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quarta-feira, 16 de maio de 2012

O que a Argentina ensina ao velho continente

No artigo abaixo, reproduzid no site do EL PÁIS, o economista Paul Krguman analisa a crise que se abateu sobre a Zona do Euro. Para tanto, toma como referência a realidade argentina. Vale a pena dar uma conferida.

Lecciones argentinas para Europa
Paul Krguman


El columnista Matt Yglesias, quien acaba de estar en Argentina, escribía no hace mucho en Slate sobre lo que nos enseña la recuperación de ese país después de abandonar la ley de convertibilidad que establecía la paridad entre el peso y el dólar. Como dice Yglesias, es una historia de éxito extraordinario que supuestamente contiene algunas lecciones para la eurozona.

"La suspensión de pagos y la devaluación no fueron ni mucho menos una fiesta. Destruyeron el sistema bancario del país y acabaron con los ahorros de muchos argentinos", escribía Yglesias el 1 de mayo. "Pero funcionó. Argentina ha crecido rápidamente en los años posteriores y su tasa de desempleo se ha ido reduciendo progresivamente hasta el 6,7%, una tasa que envidiamos en Estados Unidos".

Solo añadiría otra cosa: la información en la prensa argentina es otro de esos ejemplos sobre cómo la lógica popular puede por lo visto hacer que resulte imposible entender correctamente algunos hechos básicos. Siguen contándonos historias sobre la recuperación de Irlanda cuando, de hecho, no hay recuperación, pero, maldita sea, debería haberla, porque han hecho "lo que tenían que hacer", así que eso es lo que decimos.

Por el contrario, los artículos sobre Argentina casi siempre tienen un tono muy negativo: son irresponsables, están volviendo a nacionalizar algunos sectores y hablan como populistas, así que las cosas deben de estar yendo muy mal. Los datos que presentamos en esta página dan igual.Para que quede claro, creo que a Brasil le está yendo bastante bien, y ha tenido buenos líderes. ¿Pero por qué razón precisamente Brasil es un BRIC impresionante mientras que siempre se menosprecia a Argentina?

En realidad, sabemos por qué, pero no dice mucho del estado de la información económica.

No sé mucho de historia (antigua)

Lo que tengo que hacer para aumentar las ventas de libros. No hace mucho, participé en una especie de debate con Ron Paul en Bloomberg TV (pueden verlo en Internet en bloomberg.com/video).

Pensé que podríamos tener una conversación sobre las razones por las que no acaba de producirse la inflación descontrolada que él y sus aliados siguen pronosticando. Pero no, insistía (si le entendí bien) en que la devaluación de la moneda y los controles de precios destruyeron el Imperio Romano. Le repliqué que no soy un defensor de las políticas económicas del emperador Diocleciano.

Sin embargo, es verdad que las alusiones a lo que sucedió en algún momento del pasado lejano son de lo más normal en el lado de la economía de los incondicionales del oro. Y es bastante revelador.
Me refiero a que la historia es esencial para el análisis económico. Realmente hay que saber, por ejemplo, que la ley de convertibilidad de Argentina fracasó, las consecuencias que tuvo el fervor del canciller Brüning hacia el patrón oro en Alemania y muchos otros episodios.

Pero por alguna razón, a la gente como Paul le desagrada hablar de los acontecimientos de hace un siglo, sobre los que disponemos de datos razonablemente buenos; les gusta hablar de lo que aconteció en la noche de los tiempos, cuando realmente no sabemos a ciencia cierta qué pasó. Y creo que no es una casualidad. En parte es el intento del autodidacta de hacer alarde de su conocimiento esotérico; pero también se debe a que realmente no sabemos qué pasó (¿qué recordamos en verdad de la era diocleciana?), de modo que uno puede extrapolar a los imprecisos anales lo que cree que debió de haber pasado y después reivindicar lo que sea que uno quiera creer.

En cierto sentido, tiene gracia, excepto que este tipo de pensamiento domina uno de nuestros dos principales partidos políticos.
Traducción de News Clips.

sábado, 3 de setembro de 2011

Clóvis Rossi e a grita em defesa da autonomia do Banco Central

O veterano Clóvis Rossi, articulista da Folha e um dos grandes jornalistas deste país, comenta, em coluna no UOL, a grita contra suposta perda de autonomia do Banco Central. Confira!

Abaixo a histeria (e a independência)
Clóvis Rossi

É espantosa a histeria desatada pela decisão do Banco Central de reduzir a taxa de juros.

Histeria não pela redução em si, que, a esse respeito, as opiniões se dividem. Lembra até velha piada sobre econometria, mas que vale para a economia em geral. É assim: dois econometristas saem para caçar patos. O primeiro atira e erra por meio metro à direita. O segundo atira, erra por meio metro à esquerda e grita: acertamos.

Pois é, palpite de economista é assim, quase sempre e com exceções que apenas confirmam a regra.

No caso dos juros, a histeria se deu porque grande número de economistas e colunistas de economia decretaram que a decisão do BC equivale a sepultar a independência do Banco Central, o que seria, na opinião dessa turma, uma tragédia de proporções bíblicas. Bobagem.

Cito o editorial da Folha a respeito: "Tomá-la [a redução dos juros] como sintoma de revés na autonomia do BC diante das pressões políticas do Planalto seria precipitado".

Aliás, defender a independência como regra de ouro me parece total equívoco. Quem tem legitimidade para decidir a política econômica é quem foi eleito ou eleita para defini-la, no caso, a presidente Dilma Rousseff. O BC não é uma instância eleita. Recebe apenas a delegação do Executivo, o que implica, por elementar bom senso, que deva estar sintonizado com a política de quem lhe delega poderes.

A "rationale" por trás da tese da independência é a de que políticos são incapazes de fazer uma política econômica séria, porque gostam de gastar demais, e, portanto, precisam de uma babá severa, que seria o BC. É um raciocínio torpe porque despreza a hipótese de que o BC também faça barbeiragens. A crise de 2008/09 demonstrou à sociedade que o BC norte-americano foi em boa medida irresponsável o suficiente para facilitar a eclosão da crise.

(Diga-se que, no Brasil, aconteceu o contrário).

Sempre que critico a teologia em torno da independência do BC vem alguém --em geral economista-- para lembrar o exemplo dos Estados Unidos e, por extensão, da arqui-louvada independência do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

Minha resposta: como o Fed errou na crise, prefiro erros praticados pelos políticos, que são eleitos para fixar políticas e podem ser cobrados, nas urnas, pelos erros que eventualmente cometerem, ao passo que o presidente do Fed não é facilmente demissível.

Segunda resposta: é lenda a independência total que se atribui ao Fed. Quem duvida que leia "Maestro", a biografia de Alan Greenspan, ex-presidente do Fed. Nela, verifica-se que o então presidente George H. Bush (pai de George W.) chamava à Casa Branca o então presidente do BC, Paul Volcker, hoje aliás assessor de Obama, para ponderar que a economia estava desacelerando, o que implicava a necessidade de reduzir juros.

Bush pai não dizia diretamente que era preciso baixar os juros, em respeito à autonomia do BC, mas, curiosamente, o juro baixava pouco depois. E ninguém via na coincidência o fim da independência do BC. Apenas uma manifestação de bom senso.

Aqui no Brasil, um monte de gente mostra todos os dentes porque Dilma Rousseff teve comportamento idêntico ao de George H., com resultado também idêntico. Pura histeria tropical.

Que o BC tenha autonomia relativa é até bom porque introduz uma instância menos sujeita às tensões da política no xadrez das decisões sobre economia. Mas daí a pretender que possa tomar decisões que colidam com a linha geral da política econômica de um governo legitimamente eleito para isso é um delírio.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O narcotráfico ameaça a vida política e social latino-americana

Matéria publicada no sempre muito bom VALOR ECONÔMICO aborda a temática. Transcrevo parte do material mais aí abaixo. Peguei-no no blog LEITURAS DO FAVRE (espaço que você deve visitar diariamente, pois, lá, você encontra uma compilação de matérias interessantes publicadas na nossa imprensa.

América Latina está sob crescente ameaça das drogas
Por John Paul Rathbone e Adam Thomson Financial Times – VALOR


Em meio à alta vertiginosa dos preços das commodities na década passada, são notáveis duas exceções: a heroína e a cocaína.

Os dois produtos têm desafiado a inflação de maneiras que somente os microprocessadores para computadores conseguem igualar: os narcóticos estão mais baratas, em termos reais, do que há 20 anos. Esse é apenas um exemplo de um fracasso mundial nas tentativas de limitar a oferta de drogas ilegais. Embora a luta tenha custado bilhões de dólares e milhares de vidas, o comércio – e seus efeitos sobre aqueles que usam os produtos -, pouco diminuiu. A produção cresceu e o consumo mundial acompanhou a produção. De estimados 272 milhões usuários de drogas ilegais em todo o mundo, cerca de 250 mil consumidores perdem a vida a cada ano.

Os EUA continuam sendo o maior mercado mundial de drogas e a Europa está avançando rapidamente. É cada vez mais aceito que a política de proibição conhecida como “guerra às drogas” desfechada 40 anos atrás pelo presidente americano Richard Nixon “fracassou” – como afirma inequivocamente recente relatório da Comissão Mundial para Políticas Antidrogas -endossado por três ex-presidentes latino-americanos, um ex-secretário-geral da ONU e um ex-presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

ONU estima que o lucro anual dos traficantes com a venda de cocaína no mundo chega a US$ 85 bilhões

Isso está criando ansiedade em Washington e outras capitais ocidentais. Mas, na América Latina, maior centro de produção e comercialização, as consequências desse fracasso continuam a crescer. Na América Central, os níveis de violência são piores, segundo algumas estimativas, do que no Afeganistão ou no Iraque.

A paz social e política está sob ameaça. “Um tsunami de tráfico de drogas abateu-se sobre a região”, diz Kevin Casas-Zamora, ex-vice-presidente da Costa Rica. Para o general Douglas Fraser, chefe do Comando Sul dos EUA, o crime organizado alimentado pelo tráfico de drogas é a mais grave ameaça na América Central.

Pouca gente sugere que a região esteja prestes a se tornar uma coleção de narco-Estados com governos usurpados pelos cartéis, mas esse é um risco para a Guatemala, Honduras e El Salvador, o mais gravemente afligido entre os países da América Central. A maioria das economias de um continente antes associado a dívidas externas e hiperinflação registra substancial crescimento econômico. Enquanto países desenvolvidos estão atolados em alto endividamento e baixo crescimento, a América Latina tornou-se um motor da economia mundial. Mas a maioria das democracias latino-americanas é jovem. O México, segunda maior economia na América Latina, fez sua transição democrática apenas dez anos atrás, o Brasil, a maior, há apenas 25 anos. Isso torna esses países particularmente vulneráveis à corrupção e à violência.

Pelo menos ficaram no passado os dias em que os países eram “certificados” pelos EUA com base em sua capacidade de reduzir a produção de drogas. A maconha é agora o maior plantio comercial na Califórnia, com vendas estimadas de US$ 14 bilhões por ano.

Mesmo assim, o Ocidente continua a impor considerável pressão sobre a região. Os latino-americanos têm suas próprias muito fortes razões para fortalecer o Estado de direito. Os benefícios econômicos e políticos “seriam enormes”, diz Agustín Carstens, presidente do Banco Central do México. O Banco Mundial estima que o custo do crime e da violência na América Central equivale a 8% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Mas muita gente na região cansou da abordagem tradicional, centrada em criminalização e repressão, mas que produziu escassos resultados. Com efeito, o consumo local de drogas está aumentando; o uso de cocaína na América Latina agora está quase igual ao nível europeu, embora ainda seja metade do americano.

Em primeiro lugar, a intensidade da violência que sempre eclipsa o comércio e as tentativas para controlá-la são grotescas: decapitação, desmembramento e chacina aleatória de inocentes. El Salvador, o país mais sangrento na região, registrou 71 homicídios por 100 mil habitantes em 2010, segundo estatísticas nacionais; no Brasil foram 25. Nos EUA, a taxa de homicídios foi inferior a seis; na Europa, não chegou a dois.

Em segundo lugar, combater traficantes pressiona países carentes de recursos que o mundo desenvolvido assume como universais. O continente continua a ser uma das regiões mais desiguais do mundo. Mesmo no México, membro da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o governo define sua taxa de pobreza em 46%.

Terceiro, essa luta cria, nas instituições repressivas, tensões que não conseguem suportar. O serviço policial mexicano foi efetivamente “balcanizado” pela Constituição, de modo que existem forças distintas para os 32 Estados do país e para cada um dos seus 2,3 mil municípios. Em algumas forças policiais na América Central, os agentes da lei têm de comprar munição com seu próprio dinheiro.

Muitas instituições em nações mais ricas sofreriam dificuldades se confrontadas com uma operação transnacional sofisticada que, de acordo com estimativas da ONU, gera US$ 85 bilhões anuais em lucros apenas com a cocaína – o equivalente a seis vezes o lucro da Coca-Cola no ano passado.

“O combate à corrupção e à droga é semelhante ao uso de uma borracha de má qualidade”, diz Malcolm Deas, da Universidade de Oxford, um historiador especializado em temas colombianos que tem assessorado presidentes desse país. “A borracha sempre fica suja e uns pedacinhos dela esfarelam.”

Em todo o mundo, está emergindo o reconhecimento de que as políticas proibicionistas do século passado não funcionaram e que, enquanto as drogas permanecerem ilegais e, portanto, fornecidas por empreendedores criminosos, é improvável que tais políticas sejam eficazes.

Até mesmo a presença de 100 mil dos soldados mais bem treinados pouco serviu para ajudar a estancar o fluxo de opiáceos provenientes do Afeganistão, que responde por cerca de dois terços da produção mundial de heroína. Mau tempo e pragas nas culturas contribuíram mais para reduzir a oferta, no ano passado, do que quaisquer esforços das tropas da Otan ou da polícia afegã.

Quanto à América Latina, a única história de sucesso até agora é a da Colômbia, e apenas quando aferida por uma queda do número de homicídios, mas não pelo volume exportado de drogas ilegais. Além disso, o sucesso de Bogotá deu-se graças a condições irreproduzíveis em outros lugares.

Primeiro, houve um grande afluxo de fundos dos EUA. Os US$ 6 bilhões gastos com o atual programa de ajuda ao Plano Colômbia, de combate ao narcotráfico e à insurgência, totalizam cerca de 6% do PIB da Colômbia em 2000 (ano em que o esquema começou). Por outro lado, a iniciativa americana equivalente no México soma US$ 1,4 bilhão, menos de 0,2% do PIB mexicano em 2010.

Em segundo lugar, nos 20 anos passados, Bogotá empreendeu um esforço sustentado e quase sobre-humano à custa das vidas de um número elevado de policiais e juízes. Bogotá beneficiou-se do fato de sua polícia ser unificada, quando começou a enfrentar seriamente o problema do crime organizado, algo inexistente em muitos outros países. “Se as forças policiais estão fracionadas, o narcotraficantes simplesmente as atacam seletivamente”, enfatiza o general Oscar Naranjo, comandante da polícia colombiana.

Em terceiro lugar, os EUA e a Europa disponibilizaram treinamento e apoio de inteligência no terreno, na Colômbia, o que seria impraticável na maioria da América Latina. Quando Álvaro Uribe, então presidente da Colômbia, aceitou, em 2009, autorizar os militares americanos a usar bases aéreas no país para ajudar as forças locais a caçar traficantes, isso provocou, em toda a região, protestos contra o “imperialismo ianque”. A Constituição do México proíbe que tropas estrangeiras operem no país, embora um pequeno número de militares aposentados do Exército dos EUA tenham sido recentemente mobilizados para lá para contornar tais obstáculos legais, segundo o “The New York Times”.

Finalmente, mesmo quando a repressão tem êxito, isso simplesmente exporta o caos para outros países. “Quanto mais sucesso temos com a interdição, mais o crime organizado vai para outros lugares”, diz Laura Chinchilla, presidente da Costa Rica.

Cada vez mais pessoas, e não apenas libertários e hippies, defendem uma reconsideração radical da política antidrogas. Os EUA, por exemplo, foram capazes de ignorar os piores efeitos do seu problema por muitos anos. Na prática, a atitude era de que, enquanto não houvesse bombas explodindo ou balas voando em Washington, Nova York ou Los Angeles, a violência não importava. Mas, num mundo mais globalizado, Washington está cada vez mais na defensiva – e defronta-se com a possibilidade de a violência atravessar a fronteira.

Não há clareza sobre que medidas deveriam ser tomadas. É pouco provável que mais dinheiro seja investido contra o problema, tendo em vista a condição das finanças americanas. Campanhas de prevenção contra o uso de drogas também não deram resultados satisfatórios. Elas “têm boa relação custo-benefício, porém não são muito eficazes”, destaca Mark Kleiman, um professor da UCLA, e autor do recentemente publicado “Drugs and Drug Policy: What Everyone Needs to Know”. O debate sobre a legalização está atolado em temores legítimos sobre o risco de crescimento das taxas de dependência.

Uma alternativa promissora, e barata, seria estrangular o fluxo de armas dos EUA para o sul. O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, lamentou recentemente o fato de que revólveres desmontados podem ser despachados pela Fedex para seu país. No México, 70% das armas apreendidas vêm dos EUA. No entanto, esse debate nunca decola devido à posição de muitos americanos que invocam o direito constitucional de portar armas. Como disse Calderón, em visita a Washington em março: “Eu respeito a Segunda Emenda, mas pedimos: ‘não vendam armas a criminosos mexicanos’”.

Algumas autoridades na região acreditam que, enquanto elas tomam medidas contra o problema, o Ocidente parece menos disposto a fazer sacrifícios. O México, por exemplo, iniciou reformas, em sua polícia, que exigirão mudanças constitucionais, ao passo que nos EUA a proibição às vendas de fuzis semiautomáticos, que expirou em 2004, ainda não voltou a vigorar. Muitos acreditam que o Ocidente também fracassou no combate à lavagem de dinheiro. Como observou Carlos Slim, magnata mexicano das telecomunicações: “É injusto que os países produtores de drogas fiquem com todos os problemas e que os países consumidores fiquem com os lucros”.

Não há solução mágica capaz de resolver o problema das drogas. Porém muitos na região acreditam que, quanto mais tempo os países ocidentais se abstiverem de assumir um papel significativo na redução da violência associada às tentativas de frear o desejo de seus cidadãos de consumir drogas ilícitas, mais se tornará evidente que eles têm sangue em suas mãos. Forças de segurança e traficantes envolveram-se numa espécie de “corrida armamentista”, diz o relatório GCDP. “É preciso romper o tabu sobre o debate e reformas. A hora de agir é agora".

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Economia e religião

Confira abaixo matéria publicada na edição on line do EL PAÍS.

La economía entiende muy poco de dioses
Un estudio rebate la clásica identificación entre protestantismo y capitalismo - ¿Influyen las diferencias culturales en el desarrollo? - ¿Por qué triunfan o fracasan los países?
M. ANTONIA SÁNCHEZ-VALLEJO

Si el sociólogo Max Weber (1864-1920) viviera, puede que hoy hubiera titulado de otro modo uno de sus libros más importantes, La ética protestante del capitalismo. Porque el desafío económico de los países asiáticos, por un lado, y la emergencia de potencias que poco o nada tienen que ver con la tradición de Lutero configuran un panorama alejado del maniqueísmo protestantes-católicos en que se inscribe la obra de Weber, cuya tesis viene a ser que el talante industrioso, emprendedor e individualista de los protestantes es un factor más acorde con el mercado que el de los católicos, supeditados a la jerarquía y contrarios a la usura.

Ni el capitalismo es lo que era cuando Weber escribió esa obra, ni las sociedades occidentales (protestantes o católicas, tanto da) son las únicas que rigen los destinos del mundo, y mucho menos en el contexto de la actual crisis. Si a ello se añade que algunos expertos refutan la tesis de la obra de Weber, el debate sobre el triunfo o el fracaso de las naciones debería formularse en términos globales, y, por mor de la corrección política, con independencia de cualquier mención religiosa, capaz de encender hogueras como bien ha podido comprobar Barack Obama al apoyar públicamente la construcción de una mezquita en la zona cero de Nueva York.

Averiguar si los países protestantes -o los confucionistas o los sintoístas, en el siglo XXI- son más prósperos que los católicos por la influencia de distintos factores culturales es una pretensión, por general, demasiado equívoca. Bélgica, de mayoría católica, es un país desarrollado, por no hablar de la católica Italia, que pertenece al G-8. Los economistas, en general, niegan la mayor: no hay hecho cultural que influya en la cuenta de resultados. Sociólogos y antropólogos, por no hablar de los teólogos, sostienen en su mayoría lo contrario: que es posible hallar la influencia que una fe o, por llamarlo de otro modo, un hecho cultural, tiene en aspectos tan cuantificables como el déficit o el PIB de una nación.

El doctorando de la Universidad de Harvard Davide Cantoni se ha atrevido a matar al padre de la sociología moderna refutando en parte su tesis de que protestantismo es igual a riqueza. Con un estudio titulado Los efectos económicos de la reforma protestante, Cantoni analiza el crecimiento económico de 272 ciudades alemanas (162 luteranas, 88 católicas y 21 calvinistas) de 1300 a 1900, llegando a la conclusión de que la diferencia de religión no explica las diferencias de crecimiento entre unas y otras.

Interpelado sobre la osadía que supone para un científico social llevarle la contraria a Weber, Cantoni advierte contra la tentación de sacar "demasiadas conclusiones" de los resultados de su trabajo. "Mi investigación es una comparación de largo recorrido, desde 1300 a 1900, de ciudades alemanas. Su relevancia es, ante todo, local, en el sentido de que responde a este planteamiento: ¿Cuál ha sido el impacto de la reforma protestante en el crecimiento de las ciudades alemanas entre 1300 y 1900?". Ante la tentación de extrapolar algún dato, Cantoni pide extremar la cautela: "En un sentido más amplio, el estudio podría servir para pronunciarse, cum mica salis, sobre la importancia del protestantismo en el crecimiento económico de Europa en general. Pero usarlo en un contexto distinto, como por ejemplo la Latinoamérica actual, no es de recibo".

Eso por lo que hace a la hipotética influencia del protestantismo en la economía. Porque el contexto en que Weber pergeñó su obra era ajeno a la actual pujanza -demográfica y política- del islam; al desafío económico de los tigres asiáticos y al mestizaje sociocultural -es decir, también religioso- de algunas de las potencias emergentes: Brasil, por ejemplo. El desempeño económico de India o China -que ya es la segunda potencia mundial, por delante de Japón- y su éxito global merecen capítulo aparte. Pero como sustrato del debate, el influjo de las diferencias culturales en los distintos modos de desarrollo de las naciones sigue teniendo cierto aliento, pese a las reticencias economicistas. A modo de ejemplo, aun políticamente incorrecto, para suscitar a las bravas la cuestión: ¿Puede triunfar económicamente un país -cualquiera de los musulmanes- que se detiene cinco veces al día para rezar? ¿Suponen las religiones orientales, del confucionismo al sintoísmo, una patente de éxito para el desarrollo económico, pese a las condiciones de precariedad de la clase trabajadora -menores incluidos en algunos casos-, o en aquel solo influyen circunstancias objetivas, cuantificables?

"Cantoni compara alemanes con alemanes; según su tesis, lo importante es ser alemán, no protestante o católico", explica José Ignacio Torreblanca, del FRIDE, que se hizo eco de la tesis de Davide Cantoni en un artículo publicado en EL PAÍS (Prejuicios, 5 de abril de 2010). "Lo interesante del debate de las teorías del desarrollo es averiguar qué circunstancias objetivas influyen en el triunfo. Y, al revés, cuáles están detrás del subdesarrollo. Hay una estructura de oportunidades: los países más que pobres son desiguales. Todas las periferias, por definición, son más pobres que el centro, donde se concentran las oportunidades. Y eso puede verse incluso en la Unión Europea. ¿Quiénes son los países que están a la cola de la UE? Irlanda, Portugal, España y Grecia", explica Torreblanca. De los cuatro, tres (Irlanda, Portugal y España) comparten tradición cultural, y profundas raíces católicas.

Para Iliana Olivié, investigadora principal de la Fundación Elcano y profesora de Teoría del Desarrollo Internacional en la Universidad Complutense de Madrid (UCM), tras el éxito de muchos países asiáticos no hay que ver la velada o la patente influencia de las religiones que sus poblaciones profesan, sino políticas integrales de desarrollo. "Aunque hay muchos casos diversos, hay elementos comunes: una política integral de desarrollo en la que todo se supedita a ese modelo, que además es un modelo nacional; y una apropiación del mismo por parte de la población. La sociedad ha metabolizado ese modelo, lo ha hecho suyo con un patriotismo bien entendido. ¿Se puede concluir de ahí que las filosofías orientales conducen al éxito económico? De ninguna manera. Lo que diferencia a Asia es ese proyecto nacional y coherente de desarrollo, que incluye al conjunto de la sociedad y que va a ir adaptándose a los tiempos". Ahora bien, aunque Olivié se niega a aceptar que en el desarrollo influya factor cultural alguno, "si hay una cierta homogeneidad cultural, social, étnica, puede que sí ayude...". Pero sin inferir de ello que las filosofías orientales empujen al éxito. "De ninguna manera", sentencia.

Desde los tiempos de Adam Smith y Karl Marx, el debate sobre el desarrollo de las naciones se formula en torno a tres puntos básicos: "Mayor o menor intervención del Estado; si es necesaria o no una industrialización, un eje de discusión que se ha revitalizado con el extraordinario desarrollo de China, y mayor o menor apertura de los mercados, algo que está relacionado con el primer punto. Este esquema sustenta todas las teorías de desarrollo", explica Olivié.

La investigadora señala, no obstante, que, al pensar en clave de eficacia, competitividad o éxito, "lo hacemos influidos por la cultura dominante, que es la anglosajona". Y, a la inversa, si repasamos el panorama económico iberoamericano -con la excepción de Brasil, o del despegue económico chileno de los años noventa-, lo hacemos enfocando a países que se emanciparon sobre la base -las ruinas- de un sistema ajeno, el colonial. "España exportó un modelo de burocracia institucionalizado, y es verdad que ha podido dejarlo como legado en América Latina", señala Olivié. No obstante, en un debate como este "no hay síes ni noes, todo es una amplia gama de grises".

Federico Steinberg, también investigador principal de la Fundación Elcano y profesor de Economía en la Universidad Autónoma de Madrid, comparte con su colega el rechazo inequívoco a la influencia cultural como determinante del éxito o el fracaso económico de una nación. "A los economistas no nos gustan las explicaciones culturalistas, parte del desarrollo asiático se puede explicar sin recurrir a ellas. La gente responde a incentivos, esta es la base de la teoría económica. Si todo fuera [influencia] cultural, estaríamos abocados a un determinismo trágico". Pero concede: "No negamos que la ética protestante esté detrás de gente más ahorradora o inversora, pero lo que importa es que las políticas públicas se hagan bien o mal". Así, si la religión -la diferencia cultural, en suma- no es determinante, ¿influye más el contexto? ¿Puede un país sustraerse a la crisis con un buen rumbo económico? "Los países con buenas políticas internas, por ejemplo Brasil, siguen desarrollándose pese a que el marco internacional no es favorable. En suma: el desarrollo consiste en buenas políticas públicas internas; el subdesarrollo, en lo contrario, y esto sucede tanto en dictaduras como en democracias...".

El sociólogo Enrique Gil Calvo defiende a capa y espada la influencia de factores culturales en los distintos grados de desarrollo. En el ámbito occidental, dice, "hay tres mundos del bienestar: el nórdico, que equivaldría a la socialdemocracia; el anglosajón, o liberal, y el continental, o democristiano. Así que por un lado estarían los modelos nórdico y anglosajón, y por otro, todos los demás, es decir, lo que ahora llamamos PIGS [acrónimo de Portugal, Irlanda, Grecia y España]. Esta división se puede apreciar también en las políticas públicas, incluso en el mayor o menor grado de corrupción", en la que, no hay que decirlo, los países meridionales de la UE sacan peor nota que los del norte.

Pero ¿dónde está la explicación? ¿En qué hunde sus raíces la diferencia entre los tres bloques? Gil Calvo no lo duda: "En la religión. Los nórdicos son luteranos; los anglosajones, calvinistas, y los PIGS, católicos, salvo Grecia". A los tres modelos de desarrollo citados podría añadirse un cuarto, el renano, un híbrido "donde se mezclan protestantes y católicos", explica Gil Calvo.

Para el sociólogo, las diferencias culturales lo empapan todo. "También los distintos sistemas jurídicos vigentes en Occidente, la common law frente a la civil law, que se basan en distintos modelos de familia, el autoritarista frente al igualitario, o el troncal, donde todo lo hereda el primogénito".

Ciñendo el debate al contexto occidental, Gil Calvo considera que la influencia de la cultura en la economía se puede demostrar empíricamente, "incluso a través de las encuestas". Por ejemplo, la desigual respuesta de las sociedades frente a la corrupción. En el Barómetro de enero de 2010 del CIS, la corrupción y el fraude solo constituían la undécima preocupación de los españoles, muy por detrás de cuitas como la economía o la inseguridad. "A los católicos se nos perdona la corrupción como se nos perdonan los pecados, basta con confesarse. Por el contrario, entre los calvinistas impera el sálvese quien pueda, la insolidaridad y la desigualdad: los ciudadanos quieren ser desiguales. El igualitarismo es el rasgo del luteranismo, con un Estado de bienestar muy completo en el que los ciudadanos quieren ser iguales".

Aunque este reportaje no tenga pretensiones científicas, queda demostrado, grosso modo, que la benedictina regla del ora et labora (reza y trabaja) ha tenido a lo largo de la historia muy desiguales manifestaciones según a qué punto del mapa se mire. Pero de ahí a que la cuenta de resultados de las naciones se incline más por el haber que por el debe, o viceversa, en función de una creencia determinada, es algo que pocos científicos, una vez muerto -y rematado por obra y gracia de Davide Cantoni- Weber, van a defender.

terça-feira, 16 de junho de 2009

A direita administra melhor a economia? Apontamentos para a descontrução de um mito.

No artigo abaixo transcrito, apontamentos para a desconstrução desse mito persistente de que a direita gere melhor, na direção dos governos, a vida econômica.



TRIBUNA: Carlos Mulas Granados
Progresistas: una mayoría en minoría



La mayoría de los ciudadanos, en España y en casi todo el mundo, prefiere las políticas progresistas, pero no se moviliza en su defensa. Según el último European Election Survey, un 58% de los europeos se autodefine de centro izquierda, pero en las elecciones del pasado 7-J los partidos conservadores han obtenido un 15% más de escaños que los socialdemócratas. ¿Cómo explicarlo?



La mayoría cree que el Estado debe actuar para proteger a los más débiles y que la religión no debe interferir en la política; defiende la promoción activa de las minorías y acepta nuevas formas de familia; otorga un papel importante al Estado en educación, sanidad, seguridad o dinamización económica, y sospecha de la capacidad de las grandes corporaciones para comportarse como deben sin controles públicos. Pero los partidos progresistas no logran persuadirles de que les voten con un mensaje sólido vinculado a valores ampliamente sentidos. En esta crisis económica es evidente: los progresistas ponen "las políticas" y los conservadores se llevan "la política", es decir, los votos, como Antonio Estella ha escrito aquí mismo recientemente.



Por qué los conservadores sacan la mejor tajada electoral? Pues porque aunque formuladas con franqueza sus políticas no tendrían apoyo general, su relato de "fuerza, seguridad y libertad" suena bien. En general, los conservadores ya no discuten los logros políticos y sociales defendidos y conquistados por sus adversarios a lo largo de la historia (el derecho a votar, a trabajar dignamente, al subsidio de desempleo, a la educación y la sanidad públicas, a la libertad de expresión, etc.), e incluso se han apropiado de algunos de ellos. Ahora se presentan como "centristas" y combinan su histórica defensa de la bandera nacional, la familia tradicional y la política de ley y el orden con un aura, más mítico que real, de gestión eficaz de la economía.



El retrato que haría de sí un neoconservador es el de un centrista compasivo, hombre o mujer de principios claros y moral sólida, buen gestor económico, amante de la libertad individual y riguroso en la defensa de la seguridad. Enfrente estarían los progres: izquierdistas trasnochados, empeñados en defender la salud y la educación públicas de inexistentes enemigos, que llaman a la lucha de clases, la nacionalización, el libertinaje, la desaparición de la religión, el aborto, la subida de impuestos, el despilfarro, la promoción de la pereza, la tolerancia con los criminales y la falta de principios morales.



Esta caricatura ignora la herencia de los pensadores de la Ilustración y de políticos progresistas egregios como Lincoln, Roosevelt, King, González, Brandt, Allende o tantos otros. Y ofende porque la Historia repite siempre lo mismo: los conservadores estuvieron siempre instalados en el"no" a cualquier avance cívico y social. Siempre "no"... hasta que el avance se impone y ya no hay vuelta atrás.



¿Cómo superar esta caricatura grosera e interesada del progre? Tal vez ayudaría la acuñación de un nuevo término que deshiciera tal simplificación y recogiera la esencia del nuevo pensamiento progresista del siglo XXI. De hecho, bajo el término neoprogresista se comienzan a agrupar distintos pensadores y políticos en los foros mundiales.



Un neoprogresista no acepta la contraposición clásica entre libertad e igualdad, porque la verdadera libertad se logra promoviendo la igualdad. Ama la libertad más que los conservadores, pero no sólo la del "dejar hacer, dejar pasar". Porque, ¿cómo puede llegar a ser libre un niño que no accede a la mejor educación posible a causa de la pobreza de sus padres? ¿Cómo puede ser libre una persona con discapacidad si no se garantiza desde el Estado que pueda circular como cualquiera por las calles? ¿Cómo puede una mujer ser libre si no se garantiza su igualdad cuando trabaja? ¿Cómo puede un país ser libre si no se le protege de los abusos del mercado y no se favorece su nivelación?



La búsqueda de esa verdadera libertad es lo que motiva las dos grandes políticas que hoy distinguen un programa progresista de uno conservador: la protección y la capacitación (lo que en inglés se llama empowerment).



Un neoprogresista cree en la necesidad de dar seguridad a los niños, a los mayores, a los débiles, a las minorías, a los pobres... porque no cree que las desigualdades tengan un origen natural, sino un origen social que puede mitigarse. No se trata de proteger a los trabajadores frente a los empresarios, ni a los parias de la tierra y los descamisados contra los terratenientes y los nobles. Se trata de proteger a todos los ciudadanos de los excesos de un mercado sin normas y sin control.



Protección, sí, pero también capacitación, porque con ella se libera el potencial de los individuos y disminuye la necesidad de protección. Así adquiere sentido la regulación frente a una "libertad" mal entendida: para equilibrar las desigualdades, para que el porvenir del planeta no quede hipotecado por la ambición desmedida de unos cuantos, para que la generación de hoy no condene a las siguientes. Bajo los nuevos conceptos de "economía virtuosa", "recuperación verde" y "sociedad sostenible", los neoprogresistas están agrupando las políticas que marcarán el futuro.



Para capacitar hay que invertir y habilitar recursos públicos: es decir, cobrar impuestos. Sin avergonzarse. Reniegan de los tributos quienes no creen en lo público. Pero mucha gente necesita de la acción pública... y máxime en tiempos como los actuales de crisis financiera y económica.


De estos temas y enfoques se debate en los diferentes foros de think-tanks progresistas de todo el mundo celebrados en los dos últimos años en Londres, Washington, Santiago de Chile... o en el que, dentro de unos meses, se celebrará en Madrid. La idea que va emergiendo de tales intercambios de ideas es que una mayoría de ciudadanos firmaría un manifiesto con estos principios y apoyaría las políticas que de ellos se derivan. Ahora el reto está en comunicarlos bien.



Los neocon llevan décadas promoviendo sin pudor ni complejo sus ideas, defendiendo "la libertad, la fuerza y la seguridad", y presentándose como portentosos gestores que acabarían con los funcionarios y las instituciones públicas supuestamente inoperantes. La crisis en que nos encontramos ha demostrado que estaban equivocados, pero su habilidad comunicativa ha conseguido distraer a la ciudadanía de la responsabilidad plena que sus políticas tienen en la actual situación.


Los neoprogresistas deben neutralizar la demagogia conservadora y acertar a comunicar su visión esperanzada de futuro. Si no lo hacen, verán como se imponen de nuevo el miedo, el desprestigio de lo público, la llamada al poder duro más peligroso. Un ambiente en el que los conservadores se mueven como pez en el agua, pero que nos abocará a la asunción resignada de la formación y estallido de burbujas insostenibles, con la consiguiente ampliación de las desigualdades. El desafío es grave y urgente.



Obama, Zapatero, Sócrates, Brown, Rudd, Bachelet, Lula y sus pocos colegas progresistas aún en el poder han de contarnos su relato con claridad: protección y capacitación para la igualdad y para una verdadera libertad. También para la paz, la seguridad y el desarrollo sostenible. Y deben hacerlo con determinación ante cada reto. El más inmediato es el de superar un estereotipo aún vigente, un estereotipo que puede haber pesado en los resultados del 7-J en el conjunto de la Unión Europea: que la derecha gestiona mejor la economía y es más decidida ante las crisis. Los progresistas tienen que demostrar que sus valores son capaces de producir las políticas más eficientes. Esto requiere coraje, y también asumir que las reformas que ganan el futuro no siempre satisfacen a todos en el presente.


La mayoría estaría con ellos si desplegaran un discurso cohesionado, emotivo y movilizador. Como lo hicieron antes cientos de líderes que lucharon para que las mujeres y los hombres fueran libres, para que se sintieran seguros y para que fueran capaces de construirse un futuro mejor. Los neoprogresistas, si decidimos asumir este término, son herederos de una larga y épica historia de libertad, derechos y protección que hoy deben reivindicar más que nunca.


Además de Carlos Mulas Granados, director de la Fundación Ideas, firma este artículo Luis Arroyo, presidente de Asesores de Comunicación Pública.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O efeito devastador da atual crise econômica no equilíbrio político do leste europeu

Sempre que tenho um tempinho (coisa rara, infelizmente) procuro me inteirar das coisas através do EL País. Hoje, o jornal espanhol destaca os efeitos devastadores da crise econômica no leste europeu. Por acaso, no momento, estou lendo o último livro de Loretta Napoleoni intitulado "O lado obscuro da economia". Na obra, a economista analisa a correlação entre a emergência das máfias russas e o tráficos de mulheres e a devastação da Europa do Leste após a queda do muro de Berlim. Uma obra com informações aterradoras (depois eu comentarei aqui). Bueno, mas vamos à matéria do El País?

La tormenta económica amenaza con barrer los Gobiernos de Europa del Este
Las primeras señales de alarma política por la crisis de los mercados se dejan notar en Rumania, Hungría y República Checa

La tormenta económica por la crisis mundial amenaza con arrasar el frágil equilibrio de los Gobiernos de Europa del Este. En plena época de turbulencias, tres de los Estados europeos más sensibles a los movimientos de los mercados han empezado a sufrir los primeros vaivenes políticos con motivo de mala situación económica internacional. La República Checa, que ostenta la presidencia de turno de la Unión Europea (UE), Hungría y Rumania han dado las primeras señales de alarma política en el seno de la Unión.

El Fondo Monetario Internacional (FMI) ha anunciado que Rumania recibirá un paquete de ayuda de unos 20.000 millones de euros de este organismo, la UE y el Banco Mundial (BM) con el objetivo de afrontar los problemas económicos y evitar el hundimiento. Así lo ha comunicado a primera hora de hoy en Bucarest Jeffrey Franks, representante de la delegación del FMI, que ha negociado estos días con las autoridades rumanas el acuerdo.

Según el pacto, Rumania deberá reformar su política fiscal y reducir su déficit presupuestario para 2009 a un 4,5%. Del monto total del préstamo, el FMI ha acordado con el gobierno un crédito puente por dos años de 12.900 millones de euros.

Pese a descartar nuevos planes de estímulo, la UE aportará al paquete de financiación 5.000 millones de euros con un vencimiento a cinco años, y el Banco Mundial aportará otros 1.500 millones de euros. El resto del monto será concedido por otras instituciones financieras internacionales.

El relanzamiento de los créditos de los bancos es una de las prioridades del acuerdo alcanzado, explicó en Bucarest Franks, tras recordar la necesidad de concertar con los bancos extranjeros que actúan en el mercado rumano que se garantice que estos créditos no serán repatriados a los países de origen.

Rumania es el tercer país comunitario, después de Hungría y Letonia, que recurre a la ayuda de organizaciones internacionales para salvar su economía nacional de la quiebra. Con este fin, Hungría recibió en octubre pasado 20.000 millones de euros del FMI y la UE, mientras que Ucrania obtuvo 16.400 millones de dólares. En este último país, la crisis amenaza con tumbar la conocida revolución naranja. La recesión castiga cada vez más a la industria mientras la deuda exterior se dispara y los líderes de la revolución de 2004, el presidente, Víktor Yúshenko, y la primera ministra, Yulia Timoshenko, se devalúan ante la sociedad.

Sin resistencia

Cualquier ayuda en Hungría parece poca. El Gobierno no ha podido resistir el embate y el país busca un sustituto al primer ministro, Ferenc Gyucsany, que reconoció haber mentido al electorado sobre la crisis económica para asegurarse la reelección. Gyurcsany anunció el sábado que renunciará a su cargo por la grave recesión que vive el país desde hace meses. En el poder desde septiembre de 2004, dijo durante su intervención en el congreso de los socialistas húngaros que dejaría de liderar el gobierno para ayudar al país a salir de la crisis.

Mientras tanto, la oposición ha respaldado hoy al presidente del banco central, Gyorgy Suranyi, como próximo jefe del Ejecutivo. Suranyi ha recibido el apoyo oficial de los opositores Democracia Libre para ponerse al frente del Gobierno húngaro y sustituir a Gyucsany.

En parte por la crisis interna en parte por los efectos del terremoto financiero, el Gobierno checo sucumbió ayer a una moción de censura de la izquierda en Praga. El Gabinete de Mirek Topolanek había sido abiertamente criticado por la oposición por la política económica, marcada por el liberalismo, en plena crisis. Topolanek, que anunció ayer su dimisión como primer ministro de la República Checa, podría seguir meses como jefe de Gobierno en funciones y concluir en junio su mandato como presidente de los Veintisiete, como desea la oposición que le ha derribado.

Existen diferencias en el Este. Hungría, Letonia y Rumania han pedido ayuda al Fondo Monetario Internacional, mientras Bulgaria, Estonia y Lituania pueden acabar imitándoles. Otros países, como Polonia, República Checa, Eslovaquia y Eslovenia (estos dos últimos ya han adoptado el euro), parecen aguantar mejor la crisis. Sin embargo, el director gerente del Fondo Monetario Interncional, Dominique Strauss-Kahn, advirtió que la crisis económica puede provocar disturbios sociales que "amenacen a las democracias y degeneren en conflictos, incluso guerras", por lo que ha reclamado medidas urgentes. Y Praga y Budapest han visto caer a sus Gobiernos como si hubiesen inaugurado una lista que se antoja más larga.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Pensar e atuar: algumas anotações sociológicas

Abaixo transcrevo texto publicado no EL País no qual o sociólogo Ignacio Sotelo analisa os desafios colocados para a ação. O pano de fundo é uma reflexão sobre os ingredientes da atual crise financeira.

TRIBUNA: IGNACIO SOTELO
La dificultad de actuar

Pensar es fácil, actuar, difícil; pero lo más difícil, actuar siguiendo nuestro pensamiento", escribió un Goethe que supo combinar la creación con la actividad político-administrativa.

Para el que disponga de una cierta capacidad intelectual -lo que la naturaleza no da, Salamanca no lo presta- y esté algo entrenado -nada se consigue sin constancia-, pese al esfuerzo doloroso que a menudo conlleva, pensar resulta fácil, porque en último término depende de uno mismo. El que se piense solo, aunque siempre en un contexto social, reaccionando ante lo que otros han pensado, facilita mucho las cosas. En cambio, se actúa únicamente con la mediación y el concurso de los otros. La dificultad intrínseca de la acción radica en que realización y resultados dependen de personas que escapan a nuestro control. La acción consiste en motivar a otros a perseguir un objetivo común, que no puede alcanzarse sin el respaldo de los demás.

Influir sobre el comportamiento de los otros suele ser mucho más arduo que hilvanar unas cuantas ideas con pocas probabilidades de que, sea cual fuere la calidad, salgan de un estrecho recinto. Aunque algunas, a veces pasado bastante tiempo, llegan a cambiar el curso de la historia, otorgar la preeminencia al pensar no deja de ser una secuela de la sociedad esclavista griega para la que obrar es el destino de aquellos a los que la naturaleza no los ha dotado de otras facultades. Para unos, lo propio es pensar-mandar, para otros, actuar-obedecer.

La idea de que actuar sea más difícil que pensar sorprende menos si se cae en la cuenta de que la acción rara vez proviene de la iniciativa individual, sino que transcurre por cauces trazados de antemano, que se ajustan a los modos y fines de las instituciones desde las que se actúa. El caso paradigmático es el del funcionario, obligado a someter su acción a normas muy estrictas. El comportamiento del empresario, que suele mencionarse como el opuesto, tampoco escapa a las ideas trilladas ni a los recelos dominantes, por mucho que afirmarlo contradiga los prejuicios que legitiman el orden establecido. Moverse fuera de lo manido suele conducir al fracaso, aunque a veces sea fuente excepcional de éxito.

Tan infrecuentes como los pensamientos originales son las acciones al margen de los canales instalados, pero, nada tan difícil, a la vez que tan raro, como perseguir objetivos que provengan de una reflexión personal. Si además la acción se mueve en el plano de una política que persigue un único afán, llegar al poder y, cuando se ha alcanzado, no perderlo, las complicaciones crecen exponencialmente, alchocar con estructuras consolidadas de poder. Nada más peligroso en política que abandonar la senda marcada para alcanzar objetivos fijados en una reflexión personal. Llega a la cima el político que, ajeno a cualquier originalidad en la acción o en el discurso, se haya identificado por completo con el partido al que pertenece, defendiendo los intereses, pero también estilo y prejuicios de los grupos sociales que representa. Nada perjudica tanto al político profesional, y tal vez no quepa otro tipo, como una acción o un pensamiento fuera de lo esperado, contra los que, no hay cuidado, suele estar muy bien blindado.

La política se ha convertido así en el ámbito del tópico y de la rutina, donde desde un primer momento cabe excluir cualquier sorpresa en el discurso o en los comportamientos. Lo más grave es que esta misma actitud se haya extendido a la información y a los comentarios periodísticos, que se mueven también a piñón fijo. Aumenta así la distancia entre lo que realmente ocurre en un mundo que está cambiando a gran velocidad y la apreciación colectiva que de él se tiene.

Tampoco ha de extrañar que los que han llegado a la cúspide -económica, política, profesional- estén predispuestos a creer firmemente en las ideologías que los favorecen, disponiendo de una amplia gama de mecanismos para difundirlas en todos los niveles. Nos dicen que queda mucho por hacer, que no escasean deficiencias que corregir, incluso inequidades que suprimir, pero en líneas generales, marchamos por el buen camino. El orden social se legitima, si la mayoría cree que es el mejor de los posibles.

Justamente, la distancia creciente entre ideología dominante y realidad vivida explica que las crisis nos pillen de improviso. También a finales de los 80 muy pocos -y la nomenclatura, la que menos- previeron el desplome de la Unión Soviética, "el país más grande y con mayores recursos naturales, con el sistema social más avanzado del mundo", como proclamaban los libros escolares soviéticos.

Vivimos en el mejor mundo posible hasta que de repente asistimos a su derrumbe. Los instrumentos teóricos que sirvieron para apuntalar el orden existente, no valen ya para dar cuenta de su desmoronamiento, y han sido vetados todos aquellos que hubieran podido resultar idóneos. La crisis se manifiesta en que no sabemos lo que pasa de verdad. En los años 30 se conocieron causas y remedios después de haber sufrido grandes catástrofes, la peor la II Guerra Mundial.

Cuanto más alta la posición social de una persona, mayor la desconfianza que ha mostrado en este último tiempo, suspicacia que se ha ido filtrando hacia los estamentos inferiores. La crisis no ha estallado porque los ciudadanos de a pie hayan hecho cola en los bancos para recuperar los depósitos; han sido los bancos, al recelar unos de otros, los que la han puesto de manifiesto. Son los Gobiernos, es decir, los responsables de controlar el sistema financiero, sobre cuya solidez hasta hace bien poco no abrigaban la menor duda, los que han puesto en circulación las mayores sospechas, al anunciar garantías crecientes. Mientras no se conozcan las causas, no cabe recobrar la confianza, y no cabe detectarlas dentro de las coordenadas teóricas que imponen las relaciones de poder que se están desmoronando a ojos vistas.

Entretanto sólo nos queda dejar constancia de algunas paradojas. El Gobierno ultraconservador de Estados Unidos ha cometido el mayor crimen que ha venido denunciado en los últimos decenios: la intervención del Estado en la economía de mercado. Reino Unido no sólo estataliza parte de la banca, sino que el país que con mayor ímpetu ha frenado el proceso de integración, para salir del atolladero defiende ahora una política común europea. El precio del petróleo baja a casi un tercio del que tenía hace dos meses sin detener las continuas oscilaciones de las Bolsas en caída libre.

Veinte años después del desplome de la Unión Soviética, Estados Unidos se tambalea, arrastrando consigo el último resto del mundo bilateral que surgió de la gran crisis de los 30. De la actual saldrá una nueva relación de fuerzas, por lo pronto multilateral, con una mayor presencia de Asia, y sobre todo, nuevas teorías sociales y económicas que respondan mejor al mundo que está emergiendo. Mientras tanto, sin saber cómo capear el temporal, nuestros políticos se han quedado sin discurso, dispuestos incluso a recuperar un keynesianismo imposible en un mundo globalizado, conscientes de que en coyunturas que nadie puede ya prever, perderán el poder, o lo obtendrán, según lo señale la rueda de la fortuna.


Ignacio Sotelo es catedrático excedente de Sociología.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A crise e o mundo em descontrole

Com o título "Um mundo em descontrole", postei, há alguns dias, um artigo, publicado no EL PAÍS, de autoria do Professor Daniel Innerarity, da Universidade de Zaragoza. Pois bem, recebi o Ex-Blog do César Maia e nele uma parte do interessante artigo está traduzido para o português. Para facilitar a sua leitura, transcrevo o artigo mais abaixo, alertando sempre que a tradução e organização do artigo é de responsabilidade daquele "ex-blog".


1. A idéia de um mundo interconectado, que nos serviu de lugar comum para designar a realidade da globalização, implica, em princípio, um mundo de responsabilidade limitada, porque não difunde o abertamente irresponsável, sobre o qual não se pode estabelecer nenhum controle e de que ninguém se ocupa.

2. A interconexão significa, por um lado, equilíbrio e contenção mútua, mas também se refere ao contágio, os efeitos em cascata e a amplificação dos desastres, como é o caso da recente crise financeira. O mundo interligado é também esse "mundo atrevido" de que falava Giddens na hora de qualificar os aspectos menos gratos da globalização. No entanto, não sabemos detectar, gestionar e comunicar os riscos globais. A globalização financeira é muito mais frágil do que a comercial.

3. Uma parte dos riscos havia sido dispersa no mercado, de maneira que as instituições financeiras apenas podiam medi-los e estimar seu impacto futuro. Quando o horizonte temporal se estreita e só é levado em conta o interesse mais imediato, é muito difícil evitar que as coisas evoluam catastroficamente. A crise financeira é, em última instância, uma crise de responsabilidade e o procedimento que melhor representou isso foi a extensão dos produtos financeiros, como a titulação (produção das correntes de derivativos), que traduziam a vontade de afastar os riscos até ao infinito, ou seja, aceitar os riscos sem querer assumir suas conseqüências.

4. Tratar-se-ia de algo que poderíamos denominar de "riscos sem riscos". A titulação atuou como um mecanismo global de "irresponsabilização", que disseminava e dissimulava ao mesmo tempo os riscos, tornando opacos os mercados. Este e outros produtos financeiros permitiam evitar ou neutralizar os riscos das operações de empréstimo, transferindo a responsabilidade para os mercados de natureza especulativa. A opacidade dos mercados impedia o controle e tolerava os riscos excessivos, títulos opacos cujos riscos ninguém era capaz de avaliar.

5. A isso se juntaram certas operações de resgate, que serão inevitáveis, mas que não servirão para promover condutas responsáveis. Beneficiaram-se de tais medidas aqueles atores econômicos que podem assumir riscos excessivos sem ter de sofrer as conseqüências das catástrofes em série que sua quebra poderia produzir no resto da economia.

6. Por isso tudo, deve-se limitar a titulação, ou seja, a opacidade dos riscos no mercado de produtos derivados, de maneira a que as dívidas não sejam instrumentos de especulação; responsabilidade dos acionistas, reservando o direito de voto aos que se comprometam de forma estável com a empresa para permitir-lhe conduzir uma verdadeira estratégia; responsabilidade dos Estados, que se devem entender sobre um sistema de paridades estáveis, impedindo, assim, as oscilações violentas de divisas, desconcertantes para os agentes econômicos; e responsabilidade dos bancos centrais.

7. Mas convém não perder de vista que estes compromissos foram conseguidos por meio de uma rede cada vez mais densa de dependências, onde as obrigações perderam visibilidade e nitidez. Ao mesmo tempo, um mundo de crescentes interdependências aumenta também o número de conseqüências das ações que não são fáceis de imputar. Este conjunto de circunstâncias e outras similares justificam a denominação de "irresponsabilidade organizada" (Ulrich Beck) na hora de qualificar nossas sociedades.

(*) Titulação consiste em converter um empréstimo ou um ativo não negociável (participações hipotecárias) num título negociável (bônus denominados hipotecários), etc...

domingo, 23 de novembro de 2008

Um tema fundamental para a NSE: as emoções nas transações econômicas

Uma das possibilidades de desenvolvimento da Nova Sociologia Econômica é investir na análise do papel das emoções nas tomadas de decisões na vida econômica. Se você se interessa por essa temática, aconselho-te a procurar mais informações sobre os trabalhos desenvolvidos pelo cientista social norte-americano Paul DiMaggio.

A “economia da grandeza”: um filão teórico para a análise da globalização

Não raro, as análises sobre a chamada globalização, mesmo aquelas que se pretendem sociológicas, escorregam em duas armadilhas comuns: a denúncia ou o discurso profético. Por isso, o empreendimento sociológico desenvolvido por Luc Boltansky e Laurent Thévenot, centrado na explicitação das gramáticas políticas e dos mundos morais nos quais estão encaixadas as transformações econômicas contemporâneas, é uma alternativa aos lugares-comuns. Unindo pesquisa empírica e refinadas referências teóricas, além de um sofisticado conhecimento filosófico, a “empresa” sociológica dos dois cientistas sociais franceses é um aporte fundamental para os que querem adentrar na seara da análise sociológica da vida econômica. Sem jogar os valores para debaixo do tapete, ou descartá-los como próprios da individualidade ou das normas, como é usual para muitos sociólogos e economistas, Boltansky e Thévenot fazem um exercício radical: tomam os valores que referenciam as práticas para compreender as transações efetuadas entre os atores. A idéia é a de que, especialmente nas disputas desenvolvidos pelos agentes sociais nas mais diversas esferas, estão em jogo valorações de si e dos outros (“grandezas”) que necessitam ser levadas em conta na análise sociológica. Essa “economia da grandeza”, posso afirmar sem medo, é o que há de mais promissor na sociologia contemporânea.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Wallerstein, Obama e a crise.

O Profesor Ivonaldo Neres Leite, meu amigo e ex-colega, ex-professor da UERN, agora da UFPE, manda-me uma dica de link para uma entrevista com Immanuel Wallerstein. Trata-se de um áudio em inglês. Leia o comentário de Ivonaldo:

É uma abordagem, penso eu, equilibrada, realçando limites e possibilidades e, acima de tudo, compromissada com a análise social autônoma, sem ceder aos holofotes ou as modas acadêmicas. O que não é surpresa para aqueles que, como eu, conhecem o seu tour de force analítico de londa data. Tomei contacto com os seus textos a partir do meu interesse por Fernand Braudel, nos anos juvenis, e desde cedo convenci-me que a interpenetração entre história e sociologia não permite disputa corpotativa entre estes dois campos. Mais tarde, frequentei um seminário dele em Coimbra, por ocasião do Relatório da Gulbekian ("Para Abrir as Ciências Sociais"), e não me decepcionei. A menção feita por ele ao Brasil, na entrevsita, creio que seja algo a ter em conta.


Você pode baixar o áudio aqui.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Entrevista com o Belluzzo

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular da UNICAMP e um dos mais antenados analistas da vida econômica brasileira, concedeu entrevista ao site Carta Maior sobre a discussão em torno do corte ou não dos gastos públicos. Essa pauta que a grande mídia quer nos empurrar de qualquer maneira. Acesse aqui a entrevista.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Sobre certeza na era das incertezas

Pesco, na praia do UOL, artigo de Sérgio Malbergier sobre certezas e incertezas diante da crise.

Na era das incertezas, cuidado com as certezas
Por Sérgio Malbergier

A única certeza nessa crise é a incerteza. E a velocidade. E a velocidade estimula respostas rápidas das autoridades. E aí uma marola pode virar um tsunami.

O secretário do Tesouro dos EUA, Hank Paulson, por exemplo, deixou o banco de investimentos Lehman Brothers quebrar, gerando um big bang que abateu de conglomerados russos a bancos suíços, com escalas no balanço da Sadia e sabe-se lá onde mais.

As conexões globais nunca tão intensas e desreguladas disseminam perdas e dúvidas. Ninguém sabe o que está acontecendo nem o que vai acontecer. Com o câmbio. Com o crédito. Com o consumidor. Com o que sobrar do mercado.

Infelizmente, quem mais acertou até aqui foram os pessimistas, especialmente o economista iraniano-turco-israelense-americano Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York e dono da consultoria RGE Monitor.

Em entrevista a Denyse Godoy, publicada no caderno Dinheiro de 7 de Setembro, o profeta do apocalipse falou: "Acho que a previsão de que o Brasil crescerá entre 3% e 3,5% [em 2009] é muito otimista, eu acredito em 2%".

Naquela época, nosso ministro do Otimismo, Guido Mantega, falava de PIBão de até 4,5% no ano que vem.
Vamos torcer para que Mantega, no comando da Fazenda, saiba mais do que Roubini de Nova York. O governo precisará dessa expansão porque está pendurando o país em mais gastos num momento em que a arrecadação deve cair e a necessidade de investimentos, aumentar.

Só um dos pacotes lulistas de aumento salarial ao funcionalismo eleva em estimados R$ 7,6 bilhões as despesas com pessoal neste ano e em R$ 10,7 bilhões em 2009. Já o socorro urgente do governo ao essencial setor da construção civil ainda não chega a R$ 4 bilhões.

Pode faltar ao governo dinheiro para investir ou para manter seu relativo equilíbrio fiscal. Ou ambos. Perdemos valiosos anos na lentidão institucional, para dizer o mínimo, de Brasília. O crédito até recentemente farto que poderia ter ajudado a financiar as imprescindíveis obras de infra-estrutura do PAC sumiu.

Numa era financeira e ideologicamente maluca, quando EUA e Reino Unido lideram intervenções estatais pesadas na economia, é preciso muito mais cuidado e critério com o gasto público. Ele pode ser o único gasto na cidade, e deve atender primeiro às emergências. Não parece ser o caso hoje dos crescentes gastos do governo com pessoal.

Depois de anos de domínio conservador na economia brasileira, justamente seus melhores anos, nossos keynesianos de carteirinha surfam na onda intervencionista importada do Norte. Suas renovadas certezas podem gerar problemas ainda maiores no meio desse furacão de dúvidas.

Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas.
Acesse diretamente o artigo e leia outras colunas do jornalista aqui.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mais um artigo de Ricardo Abramovay.

Ricardo Abramovay, professor da FEA/USP, é um dos cientistas sociais mais criativos deste país. E, não menos importante, consegue se comunicar com o grande público. Escreve regularmente no jornal Valor Econômico. Seus artigos são imperdíveis. E ele, com generosidade, os disponibiliza em sua página. Leia aqui um dos últimos, intitulado "Resistências caem quando lucros aumenta".

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Um blog sobre questões estratégicas para o desenvolvimento

Se você, como eu, já se cansou daquelas caras e bocas dos trabalhos pseudo-acadêmicas sobre desenvolvimento (e, mais particularmente desenvolvimento sustentável) e quer informações e reflexões sobre questões realmente significativas, dou-lhe uma dica de blog: o logística e transportes. Trata-se de um espaço criado pelo engenheiro José Augusto Valente, um cara com uma carreira de mais de 35 anos dedicada à intervenção e ao estudo na área de transportes. Ele foi titular, até recentemente, da Secretária de Política Nacional de Transportes, do Ministério dos Transportes. Acesse o blog aqui.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O mundo não vai acabar, sentencia Maria da Conceição Tavares.

Veja, abaixo, matéria publicada no Magazine Terra. Bom, bom, bom, não está não, mas tá bom. Então, se o mundo não vai acabar, vou aceitar convite do meu amigo Beto Hugo, esquecer o repouso pós-cirurgia, e tomar um bom vinho. Ninguém é de ferro, não é mesmo?


Maria da Conceição: "O mundo não vai acabar"
Diego Salmen

Segundo a economista Maria da Conceição Tavares, o mundo não vai acabar após a rejeição do Congresso norte-americano ao pacote de ajuda econômica. Em entrevista exclusiva a Terra Magazine, Maria da Conceição afirma que a crise vivida pelo capitalismo internacional está restrita, por ora, aos vizinhos do norte e ao continente europeu. E que, por isso, o apocalipse está distante.

- O mundo não vai acabar. A crise até agora está centrada nos Estados Unidos e na Europa.

Nesta terça-feira, 30, os mercados financeiros - Brasil incluso - abriram em alta depois de um conturbado início de semana nos mercados financeiros.

Cenário distinto da segunda-feira, 29, quando a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos rejeitou por 228 votos a 205 um conjunto de medidas econômicas estimado em US$ 700 bilhões para debelar a crise econômica no país. Reação "totalmente eleitoreira", na análise de Maria da Conceição.

Até mesmo os republicanos, partidários do presidente George W. Bush, foram contrários ao pacote. "Ele (George W. Bush) não é uma pessoa nada qualificada, e o que ele diz ou não diz não tem a menor importância", afirma a economista. "Ele efetivamente acabou como líder".

Maria da Conceição salienta que o poder de intervenção do Estado norte-americano não depende exclusivamente da aprovação do pacote de ajuda econômica.

"Em pânico, os caras se preveniram, antes mesmo de o pacote ser votado e do Wachovia (NR: banco que perdeu quase metade do seu valor de mercado em uma semana) ser comprado pelo Citigroup. Quer dizer, estão agindo rápido", diz. "Mas, evidentemente, isso não tira o pânico.

Leia a seguir a entrevista com Maria da Conceição Tavares:

Terra Magazine - O Congresso norte-americano rejeitou o pacote de ajuda econômica para a crise no país. O que deve acontecer agora?
Maria da Conceição Tavares - O mundo não vai acabar. Ontem já ocorreu uma deflação de ativos global, já perderam trilhões de dólares. Agora o Banco Central dos Estados Unidos e o Tesouro emprestaram mais dinheiro, e empurraram o Wachovia - que estava como um banco sólido, mas não está sólido, evidentemente - para o Citigroup. Aliás, os japoneses também entraram na jogada. Na Ásia o pau não foi o mesmo. A crise até agora está centrada nos Estados Unidos e na Europa.

A crise tem um efeito previsto já pelo próprio Karl Marx, de induzir à monopolização do sistema financeiro...
Está cada vez mais centralizado (o sistema financeiro). O fato, o que é óbvio, é que isso aí é uma coisa geográfica. A Ásia não pegou uma porrada tão grande. E os japoneses estão comprando o diabo. São bancos globais, então quando os EUA ficam de calça curta, o Japão, que tem muitas reservas e já superou sua própria crise bancária, vai às compras. Mas por enquanto está nessa gangorra; o que vai acontecer eu não sei. Objetivamente, o Banco Central americano já pôs US$ 450 bi, mais da metade do pacote. Claro, não iam ficar sem fazer nada, né?

Em pânico, os caras se preveniram, antes mesmo de o pacote ser votado e do Wachovia ser comprado pelo Citigroup. Quer dizer, estão agindo rápido. Mas evidentemente isso não tira o pânico.

E postura do presidente George W. Bush?
Ele não é uma pessoa nada qualificada, e o que ele diz ou não diz não tem a menor importância. Porque ele efetivamente acabou como líder e não tem mais política nos Estados Unidos, porque deram o azar de essa crise surgir no período eleitoral. Então a reação do Congresso é totalmente eleitoreira. Todo mundo está convencido de que o pacote é bom para os bancos, o que é verdade, e não resolve nada. Pode resolver, mas talvez não, enfim. É uma medida de emergência, de maneira que o Bush não tem liderança. Os Estados Unidos estão sem liderança política e as instituições bancárias deles estão muito mal. A crise americana é uma crise de mentira, no meu ponto de vista. (Os EUA) Vão pagar o preço. Da outra vez foi o Japão, agora serão eles.

Mudou o eixo...
Há uma multi-polaridade que está se convertendo numa perda cada vez maior da importância do centro americano.

Essa crise é fruto do processo de desregulamentação financeira iniciado na década de 1980, com o Consenso de Washington?
(risos) Claro, claro. Isso é resultado da política, como diz o candidato Obama. Quando se faz uma política desastrosa, o resultado é esse. Não se trata de um terremoto provocado pela natureza, não. O sistema bancário estava tão desregulado e fazia tais barbaridades, que na verdade já se chamavam de shadow banks, bancos das sombras. Eles alimentaram uma moda cheia de arapucas, e agora as arapucas estão atingindo bancos mais sólidos. O Wachovia era um banco comum, banco de depósito. Mas não agüentou. E aí como o Congresso fica paralisado, o Tesouro e o Banco Central tomam providências na hora. Eles estão o tempo inteiro para ver quem vai quebrar e antes que quebre, eles socorrem, está claro? Tanto o socorro global quanto o socorro caso a caso. Como todo dia tem ou dois casos, ou três, ou quatro...e os mercados mais ativos nessa brincadeira são Nova Iorque e Londres, que são os mais desregulados. Hong Kong, Tóquio, Seul não estão correndo riscos. Não é um sistema tão desregulado.

Uma das arapucas seria essa questão da alavancagem? (NR: grau de utilização de empréstimos em determinadas operações) Os bancos norte-americanos podem alavancar mais de dez vezes seu patrimônio líquido...
Dez vezes coisa nenhuma: 12 vezes é a tolerância para banco comercial, o sistema bancário é de 20 a 40 (vezes).

Isso é dinheiro que não existe.
Pois é. Não existe. O sujeito tomou empréstimo e comprou papéis que não existiam.

Terra Magazine

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ainda sobre a crise

Reproduzo, aí abaixo, matéria publicada no Magazine Terra (acesse aqui o site, caso queira ir direto).


É o fim do capitalismo nos Estados Unidos

Pablo Calvi
De Nova Iorque


O pacote de resgate que o governo dos Estados Unidos está preparando, o qual deve disponibilizar entre US$ 750 bilhões e US$ 1 trilhão, já gera dúvidas quanto ao curto prazo, bem como inquietações de cunho mais filosófico. O dinheiro que será injetado no mercado pelo Tesouro americano estará comprometido não apenas com a salvação de entidades financeiras, mas também com a compra de pequenos créditos hipotecários não pagos ou de alto risco - os ditos "papéis podres".

Uma das primeiras e mais importantes teses sobre esta crise foi formulada na semana passada pelo prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz ao assinalar que a intervenção do estado em semelhante escala viola todas as regras do capitalismo.

Segundo explica o professor da Universidade de Columbia, Wall Street, entre a euforia e o otimismo, entrou desde quinta-feira passada num estado de tremenda confusão. Para o intelectual, a "nacionalização" da seguradora AIG - por US$ 85 bilhões - não apenas desrespeita todos os princípios da economia de livre mercado, como altera as mais básicas regras do jogo de Wall Street. Além disso, a intervenção começou a enviar sinais confusos a um mercado em crise, pois o dinheiro do Tesouro foi parar justamente nas mãos daqueles que tomaram as piores decisões econômicas. Basta pensar, por exemplo, numa corrida em que os premiados não são os que primeiros que cruzam a linha de chegada, mas aqueles que ficaram pelo caminho.

Claro, os que seriam os perdedores naturais desta investida capitalista, Merril Lynch, AIG, Fannie Mae, Freddie Mac, terminaram, no final das contas, como os vencedores num esquema de mercado distorcido pela mão do Estado. As ações da AIG, por exemplo, que entre segunda-feira e terça-feira da semana passada cairam 94%, fecharam a semana com ganhos recorde após a primeira intervenção do governo.

A esta altura, como salienta o brilhante economista Paul Krugman em sua coluna no New York Times, "ninguém acredita que o Estado seja um problema, pelo contrário, o vêem como solução". Até mesmo Paul Volker, ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) assegura num editorial publicado pelo Wall Street Journal que a única solução para a crise é a criação de um ente estatal que se incumba das massivas perdas do setor financeiro. Porém, claro, com a crise e a intervenção estatal em Wall Street, o governo ultra-conservador de Geroge W. Bush e muitos dos defensores mais ferrenhos do capitalismo ortodoxo tiveram que começar a pôr fogo em suas bibliotecas.

"Perseguindo o próprio interesse, o capitalista geralmente promove também os interesses da sociedade de forma muito mais efetiva que se de fato tentasse oferecer à sociedade algum tipo de benefício", escreve Adam Smith em sua célebre obra, "A Riqueza das Nações" (1776). Segundo o primeiro e mais citado dos teóricos do capitalismo, as sociedades e os mercados operam melhor quanto mais egoístas são as intenções de seus agentes econômicos. O egoísmo coletivo, que Smith compara a uma "mão invisível", é para o filósofo inglês o agente de controle mais efetivo que age não apenas nos mercados, mas também nas economias em todos seus múltiplos níveis. Claro que a realidade é muitas vezes mais rica que a teoria.

Quinta-feira passada, numa sucinta apresentação perante a imprensa, o presidente Bush disse que o Estado se via na obrigação de intervir excepcionalmente num mercado em plena crise. "Foi a cobiça de Wall Street que nos levou a este extremo", justificava, sem meias palavras, o candidato republicano John McCain num encontro partidário em Michigan. "O que entrou em crise com a o desabamento de Wall Street foi a filosofia política deste governo e de muitos outros anteriores", declarou, na Flórida, o candidato democrata Barack Obama.

Passaram muito ao largo da coluna de Krugman as recomendações do magnata bancário Andrew Mellon ao trigésimo primeiro presidente dos Estados Unidos, Herbert Hoover: "Se desfaça dos funcionários públicos, se desfaça do estoque, das terras e das propriedades do Estado". Aquelas sugestões desembocaram na crise financeira dos anos 30 e foram a causa de um novo pacto social, o New Deal de Franklin Delano Roosevelt. A pergunta é: quão distante do capitalismo ortodoxo nos deixará o novo pacote econômico? Ou, imaginando as palavras de um investidor aterrorizado: terminou para sempre a era do capitalismo selvagem dos Estados Unidos?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

As eleições municipais no Brasil: a análise do jornalismo econômico inglês

Não deixa de ser interessante saber como os outros nos vêem. Por isso mesmo, coloco aí abaixo uma análise das eleições municipais de outubro publicada por site inglês dedicado ao jornalismo econômico.

Political alliances in Brazil
Published: 23 September, 2008
The campaign for Brazil’s October 5th 2008 municipal elections has dominated the political scene in recent months. Some 5,560 municipalities will vote for mayors and local assemblies, and, although local issues have gotten the most attention in the campaign, the outcome of the contests will have wider implications for the 2010 presidential election. In many cases the network of political alliances built now will be replicated nationally in two years’ time.

The most important municipal race is in São Paulo, Brazil’s largest city and financial capital, where a former mayor, Marta Suplicy (2001-04), from the ruling Partido dos Trabalhadores (PT), took an early lead in the opinion polls.

Ms Suplicy left the city hall with record levels of unpopularity less than four years ago. She has since staged a remarkable political comeback, benefiting from the huge popularity of the president, Luiz Inácio Lula da Silva, whereas the opposition has failed to present a united front. The Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Brazil’s main opposition party, is split between its own candidate, Geraldo Alckmin, a former governor of São Paulo state, and the incumbent mayor, Gilberto Kassab, from the right-wing Democratas. Mr Kassab has the support of the current PSDB governor of São Paulo and presidential hopeful, José Serra.

According to recent polls, Ms Suplicy is leading with around 40% of voting intentions. Mr Alckmin, who was in second place, has lost some ground to Mr Kassab and they are in a virtual tie now with around 20% of voting intentions each. An electoral triumph in São Paulo would further strengthen the ruling PT. It would also boost Ms Suplicy’s profile within the party, increasing her chances of being chosen the presidential candidate for 2010 (which would, nonetheless, force her to resign the mayorship).

Alliancein Belo Horizonte

In Belo Horizonte, capital of Minas Gerais (another important Brazilian state), the PT and the PSDB have joined forces behind a left-wing candidate belonging to a third party, the Partido Socialista Brasileiro (PSB), Márcio Lacerda. Mr Lacerda is supported by both the incumbent PT mayor, José Pimentel, and the current PSDB state governor, Aécio Neves, who is another presidential hopeful.

After a slow start in the opinion polls, Mr Lacerda’s fortunes have rapidly improved as the electoral campaign has intensified and he is now leading the polls with around 40% of voters’ intentions. The PT-PSDB alliance in Belo Horizonte, which has caused some discomfort among some local PT officials, has been widely seen as an astute tactical move by Mr Neves, which, if successful, can boost his chances of gaining his party’s presidential nomination for 2010.

Fast forward to 2010

So far the PT has failed to come up with a strong possible successor to Lula, who is constitutionally barred from seeking a third consecutive term. There is no clear contender despite the various factors that would work in favour of keeping the PT in the presidential office. These include, besides Lula’s own popularity, the solid performance of Brazil’s economy and the government’s popular income-redistribution programmes.

Among the potential PT candidates is Lula’s chief of staff, Dilma Rousseff, whom the president has implied might be his preferred successor. An influential figure within the administration, Ms Rousseff co-ordinates the cabinet and is in charge of executing the many infrastructure projects in the flagship Programa de Aceleração do Crescimento (PAC, growth-acceleration programme). She is taking an active part in the local electoral campaign in order to boost her political profile.

The Economist Intelligence Unit currently expects the ruling PT to increase its share of mayorships on October 5th, on the back of Lula’s record popularity. (Where needed, a second-round vote will be held on October 26th.) A good performance for the PT will increase the incentive for the Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Brazil’s largest party, to remain in the government’s camp and seek an alliance with it for 2010.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Avner Greif. Preste atenção nesse nome.

Há pouco mais de um ano, entrei em contato com a extraordinária obra de Avner Greif. Professor do Departamento de Economia da Stanford University, este historiador econômico tem produzido uma obra que fornece importantes aportes para pensar as transações econômicas em situações de incerteza, como é o caso do intercâmbio nos mercados ilegais.

Ricardo Abramovay, que entende das coisas, disse-me que aposta as suas fichas no Greif para um Nobel em Economia. Se você entrar em contato com o obra dele, talvez, passe a achar o mesmo.

Sem descurar de uma apurada investigação histórica, e nem se desviar para uma leitura pobremente funcionalista, Greif mobiliza a teoria dos jogos para construir um modelo razoavelmente convincente a respeito do desenvolvimento institucional distinto no Magreb e nas cidades comerciais italianas nos século X e XI. A questão que Greif toma como ponto de partida é: como é possível o cumprimento dos contratos na vida econômica em um contexto no qual as separações espaciais fornecem poucas garantias aos agentes? Obviamente, para o “raciocínio sociológico” dominante (mesmo na Nova Sociologia Econômica), esta é uma questão tão curtida nos barris do institucionalismo econômico que é difícil de ser facilmente assimilada.

Bom. Não vou encher você com sociologuês ou com economês. Tenho um artigo aprovado pela revista sociologias no qual trato, com mais cuidado, da importância da obra do Greif para os estudos sociológicos de situações de incerteza (meu foco, como você sabe, é o crime organizado). Quando o artigo for publicado, colocarei um link para o mesmo. Por enquanto, faço questão de indicar-lhe uma visita à página do Avner Greif na Stanford. Por que? Porque ele faz uma coisa fantástica: disponibiliza, nessa página o acesso gratuito à boa parte de sua produção, inclusive alguns livros, os quais comentarei em outra oportunidade. Acesse aqui (toda a produção está em inglês). Logo postarei um link para um artigo dele em espanhol.

Na página dele, você vai encontrar o curriculum (em PDF). Para uma informação rápida, acesse aqui.

Quer mais? Assista, abaixo, um vídeo com uma rápida intervenção de Greif.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Uma ótima publicação eletrônica sobre sociologia econômica.

O economic sociology - the european eletronic newsletter, de longe, é a melhor publicação disponível na rede sobre sociologia econômica (em inglês). Nela você vai encontrar artigos dos principais nomes do "movimento teórico". Todos os números publicados estão disponíveis. Vale a pena acessar.