da doença no Brasil. Os técnicos brasileiros perceberam um padrão diferente para o vírus daquele que foi registrado pelo CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos) com base em amostras retiradas de pacientes da Califórnia.

A direita administra melhor a economia? Apontamentos para a descontrução de um mito.

No artigo abaixo transcrito, apontamentos para a desconstrução desse mito persistente de que a direita gere melhor, na direção dos governos, a vida econômica.



TRIBUNA: Carlos Mulas Granados
Progresistas: una mayoría en minoría



La mayoría de los ciudadanos, en España y en casi todo el mundo, prefiere las políticas progresistas, pero no se moviliza en su defensa. Según el último European Election Survey, un 58% de los europeos se autodefine de centro izquierda, pero en las elecciones del pasado 7-J los partidos conservadores han obtenido un 15% más de escaños que los socialdemócratas. ¿Cómo explicarlo?



La mayoría cree que el Estado debe actuar para proteger a los más débiles y que la religión no debe interferir en la política; defiende la promoción activa de las minorías y acepta nuevas formas de familia; otorga un papel importante al Estado en educación, sanidad, seguridad o dinamización económica, y sospecha de la capacidad de las grandes corporaciones para comportarse como deben sin controles públicos. Pero los partidos progresistas no logran persuadirles de que les voten con un mensaje sólido vinculado a valores ampliamente sentidos. En esta crisis económica es evidente: los progresistas ponen "las políticas" y los conservadores se llevan "la política", es decir, los votos, como Antonio Estella ha escrito aquí mismo recientemente.



Por qué los conservadores sacan la mejor tajada electoral? Pues porque aunque formuladas con franqueza sus políticas no tendrían apoyo general, su relato de "fuerza, seguridad y libertad" suena bien. En general, los conservadores ya no discuten los logros políticos y sociales defendidos y conquistados por sus adversarios a lo largo de la historia (el derecho a votar, a trabajar dignamente, al subsidio de desempleo, a la educación y la sanidad públicas, a la libertad de expresión, etc.), e incluso se han apropiado de algunos de ellos. Ahora se presentan como "centristas" y combinan su histórica defensa de la bandera nacional, la familia tradicional y la política de ley y el orden con un aura, más mítico que real, de gestión eficaz de la economía.



El retrato que haría de sí un neoconservador es el de un centrista compasivo, hombre o mujer de principios claros y moral sólida, buen gestor económico, amante de la libertad individual y riguroso en la defensa de la seguridad. Enfrente estarían los progres: izquierdistas trasnochados, empeñados en defender la salud y la educación públicas de inexistentes enemigos, que llaman a la lucha de clases, la nacionalización, el libertinaje, la desaparición de la religión, el aborto, la subida de impuestos, el despilfarro, la promoción de la pereza, la tolerancia con los criminales y la falta de principios morales.



Esta caricatura ignora la herencia de los pensadores de la Ilustración y de políticos progresistas egregios como Lincoln, Roosevelt, King, González, Brandt, Allende o tantos otros. Y ofende porque la Historia repite siempre lo mismo: los conservadores estuvieron siempre instalados en el"no" a cualquier avance cívico y social. Siempre "no"... hasta que el avance se impone y ya no hay vuelta atrás.



¿Cómo superar esta caricatura grosera e interesada del progre? Tal vez ayudaría la acuñación de un nuevo término que deshiciera tal simplificación y recogiera la esencia del nuevo pensamiento progresista del siglo XXI. De hecho, bajo el término neoprogresista se comienzan a agrupar distintos pensadores y políticos en los foros mundiales.



Un neoprogresista no acepta la contraposición clásica entre libertad e igualdad, porque la verdadera libertad se logra promoviendo la igualdad. Ama la libertad más que los conservadores, pero no sólo la del "dejar hacer, dejar pasar". Porque, ¿cómo puede llegar a ser libre un niño que no accede a la mejor educación posible a causa de la pobreza de sus padres? ¿Cómo puede ser libre una persona con discapacidad si no se garantiza desde el Estado que pueda circular como cualquiera por las calles? ¿Cómo puede una mujer ser libre si no se garantiza su igualdad cuando trabaja? ¿Cómo puede un país ser libre si no se le protege de los abusos del mercado y no se favorece su nivelación?



La búsqueda de esa verdadera libertad es lo que motiva las dos grandes políticas que hoy distinguen un programa progresista de uno conservador: la protección y la capacitación (lo que en inglés se llama empowerment).



Un neoprogresista cree en la necesidad de dar seguridad a los niños, a los mayores, a los débiles, a las minorías, a los pobres... porque no cree que las desigualdades tengan un origen natural, sino un origen social que puede mitigarse. No se trata de proteger a los trabajadores frente a los empresarios, ni a los parias de la tierra y los descamisados contra los terratenientes y los nobles. Se trata de proteger a todos los ciudadanos de los excesos de un mercado sin normas y sin control.



Protección, sí, pero también capacitación, porque con ella se libera el potencial de los individuos y disminuye la necesidad de protección. Así adquiere sentido la regulación frente a una "libertad" mal entendida: para equilibrar las desigualdades, para que el porvenir del planeta no quede hipotecado por la ambición desmedida de unos cuantos, para que la generación de hoy no condene a las siguientes. Bajo los nuevos conceptos de "economía virtuosa", "recuperación verde" y "sociedad sostenible", los neoprogresistas están agrupando las políticas que marcarán el futuro.



Para capacitar hay que invertir y habilitar recursos públicos: es decir, cobrar impuestos. Sin avergonzarse. Reniegan de los tributos quienes no creen en lo público. Pero mucha gente necesita de la acción pública... y máxime en tiempos como los actuales de crisis financiera y económica.


De estos temas y enfoques se debate en los diferentes foros de think-tanks progresistas de todo el mundo celebrados en los dos últimos años en Londres, Washington, Santiago de Chile... o en el que, dentro de unos meses, se celebrará en Madrid. La idea que va emergiendo de tales intercambios de ideas es que una mayoría de ciudadanos firmaría un manifiesto con estos principios y apoyaría las políticas que de ellos se derivan. Ahora el reto está en comunicarlos bien.



Los neocon llevan décadas promoviendo sin pudor ni complejo sus ideas, defendiendo "la libertad, la fuerza y la seguridad", y presentándose como portentosos gestores que acabarían con los funcionarios y las instituciones públicas supuestamente inoperantes. La crisis en que nos encontramos ha demostrado que estaban equivocados, pero su habilidad comunicativa ha conseguido distraer a la ciudadanía de la responsabilidad plena que sus políticas tienen en la actual situación.


Los neoprogresistas deben neutralizar la demagogia conservadora y acertar a comunicar su visión esperanzada de futuro. Si no lo hacen, verán como se imponen de nuevo el miedo, el desprestigio de lo público, la llamada al poder duro más peligroso. Un ambiente en el que los conservadores se mueven como pez en el agua, pero que nos abocará a la asunción resignada de la formación y estallido de burbujas insostenibles, con la consiguiente ampliación de las desigualdades. El desafío es grave y urgente.



Obama, Zapatero, Sócrates, Brown, Rudd, Bachelet, Lula y sus pocos colegas progresistas aún en el poder han de contarnos su relato con claridad: protección y capacitación para la igualdad y para una verdadera libertad. También para la paz, la seguridad y el desarrollo sostenible. Y deben hacerlo con determinación ante cada reto. El más inmediato es el de superar un estereotipo aún vigente, un estereotipo que puede haber pesado en los resultados del 7-J en el conjunto de la Unión Europea: que la derecha gestiona mejor la economía y es más decidida ante las crisis. Los progresistas tienen que demostrar que sus valores son capaces de producir las políticas más eficientes. Esto requiere coraje, y también asumir que las reformas que ganan el futuro no siempre satisfacen a todos en el presente.


La mayoría estaría con ellos si desplegaran un discurso cohesionado, emotivo y movilizador. Como lo hicieron antes cientos de líderes que lucharon para que las mujeres y los hombres fueran libres, para que se sintieran seguros y para que fueran capaces de construirse un futuro mejor. Los neoprogresistas, si decidimos asumir este término, son herederos de una larga y épica historia de libertad, derechos y protección que hoy deben reivindicar más que nunca.


Además de Carlos Mulas Granados, director de la Fundación Ideas, firma este artículo Luis Arroyo, presidente de Asesores de Comunicación Pública.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Uma bela foto

© Foto de Gregory Colbert. Esta é uma das obras que fará parte de exposição,a ter lugar em São Paulo, em data ainda não divulgada.
"A obra do fotógrafo canadense Gregory Colbert, nascido em 1960, explora a "interação natural entre o homem e os animais", fruto de mais de 18 anos de trabalho em diversas expedições pela Índia, Egito, Birmânia, Sri Lanka, Quênia, Etiópia, Namíbia, Tonga, Antártida, Equador, entre outros. O fotógrafo trará ao Brasil (data ainda não anunciada), a exposição mais assistida de um artista vivo, com 9 milhões de expectadores em cinco cidades. A mostra “Ashes and Snow”, traz fotos e vídeos sobre a interação dos homens com animais selvagens. Leia mais sobre o fotógrafo Aqui."

domingo, 14 de junho de 2009

Guru propõe uma outra análise da MP 458

Guru, ex-aluno do curso de Ciências Sociais, atualmente brilha como discente do Mestrado em Antropologia da UFPE. E eu, cá no meu canto, imaginava tê-lo perdido como leitor, agora que o mesmo flana pela veneza brasileira. Pois, que coisa boa!, descubro que ele não apenas ainda freqüenta este blog, mas, o que é mais importante, ainda se preocupa em marcar posições e contribuir, com o debate, para a a afirmação deste espaço. Só posso repetir o meu bordão: maravilha! Ah!, e mais abaixo, o que vale a pena neste post, a posição crítica do Guru.

Lucidez?
Por Augusto Max


Discordo que seja a melhor forma de caracterizar esta análise seja "lúcida". É difícil falar de desenvolvimento com lucidez, já que se trata de objetivar algo bastante enraizado no imaginário. Mas é possível, veja o exemplo de Lévi-Strauss tratando da problemática atual do totemismo. Para caracterizar numa palavra essa discussão de Alon, usaria a palavra "honesta", e fico feliz de assim lê-la porque facilita meu trabalho (pesquiso desenvolvimento). Permita-me ressaltar alguns pontos de minha leitura:Afirmar que investir em extrativismo é recriar a comunidade primitiva demonstra algumas doses de preconceito, acho que não precisa ser antropólogo para confirmar isso. Muito me lembra os discursos do DEM contra as políticas quilombolas, em especial no tocante ao que Alfredo Wagner B. Almeida chama de "visão frigorificada".Ademais, não vejo como reproduzir diversos elementos do discurso de expansão amazônica de Médici e Geisel configure uma "mudança de mentalidades" (quem abrir o 'Vítimas do Milagre' de Shelton Davis e procurar os discursos desses generais não poderá negar as semelhanças). Já o "esforço heróico português" me parece uma noção alimentada pela mesma simbologia que inspirava setores da elite brasileira do início do século passado, quando defendiam a expansão amazônica nos moldes fetichizados do Oeste norte-americano (Davis também fala deles). Trazendo para uma representação mais cotidiana, seria um modelo de desenvolvimento estilo "corrida do ouro", uma aspiração antiga de transformar a Amazônia no Klondike do Tio Patinhas. Quanto aos esforços para de desconstruir a identidade nacional, emergidos pelo que Alon chama de sub-historiografia recente, desconheço essa objetivação (ou subjetivação, que seja) em expiar os pecados. Pelo menos no teor das análises que leio e nos círculos acadêmicos que frequento! As reinterpretações da história podem ser objetivadas de diversas formas, não apenas pelos seus elaboradores com por qualquer ser reflexivo que com seus trabalhos interaja. Se é possível afirmar numa forma padrão de intervenção dessas reinterpretações, acredito que seria muito mais no sentido de evitar a re-edição de atitudes autoritárias, contrárias aos direitos humanos ou algo do gênero; que no estabelecimento de um remorso coletivo. Enfim, achei oportuna a leitura do texto porque apresenta, de uma forma bastante direta, os lugares-comuns dessa perspectiva de desenvolvimentismo nacionalista. Fica evidenciado que dela discordo em seus fundamentos, mas a forma direta como Alon põe seus argumentos (no texto da semana passada não consegui captá-los bem, pois me parecia muito mais uma disputa por hegemonia partidária do que uma análise do problema do desenvolvimento) é um bálsamo para qualquer pesquisador que toma para si a tarefa de destrinchar os "discursos cordiais" da intelectualidade brasileira em geral.

Alon Feuerwerker analisa a MP 458

Confira abaixo artigo do jornalista Alon Feuerwerker. Trata-se de uma análise lúcida e distanciada da MP 458. Vale a pena conferir!


Mudança de mentalidades
Alon Feuerwerker

Dado que recriar a comunidade primitiva em pleno século 21 é tão possível quanto seria, por exemplo, colonizar o sol, o resultado é um faroeste em que só vale mesmo a lei do mais forte

Quando a Câmara dos Deputados alterou a medida provisória (MP) 458, que regulariza terras na Amazônia, ofereceu condições políticas ideais para a sanção do presidente da República. Luiz Inácio Lula da Silva pode agora vetar o que apelidou de “excessos”, pode fazer uma média com o ambientalismo e, ao mesmo tempo, manter o núcleo do texto: a porta finalmente aberta para que brasileiros responsáveis pelo desbravamento da região norte deixem a categoria dos bandidos potenciais.

Uma vez sancionada a lei, e mesmo se mais nada fizer na sua passagem pelo governo, o ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) terá deixado uma bela marca na História do Brasil. O país lhe deverá essa. Verdade que o projeto saído do Congresso tem problemas, ainda mais se o Planalto vetar mesmo as mudanças introduzidas na Câmara e mantidas no Senado. Persistirá em algum grau o preconceito contra as empresas rurais, assim como persistirão as limitações regressistas a que a terra receba o estatuto pleno de mercadoria. Mas não é o mais importante.

O fundamental é que a MP 458 se apresenta como ponto de partida para uma reforma agrária verdadeira e para a incorporação acelerada e legal da nossa fronteira agrícola norte à esfera mercantil. A MP não deve ser vista como fim de caminho, mas começo. Foi assim na Lei de Biossegurança. Primeiro veio a regularização da soja transgênica. Depois, surgiu do Executivo um projeto confuso para reformar a legislação referente aos organismos geneticamente modificados. Com o tempo, a vida e o processo político cuidaram de aperfeiçoar a coisa, que terminou boa o suficiente para sobreviver a um histórico julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Ao assinar em 2003 a MP da soja geneticamente alterada, Lula descriminou os produtores de transgênicos. Foi uma saudável ruptura com o passado do PT. Agora, a MP 458 é o marco de mais um salto. Vai minguando o sonho idílico de recriar a comunidade primitiva, baseada no extrativismo e na revogação passadista da divisão social do trabalho. E se fosse só um sonho não teria maiores consequências. Sonhar não faz mal a ninguém. O problema começa quando se tenta levar a utopia à prática. Como a recriação do comunismo primitivo em pleno século 21 é tão possível quanto seria, por exemplo, colonizar o sol, o resultado é um faroeste em que só vale mesmo a lei do mais forte.

Faroeste que serve como luva aos propósitos de certo ativismo, para quem o Brasil é um equívoco a retificar. O que somos nós? Um país expandido do litoral para o interior, graças 1) ao esforço heroico dos portugueses entre os séculos 16 e 18, 2) à energia investida pelo Império no século 19, sem o que seríamos uma espécie de América espanhola, mesmo falando português e 3) ao gênio de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, que na transição para o século 20 consolidou legalmente nossas fronteiras.

Já a sub-historiografia recente nos resume ao produto de uma sucessão de crueldades. Mas, que país não o é na origem? Uma coisa é reconhecer e homenagear o sofrimento de quem foi vitimado no processo de construção nacional. Outra, bem diferente, é propor a desconstrução do Brasil como expiação pelos nossos pecados originais.

A criminalização a priori dos produtores rurais que ajudam a manter a Amazônia como território brasileiro é mais um vetor da operação intelectual voltada a desconstruir nossa identidade nacional. Com a MP 458, além de oferecer base legal para a solução de conflitos históricos, o governo Lula abre em boa hora caminho a uma necessária mudança de mentalidades.

Candidato de quem?

O nome do antigo Campo Majoritário (hoje Construindo um Novo Brasil) para comandar o PT, José Eduardo Dutra, tem um caminho se quiser obter o apoio da Mensagem ao Partido, do secretário-geral José Eduardo Cardozo e do ministro Tarso Genro: deve se declarar acima das tendências. Se for lançado como candidato do CNB, terá dificuldade para atrair no primeiro turno do Processo de Eleição Direta (PED) não só o grupo de Cardozo, mas também a Articulação de Esquerda, de Valter Pomar. Já no CNB, por enquanto, o desejo mais forte é justamente isolar as duas correntes rivais.


Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

A serpente ainda ameaça

Na edição de hoje do jornal Folha de São Paulo, foi publicado um importante artigo analisando o antissemetismo. O autor é JACK LEON TERPINS, presidente do Congresso Judaico Latino-Americano e membro do Conselho do Congresso Mundial Judaico. Acesse-o aqui.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A polícia na USP

É tempo de festa junina? Então, leia um bom texto sobre.

Em um instigante texto, intitulado "Quando o campo está na cidade: migração, identidade e festa", a Professora Luciana Chianca, do Departamento de Antopologia e dos programas de pós de Antropologia e Ciências Sociais da UFRN, faz uma análise do quadro dos festejos juninos no Nordeste do Brasil. A referência empírica são as "quadrilhas" realizadas no mês de junho na cidade do Natal (RN). Clique aqui e confira o texto.

O jogo do poder

Abaixo, postei artigo do jornalista Alon Feuerwerker, publicado na edição de hoje do Correio Brasiliense e republicado no seu blog. Vale a pena ler! Como sempre, você vai enontrar, no texto do Alon, uma análise crítica e consistente do jogo político que os atores principais estão armando para as eleições de 2010.

Companheiro de viagem (10/06)
Alon Feuerwerker
Avalia o PT que a retomada da popularidade e da força política de Lula dificulta muito a ação de quem no PMDB deseja engatar o vagão na locomotiva tucana

A um ano da definição oficial dos candidatos, começam a se desenhar cenários em locais estratégicos. No Rio Grande do Sul PT e PMDB caminham para ter cada um seu nome na luta pelo Piratini. Entre os petistas, a tese de abrir mão em favor do PMDB gaúcho não deu nem para a largada. Tarso Genro será o candidato, tendo concordado que a ministra Dilma Rousseff suba em dois palanques no estado, o dele e o de José Fogaça (ou Germano Rigotto). Com isso, o petismo riograndense espera neutralizar as tentações pró-tucanas do peemedebismo local.

No Rio de Janeiro o governador Sergio Cabral (PMDB) e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), abriram, por iniciativa de terceiros, um canal de diálogo direto. Luiz Inácio Lula da Silva quer a aliança fluminense e agora o cenário mais provável é o PT oferecer o vice de Cabral na reeleição, podendo ser o próprio Lindberg. Outra opção do prefeito é o Senado. O fraco desempenho de Alessandro Molon ano passado na capital não deixa no Rio margem maior de manobra para quem no PT defende a candidatura própria.

Em Minas há um ensaio de dança para levar o ministro Hélio Costa (PMDB) à reeleição no Senado. O também ministro Patrus Ananias concorreria ao governo, com o ex-prefeito Fernando Pimentel reservado para uma função de comando na campanha de Dilma. Dos três estados Minas é onde a articulação está mais verde, dada a vantagem atual de Costa nas pesquisas. Há, porém, dúvidas, inclusive no PMDB, sobre sua capacidade de chegada num processo eleitoral polarizado com o nome apoiado pelo governador Aécio Neves.

Quando — e se— o Rio Grande do Sul, o Rio de Janeiro e as Minas Gerais afinal forem equacionados o PT espera isolar o PMDB paulista, que já marcha nas fileiras tucanas. Isso apesar de o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, ele próprio de São Paulo, movimentar-se nos bastidores pleiteando a vaga de vice na chapa de Dilma. O problema de Temer: o controle do ex-governador Orestes Quércia, hoje aliado do governador José Serra, sobre a seção regional da legenda.

Conquistado o apoio do PMDB nos três estados, espera o PT garantir folgada maioria na convenção nacional peemedebista, e com isso capturar um tempo que dará a Dilma condições ideais para durante 45 dias desfilar no rádio e na tevê falando bem da administração Lula e defendendo que o governo deve continuar, agora pelas mãos dela. Mais: o apoio oficial nacional do PMDB será usado junto à Justiça Eleitoral para impedir que os ramos pró-tucanos do peemedebismo possam, nos dias reservados às campanhas estaduais, fazer campanha para o candidato a presidente do PSDB.

Mas, perguntaria Manuel dos Santos (o Garrincha) a Vicente Feola, e os russos, estão de acordo? Avalia o PT que a retomada da popularidade e da força política de Lula dificulta muito a ação de quem no PMDB deseja engatar o vagão na locomotiva tucana. Segundo essa esperança, o PMDB não trocaria o certo pelo duvidoso. Não abriria mão da gorda fatia que controla hoje na esfera federal, onde é o principal pilar do governo, para entrar dividido e coadjuvante numa composição que já tem donos. Aliás, é consenso entre os peemedebistas em Brasília que é altamente improvável o partido alcançar com outros parceiros a influência que adquiriu ao apoiar o projeto político do PT.

Com um trunfo adicional. Agora, quem está na cadeira é Lula, que de algum modo contrabalança a fraqueza relativa do PT. Sem Lula, um governo do PT ficaria bem mais dependente do PMDB, acredita o companheiro de viagem.

Ponto futuro

Desde o início da crise, em setembro, o governo afirma que o pior ficou para trás. Como alguma hora certamente o pior terá ficado para trás, o governo vai colher no ponto futuro os dividendos políticos. A esperança agora da oposição é uma curva em W, algo que interrompa a (lenta) retomada da economia. Como de hábito, em vez de disputar a narrativa a oposição torce.


Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Imagens da greve na USP

Estou de saída. Logo, logo, assim que for possível, comento sobre o assunto. Por enquanto, aí embaixo, dexo duas imagens da greve de professores e funcionários da USP. A coisa tá pegando...



Música para quem ainda está no trabalho.

Estou de saída para a sala de aula. Depois de uma dia daqueles! Três reuniões. Ufa! Como tem reunião na Universidade! E, agora, aos cacos, vou enfrentar quatro aulas. Só mesmo a linda voz de Dulce Bentes me salva. Escute você também. E vê se relaxa um pouco...

Seminário sobre teoria política na UFRN


Na próxima semana, do dia 17 ao dia 20, ocorrerá, na UFRN, o Seminário Internacional "A teoria política de Rosa Luxemburgo". O evento é promovido pelo Departamento e pela pós de Ciências Sociais e coordenado pelo Professor Gabriel Vitullo. As inscrições são gratuitas. Garanta já a sua! Acesse aqui a página do evento e saiba mais.

Ciência e religião são compatíveis?

Leia abaixo a posição de Fernando Salvater, publicada na edição de hoje do jornal espanhol EL País.

Las trampas de la fe
FERNANDO SAVATER

¿Son compatibles la ciencia y la religión? ¿Es compatible la poesía amorosa y la ginecología? La respuesta es la misma: claro que sí, mientras cada una no pretenda enmendarle la plana a la otra. No es prudente acometer una cesárea tras documentarse en Juan Ramón Jiménez o Rilke, ni recordarle a quien cree que un beso apasionado lleva al éxtasis que después de todo se trata de un simple intercambio de microbios por vía oral. Las leyendas y mitos religiosos nos ayudan a buscar un significado simbólico al mundo y a la vida, mientras que la ciencia nos aclara su funcionamiento natural. Por mucho que conozcamos el mecanismo de los hechos, siempre nos queda la pregunta por su sentido para nosotros, que va más allá. Cuando Camoens llama al mar "inexplicable" no se refiere sólo al ritmo de las mareas...

Lo malo es que ciertos clérigos se empeñan en corregir los datos científicos con dogmas y tradiciones piadosas. El creacionismo no se conforma con ser un mito del origen, más o menos respetable como tantos otros, sino que intenta disfrazarse de ciencia como "diseño inteligente" para colarse en las escuelas americanas -que excluyen con buen criterio la enseñanza de doctrinas religiosas- y hasta en las universidades españolas, a poco que nos descuidemos. Ya se escuchan truenos episcopales contra la asignatura de Ciencias del mundo contemporáneo y no sólo contra Educación para la Ciudadanía. Denuncian que se pretenda imponer una "concepción del mundo", como si el conocimiento científico no surgiese de la observación experimental de la realidad sino del capricho político. Con el pretexto de que la ciencia no resuelve todos los enigmas de la naturaleza, aconsejan recurrir a la religión aunque no resuelva ninguno. Trampas de la fe, que también se dan en otros campos: como el capitalismo tiene muchos defectos, apliquemos el comunismo que sólo tiene defectos, etcétera.

Los que quieran conocer la opinión de un creyente ilustrado que no confunde religión y ciencia, pueden leer La voluntad de creer, el clásico de William James que acaba de editar Marbot. Debo advertirles, empero, que la obra desazona por igual a fieles e infieles desde finales del siglo XIX... A quienes por otra parte se nieguen a aceptar que la verdad es una construcción política o cultural, lo que iguala a Darwin con Rouco Varela, les aconsejo El miedo al conocimiento, de Paul Boghossian (Alianza), donde aprenderán a distinguirla del capricho epistémico o teológico.
El laicismo es imprescindible para la democracia, entre otras cosas, porque los políticos no entienden ya la parte sublime de los símbolos religiosos. Aludiendo a la vieja fórmula de juramento de los lehendakaris ("Ante Dios humillado...") a la que con buen juicio renunció Patxi López, proclama muy ufano ZP: "¡Patxi, eres lehendakari sin humillarte ante nadie!". Pero yo diría que el "humillado" no se refiere a quien asume el cargo -que bastantes inquietudes tiene ya- sino al Cristo que le mira desde el degradante tormento de la cruz. Un detalle tan solo aunque, si acierto, cambia un poco la cosa... En cuanto a la política teológica, basta recordar la escalofriante leyenda que campea según Dante sobre la puerta del infierno: "Son la primera sabiduría y el primer amor quienes me crearon". De esa proclama monoteísta nacieron todos los totalitarismos.

Momento histórico: o dia em que Brizola derrotou a Globo

Pois é, o Brizola já derrotou o império. O ano foi 1994. Lembro-me, como se fosse hoje, do espanto e satisfação de muitos amigos com o fato. Assista abaixo!

Lula ainda nas alturas...

Deu na Folha On Line:

Avaliação do governo Lula volta a subir para 68% em junho, diz CNI/Ibope
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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 64% em março para 68% em junho, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta terça-feira. O resultado ainda é inferior a dezembro, quando 73% avaliavam o governo Lula como bom ou ótimo.

Outros 24% avaliaram o governo Lula como regular em junho, e 8% como ruim ou péssimo. Na pesquisa de março, 25% avaliaram como regular e 10% como ruim ou péssimo.

A aprovação do presidente Lula subiu de 78% em março para 80% em junho. Em dezembro, 84% aprovam o presidente petista.

Em junho, 16% disseram desaprovar o governo Lula, e 4% não responderam. Na pesquisa anterior, ele era desaprovado por 19%.

A nota média de Lula em março foi de 7,5 em junho -- era 7,4 em março. A confiança no presidente Lula subiu de 74% em março para 76% em junho. Entre os que não confiam, caiu de 23% para 21% neste mês.

Na comparação entre o primeiro e o segundo mandatos do presidente, 45% consideram que o segundo é melhor que o anterior. Outros 40% consideram igual, e 14% dizem que o segundo é pior que o primeiro.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 29 de maio e 1º de junho em 143 municípios do país. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O blog da petrobrás está bombando



O blog da Petrobrás, lançado há não mais que 72 horas, já é o maior fenômeno da blogsfera brasileira. São centenas de milhares de acessos nesse curto espaço de tempo. Parte da chamada "grande imprensa", acostumada a ter a última palavra sobre tudo, está simplesmente atônita. No desespero mesmo. O blog é uma sacada genial: enfrenta, com informações, o jogo pesado lançado contra a maior empresa brasileira.

Música para o começo da jornada da tarde

Chegastes agora ao trampo? Bueno, cá estou eu também... na labuta. Para suportar a jornada, faça como eu, curta um pouco da boa música. Ouça o que eu escolhi para você. Boa tarde!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Uma aula de fotografia



A foto acima, de autoria de Judy Dater, é absolutamente fantástica. Nela, podemos observar a veterana fotógrafa Imogen Cunningham dando uma aula sobre fotografia de nudez, tendo como modelo a bela Twinka Thiebaud. Califórnia, 1974.

sábado, 6 de junho de 2009

Carlos Minc e a insustentabilidade do ambientalismo petista

O Alon Feuerwecker, com a argúcia de sempre, aponta, no texto abaixo, publicado no jornal Correio Brasiliense, os erros do ambientalismo praticado por alguns setores ditos de esquerda no Brasil. É especialmente crítico em relação ao midiático Ministro Carlos Minc. Toca, ao meu ver, em questões centrais do debate sobre o desenvolvimento brasileiro. Vale a pena conferir!


Peixes ornamentais

O mais recente refúgio de Carlos Minc é bater boca com o agronegócio. Já que não se pode fazer muito, que se fabrique então uma polêmica.

E deu errado. Os produtores de etanol trouxeram ao Brasil o ex-presidente americano Bill Clinton, para ele falar bem do produto. Digamos que o marido de Hillary não chegou a falar mal do nosso álcool, mas deu o recado: os Estados Unidos (e a Europa) acham que uma explosão da demanda mundial pelo combustível de cana brasileiro vai pressionar a fronteira agrícola em direção ao norte, à Amazônia. A pressão virá da cana, do boi e da soja. Ou dos três juntos. Ninguém vai deixar de comer só para andar de carro a álcool.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gosta de repetir que no Brasil há terra sobrando para plantar cana-de-açúcar. Onde está essa "terra sobrante", ninguém sabe, ninguém viu. Se temos áreas ociosas e improdutivas (os tais "pastos degradados") em grande quantidade, então talvez seja o caso de demitir o ministro do Desenvolvimento Agrário, que deveria estar fazendo as devidas desapropriações, como determina a lei. Mas isso é só um floreio verbal meu. Guilherme Cassel pode dormir tranquilo. Essa terra toda só existe nos discursos de Lula.

São os limites do marketing. Clinton não é político brasileiro, não está mesmerizado pelo "cara". Nem parece interessado nas rentáveis parcerias -inclusive eleitorais- com o nosso setor sucroalcooleiro. Daí que tenha, para tristeza dos anfitriões, repetido o óbvio. As terras agricultáveis aqui são finitas, e ainda está por ser demonstrado que o aumento da produtividade da cana brasileira pode atender o mercado mundial sem elevação significativa da área plantada.

No front ecológico, tem sido inviável para o presidente da República fazer o costumeiro: acender uma vela a Deus, outra ao diabo e seguir em frente na base da conversa. Em 2003, o governo praticamente entregou a área aos movimentos do setor. Para, na sequência, iniciar um sistemático desmonte da agenda ambiental brasileira de matriz global. Em entrevista recente ao jornal Valor Econômico, a ex-ministra e senadora Marina Silva (PT-AC) registrou o fato. Não foi contestada.

Onde está o problema? Como tem sido dito aqui, é impossível a um país com as nossas desigualdades e a nossa demanda por progresso aceitar o cardápio do "nada pode", que nos é servido como a quintessência da responsabilidade ambiental. Hidrelétricas, especialmente na Amazônia? Não pode. Usinas nucleares? Não pode. Estradas? Muito difícil. Hidrovias? Nem pensar. Déficit de casas? A solução depende de licença dos órgãos ambientais. E por aí vai. Nenhuma nação com autoestima e ciosa de sua soberania pode se dobrar diante de uma lógica assim. Muito menos um país com nossa quantidade de pobres. Um governo brasileiro que acolha a pauta do "nada pode" estará condenado à morte política.

Risco que corre o ministro Carlos Minc. Quando substituiu Marina, o perigo estava bem claro. A senadora pediu o boné para não virar um peixinho ornamental no aquário da Esplanada. No caso de Minc, talvez o cálculo de Lula embuta a suposição de que o ministro dá mais valor ao cargo do que à biografia. Verdade que Minc tem procurado lutar no terreno verbal. Seu mais recente refúgio é bater boca com o agronegócio. Já que não se pode fazer muito, que se fabrique então uma polêmica. O que, de quebra, ajuda a segurar um pouco mais a cadeira.

Desde o início de seus já seis anos e meio no terceiro andar do Palácio do Planalto, Lula decidiu a favor do agronegócio todas as disputas internas. Começou lá atrás, com as medidas provisórias da soja transgênica e com a nova Lei de Biossegurança. E a tendência se consolida a cada episódio, a cada divergência.Mas por que Lula segue esse caminho? Talvez porque do outro lado não lhe ofereçam uma agenda factível, compatível com o projeto nacional de desenvolvimento. Ou pelo menos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a plataforma eleitoral da candidata dele à sucessão. Lula é obcecado por soluções intermediárias, por consensos, por meios-termos. Mas não tem vocação para o suicídio político.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Che Guevara, o fotográfo.


A foto acima foi feita pelo Che, que adorava fotografar.


A vitória da lógica corporativista contra o SUS no RN

Reproduzo, mais abaixo, o posicionamento do Deputado Fernando Mineiro (PT) a respeito do fechamento de acordo entre o Governo do Estado, a Prefeitura de Natal e as cooperativas médicas. Não sei se vocês já assistiram, mas, na TV, na propaganda do DEM, o Deputado Leonardo toma esse mesmo acordo como um exemplo de atuação positiva de seu partido. Vale a pena comparar os posicionamentos, tomando como referência de análise a defesa coisa pública e da universalização do acesso aos serviços de saúde.

02.2009
Vitória do privatismo
Deputado Fernando Mineiro*

Os jornais anunciam que chegou ao fim o movimento promovido por parte dos médicos que prestam serviços ao SUS aqui no RN. Depois de mais de um mês de embate com o poder público, quem sai vitorioso, mais uma vez, é o setor privado.
O fim do movimento é a volta ao seu início: a Prefeitura de Natal assumiu o contrato com as cooperativas médicas basicamente nos mesmos termos do contrato anterior, onde o Governo do Estado arca com 60% dos custos e a Prefeitura com 40%.
A dor, o sofrimento e até mesmo a morte de pacientes que precisam do SUS é só mais um detalhe nestes embates que se repetem há mais de uma década. Quem se der ao trabalho de pesquisar os jornais locais poderá constatar que todo final ou início de ano a sociedade potiguar assiste, impotente, ao uso do sofrimento humano como forma de pressão contra o poder público. É que neste período normalmente se vencem os contratos firmados entre os governos e as cooperativas médicas que prestam serviços ao SUS. Anestesiologistas e outros especialistas, então, promovem um blecaute nos serviços, pressionando para que haja renovação dos acordos. Desta vez não foi diferente. E não foi diferente, também, o resultado: o privatismo saiu vitorioso.
É legítimo, e merece todo apoio, o movimento de qualquer corporação cujo objetivo seja a melhoria de suas condições de trabalho e a conquista de melhor remuneração. Mas o que assistimos anualmente na área da saúde pública do RN extrapola e atropela a justa luta e beira à chantagem. O setor público e a sociedade se tornaram reféns de algumas especialidades médicas que usam muito bem o seu poder de decisão sobre a vida e a morte da parcela da população que precisa do SUS. E continuarão a sê-lo ainda por um bom tempo, caso os governos, em todos os níveis, não revejam o papel que desempenham em relação à oferta dos serviços de saúde.
Em todo o país assistimos ao mesmo filme. Determinadas categorias médicas detentoras de conhecimentos altamente especializados, como anestesiologistas, neurocirurgiões e outras, geralmente organizadas em cooperativas, desenvolveram um eficaz sistema de pressão sobre os entes públicos. As debilidades e a desarticulação, propositais ou não, do sistema público de saúde nos níveis municipal, estadual e federal garantem o sucesso destes setores.
O enfrentamento desta grave distorção não pode ser de responsabilidade de um ente federado, isoladamente e requer uma forte capacidade de integração entre os diferentes níveis de governo.
Os problemas existentes no sistema de saúde brasileiro, particularmente os relacionados à oferta dos serviços de alta complexidade, requerem soluções que vão além do imediatismo e do provisório. As soluções que passem apenas pela renovação de contratos com as cooperativas só beneficiam os que a elas são associados.
A Prefeitura de Natal assinou os contratos diretamente com as cooperativas, sem a intermediação do Ministério Público, que vinha acompanhando o caso e propunha um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) diante da situação. E esta atitude da Srª. Micarla não me causou nenhuma surpresa. Afinal de contas, é público e notório que a indicação do atual Secretário de Saúde de Natal foi feita por algumas lideranças das entidades médicas, que estão envolvidas diretamente no conflito.
Para que não me acusem de ser contra a justa remuneração dos médicos, saibam quantos me leêm que sou favorável a vencimentos diferenciados, a serem pagos de acordo com a especialização, a complexidade e o local de prestação do serviço. Reconheço, também, que o setor privado da saúde não é, necessariamente, o vilão da história. Desde que exerça papel complementar, com serviços contratados através de processo licitatório.
Lamento que estejamos assistindo, mais uma vez, o problema ser empurrado para frente, até que chegue nova data de renovação dos contratos com as cooperativas e assistamos outra crise anunciada. Pelo que li nos jornais, daqui a seis meses ou a um ano.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Civilização & barbárie


Gostas de arte, literatura e pintura? Então, por favor, não deixe de conferir o fantástico blog da escritora e jornalista argentina Cristina Civale. Acesse-o aqui.

Eugênio Bucci e a tragedia com o avião da Air France

Há anos, muitos anos, para ser sincero, acompanho o que o jornalista e professor Eugênio Bucci escreve. Seus escritos sempre levam-nos a pensar um pouco mais sobre a nossa tragicômica realidade cotidiana no Brasil e a sua, digamos, apreensão pela mídia nativa. Por isso, reproduzo, abaixo, artigo de sua autoria, publicado na edição de hoje do Estadão, comentando o acidente com o avião da Air France. Confira!


Essa viagem para o vazio
Eugênio Bucci


Para tudo na vida há um poema de Drummond. Para quase tudo na morte, também. Para um desastre aéreo, por exemplo, lá está ele, Carlos Drummond de Andrade, com as palavras necessárias:

"A morte dispôs poltronas para o conforto/ da espera. Aqui se encontram/ os que vão morrer e não sabem."(...)

"Sinto-me natural a milhares de metros de altura,/ nem ave nem mito,/ guardo consciência de meus poderes,/ e sem mistificação eu voo,/ sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas,/ ligado à terra pela memória/ e pelo costume dos músculos,/ carne em breve explodindo."(...)

"Ó brancura, serenidade sob a violência/ da morte sem aviso prévio,/ cautelosa, não obstante irreprimível/ aproximação de um perigo atmosférico/ golpe vibrado no ar, lâmina de vento/ no pescoço, raio/ choque estrondo fulguração/ rolamos pulverizados/ caio verticalmente e me transformo em notícia."

Os versos de Morte no avião compareceram, ainda que em silêncio, ao noticiário da semana. Sempre é assim quando somos sobressaltados por um acidente aéreo de proporções tão graves como o do voo 447 da Air France. A gente quase não fala desses versos, talvez para não provocar mais dor sobre a dor já instalada, mas eles estão ali, presentes, doendo. O Airbus A330-200, que sumiu do mapa às 23h14 do domingo, quando sobrevoava o Atlântico, não pousou em Paris, como programado, mas nas páginas dos jornais. Cada uma das 228 pessoas a bordo "caiu verticalmente e se transformou em notícia". Exatamente como Drummond avisa.

A palavra "notícia" fecha o poema como se o cortasse bruscamente. Ela é chave para compreendermos como o jornalismo, nesses casos, nos ajuda a aplacar o sofrimento. No verso final, a palavra "notícia" subverte o que seria a ordem natural das coisas. A "notícia" ocupa o lugar de "cadáver" ou mesmo de "espírito": surge como o destino certo dos que encontram a morte no avião. Dificilmente eles poderão ter um funeral como outros mortos normais, pois seus corpos se perderam. Nessas circunstâncias tão "antinaturais", é pelas manchetes que eles são velados - e é assim, velando-os, que as notícias confortam os que ficam.

Os jornais os velam, verdadeiramente, mas os velam a seu modo: não pelo silêncio, mas pelo excesso de palavras, em letras garrafais. É o que se passa agora, com o voo 447. Os noticiários se desdobram para resgatar não os corpos, mas a biografia das vítimas. Suas histórias e suas fotografias ocupam o lugar dos restos mortais. São elas, as biografias sintéticas e as fotografias, que são pranteadas. A moça que tinha medo de avião - e que, por isso, adiou o embarque por vários dias - está lá. O casal em lua de mel, também. O tripulante brasileiro que falava muitas línguas sorri. Nós os vemos em seus álbuns de família. Os parentes comparecem às mesmas páginas, desolados em saguões. É uma cerimônia fúnebre e ruidosa ao mesmo tempo. É o modo que a notícia tem de fazer seu luto.

Para alguns, a cobertura peca pelo sensacionalismo, mas não é bem assim. Nesses casos, pelo menos, não só assim. A própria poesia de Drummond fala em "choque, estrondo, fulguração", fala em "pulverização" de corpos humanos. Ela chama para si as cores espetaculares da catástrofe. Mais que denunciar "sensacionalismo", ela localiza na notícia a "morada final" desses mortos. A notícia sobre eles cumpriria uma função não declarada de consolar os que sobrevivem, atônitos. Sem o jornalismo nós talvez não tivéssemos como recobrir com palavras o vazio deixado pelos desaparecidos, e sem essas palavras não teríamos como superar a perda. Nessas ocasiões, as notícias seriam, então, o ritual que nos resta.

Assim é que, diante do que se passou com o voo AF 447, os jornais não descansam. Não conseguiriam descansar. As reportagens, as entrevistas com os especialistas - entrevistas exaustivas, mais que exclusivas -, as revelações das investigações sobre as causas do acidente, tudo se multiplica. Os jornais lidam com o trauma quase insuportável deixado por um avião que cai do ar e depois naufraga no oceano. Eles representam uma ansiedade que é de todos: a ansiedade de explicar o inexplicável, de processar a aceitação do inaceitável, simbolizar um sepultamento que na prática é inviável.

Na capa dos jornais de ontem apareceu a foto de um militar francês que, da janela de uma aeronave, olhava para o mar, com binóculos. Procurava sinais. Olhava para o que ainda não enxerga. Tentava ver o invisível. Estamos todos assim, à espera de um sinal, de uma forma de decifrar o desastre, precisamos de algo que nos convença de que existe, em algum lugar, de algum modo, uma explicação para o que aconteceu, uma falha mecânica, um erro humano. Precisamos de algo que nos autorize a acreditar que tudo não passou de um lamentável engano, uma distração que poderia ter sido evitada pela técnica e pela ciência.

Ainda ontem, no meio do dia, surgiram pistas: uma mancha de óleo, um objeto de sete metros de diâmetro, estilhaços flutuantes. A isso nos vamos apegar, a partir de agora. O noticiário vai-se abastecer desses resquícios e das ilações que eles permitirem. É assim que as notícias cuidarão de fechar a ferida que nos pôs cara a cara com o vazio que engoliu o Airbus 330-200. Cuidarão de soterrá-la. Quanto mais elas falarem do avião, menos pensaremos sobre o pesadelo que elas encobrem. Depois, a comoção vai passar. Aos poucos, saturados de notícias, nós vamos nos esquecer do acidente, do poema de Drummond e do vazio que nos espreita.

Eugênio Bucci é professor-doutor da Escola de Comunicações e Artes da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da mesma universidade

Pedro Almodóvar é doutor honoris causa por Harvard.


A prestigiosa Universidade, situada em Cambridge, no estado americano do Massachusettes, coroará o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, em solenidade que ocorrerá no dia de hoje, como doutor honoris causa. Esse é um dos maiores reconhecimentos que um intelectual ou artista poderia receber. Se você, como eu, gosta da extensa, provocadora e, para dizer o mínimo, polêmica produção do criativo diretor espanhol, comemore também. Se não o conhece ainda, por favor, corra a uma locadora e peça: "quero um filme do Almodóvar". Só pela forma de fazer o pedido, você já percebe a diferença, não é? Afinal, quem é que se lembra de "cinema de diretor" nos dias que correm?

terça-feira, 2 de junho de 2009

2010 já está ali, após a esquina

Leia abaixo uma competente análise do quadro político atual. É da lavra do jornalista Alon Feuerwercker. Caso queira, acesse aqui o sempre ótimo blog do alon.

A enésima oportunidade

A política é jogo de forças, soma de vetores. E não há uma contranarrativa visível para neutralizar vetorialmente a narrativa que Lula, dia sim outro também, reforça com vigor

As pesquisas Sensus e Datafolha confirmam não apenas que estamos em plena campanha eleitoral para a Presidência da República. Mostram que ela, como já alertava o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), apresenta características de segundo turno, dada a tendência de polarização. Outra constatação: a oposição caminha para desperdiçar a janela de oportunidade aberta com a eclosão da crise econômica mundial, em setembro. E que janela!

Por que Luiz Inácio Lula da Silva vai bem, assim como a candidata dele à sucessão, Dilma Rousseff? Porque o eleitor avalia que o presidente da República está fazendo o melhor possível, nas circunstâncias. Daí que talvez valha a pena considerar a hipótese de mais um voto de confiança. Parece simples? E é. Lula vende bem o peixe dele, o que vem incomodando a oposição, que se queixa da “máquina de propaganda” do governo federal. Um queixume que só revela impotência. Propaganda sozinha não sustenta governos, precisa estar ancorada em fatos.

A abordagem é recorrente aqui. Não há novidade para quem lê esta coluna. Em 2009, a economia brasileira vai apresentar resultados pífios. Na melhor das hipóteses, pousamos no fundo do poço. O juro real empurra a produção para baixo, quebra as exportações e ameaça o emprego. O investimento privado afundou, sem que o investimento público possa compensar a queda. E de quem é a culpa? De qualquer um, menos do chefe do governo. Nem fomos o último país a entrar na crise, nem seremos o primeiro a sair dela. E daí? E daí nada.

Não que o cidadão comum esteja em busca de debates complexos, sobre o spread bancário ou sobre o desenho da nova ordem internacional. O que falta é uma contranarrativa para tentar neutralizar vetorialmente a narrativa que Lula, dia sim outro também, reforça com vigor. A política é jogo de forças, soma de vetores. Uma oposição competente culpa o governo por tudo, exige dele o impossível, descobre defeitos até no que parece não ter e promete o paraíso se chegar ao poder.

Mas dá trabalho e exige obstinação, além de método e vontade de correr riscos. Pressupõe agarrar-se a alguma utopia e não subestimar o oponente. Você enxerga traço disso nas atitudes e atividades da oposição brasileira nos últimos seis anos e meio? Eu não enxergo. No que um Brasil governado por tucanos e democratas seria melhor do que o Brasil do PT? Nem eles próprios parecem saber. Daí que há tempos Lula esteja a falar sozinho.

Culpa dele? Não, culpa de quem deseja retirá-lo e a seu partido do poder mas espera isso acontecer como manifestação da vontade divina, como efeito das resistências do establishment a Lula, como consequência de uma suposta superioridade intelectual ou como produto da miraculosa descoberta daquele caso de corrupção que, agora sim, vai dar um jeito de colar no presidente. Ou como a soma de tudo isso.

O eleitor é pragmático. Adversários de Lula também estão bem avaliados na área de responsabilidade deles. E o eleitor é também desconfiado. Sabe que a política não se divide entre santos e demônios. Daí que tentativas de demonização tenham efeito apenas parcial. Só quem se ocupa de política 24 horas por dia são alguns jornalistas, os políticos e as pessoas cujo emprego ou cujo negócio dependem diretamente da política. É gente que trata o tema com paixão e gosto. Já a maioria tem com a política uma relação funcional. Quer saber o que vai ganhar ou perder. Quem é, entre as possibilidades, o melhor líder na situação.

2010 está perdido para a oposição? Óbvio que não. Eleição não se ganha de véspera. E a oposição tem um capital eleitoral respeitável, duas pernas bem fincadas nos dois maiores estados do país e boa capilaridade nacional. Por esse ângulo, talvez o choque trazido pelas últimas pesquisas tenha vindo em boa hora para os adversários de Lula. É a enésima oportunidade de tomarem contato com a realidade. E, diferente de 2006, o choque veio quando ainda falta um bom tempo para a eleição.

Até porque a travessia de 2009 para 2010 não será mesmo um mar de rosas. Enquanto as pesquisas mostram uma população mais otimista, o mercado anda cada vez mais pessimista, como mostrou ontem o boletim Focus. A esperança de Lula é que os profissionais da economia estejam errados. A da oposição, que estejam certos.

A mídia e as celebridades: a incrível fábrica de moer gente

Confira a reportagem abaixo, publicada na edição de hoje do El País, sobre a fabricação e destruição de pessoas, alçadas à condição de celebridades, pela mídia.

REPORTAJE
Atropellados por una fama de alta velocidad
Susan Boyle, ingresada en un psiquiátrico, no consiguió digerir su popularidad súbita - El paso de estar en la cima a la caída se ha acelerado - Hoy la celebridad se confunde con el éxito

En la mañana del sábado 11 de abril de 2009, Susan Boyle era una mujer de mediana edad, sobrada de peso y falta de cultura, bastante fea para los cánones modernos de belleza, que vivía recluida con su gato en un pueblo del sur de Escocia. Esa misma noche seguía siendo todo eso y, además, famosa. Muy famosa. De la mano de la televisión primero y de Internet después, su fama saltó todo tipo de fronteras y se convirtió en un fenómeno global. En una semana, más de 20 millones de personas habían visto en YouTube su angélica interpretación de He soñado un sueño, uno de los temas centrales del famoso musical Los Miserables. Su éxito en la Red batió momentos cumbre de la historia del planeta, como la toma de posesión de Barack Obama, el hombre que acabó con el monopolio blanco en la presidencia de Estados Unidos.

Siete semanas después, Susan Boyle ha ingresado en una famosa clínica de la periferia de Londres, especializada en tratar a los famosos que sucumben a las presiones del éxito y se abrazan a las drogas, al alcohol, a las pastillas, o, simplemente, sufren un ataque de nervios. Boyle quedó segunda el sábado en el concurso que la ha hecho famosa, Britain's Got Talent, el equivalente al español Tú sí que vales. Muchos psicólogos creen que ha sido una suerte para ella no ganar el concurso porque habría sido aún más incapaz de digerir el éxito.

Britain's Got Talent refleja lo peor de los llamados reality shows. Al igual que Gran Hermano, el programa se reduce a manipular las ansias de alcanzar la fama de gentes vulnerables y a menudo desesperadas. "Cuantas más lágrimas, más humillación, más conflicto y más confusión, más disfruta el público", afirma el psicólogo David Wilson en un artículo en el diario The Daily Mail.

Wilson fue contratado una vez por el Gran Hermano británico pero dejó el programa enseguida. "Los productores me habían asegurado que el programa era un genuino estudio psicológico de la condición humana, pero enseguida me di cuenta de que no había nada de eso. Su verdadera agenda era atraer espectadores fabricando controversia y conflicto. Hablar de estándares éticos era una cortina de humo. No quería participar en algo así y me fui al cabo de una semana. Una similar falta de ética es evidente también en Britain's Got Talent", asegura.

Pero pocos tienen el dramatismo del auge y caída de Susan Boyle. Su fama ha sido instantánea y planetaria. Un fenómeno que en menos de dos meses ha sido contemplado 185 millones de veces en Internet. El secreto de su éxito ha sido el contraste entre su descuidada apariencia física y su voz angelical. Esa misma voz en un cuerpo vulgar, o en un cuerpo hermoso, difícilmente habría llamado la atención.

Pero sería ingenuo pensar que el caso de Susan Boyle es meramente espontáneo. Esta mujer escocesa que tiene problemas para expresarse desde que nació porque dejó de recibir oxígeno durante varios minutos al nacer, ha sido víctima de la calculada mercadotecnia que rodea a la llamada telebasura. Su fealdad, su inocencia y su voz la hacían un personaje ideal para programas como Britain's Got Talent, que detrás de la máscara de la búsqueda de talentos escondidos y de loas a la espontaneidad son el equivalente a las denigrantes ferias de finales del siglo XIX y principios del XX en las que se exhibían personas deformes o que simplemente rompían la media estadística por su escasa altura o su gigantismo. Las Susan Boyle de hoy en día son las mujeres barbudas y los hombres elefante de las barracas de feria en tiempos de nuestros bisabuelos.

Susan Boyle fue manipulada desde que apareció por primera vez en pantalla. Las burlas iniciales de los tres jueces y sus exageradas reacciones de sorpresa eran pura pantomima. ¿Acaso puede alguien creer que no sabían ya que aquella mujer tenía una voz de ángel?

Pero aquel ángel se convirtió en una muñeca rota con el peso de la fama. Fue incapaz de absorber el cambio de vida que se avecinó con el éxito. De pelearse con los adolescentes que se reían de ella en su pueblo pasó a verse perseguida por la prensa sin descanso. Que si se había teñido el pelo, que si se había depilado el bigote, que si había dejado de ser virgen, que si estaba perdiendo la naturalidad, que si la estaban manipulando, que si se le habían subido los humos a la cabeza, que si estaba enamorada de Piers Morgan, uno de los jueces, que si le dio un ataque de celos cuando Morgan alabó a unos de sus rivales en la final, que si se peleó con un grupo de periodistas en un hotel de Londres, que si se encaró con un policía, que si...

Boyle se ha sumado a una larga lista de famosos a los que el éxito ha llevado de alguna manera al desequilibrio. Algunos, sobre todo cantantes, han caminado siempre por la difusa frontera que delimita la cordura, la psicodelia, el hedonismo y la depresión. La cantante Amy Winehouse, por ejemplo, entra y sale de tratamiento con rítmica periodicidad, pero es difícil saber hasta qué punto su romance con el alcohol y las drogas es realmente una consecuencia de la fama. Algunos, como el mítico cantante Kurt Cobain, no pudieron con ese peso y acabaron muriendo de éxito. Otros, en cambio, consiguen sobrevivir porque tienen un entorno que les protege y les evita caer aunque viven como juguetes rotos; son los casos de Maradona y sus problemas con las drogas; Ronaldo y Ronaldinho, siempre al límite buscando un hueco lejos de las favelas en las que nacieron. O Naomi Campbell que ha tomado tanto impulso que alejada, dice, de las drogas, encuentra el estímulo para seguir en la adrenalina que le da el ir y venir, el no parar.

Hay ejemplos de todo tipo de simples humanos a los que la fama no les dio la felicidad o les convirtió de alguna manera en esclavos, o en personas desequilibradas, a veces agresivas, a menudo, dependientes del alcohol, bastantes veces suicidas. Drew Barrymore, la niña de E.T., con nueve años ya era víctima de las drogas y el alcohol, y con 13 años tocó fondo. Tras un intento de suicidio y mucho tiempo de rehabilitación retomó su carrera a mediados de los noventa.

River Phoenix tuvo una infancia peculiar con unos padres muy hippies que se dejaron seducir por el dinero de Hollywood. Comenzó en el cine a los 12 años, y en poco tiempo se convirtió en todo un icono de su generación, con una de las carreras más prometedoras de Hollywood. Con tan sólo 23 años, falleció de una sobredosis en la puerta del local de Johnny Depp The Viper Room.

Macaulay Culkin, el niño de Solo en casa se convirtió en un fenómeno mundial con unos padres que le exprimieron comercialmente. Su carrera se paró cuando se divorciaron e iniciaron una lucha por su custodia. No querían al hijo, querían el negocio de su hijo. Macaulay intentó retomar su carrera, pero su estrella se apagó y fue saltando de un lío a otro: a los 18 años se casó con la actriz Rachel Miner (de la que se divorció al poco tiempo) y en 2004 fue detenido por posesión de drogas. Ahora intenta relanzar su carrera. Un caso parecido al de Haley Joel Osment, el niño de El sexto sentido. Famoso por tan sólo una película vive entre el alcohol y las drogas.

"Todo comienza por la importancia que se da en la cultura actual al hecho de ser famoso. Que te conozcan se ha convertido en éxito", explica Fernando Chacón, presidente del colegio de psicólogos de Madrid. "Te preparan para ganar y si pierdes te crees un fracaso. Pocos, como el tío de Rafael Nadal, responden como él tras perder en Roland Garros cuando dijo: 'No pasa nada, mañana estaremos bañándonos en la playa de Manacor". A otros no les explican nada como a los niños de Slumdog millionaire, a los que pasean por lujosos salones y hoteles tras ganar el Oscar y luego devuelven a su chabola de la India.

Rosa López es el caso más parecido al de la británica Susan Boyle. En 2001 el recién estrenado Operación Triunfo la consagró a la fama y pasó a ser en sólo unas semanas Rosa de España. Dejó atrás su pueblo de Granada, la tienda en la que asaba pollos y 40 kilos de sobrepeso para lanzarse a Eurovisión. "Vas a ganar" fue la frase que más escuchó. Rosa no ganó y desapareció durante varios meses. La versión oficial es que tuvo un problema en las cuerdas vocales.

En España hay programas de televisión que cuentan con ayuda psicológica para los concursantes antes, durante y después del programa. Abiertamente lo han reconocido Operación Triunfo y Gran Hermano. La opinión de los especialistas también se escucha en las pruebas de selección. "Pero en muchas ocasiones", dice Chacón, "se da prioridad al friqui que va a dar espectáculo que a la persona equilibrada".

En la historia del cine español hay casos claros de los traumas que a veces crea el convivir con la fama: Joselito y Marisol.

El pequeño ruiseñor, título de su primera película, pasó de ser un ejemplo para la juventud de mediados del siglo pasado a enrolarse como mercenario y a ser detenido por un delito de tráfico de cocaína. En el cuartel de la Guardia Civil, José Giménez se identificó a sí mismo como "Joselito, el pequeño ruiseñor". La luz de la estrella, en este caso, se apagó cuando se hizo mayor y su carrera no evolucionó.

Marisol se dio cuenta del final. Un día se dijo a sí misma que estaba harta de todos y se refugió en su Málaga natal sin dar cuenta a nadie de sus actos. Atrás quedaron los años infantiles en los se había sentido explotada por productores, directores, maridos y suegros, mientras la fama que alcanzaba en la pantalla se revolvía contra su propia libertad. Intentó nuevos caminos artísticos como mujer adulta, pero al final volvió a la tierra de la que salió siendo una cría. Desde entonces, huye de la prensa y no quiere hablar de su vida anterior. Y eso que cuando ella era famosa en muchos casos no había televisión e Internet todavía no se había inventado. Ella se adelantó y se retiró.

Pero si hay un ejemplo de sobreexposición es el de la tertuliana de Telecinco Belén Esteban, que por unos euros hace una radiografía diaria de su vida allí donde la llamen. Vive al límite desde hace tiempo y representa la imagen de esos que se creen triunfadores por salir cada día en la televisión o en estar en la Red.