quinta-feira, 30 de abril de 2009

A doença de Dilma e a guerra da sucessão presidencial

No seu blog, o Alon Feuerwecker transcreve artigo de sua autoria publicado no jornal Correio Brasiliense. No texto, uma análise sóbria a respeito do cenário que se descortina para as eleições presidenciais de 2010, especialmente após a divulgação de que a Ministra Dilma, presidenciável do PT e de Lula, está realizando tratamento médico de um câncer. Leia-o aqui.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Keynes e Marx, segundo Delfim.

Os artigos de autoria de Delfim Neto são sempre criativos e polêmicos. Leia aqui um artigo, publicado na Folha de São Paulo, no qual ele analisa a incoproração das idéias dos mestres pelos seus supostos discipulos.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Hobsbawn analisa a ascensão do mercado e o fracasso do socialismo



Acesse aqui interessante artigo de autoria do historiador inglês Eric Hobsbwan.

Sobre o bate-boca no STF

O áspero diálogo e a opinião das ruas
Mauro Santayana*
Publicado no Jornal do Brasil

O diálogo entre o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa, tal como divulgado pelos jornais, não deixa dúvida. Quem tomou a iniciativa da agressão, ao afirmar que o outro não tinha “condições de dar lição a ninguém”, foi o presidente da Corte. O ministro Joaquim Barbosa, tocado em sua dignidade, replicou à altura e, ao fazê-lo, disse o que provavelmente a maioria dos brasileiros gostaria de dizer: o ministro Gilmar Mendes tem contribuído para desacreditar o Poder Judiciário no Brasil.

O presidente do STF, interrompida a reunião, deveria ter deixado seus pares à vontade para examinar o incidente, como fez Joaquim Barbosa, ao ir para casa. Gilmar, ao reunir os colegas em seu próprio gabinete, constrangeu-os com a sua presença. E se não fosse, conforme o noticiário de ontem, a posição da ministra Cármem Lúcia e dos ministros Ricardo Lewandowski e Ayres Britto, Gilmar deles teria obtido manifestação de repúdio a Joaquim Barbosa.
O incidente de quarta-feira reabre a necessária discussão sobre o processo de escolha dos juízes do STF. Selecionado por ato presidencial, o candidato é aprovado ou reprovado pelo Senado – mas não há notícia, no Brasil, de que alguém tenha sido rejeitado. Um juiz do STF dispõe de tal poder que seria necessária outra legitimidade, além da escolha presidencial e da aprovação do Senado, para a sua nomeação.

O Senado norte-americano é mais cuidadoso na aprovação dos candidatos à Suprema Corte, e a imprensa, consciente de sua responsabilidade, os submete ao escrutínio da opinião pública. Um grande jurista conservador, Robert Bork, indicado por Reagan, em 1987, foi rejeitado (58 votos a 42), depois de ampla discussão pública, em que intervieram contra seu nome a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e personalidades destacadas, como o ator Gregory Peck. Defensor declarado dos trustes, Bork foi contestado também pelas outras posições conservadoras. Edward Kennedy o arrasou em discurso no Senado. A América de Bork – disse Kennedy – será aquela em que a polícia arrombará as portas dos cidadãos à meia-noite, os escritores e artistas serão censurados, os negros atendidos em balcões separados e a teoria da evolução proscrita das escolas.

A discussão sobre Bork – que havia sido cúmplice de Nixon no caso Watergate – levou o senador Joe Biden, hoje vice-presidente de Obama e então presidente do Comitê Judiciário daquela casa, a recomendar a rejeição de seu nome. O Biden Report foi aceito pelo Plenário, e Bork não foi aprovado. O caso foi tão emblemático que to bork passou a ser verbo.

Mais tarde, em outubro de 1991, o juiz Clarence Thomas por pouco não foi rejeitado, por sua conduta pessoal. Aos 43 anos, ele foi acusado de assédio sexual – mas os senadores, embora com pequena margem a favor (52 votos a 48), o aprovaram, sob o argumento de que seu comportamento não o impedia de julgar com equidade. Na forte campanha contra sua indicação as associações femininas se destacaram. E o verbo “borquear” foi usado por Florynce Kennedy, com a sua palavra de ordem “we’re going to bork him”.

A indicação do ministro Gilmar Mendes, como se recorda, foi contestada por juristas e alguns jornalistas. O jurista Dalmo Dallari foi incisivo: “Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. E lembrou que Gilmar recomendara ao Poder Executivo desrespeitar decisões judiciais.

Os fatos estão demonstrando que Dallari tinha razão. A normalidade constitucional está ameaçada pelos atos autoritários do presidente do STF, que, com arrogância, dita normas aos outros dois poderes da República e não tem sido devidamente contido por eles, que aceitaram firmar um Pacto republicano proposto pelo juiz. Pacto republicano é o da Constituição.
Gilmar foi membro do gabinete de Fernando Collor. Advogado-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso, criticou o STF e se comprometeu na redação de medidas provisórias discutíveis. Sua aprovação tampouco foi fácil: teve 15 votos contrários, a maior rejeição registrada em indicações semelhantes.

Enquanto não houver critérios mais democráticos para a aprovação de indicados ao STF, o Senado deverá, pelo menos, ouvir a opinião da sociedade em audiências públicas, como faz antes de outras decisões.

* Mauro Santayana é jornalista.

O fluxo do tráfego aéreo e a gripe

No vídeo abaixo, uma simulação do tráfego aéreo global. Serve como referência para pensar sobre as possibilidades de disseminação de vírus e outras doenças.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A força de um documentário

Você já ouviu falar de Artavazd Pelechian? Acredito que sim! Se não, saiba que ele nasceu 1938, na Armênia, quando o país era parte da antiga União Soviética, e foi um dos principais expoentes do chamado cinema soviético. Sua obra foi admirada por (e fonte de inspiração para) importantes diretores ocidentais, dentre eles Godard.

Pelechian reside em Moscou e é, com justiça, considerado por muitos especialistas como um dos maiores documentaristas cinematográficos da vida cotidiana. O documentário “O fim” (1991), por exemplo, é uma obra magistral. O diretor filmou-o com uma câmera no ombro. Dentro de um trem que ia de Moscou para Erevan, na sua Armênia. Confira-o abaixo.


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Vídeo histórico com comício de Prestes e Neruda

Assista, abaixo, vídeo sobre comício histórico do PCdoB, com Neruda e Prestes, em 1945. É de um tempo de antes da televisão. Fantástico!


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pai dá Maranhão para a filha.

A política brasileira está se tornando pornográfica. Veja o que aconteceu, recentemente, com a vitória, no tapetão, do saneysismo, essa vanguarda do atraso brasileiro. Papai Sarney, Senador do Amapá, que tem o judiciário sob controle, deu o Maranhão para a sua filha, a Roseane. Apeado do governo o veterano militante trabalhista Jackson Lago.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ainda sobre corrupção... intelectual.

Leia, mais abaixo, matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo sobre a ingerência da CIA na vida cultural da segunda metade do século XX.

Corrupção intelectual
Em Quem Pagou a Conta?, a pesquisadora Frances Stonor Saunders detalha como a CIA financiou artistas para combater o comunismo durante o pós-guerra.

Ubiratan Brasil

A excursão de Louis Armstrong e Duke Ellington pela União Soviética e Leste Europeu, nos anos 1950; as revistas Encounter, Kenyon Review, New Leader e Partisan Review, todas seguidoras da esquerda democrática; a dificuldade do poeta chileno Pablo Neruda em ganhar o Nobel de Literatura - o que fatos tão distintos têm em comum? Uma participação secreta mas eficiente da Agência Central de Inteligência dos EUA, a CIA. Entre 1950 e 67, durante o auge da Guerra Fria, a agência investiu vastos recursos em um projeto com a intenção de afastar a intelectualidade, especialmente européia, de seu fascínio remanescente pelo marxismo e comunismo, buscando atraí-la para uma visão mais receptiva do “estilo norte-americano”.

Assim, a CIA financiou apresentações de Armstrong e Ellington em terras comunistas disposta a erradicar a suspeita de que americanos eram racistas; garantiu o borderô daquelas revistas influentes para que divulgassem o estilo mais eficaz de propaganda, ou seja, aquele em que “o sujeito se move na direção que você deseja por razões que acredita serem dele”; e eliminou qualquer possibilidade de intelectuais contrários a essa doutrina receberem prêmios merecidos por sua obra - como o Nobel para Neruda. “Gostassem ou não, soubessem ou não, poucos foram os intelectuais da Europa do pós-guerra que não se ligaram de algum modo a essa iniciativa secreta”, observa, em entrevista ao Estado, a historiadora inglesa Frances Stonor Saunders, que pesquisou a ação da CIA na cultura para escrever Quem Pagou a Conta?, livro recentemente lançado pela Record (560 páginas, R$ 68).

Trata-se do fruto de um trabalho árduo, que consumiu vários anos. Até ver a obra publicada em 1999, Frances enfrentou a dificuldade imposta pela CIA para liberar o acesso a seus documentos. “Enviei um primeiro pedido em 1992 do qual não tive resposta até hoje. No segundo, fui informada que o custo total para a liberação dos documentos seria de aproximadamente US$ 30 mil. E o responsável por essa liberação me confidenciou que, mesmo assim, as chances de eu ter acesso aos papéis eram praticamente zero.”

Frances sabia que cutucava um vespeiro, mas se aproveitou dos arquivos da iniciativa privada - instituições filantrópicas, como a Fundação Ford e a Rockefeller, aceitaram financiamentos da CIA, assim como outras organizações testas-de-ferro, criadas para oferecer a face em relação a contas e registros - para encorpar seu trabalho. Era o caminho aberto para descobrir que a agência de inteligência ocultava seu financiamento na cultura atrás de uma série de frentes de atuação.

O componente central da campanha foi o Congresso pela Liberdade Cultural, dirigido por Michael Josselson, um agente da CIA, entre 1950 e 67. Em seu apogeu, segundo a autora, o Congresso tinha escritórios em 35 países, empregava dezenas de pessoas, publicava mais de 20 revistas prestigiosas, realizava exposições artísticas, contava com um serviço de notícias e reportagens, organizava conferências internacionais amplamente divulgadas e recompensava músicos e artistas com premiações e apresentações públicas. “Não tenho notícia de uma ação específica no Brasil”, responde Frances à pergunta do Estado. “Infelizmente, como não leio em português, não pude me aprofundar nas ramificações latinas da CIA. Mas, ainda que indiretamente, tal ação pôde ser sentida nessa região.”

A intenção da agência de inteligência era vacinar o mundo contra o contágio do comunismo e facilitar a aceitação dos interesses americanos na política de outros países. A lista de pessoas cooptadas, segundo Frances, era imensa: entre outros, destacavam-se Isaiah Berlin, Hannah Arendt, Mary McCarthy, Arthur Koestler, Raymond Aron e George Orwell. Deste, Frances conta como foi modificado o fim da adaptação em desenho animado de A Revolução dos Bichos.

Foi pouco depois da morte de Orwell, em 1950 - os direitos foram cedidos pela viúva a uma empresa inglesa e o roteiro foi minuciosamente examinado pela Diretoria de Estratégia Psicológica da CIA, que concluiu ser o final nebuloso demais. Os problemas foram resolvidos com uma modificação no roteiro. No texto original, os porcos comunistas e os homens capitalistas formam uma mesma massa na podridão. “Quem viu o filme assistiu a uma conclusão diferente, em que permaneceram apenas os porcos, incitando os outros animais a invadirem a fazenda”, comenta Frances. “A fusão da corrupção comunista com a decadência capitalista foi desfeita.”

Outro tema de grande destaque tratado em Quem Pagou a Conta? é o apoio financeiro da CIA na divulgação da obra de pintores expressionistas abstratos. O que a agência via de produtivo no expressionismo era sua aposta na liberdade de expressão. “Sendo não figurativo e politicamente silencioso, ele era a própria antítese do realismo socialista”, observa a autora. Com isso, diversas exposições foram organizadas, críticos de arte foram mobilizados e inúmeras revistas especializadas foram inundadas com artigos valorizando esse tipo de arte. “O expressionismo tornou-se uma poderosa arma na Guerra Fria cultural.”

E quem se elevou como principal representante foi o pintor Jackson Pollock - encarnação da virilidade (eterno objetivo americano), ele usava uma técnica conhecida como pintura de ação, que envolvia deitar uma imensa tela no chão e derramar tinta sobre ela. “No nó extravagante e aleatório das linhas que se entremeavam pela tela e ultrapassavam as bordas, ele parecia empenhar-se no ato de redescobrir a América”, escreve Frances.O financiamento da CIA continuou até 1967, quando o jornal New York Times publicou uma série de artigos revelando tal estratégia. Intelectuais envolvidos reagiram raivosos, negando participação. Um membro da própria CIA, no entanto, Tom Braden, não só confirmou como detalhou como cada um recebia seu salário.

As ciências sociais francesas comeram na mão da CIA

A Professora Julie Cavignac, do Departamento de Antropologia da UFRN, enviou-me uma mensagem com um link para um artigo publicado no site francês http://www.voltairenet.org/. O artigo trata da, digamos, flexibilidade política e ideológica de uma plêiade de intelectuais franceses das ciências socias. Eles teriam, como vou dizer?, sido bancados pela CIA. Encontrei tradução de parte do artigo site resistir. Transcrevo abaixo. Vale a pena conferir!

As ciências sociais francesas
& as injecções de dinheiro da CIA

por Bertrand Chavaux


Desde os começos da Guerra Fria, a CIA tem tido a preocupação de assumir o controle do ensino das ciências sociais em França para subtraí-lo à influência dos comunistas. Apoiando-se no físico Pierre Auger, então director do ensino superior, a Agência promoveu a criação de uma nova secção na Escola Prática de Altos Estudos, à margem do CNRS. Depois, financiou novas instalações, a Casa das Ciências do Homem, e conseguiu, em 1975, transformá-la na École des hautes études en sciences sociales (EHESS), presidida pelo historiador anticomunista François Furet.

A história oficial da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais (EHESS), escrita por François Furet e seus fiéis, insiste no percurso que teria permitido à instituição emancipar-se da influência dos seus mecenas estado-unidenses.

A escola, resultado de meio século de ingerência cultural estado-unidense, foi criada graças a créditos distribuídos, durante a Guerra Fria, pelas fundações Ford e Rockefeller. Apesar das suas origens diplomáticas, a instituição teria sabido “ultrapassar a ideia que a criou”, renovando “uma disciplina (a História) nas antigas tradições europeias” [1] e, tornando-se assim, segundo esta versão oficial, um pólo intelectual independente, liberto dos constrangimentos impostos pelos mecenas.

Tal tese, destinada a fazer face a possíveis acusações [2] , encobre os objectivos políticos e culturais ligados à criação da EHESS. Este controle da escola pelos historiadores, longe de exprimir qualquer emancipação da instituição, esclarece as opções estratégicas da Fundação Rockefeller, que, a partir dos anos 50, faz da História um dos instrumentos privilegiados da diplomacia cultural estadunidense.

A INSTRUMENTALIZAÇÃO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS SEGUNDO ROCKEFELLER

A partir de 1901, John D. Rockefeller (1839-1937), seguindo os conselhos do seu amigo Frederik Gates, um pastor baptista, investiu uma parte da sua colossal fortuna no financiamento de projectos filantrópicos. Assim, cria em Nova Iorque, em 1901, o Rockefeller Institute of Medical Research (que se torna em 1965 a Rockefeller University), depois, em 1902, o General Education Board e, em 1909, a Rockefeller Sanitary Commission. Estas acções viradas para a medicina e a educação levam à criação da Fundação Rockefeller. A história oficial retém apenas a vontade de “promover o bem-estar da Humanidade”, inspirada nas ideias de Andrew Carnegie que, em 1889, publica O Evangelho da Riqueza . Na realidade, a Fundação Rockefeller foi essencialmente um meio de contornar as leis “antitrusts”. Em 1911, a Standard Oil é fragmentada em várias filiais. Supostamente, esta decisão política poria fim ao monopólio que a companhia detinha nos mercados estado-unidenses do petróleo. Desde 1910, John D. Rockefeller propõe o projecto de uma Fundação, “ sob a protecção do Congresso ”, que é criada em 1913. Tal cobertura permite à família Rockefeller controlar as diferentes filiais resultantes da fragmentação ordenada pelo Tribunal Supremo em 1911. A Fundação, por exemplo, possui sozinha três milhões de acções da Standard Oil de New Jersey, a primeira empresa petrolífera do mercado.

As actividades filantrópicas da Fundação estão frequentemente ligadas aos interesses económicos e sociais da família Rockefeller [3] . Assim sendo, as ciências sociais são consideradas como um instrumento de controle social, uma aposta cultural na luta contra o socialismo. A finais de 1913, uma greve de vários meses numa filial da Standard Oil acabou, em 20 de Abril de 1914, no massacre de Ludlow, um dos episódios mais trágicos da repressão da classe operária estado-unidense.

A Fundação havia tentado estudar o movimento no quadro de um inquérito sobre as “ relações industriais ” para melhor poder canalizá-lo. Fiel a esta concepção instrumentalista das ciências sociais, a Fundação favorece, nos Estados Unidos, o seu desenvolvimento em diferentes universidades (Yale, Harvard, Chicago, Columbia) e, na Europa, assegura uma grande parte do financiamento de organismos como a London School of Economics que acolhe economistas comprometidos com a Société du Mont-Pèlerin [4] (nomeadamente Fredrich von Hayek e o seu mestre Ludwig von Mises) e, em Berlim, a Deutsche Hochschule für Politik. Estes centros intelectuais servirão, na altura da Guerra Fria, de bases europeias aos ideólogos anticomunistas financiados pelos Estados Unidos (Congrès pour la Liberté de la Culture, Société du Mont-Pèlerin...).

A FUNDAÇÃO ROCKEFELLER EM FRANÇA

Em 1917, a Fundação Laura Spellman Rockefeller (do nome da mulher do patriarca) instala-se em Paris no quadro de um programa de luta contra a tuberculose. Nessa época, em França, o financiamento privado das ciências sociais é uma prática muito marginal. Só Ernest Lavisse, director da Escola Normal Superior (ENS) de 1906 a 1919, tenta a experiência do mecenato, criando, com a ajuda de um rico banqueiro, Albert Kahn, na rua Ulm, o Comité Nacional de Estudos Sociais e Políticos (CNESP). O CNESP, oficializado pelo sucessor de Ernest Lavisse na ENS, Gustave Lanson, torna-se o “Centro de Documentação Social”, organismo dirigido por Célestin Bouglé, onde jovens investigadores iniciam a sua carreira.

Em 1931, a Fundação Rockefeller responde favoravelmente aos pedidos de financiamento de Charles Rist, professor de economia, vice-governador do Banco de França, que pretende criar um Instituto Científico de Investigações Económicas e Sociais. Ao mesmo tempo, a organização filantrópica recusa-se a apoiar um projecto mais ambicioso de Marcel Mauss. Preocupada já com a situação política francesa, a Fundação Rockefeller considera Mauss, sobrinho do sociólogo Emile Durkheim, “ muito à esquerda ”. Em 1932, o Centro de Documentação Social consegue créditos para financiar dois postos de investigador a tempo inteiro. Raymond Aron e Georges Friedman [5] serão, durante certo tempo, titulares desses postos.

De 1933 a 1940, o Instituto Científico de Investigações Económicas e Sociais, dirigido por Charles Rist, recebe 350 000 dólares; o Conselho Universitário da Investigação Social, presidido pelo reitor Charléty, 166 000 dólares; o Centro de Estudos de Política Externa, um outro organismo dirigido pelo reitor Charléty, 172 000 dólares.

Durante a Segunda Guerra Mundial, membros das fundações Ford e Rockefeller organizam o exílio do sociólogo Gurvitch, do antropólogo Lévi-Strauss e do físico Auger. Georges Gurvitch cria em Nova Iorque um instituto de sociologia. Em França, nas instalações da Fundação Rockefeller, alguns investigadores, entre os quais Jean Stoetzel [6] , continuam os seus trabalhos no seio de um organismo criado pelo regime de Vichy, a Fundação Alexis Carrel (do nome de um biólogo, Pémio Nobel em 1912, reputado pelas suas teses eugenistas) [7] .

DA 6ª SECÇÃO À CASA DAS CIÊNCIAS DO HOMEM

Em Junho de 1948, o Conselho Nacional de Segurança formaliza a criação da rede de ingerência anticomunista dos Estados Unidos nos estados aliados, o staybehind [8] . Aquando das reuniões preparatórias, John D. Rockefeller III apresenta a sua Fundação como mais apta que a organização do Plano Marshall para intervir em certos meios universitários onde dispõe de antigos contactos e onde age de novo, não obtendo luz verde senão para determinados alvos.

Ele já havia lançado na Áustria um “ Plano Marshall do Espírito ”, particularmente com o seminário de estudos americanos de Salzbourg, dirigido por Clemens Heller. A Fundação volta-se naturalmente para os intelectuais franceses, que há muito patrocina. Pierre Auger foi nomeado Director do Ensino Superior logo no seu regresso a França em 1945.

Durante a guerra, ele tinha ensinado, primeiro, na Universidade de Chicago, onde descobrira um departamento de Ciências Sociais dinâmico que servia de base aos neoconservadores [9] .

Depois, participara nos trabalhos da bomba atómica com britânicos e canadianos. Nas suas novas funções, ele enfrentou-se, no controle do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) com a obstrução do Prémio Nobel Frédéric Joliot, comunista e pacifista, que se opunha à bomba. Elaborou, então, o projecto de tirar ao CNRS, por um lado, o Centro de Energia Atómica (CEA) e, por outro lado, um pólo de Ciências Sociais, que devia ficar ligado à Escola Prática de Altos Estudos (EPHE) [10] , com o qual teria constituído a 6ª Secção. Para animar esse pólo, escolheu intelectuais do grupo dos Annales [11] (Morazé, Friedmann, Braudel, Labrousse, Le Bras...).

E lá está a Fundação Rockefeller, evidentemente, para financiar esta experiência, quando em França apenas os institutos privados recorriam habitualmente ao mecenato privado.

Foram estabelecidos contactos prévios por intermédio de Claude Lévi-Strauss, na altura adido cultural da embaixada de França em Washington, depois por Charles Morazé, que se encontra com John Marshall [12] na primeira conferência da UNESCO, verdadeiro espaço de recrutamento para a constituição de redes pro-Estados Unidos na Europa. Charles Morazé, professor de História, colaborador dos Annales , membro da Fundação Nacional das Ciências Políticas, dispõe de todas as características políticas e intelectuais requeridas pela Fundação Rockefeller. Ele torna-se um dos actores-chave da criação da 6ª Secção, cujo primeiro conselho teve lugar em 1948. Um quarto dos fundos provém da Fundação Rockefeller [13] . No contexto ideológico da Guerra Fria, as organizações filantrópicas servem de biombo a operações de intervenção cultural, por vezes directamente conduzidas pelos serviços secretos dos Estados Unidos. Assim, em 1950, membros da CIA permitem a criação, em Berlim, do Congresso para a Liberdade da Cultura, organização que agrupa intelectuais hostis ao comunismo [14] . Durante 17 anos, a CIA mascara as origens do seu financiamento, utilizando a Fundação Ford. Em 1952, a Fundação Rockefeller entra com 4 500 000 francos para que Febvre e Morazé prossigam na organização da 6ª Secção.

Em 1945, graças a Clemens Heller [15] , agora instalado em Paris, a 6ª Secção obtém novos créditos a fim de organizar um programa de estudos por “ áreas culturais ” [16] .

Em 1959, é a Fundação Ford [17] que intervém por sua vez: financia maciçamente os trabalhos de Pierre Auger, a começar pelo Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), depois entregando um milhão de dólares para a construção de uma Casa das Ciências do Homem, que possa albergar a 6ª Secção da Escola Prática de Altos Estudos e facilitar o seu desenvolvimento [18] .

Acabada a construção definitiva dessa Casa, a 6ª Secção aspira a autonomizar-se definitivamente. O decreto de 23 de Janeiro de 1975 cria oficialmente a Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais (EHESS), instituição à margem da universidade francesa, que vai acolher inúmeros ideólogos pró-estado-unidenses. Desde 1977, François Furet, historiador anticomunista, torna-se o seu presidente. Recruta, assim, o seu amigo Pierre Rosanvallon, com quem, anos mais tarde, lançará a Fundação Saint-Simon [19] . Em 1980, Furet cria um Centro de Estudos Norte-Americanos no seio da Escola. Resultado de um longo processo de ingerência cultural estado-unidense, a EHESS é uma instituição híbrida, financiada simultaneamente pelo Estado dos Estados Unidos (bolsas Fulbright) e pela Fundação Franco-Americana de Nova Iorque [20] , uma nova cobertura da CIA criada expressamente em 1976.

NOTAS
[1] Brigitte Mazon, Histoire de l'École des hautes études en sciences sociales, Le rôle du mécénat américain (1920 – 1960) , Cerf. Tese de Brigitte Mazon sob a direcção de François Furet, presidente da EHESS de 1977 a 1985.
[2] « La richesse est suspecte. Et l'argent américain suscite des amalgames : on y voit la « main de l'étranger », on soupçonne l'impérialisme, on accuse la CIA ». Ibid, p. 13.
[3] A Fundação Rockefeller também financia organizações, como a Population Council, encarregadas de pôr em prática políticas de limitação dos nascimentos.
[4] Hayek é nomeado professor na London School of Economics em 1931. «Friedrich von Hayek, pape de l'ultra-libérisme», Voltaire , 4 de Março de 2004.
[5] Georges Friedmann (1902 – 1977), professor de filosofia de origem burguesa, torna-se, a partir dos anos 20, especialista pseudo-marxista da condição operária e dos problemas ligados ao progresso técnico («a mecanização»). Contrariamente aos filósofos de entre as duas guerras (Politzer, Nizan, Aron, Lefebvre), a especulação filosófica parece-lhe insuficiente. Segundo ele, o estudo da classe operária requer um trabalho empírico (mais próximo do jornalismo do que da investigação sociológica no terreno). Em 1925, visita as fábricas da Toscânia, reunindo testemunhos de operários. A recolha de dados, em França, nos Estados Unidos e União Soviética, alimenta o seu inquérito acerca da organização do trabalho industrial, realizado no quadro do Centro de Documentação Social da Escola Normal Superior, dirigido por Célestin Bouglé.
[6] Jean Stoetzel, discípulo de Lazarsfeld, é o fundador do IFOP, o primeiro instituto francês de sondagens. Ele contribuiu, ao arrepio da tradição francesa representada por Emile Durkheim, para a importação dos métodos da sociologia empírica estado-unidense.
[7] Alexis Carrel foi membro da conspiração de “La Cagoule”. Faz parte do comité executivo animado por Coutrot do Centro de Estudos dos Problemas Humanos, de que Georges Friedmann é um dos conselheiros. Também é membro do Conselho Geral do Centro Francês de Síntese, grupo sediado em Vichy, sob a protecção de Philippe Pétain.
[8] « Stay-behind: les réseaux d'ingérence américains » por Thierry Meyssan, Voltaire , 20 de Agosto de 2001.
[9] Este departamento será financiado em breve pela Fundação Olin e acolherá François Furet nos anos 80.
[10] A EPHE é fundada em 1868 por Victor Duruy, então ministro da Instrução Pública. Vários projectos que visavam criar uma 6ª Secção (projecto Mauss, projecto Tabouriech) fracassam por falta de créditos suficientes.
[11] A escola dos Annales designa um grupo de historiadores cujas personalidades mais célebres são Fernand Braudel, Marc Bloch, Lucien Febvre e, em menos medida, Charles Morazé.
[12] John Marshall faz parte da divisão das Ciências Humanas da Fundação Rockefeller e é encarregado, com John Willits e Robert T. Crane, de encontrar em França os futuros beneficiários das subvenções. John Willits, director do departamento das Ciências Sociais da Fundação, contacta nomeadamente, por seu lado, Jacques Rueff, membro da Sociedade de Mont-Pèlerin.
[13] Estes fundos permitem subvencionar o Centro de Investigação Histórica, dirigido por Braudel, e o Centro de Estudos Económicos, dirigido por Morazé.
[14] « Quand la CIA finançait les intellectuels européens » por David Boneau, Voltaire , 27 de Novembro de 2003.
[15] Clemens Heller (1917 – 2002), diplomado por Harvard, de origem austríaca, filho do editor de Freud em Viena, organiza o seminário de Salzbourg, depois chega a França em 1949. A sua casa, na rua Vaneau, foi lugar de encontros de intelectuais. Este salão parisiense acolheu Claude Lévi-Strauss e Margaret Mead, nomeadamente.
[16] Em Outubro de 1955, Kenneth W. Thompson pede que o projecto de Angelo Tasca (conhecido por Angelo Rossi) de uma História da Internacional Comunista seja integrado no programa das «áreas culturais» da 6ª Secção. Rossi, fundador do Partido Comunista Italiano, funcionário do regime de Vichy, é o candidato apoiado por Raymond Aron para contrabalançar as teses políticas de Jean Chesneaux. É pai de Catherine Tasca, ministra da Cultura e da Comunicação do governo Jospin (2000 – 2002). Kenneth Tompson foi membro dos serviços de contra-espionagem estado-unidenses de 1944 a 1946 e participou na fuga de responsáveis nazis, depois foi professor na Universidade de Chicago em 1948, antes de fazer parte da Fundação Rockefeller em 1953.
[17] «La Fondation Ford, paravent philanthropique de la CIA» e «Pourquoi la Fondation Ford subventionne la contestation», Voltaire , 5 e 19 de Abril de 2004.
[18] Este projecto é apoiado por Febvre, Braudel e Gaston Berger, Director Geral do Ensino Superior.
[19] « La face cachée de la Fondation Saint-Simon», Voltaire, 10 de Fevereiro de 2004.
[20] De 1997 a 2001, a Fundação Franco-Americana é presidida por John Negroponte, que passa a dispor de um gabinete nas instalações da EHESS.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Música para um final de manhã de sexta-feira


Inverno das Quatro estações de Vivaldi - I Musici em Veneza.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A díficl guerra contra o narcotráfico no México.

Na última terça-feira, em uma conversa informal com colegas coordenadores de cursos de sociologia e ciências sociais, após uma cansativa reunião sobre a avaliação da CAPES, tocamos no assunto narcotráfico. Um colega, se não me engano de Ribeirão preto, comentava sobre a sua experiência como professor visitante no México. Falava da experiência singular que foi lecionar em Ciudad Juarez, situada na fronteira com os EUA, uma espécie de capital do narcotráfico. Comentava o colega sobre o clima de medo e de desarticulação da vida social e cultural provacado pela ostensiva presença (e poder) do crime organizado naquele sítio. Após aquele encontro, eu que venho acompanhado com interesse o desenrolar da "guerra contra o tráfico", fiquei a pensar, no vôo de volta para a casa, como é díficil fugir dos lugares-comuns na abordagem do problema das drogas. Enquanto matuto sobre o assunto, transcrevo, mais abaxo, notícia de hoje, publicada na edição eletrônica do El País, sobre o tema.


México, bajo el azote del narcotráfico
Obama llega a un país donde el Estado y los carteles se disputan el monopolio de la violencia. Esta situación, que en 2008 provocó 7.000 asesinatos, se ha ido gestando a lo largo de los últimos cinco lustros.
SERGIO GONZÁLEZ RODRÍGUEZ

La visita a México del presidente Barack Obama se inscribe en una situación de excepcional degradación institucional al sur de la frontera de Estados Unidos. La inseguridad y la violencia, producto de la guerra del narcotráfico y otras industrias del delito, en particular el secuestro, nunca habían sido tan graves en México como ahora. Los 7.000 muertos de 2008 duplicaron la cifra del 2007. Y tan sólo en el primer trimestre de este año se cuentan 1.000 muertos. El año pasado hubo un promedio de 17 secuestros por día en todo el país, y el índice de impunidad de los delitos llegó al 99%, de acuerdo con la Comisión Nacional de Derechos Humanos (CNDH).

El Gobierno del presidente Felipe Calderón comenzó con una operación firme del Ejército en tareas de combate al narcotráfico. A pesar de su espectacularidad, los resultados han sido escasos. Los grupos delictivos multiplicaron su capacidad ofensiva y su control a lo largo y a lo ancho del territorio nacional, sobre todo en Chihuahua, Tamaulipas, Michoacán, Nuevo León y Tabasco, entre otros Estados. Por su parte, el Gobierno mexicano ha reducido el problema a media docena de localidades, entre ellas, Ciudad Juárez. Sin embargo, las bajas de esta guerra están en todas partes: delincuentes, militares, policías, ciudadanos.

Bajo la disputa del monopolio de la violencia entre el Estado y los narcotraficantes en sus diversas facciones, que luchan entre sí por la hegemonía del crimen y el dominio de los territorios, el despliegue de 90.000 soldados en varios puntos del país se ha convertido en un factor que tiende a empeorar los escenarios por el abuso de la fuerza y su falta de respeto a los derechos humanos. Al visitar México, la alta comisionada de las Naciones Unidas para los Derechos Humanos (ACNUDH), Louise Arbour, expresó ya el peligro que implica esta participación.

Al igual que otras veces durante los últimos años, el Gobierno mexicano ofreció, en víspera de un encuentro binacional y como muestra de su voluntad de combatir al narcotráfico, la detención de un narcotraficante de renombre. En este caso, se detuvo a Vicente Carrillo Leyva, hijo del que fuera jefe del cártel de Juárez Amado Carrillo Fuentes, el extinto Señor de los cielos. A pesar de que desde 1998 hubo orden de aprehensión contra Carrillo Leyva, derivada del Maxiproceso del Gobierno contra tal grupo criminal, las autoridades permitieron que éste, originario del Estado de Sinaloa al noroeste del país, se instalara en un barrio adinerado de la capital, previa cirugía estética que apenas le modificó la nariz, y viviera libre durante años como un joven empresario.

Días antes, las autoridades habían detenido a Vicente Zambada Niebla, hijo de otro ex miembro del cártel de Juárez, Ismael El Mayo Zambada, ahora afecto al cártel de Sinaloa. Esta detención fue la respuesta del Gobierno al escándalo internacional que suscitó la presencia del narcotraficante Joaquín El Chapo Guzmán Loera, cabeza del cártel de Sinaloa, en la lista de millonarios de la revista Forbes con una fortuna de 1.000 millones de dólares. Guzmán Loera, que se fugó en 2001 de un penal de "alta seguridad" en los primeros días del Gobierno de Vicente Fox Quesada, del Partido Acción Nacional (PAN), es conocido desde entonces como el capo del panismo, y permanece en libertad a pesar de existir orden de aprehensión contra él desde años atrás. Una red de corruptelas lo protege.

La situación adversa de México se gestó a lo largo de los últimos 25 años, y se asocia a los acuerdos de Estado y Gobierno con los cárteles de la droga, el uso del territorio del país para el trasiego de la cocaína proveniente de Sudamérica y la corrupción paulatina de las corporaciones militares y policiacas. Aquellos acuerdos fueron parte del apoyo mexicano en su territorio a la operación Irán-Contra de 1981, que dirigió el vicepresidente George Bush padre durante el mandato del presidente Ronald Reagan.

La operación, que consistió en el intercambio de armas para la contraguerrilla nicaragüense por drogas para el mercado de Estados Unidos, fue dirigida por la Agencia Central de Inteligencia (CIA), y participó su homóloga mexicana: la Dirección Federal de Seguridad (DFS). En esa época se dieron dos asesinatos emblemáticos que se atribuyen a intromisiones en tales nexos hasta entonces confidenciales: el del periodista mexicano Manuel Buendía y el del agente estadounidense anti-narcóticos Enrique Camarena. Su fantasma acompaña la degradación mexicana y la ambigüedad de Estados Unidos en el problema de las drogas en México y a nivel continental.

Dicho estigma ha continuado en sus dos vertientes: por un lado, periodistas amenazados, desaparecidos o asesinados mientras investigaban asuntos de crimen organizado y poder político (35 de ellos en los últimos siete años, como registra la CNDH); por otro, corporaciones militares o policiacas de ambos países inmersas en un juego de estrategia destructiva.

Casi nadie quiere recordar que la degradación mexicana comenzó y persiste en el seno de sus instituciones. El poder criminal que representa el narcotráfico en México es consustancial a su política y a su economía: cada año, las actividades por lavado de dinero ascienden a 24.000 millones de dólares, según difundió el diario The Washington Post en otoño pasado. El propio sistema financiero mexicano facilita que el lavado de dinero quede impune. Tratar de ignorar cómo se llegó y se sostiene esta aberración, está lejos de ayudar a detenerla.

A semejanza de antaño, se ha visto la escalada contradictoria de mensajes entre ambos países, que ha seguido un juego de dureza inicial acerca de México en tanto "Estado fallido" y riesgo para la seguridad de Estados Unidos, y, conforme se acerca la fecha del encuentro presidencial, se ha ido transformando en suavidad diplomática en busca de acuerdos básicos. Si se expresa la repetición de esta rutina, habrá un encuentro proclive a la propaganda y la hipocresía compartidas, más que el logro de un emplazamiento distinto del problema que trascienda las inercias del pasado.

Bajo el principio del prohibicionismo a la producción, el tráfico, la distribución, venta y consumo de las drogas, el combate a los cárteles seguirá el modelo de Estados Unidos impuesto a Colombia, que se funda en los riesgos a la soberanía nacional encubiertos bajo el rubro de la cooperación, el uso intensivo de fuerzas paramilitares susceptibles de ser corrompidas, el surgimiento de conflictos de contrainsurgencia, etcétera. Con todo, resulta imperativo que el Gobierno estadounidense se comprometa a restringir la demanda de drogas en su país y la oferta de armas, y que comience a aceptar la discusión sobre el fracaso de las acciones represivas en busca de un paradigma nuevo: la legalización de las drogas y su implantación gradual.

Hay muchas fuerzas geopolíticas y políticas dentro de ambos países que se benefician con el negocio de la ilegalidad de las drogas y el auge de las industrias delictivas. El caos aparente que trae consigo la violencia desatada y el imperio del crimen organizado es, en realidad, un escenario dirigido para las ganancias de algunos.

El presidente Felipe Calderón presume ante el mundo de su programa de combate al narcotráfico y al delito. Los hechos lo desfavorecen: su Acuerdo Nacional por la Seguridad, Justicia y Legalidad fue incapaz de inhibir el crimen organizado, lo que ha incrementado el poderío criminal y recrudecido la violencia. Ha ofrecido muchas acciones y las ha consumado, pero se ha olvidado de los resultados y la eficacia real de sus operativos; divulga sus cambios pero soslaya los nulos avances. Refugiado en el formalismo de su figura presidencial como último bastión, lo vemos perder poco a poco la batalla definitiva de su mandato. Y va en desventaja a su encuentro con el presidente Obama. Tendrá que añadir lucidez a su firmeza.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Melhor filme brasileiro de 2008

Eu já havia cantado a bola aqui. E o público reconhece: Estômago é melhor. Mas, tudo bem, "Meu nome não é Johnny" é também um bom filme e a sua premiação é merecida.

'Meu nome não é Johnny' vence prêmio de Cinema Brasileiro
Filme levou seis prêmios; Estômago conseguiu cinco, inclusive melhor filme pelo voto popular
Roberta Pennafort - O Estado de S.Paulo


RIO - O filme 'Meu Nome não é Johnny' foi o grande vencedor do Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro, realizado na terça-feira à noite no Rio, seguido de Estômago. O primeiro ganhou seis prêmios (ator, atriz coadjuvante, trilha sonora original, som, montagem e roteiro adaptado) e o segundo, cinco (diretor, roteiro original, ator coadjuvante, longa de ficção e melhor filme pelo voto popular).

A cerimônia aconteceu no Vivo Rio, casa de espetáculos carioca, e contou com a apresentação de Marília Pera e Daniel Filho, que foram prejudicados por problemas no sistema de som e teleprompter.

Os cerca de 300 membros da academia brasileira de cinema premiaram os destaques em 25 categorias. O público votou pela internet e por meio de mensagens de telefone celular. O grande homenageado da noite foi o cineasta Nelson Pereira dos Santos, que agradeceu dizendo estar muito emocionado: "Ainda bem que só tenho 80 anos".

O prêmio lembrou músicas que fazem parte da cinematografia brasileira e ainda prestou homenagem aos atores Dercy Gonçalves, que morreu no ano passado, e Ankito, que morreu no fim de março.

Reconhecimento internacional: Lula é o mais popular das Américas.

Como a dar razão ao Presidente Obama, pesquisa recentemente concluída indica Lula como o líder mais popular das Américas. Confira abaixo matéria publicada so site yahoo.com. sobre o fato.

Lula é o presidente mais popular das Américas, afirma pesquisa

México, 14 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em primeiro lugar na lista de líderes com melhor aprovação da América, com 70% de popularidade, de acordo com um estudo publicado hoje na internet pela empresa mexicana Consulta Mitofsky.

O relatório, correspondente a abril, indica que pouco atrás de Lula está o governante colombiano, Álvaro Uribe, com 69%, seguido pelo mexicano Felipe Calderón, com 68%, e pelo salvadorenho Elías Antonio Saca, com 66%.

Em um segundo bloco aparecem os presidentes de Estados Unidos, Barack Obama, com 61%; Equador, Rafael Correa, e Paraguai, Fernando Lugo, com 60%; Chile, Michelle Bachelet, com 59%; e Bolívia, Evo Morales, com 58%.

Pouco atrás estão o governante uruguaio, Tabaré Vázquez, com 53%; o costarriquenho Óscar Arias, com 49%; o panamenho Martín Torrijos, com 48%; o guatemalteco Álvaro Colom, com 45%; o dominicano Leonel Fernández e o nicaraguense Daniel Ortega, com 48%; e o peruano Alan García, com 34%.

No fim da lista estão a argentina Cristina Fernández de Kirchner, com 29%, e o hondurenho Manuel Zelaya, com 25%.

A Consulta Mitofsky destacou que a aprovação média dos presidentes americanos em março foi de 52%, só superada pelos resultados de janeiro e maio de 2007, que alcançaram 53% e 54%, respectivamente.

No estudo anterior, divulgado em janeiro, Lula, Uribe e Correa dividiam o primeiro lugar, com 70% de aprovação. EFE

terça-feira, 14 de abril de 2009

Travessuras da menina má


Tem gente que não lê e não gosta da obra de Mário Vargas Llosa. Por preconceito político e ideológico. Essas pessoas não sabem o que estão perdendo. O peruano é um dos melhores escritores da atualidade, e consegue construir um enredo como poucos. Leio tudo que ele escreve. Leio, não. Devoro. Funciono assim: leio o último lançamento e fico na espreita, querendo saber do próximo. As vezes, pelos desvãos do destino, demoro a começar um de seus livros. Mas, é só começar para não querer mais parar. Foi assim com Travessuras da menina má. Uma história de amor construída sobre os cacos da tragicômica história política social do último e desestabilizador quarto de século passado. Não vou fazer aqui a resenha do livro. Muitos já o fizeram. Com mais competência e brilho. Só vou te dizer que vale a pena ler o livro. É inferio à Conversa na Catedral? Com certeza, mas, reponda-me com sinceridade: quem anda por aí escrevendo uma obra-prima todo ano?

Mudança...

A Folha Online, republicando a BBC, noticia a iniciativa de Obama de diminuir o bloqueio à Cuba. Veja abaixo!

Fidel defende fim de bloqueio e diz que Cuba não precisa de "esmolas"
Horas depois do anúncio da Casa Branca de que o governo dos Estados Unidos colocará fim às restrições a viagens e ao envio de remessas de cubano-americanos a Cuba, o ex-ditador cubano Fidel Castro publicou um artigo no qual afirma que o país não pede "esmolas" e defendeu o fim do embargo norte-americano à ilha.
"[A Casa Branca] anunciou o alívio de algumas das odiosas restrições impostas por [George W.] Bush aos cubanos residentes nos Estados Unidos. (...). Mas quando se perguntou se tais medidas valeriam para outros cidadãos norte-americanos, a resposta foi que não estavam autorizados. (...) Sobre o bloqueio, a mais cruel destas medidas, não se disse uma palavra", afirmou Fidel em um artigo publicado no site Cuba Debate.
Fidel classificou ainda o embargo a Cuba como uma "medida genocida", afirmando que ele "custa vidas humanas" e causa sofrimentos "dolorosos" aos cubanos, na medida em que impede que medicamentos e equipamentos médicos com componentes americanos cheguem à ilha.
Fidel afirmou ainda que muitos parlamentares americanos --entre eles o senador republicano Richard Lugar-- são favoráveis ao fim do bloqueio, e disse que estão dadas as condições para que Obama acabe com esta política "que vem fracassando durante quase meio século".
Esmolas
Ele também criticou o fato de Cuba não ter sido convidada para participar da Cúpula das Américas, que acontece no final desta semana, em Trinidad e Tobago, e disse que seu país não precisa de "esmolas".
"Cuba jamais estenderá suas mãos pedindo esmolas. Seguirá adiante, com a cabeça erguida, cooperando com os povos irmãos da América Latina e do Caribe, haja ou não Cúpula das Américas, presida ou não Obama os Estados Unidos ou [que o presidente dos EUA] seja um homem uma mulher, um cidadão branco ou negro".
O ex-líder cubano, no entanto, reafirmou a disposição de seu país em dialogar com o novo governo dos EUA e de normalizar as relações entre os dois países. Ele disse ainda não culpar Obama pelas políticas de seus antecessores.
"Nosso país resistiu e está disposto a resistir o quanto seja necessário, e não culpa Obama pelas atrocidades cometidas por outros governos dos Estados Unidos. Não questiona também sua sinceridade e seu desejo de mudar a política e a imagem dos EUA. Também compreende que ele enfrentou uma batalha muito difícil para ser eleito, apesar de preconceitos centenários".
Leia mais
Cubanos comemoram término de restrições
Grupos de direitos humanos festejam mudanças

Uma bela reportagem sobre a cidade maravilhosa

Rio de Janeiro é a minha idéia de felizcidade. Vivi aí bons momentos. Raros, infelizmente. Mas, nem por isso, menos intensos. Quando li a reportagem abaixo, publicada na edição de hoje do El País, lembrei-me de um tempo no qual transitava por Botafogo, Catete e Flamengo. Vale a pena conferir a matéria!

La 'garota' de Brasil
Tan linda y llena de gracia como la chica de Ipanema, Rio de Janeiro deslumbra al viajero gracias a su entorno natural y al inclonable carácter de sus gentes: 'realidade, muita garra e carnaval'.
JORDI PASTOR - 14/04/2009



Río de Janeiro maravilla. Lo hace de forma tan contundente que el sentimiento agridulce que destila su realidad no desmejora para nada la experiencia viajera. La enriquece, incluso. Es una ciudad idónea para la diversión, la alegría, el baile y todo lo que ustedes quieran añadir en relación a pasarlo en grande. Pero Río también maravilla porque evidencia de forma tan cercana y directa las enormes y crudas diferencias entre sus habitantes, que hay mucho más que carnaval y resacas de caipirinha en el poso que deja en el viajero.

Hay dos ciudades dentro de Río. La de tez blanca, palpable cada noche en la escena del barrio de Lapa, y la más africana, que se reúne en las escolas de samba al caer la noche. Sin intenciones sociológicas, EL VIAJERO propone diez planes para conocer sus diferentes caras y atractivos, nocturnos y diurnos.

Hay un punto de urgencia en ello: queda poco tiempo para conocer Río de Janeiro antes de que cambie definitivamente su aspecto, pues el gobierno regional ha comenzado a levantar muros que aíslan las favelas de las zonas más turísticas. Más seguridad, mejor estética... menos esencia. Nuestra ruta arranca en el lugar donde todos, absolutamente todos los cariocas, tiene cabida: la arena de sus playas.


1. Lucir palmito

Ipanema o Copacabana, la eterna cuestión. Son las playas por excelencias de Río de Janeiro, aunque haya otras (Flamengo, Leme, Leblon...). La primera musical, activa y bohemia; la segunda, algo decadente y símbolo del lujo y la opulencia de anteriores décadas, pero igualmente atractiva. Ambas con un denominador común: el punto de encuentro donde los cariocas demuestran su devoción por el deporte, y su casi obsesión por el culto al cuerpo.

Hay que pasearse por este mítico binomio playero, unido por la punta del Arpoador, y empaparse de la esencia carioca. Es algo más que un mero día de playa, forma parte de la cultura de esta ciudad y sus habitantes. Este decálogo de propuestas sugiere el punto de inicio: Ipanema, entre los postos 9 y 10.

2. Palmeras imperiales

El ajetreo playero, especialmente en fin de semana, se detiene bruscamente al entrar en el Jardín Botánico de Río. Considerado el de mayor extensión del mundo, invita a dos recorridos. El primero pasa por admirar la riqueza y diversidad de especies -más de seis mil- que acumulan sus 137 hectáreas de extensión. Mucha flora pero también peculiar fauna, como los tucanes que revolotean entre sus árboles.

La segunda es de tinte histórico, pues el propio nacimiento e historia del Botánico conecta la urbe con su pasado colonial, cuando apenas era un jardín de aclimataciónpara las exóticas especies traídas de oriente. Eran tiempos del Rey Juan VI de Portugal, quien plantó la primera de sus palmeras reales, hoy uno de sus grandes reclamos.

3. Selva urbana

Una de las principales singularidades de Rio de Janeiro es su entorno. Pocas megalópolis pueden presumir de un paraje natural en pleno centro. Tanto, que el intenso verde del Parque de Tijuca separa la turística zona sur de la sucesión de barrios humildes que extiende hacia el norte. Sus 3.300 hectáreas, asediadas en su perímetro por trepadoras favelas, fueron declaradas Reserva de la Biosfera por la Unesco en 1991.

Un pulmón envidiado por otras urbes en su lucha contra la contaminación, que también se traduce en diversión y riqueza natural para los habitantes de Río. Por ello se ordenó a finales del siglo XIX la reforestación de sus laderas con la vegetación original (hasta entonces desterrada por plantaciones de café). Con el conocido Cristo Redentor en lo alto del pico Corcovado, Tijuca ofrece posibilidades tan lúdicas como la escalada, el senderismo y hasta un vuelo en ala delta.

4. El corazón de Río

Cada mes de febrero la ciudad exporta al mundo uno de sus mejores productos, el carnaval. El desfilar de las diez escuelas de samba elegidas por el mítico Sambódromo, siempre atestado de público, es sólo la estampa más famosa de una ciudad tomada, de punta a punta, por semejante espectáculo de música, luz y color. Pero en Río, la samba fluye con igual ritmo el resto del año.

El puro azar puede ayudar a comprobarlo, cuando un dicharachero taxista, miembro de una escola de samba de Rocinha, la favela más grande y distinguida de Río de Janeiro, desliza durante el trayecto una invitación para vivir, unas horas después, la noche decisiva: se elige la composición que presentará la escuela para acudir a los próximos carnavales.

Y así, gracias a tan repentino, amigable y seguro ofrecimiento, es posible sumergirse a placer en una noche repleta de ritmos, caipirinha, asombrosos movimientos de cadera y atronadoras percusiones. La posibilidad de comprobar en persona, sin conservantes ni colorantes, lo que el carnaval representa para las gentes de esta ciudad.

5. Río acelerado

Salir del metro a la superficie en el Centro financiero puede resultar chocante. No parece la misma ciudad. Ejecutivos a paso acelerado, trafico que raya lo frenético y la sensación de haber sido súbitamente transportado a urbes más agitadas, como São Paulo. Pero el radical contraste entre lo vertical de los edificios y la amplitud de las cercanas playas, hace merecedor el paseo por esta otra cara de Rio de Janeiro.

Hay refugio entre tanto ajetreo. Prueben a tomarse un buen zumo, o una vitamina (un batido de fruta con leche) en las tiendas que se intercalan entre tanto hormigón. Después, ya más tranquilos, podemos seguir ruta regresando a las profundidades del metro. De día es seguro y sumamente útil para moverse por la ciudad. Además, como en otras capitales de Iberoamérica, reserva un vagón exclusivo para mujeres, con el fin de protegerlas de acosos sexuales.

6. Bajo los Arcos
El siguiente punto de esta ruta, no obstante, no hace necesario volver al subterráneo. Basta con caminar unos minutos hasta las estribaciones de uno de los barrios más animados de la ciudad. No hay pérdida, los llamativos e inconfundibles Arcos de Lapa -un antiguo acueducto que data del siglo XIX- nos indicarán que estamos a punto de sumergirnos en sus calles.

Bares, cafés, conciertos y mucha animación en plena calle esperan en Lapa a quienes busquen un agradable y distendido ambiente nocturno, entre la clase más pudiente de la ciudad. El Río de Janeiro más acomodado y de tez blanca, que no excluye humildes puestos callejeros en los que administrarse caipirinhas, digamos, menos higiénicas. De hecho, hay que estar preparados para las mayores excentricidades nocturnas que puedan imaginarse. Porque ocurren.

7. Colgados del 'bondinho'

En un equilibrio entre lo sorprendente y lo temerario, el tranvía más célebre de Río de Janeiro, comúnmente conocido como 'bondinho', recorre el escueto perfil de los Arcos de Lapa rumbo al bohemio barrio de Santa Teresa, que acoge coloridas casas, pequeños restaurantes de comida casera y tiendas de artesanía. No es extraño. Pintores, escritores y artesanos han ido convergiendo en sus empinadas y adoquinadas calles, y actualmente son un referente entre la gente del barrio.

Turístico y popular, este entrañable tranvía, ya centenario, remonta cada día entre favelas la ladera de Santa Teresa. Salvo que se contrate esa especie de safaris organizados a bordo de un jeep que recorren favelas como Rocinha, es lo más cerca que se puede estar de ellas. De hecho, buena parte de los viajeros de este curioso tranvía son niños de favelas, que colgados literalmente del vagón -no se asusten-, se ahorran pasar por caja.

8. Bajo el Pão de Açúcar

El otro 'bondinho' de Rio de Janeiro se encuentra al otro lado de la ciudad, al final de la Avenida Pasteur. Al pie del Pan de Azúcar, uno de los principales símbolos de la ciudad, este conocido funicular eleva cada día a cientos de turistas hasta su cima, convertida en el mejor mirador de Río, sobre todo al atardecer. No se extrañen si, en pleno ascenso, ven escaladores encaramados a las tapias de tan célebre morro. Es práctica habitual.

Las profundidades del Pan de Azúcar también merecen la pena, por varias razones. Por ejemplo, el agradable paseo que serpentea por su base (poblado de aficionados al joggin y la bicicleta), la escondida playa Vermelha, o de nuevo por los numerosos escaladores que se concentran junto a los tochos de roca que jalonan el camino, donde pasan la tarde practicando búlder (escalada sin cuerda en rocas de escasa altura).

9. Las tres catedrales de Río

Sin miedo al error, se puede afirmar que los habitantes de Río profesan tres religiones: la católica, la futbolística y el carnaval. El orden de importancia ya es cosa de cada uno de ellos. Eso sí, las tres cuentan con su propio templo, que conforman casi una particular mini ruta dentro de estas diez propuestas.

Mezcla de iglesia y una nave espacial, la Catedral de Sao Sebastiao se levanta imponente y futurista en las cercanías de Lapa. Es recomendable adentrarse en este descomunal templo, de impresionantes medidas y sorprendente arquitectura. No lejos de allí, se encuentra el segundo gran centro ceremonial: el citado Sambódromo. Cada mes de febrero, las diez escuelas de samba seleccionadas viven su particular éxtasis al atravesar durante una hora la Rua de Marquês de Sapucaí.

El tercero de los grandes templos es, evidentemente, Maracaná. El estadio más grande del mundo, y probablemente también el más famoso, escenario de las hazañas de Pelé y la canarinha, muestra una nueva cara, gracias a las obras de remodelación y modernización de cara al Mundial de 2014, que acogerá Brasil. Hasta los no futboleros se han sentado en sus gradas... por algo será.

10. Un abrazo de despedida

Es un sentimiento mutuo el que da título a esta décima propuesta. Del visitante a la ciudad, y de la ciudad al que la visita. En el segundo caso, los abrazos de acogida y despedida con los que Río de Janeiro agasaja a los viajeros está simbolizado por el icónico y gigante Cristo Redentor, en la cumbre del cerro Corcovado.

La subida hasta la cima se realiza a bordo de un divertido tren, donde la samba demuestra su poder y omnipresencia en esta ciudad: algunos tendrán que bailar sí o sí ante la insistencia de los músicos ambulantes que animan el trayecto.

Arriba espera otra envidiable y circular panorámica de la ciudad. El conjunto de las playas, las favelas, el Parque de Tijuca a la espalda y la laguna de Rodrigo de Freitas justo debajo, conforman un generoso y completo deleite visual, ideal para llevarse la beleza de esta ciudad en la retina para siempre.


segunda-feira, 13 de abril de 2009

Gol contra da publicidade

São muitas as piadas sobre as construções fantasiosas que fazem de si alguns profissionais. No meio acadêmico, não raramente, escuto piadas sobre a grandiosidade imaginária dos físicos. Contam alguns que eles até concedem que Deus criou o mundo, mas se o todo poderoso fez isso, fê-lo com a assessoria dos físicos. Cá do meu canto, penso que os publicitários são mais pretensiosos dos que os físicos. Como diz minha enteada, "eles se acham". Na disputa política, sempre pensam que têm as eleições "nas mãos". Os fracassos são habilmente ocultados. Diante de qualquer obstáulo, mandam ver aí um "upgrade" (publicitário que é publicitário não pode, segundo regras de ouro do meio, comunicar-se usando apenas os recursos "disponibilizados" pela língua nativa). Mas, de vez em quando, e mais especialmente quando querem se passar por "ousados" e "pós-modernos", metem o pé na jaca. Deixam claro o seu atraso intelectual e desnudos os seus preconceitos. Estou generalizando? Claro! Tem muita gente boa no "meio", mas, como estou em um blog e cansado, parto para a generalização...

Escrevi tudo isso para chamar a atenção para um gol contra da publicidade. Trata-se de uma peça publicitaria de conhecida grife que apela para a violência contra a mulher para se vender. Acho que a campanha foi abortada, mas a prova do gol contra ficou. Para que possamos refletir sobre como por sob a capa de modernidade de alguns se enconde um monstro troglodita.

A instigante e questionadora arte de Kara Walker


Ela foi apontada pela revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo, em 2008. Nascida em 1969, a artista plática Kara Walker se notabilizou pela produção de obras que tematizam a violência contra os negros e as mulheres. Veja mais abaixo alguns dos seus quadros!






Música para o começo da jornada da tarde

De volta ao computador. O Coleta Capes sugando o resto de minhas energias. Mas, ufa!, estou chegando ao fim. Então, divido contigo a música que anima a minha jornada vespertina.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A empregada, como sempre, paga o pato

No Balaio do Kotsho, uma análise sobre a situação patética do deputado que paga a sua empregada doméstica com o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho. Leia aí abaixo. No final do post, para você se divertir, um vídeo com a entrevista do parlamentar.

08/04/2009 - 11:50

Sobrou para a empregada de novo

Até agora nenhum deputado ou senador foi punido nesta enxurrada de maracutaias denunciadas pela imprensa nos últimos meses, mas sobrou de novo para a empregada.

Esta nova história, como diria o Mino Carta, é emblemática. Ao ver nos jornais a denúncia contra o deputado licenciado Alberto Fraga (DEM-DF), que usava uma secretária parlamentar como faxineira em sua mansão, Arnaldo Jardim (PPS-SP) resolveu demitir a sua antes que a imprensa descobrisse, mas não deu tempo.

Ambos são da oposição e vivem usando a tribuna da Câmara para fazer denúncias de corrupção contra o governo. A única diferença é que Fraga era o líder da “bancada da bala”, que defendeu o comércio de armas no plebiscito, e Jardim, o pacífico honesto, promoveu no dia 3 de março o lançamento da Frente Parlamentar Anticorrupção no seu apartamento em Brasília.

O detalhe que revela a hipocrisia desta gente é que quem serviu o jantar aos 30 deputados catões no apartamento do parlamentar do PPS foi exatamente a empregada doméstica Maria Helena de Jesus. Ou melhor a secretária parlamentar dele, que há dois anos e meio é paga pela Câmara, e agora foi demitida.

O bom repórter Fábio Zanini, da Folha, conta os detalhes: “Para fazer serviços no apartamento de Jardim no bloco A da quadra 311 sul, ela recebe salário bruto de R$ 1.608,10. Dinheiro da Câmara. “Lavo, passo, cozinho”, disse à Folha.

O “grupo dos éticos” foi formado depois da entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) à revista Veja em que ele denunciou haver corrupção generalizada em seu partido, no Congresso e no governo.

Como no caso de Fraga, pior do que valer-se de uma secretária parlamentar para cuidar do conforto do seu apartamento funcional foi a desculpa dada por Arnaldo Jardim, um fiel seguidor do seu líder, o ex-comunista Roberto Freire, pesidente do PPS e conselheiro da Prefeitura de São Paulo:

“Pensei que ela pudesse não só ajudar esporadicamente no gabinete, como também prestando serviço no apartamento. Quando eu soube que isso não era possível, eu a desliguei”.

Quanta pureza, quanta meiguice, quanta ingenuidade! Ele não sabia que não podia, coitado… E prosseguiu:

“Do ponto de vista ético não vejo problema, mas do ponto de vista regimental, vejo. Entendi que o cargo poderia ser usado como apoio do mandato parlamentar”.

Como diria minha amiga Hebe Camargo, “ele não é uma gracinha?”.

E agora que ela foi demitida? Como fará o “grupo dos éticos” para ser servido em seus jantares? Vão todos ter que pagar do próprio bolso? É justo?


Biscoito fino, só para você.

Música para quem ainda está no trabalho...

Sem palavras...


Mozart-Romance.

Para rir um pouco... (piada em espanhol)

Tô no trabalho, prá variar. Coisa de louco, esse tal de Coleta Capes. Vade retro, satanás! Mas, graças!, estou no fim... Então, vamos um rir um pouco. Leia a piada abaixo. Se queres mais, então acesse o ótimo blog argentino Antilógicas.

Humor Blanco: de matrimonio
Por Eduardo Parise

La pareja había cumplido su primer año de casados y estaba disfrutándolo en Iguazú, junto a las Cataratas. De pronto, con el estruendo del agua cayendo junto a la Garganta del Diablo y envueltos en una fina llovizna, la mujer le dijo a su marido: "¡Qué maravilla! ¡Gracias por traerme a este lugar tan lindo!". Y enseguida preguntó: "¿Y cuando cumplamos cinco años, adónde me vas a llevar?". El marido respondió con celeridad: "A alguna playa del Caribe". Ella volvió a preguntar: "¿Y cuando cumplamos diez años?". "Iremos a la India, a conocer el Taj Mahal", fue la respuesta. Entonces ella volvió a subir la apuesta: "¿Y a los veinte años?". "Quedate tranquila, que te voy a ir a buscar", contestó el hombre.

O mundo não vai acabar em 2009 (ufa!)

“Há três maneiras de o
homem conhecer a ruína:
a mais rápida é pelo jogo; a mais
agradável é com as mulheres
a mais segura é seguindo os
conselhos de um economista."

(autor desconhecido)


O texto acima é a epígrafe do artigo "O mundo não vai acabar em 2009", de autoria de Luiz Alfredo Salomão, publicado na revista Insight Inteligência. Acesse-o aqui.

Alguma coisa está ficando fora da ordem...

Leia a matéria abaixo, publicada na edição eletrônica de hoje do sempre bom jornal espanhol El País. Realmente, parece que o Presidente Obama está construindo uma importante ponte com Cuba. E o infame bloqueio está com os seus dias contados.

Fidel Castro: "¿Cómo podemos ayudar al presidente Obama?"
Un grupo de legisladores demócratas se reúne con el líder cubano en La Habana en un nuevo gesto de distensión

Fidel Castro se ha reunido este martes en La Habana con siete congresistas estadounidenses del Partido Demócrata que han culminado una visita de cinco días a la isla en la que también se han entrevistado con el presidente Raúl Castro, quien "reiteró su disposición a dialogar sobre cualquier tema, teniendo como únicas premisas la igualdad soberana de los Estados y el absoluto respeto a la independencia nacional".

En el posterior encuentro con Fidel, el líder cubano, convalenciente desde 2006, ha preguntado a los políticos norteamericanos cómo puede ayudar desde Cuba para que Obama avance en la normalización de relaciones entre los dos países, enemigos irreconciliables desde el triunfo de la revolución cubana, según la versión ofrecida por dos de los legisladores en una rueda de prensa a su regreso a Washington.

Barbara Lee y Laura Richardson han asegurado que Castro, de 82 años, ha acudido al encuentro con un aspecto saludable y cargado de energía: "Aunque ha estado enfermo, le hemos encontrado muy saludable, enérgico y razonando con claridad", ha dicho Lee, uno de los tres legisladores que charlaron con Castro.

"Está muy pendiente de todo lo que está pasando", ha añadido Richardson, que ha explicado cómo fue el encuentro. "Cuando se acercó a nostros, nos miró a los ojos y nos preguntó: '¿Cómo podemos ayudar al presidente Obama?'".

La delegación de legisladores - la mayoría afroamericanos miembros del caucus negro - viajó a La Habana a título personal, no como enviados de Obama. Aún así, Cuba interpretó su visita como una señal de distensión. "Valoro el gesto del grupo legislativo", escribió ayer Fidel Castro en un artículo de prensa , un días después de declarar que no "temía el dialogo con Estados Unidos", informa Mauricio Vicent.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Esperanza Spalding: o novo nome do jazz


Ela é absolutamente genial. É referenciada, nos EUA e na Europa, especialmente na Espanha, como o novo fenômeno do jazz. É linda e tem apenas 23 anos. Nasceu em Portland, EUA. Começou a tocar com apenas 04 anos e faz uma música que encanta. Seu nome é Esperanza Spalding. Confira o vídeo abaixo, no qual ela dá novo sentido a música Ponta de Areia (canção que a minha geração, aquela que tá ali beirando os cinqüenta, adorava ouvir nos anos setenta do século passado).

domingo, 5 de abril de 2009

Artaud: uma existência atormentada

Transcrevo, mais abaixo, matéria publicada hoje no jornal espanhol El Mundo a respeito da vida e obra de Antonin Artaud. Vale a pena conferir! Caso queira adentrar no assunto, por favor, coloque no Google "Alex Galeno"+Artaud e você encontrará referências de uma obra para se aprofundar no assunto.

Antonin Artaud: existencia atormentada
Joana Rei - Madrid



Pasó 10 años de su vida en instituciones psiquiátricas
La muestra reúne sus 'cahiers', sus dibujos y fotografías
Joana Rei Madrid

Si es cierto que 'de poeta y loco todos tenemos un poco', Antonin Artaud habrá sido uno de los mejores ejemplos. Poeta, ensayista, actor y director de teatro, Artaud fue un genio para muchos y sólo un loco para tantos otros. Pero, sin duda, pertenece al grupo de pensadores que revolucionaron la escena del siglo XX. Sus fobias, sus delirios y sus psicosis hicieron que lo encerraran durante años en psiquiátricos. Dieciséis años estuvo ingresado pero no dejó que le quitaran el talento que le permitió dejar su legado al mundo artístico.



La Casa Encendida, en Madrid, presenta por primera vez en España una retrospectiva sobre la vida y obra del artista francés. Hasta el 7 de junio, sus dibujos y 'cahiers', además de algunas fotografías y manuscritos ayudan a adentrarnos en la personalidad del controvertido artista. Sus obras, libres y singulares, ponen de manifiesto su energía, pero también su dolor y sus obsesiones.


Antonin Artaud publicó sus primeros versos en 1924, con el título 'Tric trac du Ciel'. Fue a través de esta obra que Artaud entró en contacto con André Breton y los principios del grupo surrealista, convirtiéndose en uno de sus principales miembros. Participó activamente en la revista 'La Révolution Surréaliste', pero la ruptura con Breton no tardaría en llegar: en 1926 se apartó del movimiento.


Se adentró en el teatro, como actor y director, terminando por dedicarse a la teoría una vez que el reconocimiento que deseaba nunca llegó. Tras el fracaso de la obra 'Los Cenci' en 1935, un drama basado en la obra de Stendhal, se fue a México donde vivió durante meses con los indios tarahumaras, experiencia que le sirvió para escribir el libro 'Los Tarahumaras'.


Teatro de nervios y corazón


Pero su obra más conocida sería 'El teatro y su doble', recopilación de sus ensayos, que se publicó en 1938 y donde Artaud expone su proyecto teatral: "En el punto de desgaste a que ha llegado nuestra sensibilidad, lo cierto es que tenemos necesidad ante todo de un teatro que nos despierte: nervios y corazón". Con ello pasó de la categoría de alucinado a la de genio, aunque en esos momentos, Artaud estuviera viviendo su segundo periodo de reclusión en sanatorios mentales, que duraría 10 años.






Artaud moriría a los 52 años, el 4 de marzo de 1948, poniendo punto final a una existencia atormentada.



A lo largo de su vida, el artista francés escribió 406 cuadernos, muchos de ellos durante sus temporadas de clausura. Esta muestra reúne 35 'cahiers' inéditos, algunos expuestos por primera vez. Artaud escribió ahí diariamente notas, dibujos, fragmentos y textos preparatorios de algunas de sus publicaciones.


Los dibujos, cargados de distorsiones, reflejan el alma atormentada detrás del artista. En sus dibujos se encuentran algunos retratos de sus amigos, la mayoría artistas de la época, quienes a pesar de su locura no le abandonaron e incluso organizaron una muestra con sus obras para recabar fondos y poder ofrecerle una pensión mensual. Entre ellos aparecen André Bretón, André Masson y el fotógrafo Man Ray.


Simultáneamente a la muestra, La Casa Encendida propone un conjunto de actividades sobre la obra del artista. Se podrá asistir a una selección de películas que enseñan su faceta de actor y guionista en el ciclo 'Artaud. Cine'. Además, el cineasta y escritor Vicente Molina Foix coordinará unas jornadas en torno a la figura de Artaud. A finales de mayo se presentará una 'radioperformance' inspirada en el programa que hizo para la Radio Francesa.


La retrospectiva de la obra del artista francés se completa con la puesta en escena de dos textos de Artaud: 'Samurai' y 'La piedra filosofal', bajo la dirección de María Ruiz y la participación de los actores Julieta Serrano, Enrique Alcides y Manuel de Blas.



sexta-feira, 3 de abril de 2009

Mães ficam nuas em defesa da qualidade de ensino de seus filhos... na Espanha.


A foto acima é de uma manifestação das mães de alunos da Escola Municipal Fernando de Los Rios, em Valência, Espanha. As mães estão protestando pela ausência de professores de inglês na escola e pela presença do que, entre nós, chamamos de "professores substituos". Aqui no Rio Grande do Norte, no ensino médio, alunos concluem esse nível de ensino na rede pública sem terem tido aulas de química ou de física. E, o que é verdadeiramente lamentável, ninguém tira a roupa.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Notícias de uma guerra nada particular: a luta contra o narcotráfico

Na edição eletrônica do jornal espanhol El País, de hoje, mais uma matéria sobre a díficil batalha contra o narcotráfico. Confira abaixo!

REPORTAJE
El 'narco' va ganando la guerra. ¿Y ahora qué hacemos?
La lucha contra las mafias va siempre por detrás de su capacidad para innovar - Cada vez más instituciones llaman a reconocer el fracaso y atacar la demanda
FERNANDO PEINADO ALCARAZ 02/04/2009

Las mafias de la droga se regeneran como la hidra de la mitología griega. Cuando la lucha policial bloquea una ruta, reaparecen por un nuevo camino; cuando los campos de coca o de opio son fumigados, desplazan los cultivos a otro rincón. A pesar de que la caza mundial del narco ha dado pocos frutos -los contrabandistas son cada vez más poderosos, las drogas más baratas y abundantes-, la mayoría de países se resiste a ensayar alternativas más allá de una persecución esquizofrénica, cara y contraproducente. ¿Hay métodos más eficaces para ganar la guerra de las drogas?

La cuestión ha cobrado fuerza en los últimos meses. Tocaba evaluar la estrategia trazada en 1998 por Naciones Unidas para un periodo de 10 años y los expertos han proclamado la derrota en la batalla contra los narcos y han pedido el abandono de una estrategia represiva que utópicamente se marcó como objetivo "un mundo libre de drogas".

Para conseguir esta meta, algunos Gobiernos apostaron por erradicar el origen del mal. Sin embargo, las campañas para eliminar con herbicidas las cosechas de coca suramericana han sido un despilfarro de dinero, principalmente estadounidense: sólo han conseguido trasladar las plantaciones a lugares más recónditos e inaccesibles y la producción mundial no ha disminuido.

Tampoco ha funcionado el bloqueo de las narcorrutas. Aunque la ONU estima que actualmente se decomisa alrededor del 42% de la producción mundial de cocaína y del 23% de heroína, los expertos en política antinarcóticos cuestionan la fiabilidad de esas cifras y argumentan que la cantidad de droga que se menudea en las calles europeas o estadounidenses es cada vez mayor, como prueba el descenso de los precios de venta: entre un 10% y un 30% en la última década.

Cuanto más difícil se lo han puesto las fuerzas del orden a los carteles, más ingenio y recursos han invertido éstos. Uno de los últimos ejemplos de la inagotable capacidad del crimen organizado para burlar la vigilancia son los narcosubmarinos. Se construyen en astilleros clandestinos en la selva colombiana y son capaces de transportar 10 toneladas de cocaína, a ras del agua rumbo al lucrativo mercado estadounidense. La Guardia Costera de EE UU, que ya ha puesto en marcha una inversión millonaria en sensores acuáticos, interceptó en 2008 una media de 10 semisumergibles al mes, aunque estima que cuatro de cada cinco llegan a su destino sin ser avistados. Los capos de la cocaína gallega han usado un narcosubmarino en al menos una ocasión, en 2006, cuando la Guardia Civil halló uno abandonado en la ría de Vigo.

Esta I+D del tráfico de droga crece alentada por la jugosa recompensa que supone cada operación realizada con éxito. Si fuera un país, Narcolandia sería la 21ª economía mundial, según la ONU, con un PIB anual de 243.000 millones de euros, justo detrás de Suecia, con 272.000 millones de euros. En el Tercer Mundo, los narcos son los empresarios más poderosos. Como en África Occidental, donde países como Guinea-Bissau tienen en el comercio de anacardos con India su principal fuente legal de ingresos.

Con estos incentivos no es extraño que, a pesar de los golpes policiales, siempre haya alguien dispuesto a jugarse una vida entre rejas por entrar en el negocio. "Los contrabandistas pagan a los campesinos 300 dólares (227 euros) por la hoja de coca necesaria para producir un kilo de cocaína, que en las calles estadounidenses, vendido en dosis de un gramo a 70 dólares (53 euros), les reportará 100.000 dólares (76.000 euros)", desgrana Peter Reuter, profesor de la Universidad de Maryland y uno de los más reputados expertos en políticas antidrogas, quien no cree que destinando más recursos a la represión se pueda reducir significativamente la cantidad de droga disponible en los mercados consumidores, EE UU y Europa. "Sería más eficaz disminuir la fuerte demanda de drogas en los países consumidores que seguir insistiendo en un control inviable de la oferta", opina Reuter.

"Es imperativo rectificar la estrategia de guerra a las drogas aplicada en los últimos 30 años", censura un informe publicado en febrero por la Comisión Latinoamericana sobre Drogas y Democracia, con tres ex presidentes entre sus miembros: Ernesto Zedillo (México), Fernando Henrique Cardoso (Brasil) y César Gaviria (Colombia). "Las políticas prohibicionistas (...) no han producido los resultados esperados. Estamos más lejos que nunca del objetivo proclamado de erradicación de las drogas". El informe acusa a EE UU y Europa de no hacer lo suficiente para prevenir o curar el apetito de drogas de sus ciudadanos, que estimula la producción y el tráfico desde el resto del mundo.

Apesar de los cuantiosos recursos invertidos en políticas antidroga (al año 40.000 millones de dólares en EE UU y 34.000 millones de euros en la UE), sólo uno de cada cuatro euros se destina a prevención del consumo, mientras que el resto se invierte en represión criminal. No es casual que las quejas provengan de la región que es el principal campo de batalla de la guerra contra los carteles: en México, el desafío criminal al Gobierno ha dejado más de 7.000 muertos desde enero de 2008, (supera los 6.628 registrados en Palestina e Israel entre 2000 y 2008 por la ONG B'Tselem) y la sangría se extiende por países vecinos, como Guatemala y Honduras. Hillary Clinton, secretaria de Estado de EE UU, ha reconocido que al no haber contenido el consumo doméstico, su país es corresponsable en el drama al sur de su frontera.

Apostar por alternativas no significa que haya que bajar la guardia frente a los narcos, advierte Antonio María Costa, director ejecutivo de la Oficina de la ONU contra las Drogas y el Delito (UNODC en inglés), una agencia que asiste y coordina a los Gobiernos. Costa reprocha que haya lobbies pro drogas que defiendan la legalización como solución. "No hay necesidad de sacrificar la protección de la salud de los ciudadanos para reducir el crimen. Ambos objetivos son compatibles", asegura.

Durante mucho tiempo, cualquier disidencia del discurso clásico prohibicionista ha levantado sospechas. Ahora que los carteles causan más estragos que nunca en Centroamérica, África Occidental o Afganistán, muchos se preguntan qué sentido tiene que los Estados hayan dejado a las mafias enriquecerse con el monopolio de la droga y proponen un régimen de legalización controlado que les restaría cuota de mercado.

"No me extrañaría que en 5 o 10 años emerja con fuerza en Europa el debate para legalizar la venta de cannabis", afirma Ethan Nadelmann, director ejecutivo de la Alianza por la Política de Drogas, una organización que promueve la legalización de la venta controlada de marihuana en EE UU. En su país, el principal abanderado de la guerra global contra la droga, aún se encarcela a los consumidores, pero la Administración de Obama acaba de romper el tabú imperante durante décadas sobre alternativas contra la droga con el anuncio de que apoyará con fondos federales los programas de distribución de jeringuillas para adictos. "El debate para abandonar el prohibicionismo no había estado tan candente en EE UU en 30 años", afirma Nadelmann. "Obama es más proclive a cambiar el rumbo, y eso va a afectar al resto del mundo porque reducirá las presiones en Europa para avanzar hacia políticas más progresistas", argumenta.

Partidarios o no de la legalización, la filosofía que mueve a los críticos del prohibicionismo es que la sociedad debe acostumbrarse a convivir con las drogas y a reducir los efectos más dañinos de éstas. "El ideal que sigue moviendo a muchos Gobiernos es la erradicación de las drogas", constata Iván Briscoe, experto en narcotráfico de la Fundación para las Relaciones Internacionales y el Diálogo Exterior (Fride). "Sin embargo, no hay una política realista que se proponga reducir otros delitos, que no llevan aparejada una carga de moralidad tan extrema, como el hurto o el robo". Reuter cree que, en última instancia, la influencia que el Estado puede ejercer sobre la cantidad de droga que se consume es limitada porque son valores culturales y sociales los que entran en juego. "Hay países con consumo muy bajo a pesar de que nunca han diseñado una política pública de drogas".

Los paladines de la batalla sin cuartel contra los traficantes reconocen su derrota, pero la atribuyen a la escasa coordinación policial y a la poca voluntad de los Gobiernos para acabar con el lavado de dinero. El esfuerzo hasta ahora ha sido un parcheado de acciones nacionales y la cooperación no ha ido más allá del intercambio de información y asistencia técnica.

¿Haría falta una fuerza policial mundial? "No es necesario poner a los policías bajo un mismo mando", contesta Amado Philip de Andrés, encargado de desarrollo de programas de UNODC en América Latina. "Lo que nos preocupa es la poca cooperación que ha habido hasta ahora". Markus Schultze-Kraft, director en América Latina de International Crisis Group, una influyente organización que asesora a los Gobiernos en seguridad, cree que una policía internacional del narcotráfico es algo idealista. "Aún cuesta que se entiendan los policías de dos países que no comparten el idioma, como Alemania o España, cuando trabajan en un cuerpo de intercambio de información como Europol". Schultze-Kraft destaca el avance que supone el Centro de Análisis y Operaciones contra el Narcotráfico por Vía Marítima (MAOC-N por sus siglas inglesas), operativo desde 2007. Con sede en Lisboa, pretende vigilar la costa entre Suráfrica y Noruega, como hace desde 1989 al otro lado del Atlántico la estadounidense Fuerza de Tarea Conjunta Interagencias Sur (JIATF-S en inglés).

España, punto caliente en muchas de las narcorrutas, es uno de los países que más dinero gasta en lucha policial contra la droga. Intenta proteger su extensa frontera costera con un sofisticado y costoso despliegue de cámaras y sensores, el Sistema Integrado de Vigilancia Exterior (SIVE), que aunque ya cubre Andalucía, Murcia y las islas Canarias, no ha espantado a los narcotraficantes. Lo saben bien en Cádiz, provincia pionera en la instalación del SIVE, que a pesar de los éxitos policiales -el 25% de las incautaciones de droga de España en 2008- registra cada vez un tráfico más intenso, como ha advertido en numerosas ocasiones la fiscal antidroga de Cádiz, Ángeles Ayuso.

"Cuando desarticulan una organización, al día siguiente hay otros dispuestos a ocupar su lugar", critica Francisco Mena, presidente desde hace 20 años de la Coordinadora de Asociaciones Antidroga de la provincia, y buen conocedor de los impulsos que empujan a tantos hacia las redes criminales: "Un adolescente que vigile en la playa la presencia de guardias civiles gana unos 1.500 euros, el que alija se lleva entre 3.000 y 4.000 y el que lo carga en su coche unos 6.000". Pese a todo, y aunque Cádiz es una de las provincias andaluzas con más consumo, Mena reconoce que la situación de seguridad es ahora mejor que antes de que se implantara el SIVE.

El Plan Nacional sobre Drogas ha puesto un creciente énfasis en la prevención y tratamiento de los drogodependientes. En 2004, el plan dejó de estar bajo la órbita del Ministerio de Interior para ser coordinado por Sanidad, marcando el paso de un enfoque de orden público a otro de protección de la salud. "Hay que profundizar en la prevención, pero el problema de las drogas presenta muchas caras y necesita actuaciones en una diversidad de ámbitos", asegura la delegada del Plan Nacional de Drogas, Carmen Moya: "Es cierto que las medidas represivas exclusivamente no resuelven el problema, pero no podemos menoscabar en medios policiales". Si en 2003 había 3.491 policías y guardias civiles combatiendo al crimen organizado, hoy son 10.653 los agentes dedicados a esta labor.

En 2009 está prevista la ampliación del SIVE por el Este, para frenar la entrada de droga por el delta del Ebro, pero los narcos han inaugurado una nueva vía de acceso mucho más permeable: la entrada por carretera desde los Balcanes. También han intensificado la ruta africana de la cocaína, y siguen colando la droga en zodiac, avionetas, contenedores de mercancías o en los intestinos de los camellos en vuelos comerciales. La creatividad y sofisticación de los traficantes parece no tener fin. El Cuerpo Nacional de Policía de Barcelona interceptó el 20 de marzo un paquete procedente de Venezuela que contenía una vajilla de 42 piezas -vasos, platos y vasijas- fabricada con cocaína.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Tópicos da guerra contra o tráfico

Não sei se você leu matéria publicada na Folha de domingo passado sobre a violência em Ciudad Juarez, no México. Trata-se de uma reportagem de boa qualidade sobre os desdobramentos políticos e sociais da guerra contra as drogas. Neste momento, no México, a discussão sobre o melhor modelo de enfrentamento do tráfico de drogas parece algo muito retórico, pois, podemos afirmar pelas informações de que dispomos, que a guerra já se desenrola. E as mortes já se contam aos milhares. Hoje, no El País, a mesma questão é abordada. Confira abaixo!

M. Á. BASTENIER
'Narcoguerra' en México y Colombia

Colombia y México están íntimamente vinculados por el narcotráfico. Ambos países son ámbitos de producción y tránsito de droga con destino a Estados Unidos, con su formidable mercado de 35 millones de consumidores, y el asalto a las instituciones del Estado que Colombia sufría en los años ochenta y noventa parece una calcomanía de lo que hoy sucede en México. Ha habido un trasvase de mafias, una implantación de carteles de la droga de Colombia en México, porque la demanda es tal que la oferta se ubica allí donde esté el eslabón más débil. Pero los dos países no son vasos comunicantes, porque no es que el primero se vacíe para llenar el segundo, sino que México se colombianiza, sin que Bogotá se vacíe por ello del problema.

En 1982, el presidente norteamericano Ronald Reagan creó la South Florida Task Force, que destruyó los canales de distribución colombianos por mar hasta Miami, lo que dio lugar a la operación trasvase, mediante la cual los carteles colombianos comenzaron a establecer con socios locales nuevas rutas a través de México. Al mismo tiempo, el Estado colombiano comenzaba a imprimir mayor vigor a la lucha contra el narco. Bajo la presidencia de Ernesto Samper en los noventa, se dieron severos golpes al cartel de Medellín, se dice que con la colaboración de las mafias de Cali, y aunque fue esa presunta connivencia la que arruinó un prometedor mandato del que el propio presidente cuenta que se levantaba cada mañana preguntando qué fuego había que apagar, a su término, en 1998, la guerra ya no podía perderse. Andrés Pastrana y Álvaro Uribe han sido los continuadores de esa obra y, muy notablemente, este último ha apostado sus dos mandatos, y puede que un tercero, a la derrota de la narcoguerrilla, FARC, bajo cuyo amparo crece la coca.

Unos 150.000 mexicanos viven del cultivo, procesamiento y distribución de coca, opio y marihuana, y otros 300.000 operan en industrias complementarias, mientras que en Colombia se decía que uno de cada cuatro varones adultos vivía del negocio de la violencia. Las mafias actúan con impunidad en los Estados de Nuevo León, Guanajuato, Tamaulipas, Chihuahua y Veracruz, y, también como en la Colombia de Pablo Escobar, han desarrollado una red asistencial para facilitar despensas y ayudas económicas a los marginados con el objeto de crearse un escudo de opinión mientras corrompen a las autoridades. No en vano, la mafia siciliana nació en el siglo XIX para saquear el Estado, pero también fue un servicio de auxilios al pequeño campesino y jornalero contra los abusos de la propiedad latifundista.

Esa corrupción afecta hasta tal punto a la policía y los servicios de información que el presidente Felipe Calderón ha tenido que enviar al Ejército a la reconquista de Ciudad Juárez, en la frontera con Estados Unidos, donde son militares los nuevos jefes de los servicios de seguridad y operan 7.500 soldados patrullando carreteras y caminos, como hace el contingente de la OTAN en Afganistán. En esa localidad de millón y medio de habitantes, ha habido en los primeros 50 días de 2009 500 asesinatos; y desde 2006, en todo México, más de 10.000 muertes vinculadas al narco, tres veces más que las bajas de Estados Unidos en seis años de guerra en Irak.

En Colombia, la superposición de las FARC para la protección y cobro del peaje sobre el cultivo ilícito ha difuminado el panorama, de forma que combatir a la guerrilla parece que lo tapa todo, y pese a los indiscutibles éxitos militares del Estado, la extensión de los campos de coca nunca disminuye. Si mañana las FARC se autodisolvieran, la erradicación del narco se hallaría lejos de estar garantizada, porque a los antiguos carteles les han sucedido gran número de pequeños traficantes diseminados por una geografía abrupta, mal comunicada e inabarcable por un Estado que, aun habiéndose reforzado notablemente con Uribe, necesitaría más tropas de las que parece dispuesto a sufragar el capitalismo nacional.

Diríase que el presidente estadounidense, Barack Obama, sólo hubiera heredado guerras de su predecesor: contra la crisis, contra el pueblo de Irak, contra Al Qaeda y los talibanes en Afganistán y Pakistán, y en su linde meridional, contra la droga. Sellar la frontera con México exigiría seguramente muchos más hombres que el medio millón que Estados Unidos envió a Vietnam a perder una guerra. Pero sin el concurso irrestricto del vecino del norte, cuesta creer que el combate al narco pueda culminarse con éxito.