domingo, 25 de novembro de 2012

Alan Daniel estréia blog. Com muito estilo.

O Professor Alan Daniel Lacerda é um dos cientistas políticos mais competentes que eu conheço. Antenado com as discussões de ponta da sua área, ele não subordina suas avaliações aos ditames do modismo e nem das conveniências políticas e ideológicas. Vale a pena ler o que ele escreve, portanto. Agora, o cara está com um blog. Isso mesmo! Um blog para escrever sobre política. E o primeiro post está muito legal. Confira aqui!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O conflito Israel e palestinos

Na guerra, a primeira vítima é sempre a verdade. Os fatos sempre são construídos a partir das óticas das partes em conflito. No Brasil, a esquerda fecha sempre com um lado. Nem sempre com uma visão muito crítica das posturas e dos pressupostos desse lado. Daí, a importância de levarmos em conta outros atores. Por isso, abaixo, a visão de alguém ligada a esquerda europeia. Trata-se de artigo originalmente publicado no EL PAÍS e traduzido pelo EX-BLOG DO CÉSAR MAIA.



(Sami Nair - El País, 16) 1. Mais uma vez, os palestinos e os israelenses se tornam reféns e vítimas das políticas desastrosas de seus líderes. Mais mortos, feridos, tragédias humanas. Por que desta vez? Há várias razões: por parte de Israel, a preparação das eleições legislativas que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, quer ganhar à custa da “extrema” direita que faz parte de seu governo de coalizão. Neste caso, nada melhor do que um confronto com os palestinos para mostrar que é ele quem pode "defender" melhor os israelenses. Para isso, assassina o líder militar do Hamas, causando a reação imediata deste movimento com o lançamento de foguetes contra Israel.


2. Os israelenses também anunciaram claramente a sua intenção de bombardear a Autoridade Palestina, caso essa continue buscando a proclamação de um Estado palestino na Assembleia Geral da ONU. Em 24 de outubro, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, político de extrema-direita, disse em uma conversa com a representante da União Europeia, Catherine Ashton, que, no caso da demanda palestina prosperar, não haveria escolha senão "derrubar" Abbas e destruir a Autoridade Nacional Palestina. Talvez os bombardeios sobre Gaza sejam o primeiro passo dessa vontade.


3. Na mesma linha, a estratégia de Israel de assassinatos "planejados", colocada em ação com total impunidade por mais de 15 anos, permite reviver o conflito cada vez que surge uma centelha de solução política. Este direito de matar e derrubar governos, juntamente com a suspeita de que os serviços de segurança de Israel envenenaram Yasser Arafat, dá uma noção de até onde pode chegar o Estado judeu. Finalmente, também é muito provável que os líderes israelenses, de acordo com alguns setores do governo norte americano, busquem, em caso de conflito com os palestinos, testar a reação da Irmandade Muçulmana, que atualmente está no poder no Egito.


4. Por outro lado, a Autoridade Palestina e o Hamas também estão em uma corrida eleitoral. O Hamas tem interesse em radicalizar o confronto militar com os ocupantes israelenses, e a Autoridade Palestina, liderada por Mahmud Abbas, precisa de algo para enfrentar seus adversários religiosos, pois é claro que a eleição da paz negociada com a comunidade internacional fracassou. Um Estado palestino ao lado de Israel parece cada vez mais uma quimera, por outro lado, a "coabitação" armada e sangrenta entre os dois povos está se tornando um destino implacável.


5. Na verdade, estamos diante de uma guerra dos cem anos, que com a disseminação de armas de destruição em massa, acabará em uma conflagração destrutiva, não somente para os dois adversários, mas para toda a região. Não é uma ameaça distante. A balcanização a que estamos assistindo, com a provável destruição do Estado-nação sírio depois do Iraque; o auge dos movimentos radicais religiosos, agora diretamente apoiados pelas potências ocidentais; a possibilidade de um bombardeio israelense ao Irã; a inevitável reação deste país diretamente sobre Israel e sobre os países pró-americanos do Golfo, na verdade aliados de Israel (especialmente a Arábia Saudita); além da intervenção inevitável do Hezbollah no sul do Líbano, são os ingredientes que estão fazendo a região entrar em ebulição.

6. Para definir este tipo de situação, o filósofo Francis Herbert Bradley dizia amarga e ironicamente: "Quando tudo vai mal, não deve ser tão mal provar o pior". Dessa forma os apóstolos da guerra podem prosperar livremente no Oriente Médio.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Uma análise psicológica da música que inferniza os nossos dias...

Está nas bocas, nos botequins e em todas as bicicletas de som que pululam nesta cidade do sol. A musiquinha me acompanha na caminhada e me persegue no ônibus. Na farmácia, o atendente fazia loas ao Rei. Vingo-me, então, indicando este blog no qual consta uma interessante análise psicológica da música do Roberto. Confira aqui.

domingo, 11 de novembro de 2012

Não sou tão do mal...

Como sou do bem (rss), jogo mais uma preciosidade aqui.

Prá ficar melhor ainda...

Música para você sair da pasmaceira

A defesa dos animais e os anjos que nos habitam

O trecho abaixo, retirado da edição de hoje do EL PAÍS, é a transcrição da parte final da entrevista de Steven Pinker. Perdoem-me pela tradução meia boca, mas achei que valia a pena trazer isso para este espaço.

Quando nos preocupamos em defender os animais nos tornamos melhores como seres humanos. Defender a vida de um animal é um indicador importante porque, nesse caso, as vítimas não estão em condições de se defender. Velar pelos direitos dos animais é questão de razão pura, de pura empatia. É o melhor exemplo de como os anjos que carregamos dentro de nós podem influir de maneira benéfica em nosso comportamento.

Quem quiser ler a entrevista integral, em espanhol, clique aqui.

Quando a FOLHA aborda Cristina Kirchner...

...nem sempre a isenção predomina. Não chega ao discurso escatológico de uma VEJA, mas... temos que ter uma paciência do tamanho de um elefante para continuar a ler as diatribes do jornal paulistano contra o "populismo argentino". Bueno, o veterano jornalista Paulo Nogueira, que já transitou por órgãos de imprensa os mais diversos nestas e em outras plagas, no seu sempre ótimo DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO, produziu uma análise bem interessante da relação entre o matutino paulistano e o governo da Presidenta argentina. Clique aqui e confira!

sábado, 10 de novembro de 2012

Rarindra Prakarsa

A fotografia de Rarindra Prakarsa é uma exaltação da vida. A iluminação cumpre um papel fundamental no seu trabalho. Você se deleita com a sua obra magistral. Confira aqui.

Uma dica de filme

Um filme emocionante! Comédia? Drama? Denúncia do lugar para onde nos levam os delírios dos que desdenham da "democracia burguesa"? Libelo anti-stalinista? Tudo isso e mais um pouco. É o filme romeno "Casamento Silencioso". Assista o trailer abaixo.

Uma última palavra sobre a ocupação da Reitoria

Chegou ao fim a ocupação da Reitoria. Isolados da comunidade e do entorno social, os ocupantes (há quem fique chocado com o termo invasores, e, como é final de semana, então, vai aí minha concessão...) se retiraram. Os discursos e a estética do, sejamos generosos, "movimento" já foram objetos de outros posts neste espaço.

Uma última palavra sobre a ação, então. Já falei da boçalidade dos "ocupantes". Ressalto agora o fato de eles, nas suas fantasias pseudo-políticas, arrogarem-se o papel de representantes dos estudantes da UFRN.

Não são mais do vinte ou vinte e cinco pessoas, oriundas, quase todas, de uma mesma unidade acadêmica, mas, talvez iluminados por alguma divindade, acham-se OS estudantes da UFRN. Há algo de cômico nessa fantasia. Ouvi-os dizerem que os "outros estudantes" (ou seja, 99,99% dos discentes da UFRN) são "alienados" e "conformistas".

Essa construção delirante encontra referente no discurso de um dos professores que atuou nos bastidores do "movimento", o qual afirmava  que a "parte não adormecida" da UFRN estava ocupando a reitoria. Sério! Não é piada.

Após a desocupação e o retorno para a vidinha de pouco estudo, eles serão confrontados com a sua irrelevância política. Para além de sua truculência e dos trejeitos e falatórios que remetem aos atores do crime organizado, poucos rastros de sua "ação revolucionária" permanecerão. Claro!!! Eles incomodaram e constrangeram pessoas, especialmente os funcionários da Reitoria, obrigados a lidar com o desrespeito cotidiano. Mas, quem trabalha e estuda tem mais com o quê se preocupar... Logo, a ocupação da Reitoria será esquecida.

Esquecida? Sim! Isso se os sem-noção que levaram crianças para um ambiente tornado insalubre pela presença pouco higiênica de duas dezenas de pesssoas não tiverem que prestar contas de sua irresponsabilidade perante as autoridades judiciais da área da infância da cidade (jornais da cidade documentaram o fato).

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ofensas e ameaças, não.

A partir de agora, eu removerei todos os comentários que contenham ofensas pessoais e/ou ameaças. Os mesmos ficarão, entretanto, registrados na minha caixa postal. Isso para o caso de se fazer necessária a identificação dos IPs dos remetentes.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Estado de Direito


Fora do Estado de Direito, resta-nos a barbárie. Podemos e devemos lutar para alargar os espaços de sociabilidade e multiplicar os territórios de expressão das múltiplas vozes e posições políticas e ideológicas, mas isso exige compromissos. Até porque a utilização instrumental das instituições da sociedade democrática, dentre elas a Universidade, termina por minar as bases de legitimação daquelas,  o que, ao fim e ao cabo, produz sempre resultados políticos e sociais regressivos.

Uma expressão do que apontamos acima é o florescimento, não apenas no sistema de ensino superior do país, mas em diversos órgãos do Estado brasileiro,  de agrupamento sindicais que, na busca da realização de seus interesses corporativistas, impõem prejuízos sociais graves à toda a população. Quando não conspiram abertamente para a destruição simbólica das instituições que acolhem os seus supostos representados como servidores.
Tá passando a hora de reagir.

A estética de apologia ao crime na invasão da Reitoria da UFRN

Abaixo, alguns vídeos produzidos pelos invasores da Reitoria da UFRN. Eles estão lá há uma semana. Não sei se você conseguirá suportar assisti-los até o fim. O material é uma agressão à Universidade enquanto instituição e a todos que a mantém com o suor do seu trabalho. Mas, penso, deve ser visto. Por quê? Porque é necessário que todos quantos defendemos a Universidade no Brasil de hoje tenhamos clareza a respeito da identidade dos nossos adversários.

Os vídeos expressam a cultura de elegia ao crime organizado que começa a se espraiar por universidades e escolas do ensino médio deste país. Os encapuzados dos vídeos podem até lembrar o os atores dos materiais de propaganda das ações da Al Qaeda, mas, observando-se bem, o gestual e a linguagem rementem claramente ao universo moral e estético das facções criminosas dominantes em vários presídos brasileiros (e em partes significativas do mercado de drogas do país).

Vez ou outra, as falas incorporam termos presentes no universo discursivo do anarquismo. Elaborações vagas e imprecisas, é certo. Em outros momentos, sub-conceitos focaultianas são, como dizer?, rudemente balbuciados. Mas o que fica mesmo, ao final, são as interjeições e os trejeitos típicos dos quadrilheiros que impõem as suas vontades sobre vastas áreas urbanas de cidades dos chamados países em desenvolvimento nas quais a violência legítima do Estado perdeu vastos espaços para a violência brutal da criminalidade organizada.

Claro! Pode-se sempre dizer que tudo é performance. Mas o fato de os invasores da Reitoria cultuarem a estética do crime organizado, particularmente do narcotráfico, é, em si mesmo, emblemático dos horizontes políticos e ideológicos desse "movimento".

Outro aspecto digno de análise é o desprezo boçal que eles cultuam pela instituição que os acolheu. Eis aí algo que mereceria uma análise mais psicanalítica do que propriamente política.

domingo, 4 de novembro de 2012

A ação dos milicianos na UFRN

O vídeo fala por si só. Assista as cenas tenebrosas e veja como age o parassindicalismo. O material foi produzido por eles próprios. Agora, imagine-se ali no meio, querendo exercitar o seu direito de opinião.

Professora desmente farsa sobre agressão a sindicalista

A Professora Grinaura Medeiro, que, no dia 1º, foi procurada por lideranças sindicais do SINTEST, para corroborar a versão farsesca que eles estavam montando, foi testemunha ocular da suposta agressão praticada pelo Pró-Reitor de Administração da UFRN contra sindicalista.

Agora, em lista da ADURN, ela vem a público desmentir a versão construída pelo parasindicalismo;

"O pro-reitor foi empurrado com violência. Eu vi. "

Professor Roberto Hugo comenta a agressão brutal ao CONSUNI da UFRN

Roberto Hugo, Beto Hugo, comenta, no texto abaixo, publicado originalmente na lista da ADURN a brutalidade cometida pela mílicia parasindical do SINTEST. Trata-se de resposta a um comentário deslocado de um colega.

Caro Luís, gostaria de lhe lembrar que, exatamente por que o tempo dos generais acabou, se o seu olhar for de "crítica " à atual Administração Cental, acho que você poderia ir buscá-la exatamente do lado oposto, ou seja, na falta de autoridade da reitoria com relação às agressões ao Estado de Direito que o SINTEST tem protagonizado. Até recomendo a todos que vejam as explicações de Sandro Pimentel sobre o soco que teria levado do pró-reitor. Inclusive faço questão de dar o link para o vídeo no qual o SINTEST dá sua explicação sobre o incidente (http://youtu.be/TVtJUkaqXdQ ),incluída aí a performance de Sandro como vítima dos "generais de plantão" , na edição o SINTEST divulgou em sua página, via youtube. Não só por amor ao contraditório, mas também por achar que para bom entendedor, bastaria ver aquele vídeo.


Mas sugiro a todos que, antes vejam um vídeo mais factual, ASSUSTADOR, no qual os acontecimentos falam por si sós, e no qual se pode ter uma pálida idéia do que foi a agressão sofrida pelo CONSUNI, no link http://www.youtube.com/watch?v=qGWtaE54GBE


Se possível, imaginem-se naquela reunião, presencialmente, na hora que apagaram todas as luzes e imaginem a gritaria que se ouvia naquele momento e o que estariam mesmo gritando aquelas pessoas bem ao pé dos ouvidos dos membros do Consuni, conforme está registrado no vídeo acima. Ainda mais, para votar um tema relacionado a gestão de hospitais que até pode não ter sido exaurido na área da saude, mas havia sido discutido em todas as unidades da área da saúde, chegando a um impressionante placar de unanimidade nos conselhos do HUAB e do CB, maioria de 33 a 3 no CONSEC da sáude e de 11 a 5 no HUOL. E mais, sendo exaustivamente facultada a palavra para que representantes dos funcionários daqui e de fora pudessem se pronunciar, e até mesmo sendo acatado o encaminhamento de votar a necessidade de um plebiscito sobre a questão, amplamente derrotado na reunião. Leiam ainda a nota do CONSUNI sobre o tema, para ter uma idéia de por onde passou o incidente.


Certamente o tema é polêmico, como tem sido polêmica desde sempre a gestão dos hospitais, com tantas raposas tomando conta de alguns galinheiros, e a discussão acabou ficando meio que restrita ao pessoal da área da saúde e da administração da UFRN. Vamos combinar, bem poucos de nós, cá fora da área da saúde tivemos o saco de prestar maior atenção àquela discussão e, pelo que vi, as opiniões que aqui e ali vejo se manifestarem em redes às quais tenho acesso na UFRN são bem confusas e apressadas, de quem aparenta ter estado bem pouco motivado com a discussão, mas que de repente se sensibiliza com um ou outro aspecto do tema. Um ponto que me parece agravar a agressão feita pelo SINTEST ao Estado de Direito é que o ponto talvez realmente delicado de toda a discussão esteja na questão "ganho de gestão dos hospitais X possibilidades de perda de autonomia acadêmica". Não acredito que este seja o foco do SINTEST pois, vamos e venhamos, no melhor dos casos, o SINTEST está preocupado com a questão funcional dos servidores, nos sócios que o sindicato pode perder com a medida, mas muito pouco com questões ligadas a ensino e pesquisa... Tanto é que a alegação dos dirigentes do SINTEST no vídeo é de privatização da área da saúde, quando a EBSERH é uma empresa 100% pública... Se problemas houver com o formato de gestão proposto, não é por aí e todos os argumentos nesta direção me parecem bem falaciosos...

Até posso concordar que foi um equívoco de João Batista ele ter perdido a cabeça ao se ver tolhido pelos sindicalistas em seu constitucional direito de ir e vir, quando tentava adentrar uma sala de reunião que havia sido convocada para dar continuidade a reunião que houvera sido inviabilizada à força pelo SINTEST, na véspera. Tudo bem, foi um erro. Para mim um erro muito humano, diga-se de passagem, para quem estava naquelas condições. Daí a vir você, meu caro Luís, um professor que conhece esta universidade como poucos, enxergar neste pequeno deslize do pro-reitor uma oportunidade para fazer coro a quem agrediu o Consuni e o estado de direito como o fez o SINTEST, ao ponto de vir a falar num "regime" da reitoria "cada vez mais parecido com o dos generais" me deixa sem adjetivos adequados à mão para qualificar sua posição, para não estragar a amizade que lhe tenho...

Considero muito grave o que está ocorrendo. Não sou daqueles que vêm maiores problemas com excessos juvenis. Trotes de estudantes, fumacês, um pouco de gritaria e de transgressão acho que fazem mesmo parte do momento da vida na qual os estudantes entram nas IFES. Todos nós já fomos jovens, boa parte tem ou teve filhos jovens e sabe como isto se passa...Uns se incomodam mais, outros menos. Eu me incluo entre os mais tolerantes nesta questão, apesar de pessoalmente não me agradarem muitos dos excessos, como seria natural a um coroa de 64 anos. Contudo, a atuação do SINTEST, que se julga no direito de barrar o direito dos outros de ir e vir a todo momento, bem como de inviabilizar instâncias deliberativas me parece algo bem diferente e não pode ficar na mesma caixinha. Se fosse uma ação isolada, até seria aceitável e ficariam na conta de alguns excessos comuns em lutas políticas. Mas não é. Tem virado rotina este tipo de ação do SINTEST. Na verdade, como todos acompanharam na greve, vem ocorrendo em dosagens cada vez mais ousadas... O SINTEST representa uma categoria profissional a qual devemos solidariedade em suas lutas, mas não me parece correto tratá-los como coitadinhos a quem tudo se deva perdoar. Ou pior ainda, ficarmos acuados sem esboçar reação com receios sei lá de que.

Na verdade, caro Luís, voltando ao ponto inicial, se algum problema há, ele reside muito mais na falta de pulso da administração central em trabalhar com as forças políticas que têm recorrido a este tipo de expedientes em todo o país e não no excesso que um professor possa ter cometido ao dar o troco de uma agressão sofrida. Em especial, espero que a administração central consiga garantir o direito dos professores de ir e vir na UFRN, sem ter que apelar para garantí-lo pela força. Isto sim, seria algo muito grave e espero que não precisemos chegar lá. Ou será que deve ser outorgado ao SINTEST o direito de recorrentemente fechar o acesso a recintos no interior da UFRN a seu bel prazer, inviabilizar reuniões de órgãos colegiados da forma que o fez, com apitos, gritarias, apagando a energia e deixando todos no escuro, assustando a todos os presentes, com manifestantes políticos trazidos de outros movimentos sociais com o expresso objetivo de tumultuar a reunião e agredir conselheiros, até mesmo trazendo alunos secundaristas ao recinto, enganando-os que se tratava de uma palestra sobre saúde... Até quando?

Ao contrário de você, o que espero da administração central nesta questão é pulso mais firme com os dirigentes do SINTEST responsáveis pelas agressões ao Estado de Direito que tanto nos custou a todos conquistar, bem como um diálogo mais direto com o restante da UFRN de modo a poder melhor partilhar dificuldades como esta que hoje enfrenta. abs

RHB

Porque eles são de esquerda... (a UFRN em 2014)

O depoimento abaixo, jogado por uma máquina do tempo, foi escrito em agosto de 2014. Dada a contundência dos fatos relatados, achei que deveria socializar com vocês. É longo, mas vale a pena lê-lo até o final
 

Eu sabia que, em greves passadas, eles haviam invadido unidades hospitalares e constrangido usuários e profissionais que queriam trabalhar. Mas, como também sabia que eles eram de esquerda, relevei. Coisas do embate político, pensei na época.

Eu sabia que eles impediam matrículas de alunos, fechavam garagens e ameaçavam veladamente os que a eles se impunham. Coisas da luta sindical, foi o pensamento que me conformou. Incomodei-me um pouco, é certo, mas segui adiante.

Em 2012, eles disseram que iam radicalizar. Jogo pesado contra o Governo Dilma, disseram. E até colocaram faixas com chantagens a respeito de matrículas e início das aulas. Ninguém se incomodou, nem eu. E queriam que os professores da UFRN entrassem em greve. Seríamos traidores se não os seguíssemos. Estão exagerando um pouco, foi o que me veio à cabeça. Mas, depois, com mais tranquilidade, construí o seguinte raciocínio: até que esse governo merece um recado.

Eles encontraram apoios e chamaram os professores para uma reunião paralela para construir a greve. A reunião foi no Centro de Convivência. Quase ninguém foi lá. Aí teve uma assembleia e eles não apareceram, mas mandaram os “estudantes livres”, que também são de esquerda. Esses até agitaram as coisas um pouquinho, berraram e partiram para as agressões verbais contra a diretoria da ADURN. Bom, eu não era muito próximo mesmo desse pessoal da ADURN, por que diabos eu iria lamentar?. E, afinal de contas, os combativos são de esquerda... Relevei.

E aí veio um plebiscito. “Agora”, eles disseram, “teremos uma greve de toda a comunidade da UFRN”. Mas a greve não veio. O plebiscito não referendou a greve. Eles vociferaram contra a “pelegada da UFRN”. Alguns colegas professores apelaram para o moralismo e disseram que tinham “vergonha” de ser da UFRN. Também senti vergonha. Mas até que me senti aliviado, afinal de contas, a gente sabe bem: greve é sempre prejudicial e não há recuperação possível paras as perdas que nelas acumulamos. Por fora, eu lamentava; no íntimo, comemorava. Mas continuei simpático a eles, pois eles são de esquerda...

E eles estavam capitaneando uma grande greve bem bombada. Radicalizada, diziam. Unidades inteiras funcionavam normalmente, mas a greve era forte, eles asseguravam. Para radicalizar, eles passaram a fechar setores e impedir atividades. Aquilo me desgostava, mas eu não era dirigente da UFRN, então, deixei pra lá.

Nas atividades radicalizadas, eu percebia que eles estavam bem estruturados. Havia um grupo com coletes pretos que garantia, no braço, a tal radicalidade. Coisa de esquerda? Eu fiquei meio receoso. As suas roupas e suas atitudes lembravam uma milícia, mas logo eu afugentava esse pensamento. Ora, ora, que é isso? Afinal, eles são de esquerda, eu me recriminava. Muito embora, em algumas madrugadas, eu acordasse suado, agitado, após um pesadelo no qual os camisas pretas da UFRN gargalhavam abraçados com os fantasmas dos “camisas pretas” de certo histriônico líder italiano...

A cada dia, eles fechavam um setor. Brigaram contra estudantes que queriam se matricular e ameaçaram funcionários da PROGRAD que iriam recepcionar os calouros. Efeitos colaterais da luta, pensei. Ora, eles são de esquerda e os seus objetivos finais são moralmente superiores.

Um dia, meio cinzento, eles fecharam a biblioteca. Aquilo me doeu, de verdade. Especialmente quando eu vi os homens de colete preto, a tal milícia, impedindo o acesso dos estudantes aos livros. Minha mãe dizia para eu temer sempre, sempre, quem odeia os livros. Pensei nisso. Mas, naquele dia, eu relevei, pois, afinal, eles eram de esquerda.

Depois, soube que alguns colegas, que são companheiros de viagem deles, haviam tomado de assalto assembleias de docentes na Bahia e em Goiás e tirado, no muque, o tal PROIFES da direção das entidades. Eles estão exagerando um pouco, foi o que pensei. Mas, lembro-me bem, também fiquei um pouco satisfeito, pois, afinal, sempre fui crítico do “poder”... Eles romperam as regras democráticas, mas, afinal, são de esquerda.

Terminada a greve, eles começaram a intimidar alguns chefes de departamentos e unidades. Qualquer crítica ou solicitação a um funcionário, o infeliz “autoritário” era denunciada como autor de “assédio moral”. Não gostei muito, mas, pensei, esse é o efeito colateral de ter um sindicato combativo na nossa instituição.

Em 31 de outubro de 2012, para impedir a aprovação da adesão da UFRN À EBSERH, eles acabaram, na força, uma reunião do CONSUNI. Enganaram alunos e professores de uma escola pública e os jogaram no Auditório da Reitoria no meio dos homens de coletes, que, naquele dia, não estavam com coletes pretos, e, sim, com leves camisetas com dizeres em “defesa dos hospitais universitários”. Os pobres estudantes, amedrontados, quiseram sair. Uma voz, em um microfone, apelou: “pessoal, fiquem, pois, depois que terminar, a gente distribui o lanche...”.

Eles também trouxeram seus amigos de outras paragens. E esses companheiros deles eram bastante combativos. Profissionais. Os conselheiros foram constrangidos por apupos e agressões verbais. Com dedos em riste, diretores de centro e representantes docentes foram, digamos, admoestados da inteireza política e moral das propostas deles. Quando eles começaram a fazer discursos de ódio contra os professores, os médicos e os enfermeiros (“gente de elite” que, segundo eles, será beneficiada pela EBSERH), eu duvidei que eles estivessem fazendo a coisa certa. Mas, espera um pouco aí, eles são de esquerda...

Quando a proposta deles, de um plebiscito, foi derrotada, eles decidiram acabar com a reunião do CONSUNI. Eles tomaram de assalto o palco do Auditório e passaram a fazer ameaças veladas aos conselheiros. A Reitora ainda tentou reiniciar os trabalhos, mas eles já haviam começado a esmurrar a mesa. Um deles, percebi que um combativo companheiro de outras paragens, movido para a atividade pela mais sincera solidariedade de classe, ainda tentou convencer os demais a arrancar mesa. Até tentaram, mas a estrutura é bem sólida ali...

Bom, eu não sou conselheiro do CONSUNI, não sou do PROIFES, nem da ADURN e nem gestor da UFRN e nem chefe de nada, então, fiquei na minha. Tive minhas dúvidas sobre o pertencimento deles à esquerda, mas fui tocar a minha vida.

Em 2013, durante a longa greve de oito meses, eles fecharam por dois meses os setores de aula. Os estudantes da ANEL, seus companheiros de viagem, começaram a ameaçar fisicamente os colegas que teimassem em assistir aulas. Professores de esquerda pós-pós e descolados os apoiaram entusiasmadamente. Um deles me disse que eles expressavam o “vitalismo reprimido da modernidade”. Citou alguns autores franceses pós-estruturalistas para justificar a fogueira que eles fizeram com parte dos livros da biblioteca.

Terminada a greve, eles, com apoio de combativos parlamentares de esquerda da Câmara Municipal de Natal, criaram uma comissão para monitorar a equanimidade nas relações entre professores e funcionários. Com apoio dos homens de colete preto, passaram a fechar laboratórios de pesquisa, pois os mesmos “seriam entrepostos do Capital” dentro da Universidade. Bom, eu não chefio laboratório nenhum, então, fiquei na minha.

Agora, em março de 2014, eles passaram a ajudar os estudantes da ANEL em um acompanhamento sistemático das aulas proferidas na Universidade. O objetivo é nobre: adequar os conteúdos das disciplinas às práticas antiautoritárias. Lá pelas bandas do CCHLA, os professores de direita, que trabalham com autores como Weber, Sen, Schumpeter e quetais foram expulsos de sala de aula. Em nome da qualidade de ensino. Os pós-pós falaram em “purificação”. Um desses colegas, que havia vibrado, com a possiblidade de a UFRN pegar fogo em 2012, retomou a litania do vitalismo. Bom, eu não sou professor do CCHLA, então, nada disso me toca. Não tenho laboratório e nem sou do Azulão, então... E os caras são de esquerda. E estão com uma força política danada...

Em abril, meu mundo ruiu. Fui denunciado. Cometi o erro de reprovar por falta três alunos que não frequentaram as minhas aulas. Eu não sabia que os estudantes eram companheiros deles. Agora, eles me denunciaram por assédio moral e o chefe de departamento, pressionado pelos homens de colete preto, me disse, meio envergonhado, que eu teria que responder a um inquérito administrativo. Fiquei desesperado: quem me ajudaria?

E eu que sempre fui cúmplice deles, fiquei só durante um tempo. Dias tenebrosos aqueles. Afinal, todos os que podiam se contrapor a eles haviam sido derrotados. No início de maio, eles me procuraram. Eram três homens de colete preto e uma moça com uma camiseta com dizeres contra a privatização de alguma coisa, que eu não me lembro mais. Vieram dizer-me que gostavam de mim, e que iriam dar um jeito de retirar as acusações que infernizavam meus dias. Em troca, teria apenas que denunciar alguns colegas por assédio moral contra funcionários... Aceitei. Quando eles saíram, corri para o sanitário e vomitei. Depois, lavei o rosto e fui tomar um café na Cooperativa Cultural.

Mais tarde, refeito, afastei os maus pensamentos da cabeça e me agarrei na seguinte ideia: eu estou salvo, estou do lado deles e eles são de esquerda. Esse pensamento acalenta parte dos meus dias. Pena que não dure muito tempo. Desde junho, tenho bebido quase diariamente. Essa é a forma de aguentar os dias que me restam até a minha redentora aposentadoria. E eles continuam me pedindo coisas e favores. Minhas ânsias de vômitos são constantes. Minhas aulas, uma porcaria. Mas eles estão comigo. O pessoal da ANEL me trata como “companheiro”. Vou sobreviver.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

SOBRE A INTERRUPÇÃO DA REUNIÃO DO CONSUNI DA UFRN


Ontem, dia 31 de outubro de 2012, não apenas a UFRN, mas a ideia mesma de Universidade foi brutalmente pisoteada no Auditório da Reitoria. Quem conhece a história de nossa instituição, sabe que esse é um teatro da memória de alguns dos nossos mais importantes e solenes momentos. Memoráveis assembleias, palestras, simpósios, colações de grau e concessões de títulos honoríficos são ali realizadas.

Mais do que uma estrutura arquitetônica, o Auditório da Reitoria é representação simbólica da Àgora na UFRN. Um lugar para o bom debate. Como aquele que deve ocorrer quando o seu Conselho Universitário (CONSUNI) está em reunião. Um debate que não exclui a paixão, mas que deve ser racionalmente alicerçado. E, mais importante, onde ideias e proposições entram em choque, mas nunca, nunca mesmo, pessoas.

E o que estava em pauta na reunião do CONSUNI brutalmente interrompida? A adesão ou não do sistema hospitalar da UFRN à EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), empresa pública, com 100% de capital estatal, que absorverá, a partir de contratos pactuados entre as universidades federais e o Governo Federal, a gestão dos HUs. O SINTEST e a FASUBRA são contra a proposta. Têm suas razões, é certo. Assim como o têm aqueles que entendem que a adesão à EBSERH é o único caminho para a sobrevivência de um sistema hospitalar fundamental para a assistência de qualidade à população e para a realização de atividades formativas no campo da saúde para os estudantes universitários. Visões e compreensões opostas a serem discutidas e definidas nas instâncias legais e legitimamente instituídas.

A reitora da UFRN apostou na racionalidade e civilidade das lideranças sindicais do SINTEST e da FASUBRA. Tanto assim que, antes da reunião, os recebeu em seu gabinete e pactou sobre detalhes da mesma: as duas posições (contra e a favor a adesão a EBSERH) teriam o mesmo espaço de tempo para desenvolver suas argumentações, utilizando-se inclusive do auxílio de equipamentos audiovisuais; além dos conselheiros, dirigentes da FASUBRA e do Conselho Estadual de Saúde teriam direito a voz e, atendendo a uma demanda do sindicato, antes da votação principal, do mérito, votaríamos a proposta de um plebiscito, proposto pelo Sindicato, para que a comunidade universitária (e, segundo algumas defesas, os usuários) se posicionasse sobre a questão em pauta.

Ao adentrarem no Auditório, os conselheiros se depararam com um ambiente adverso ao debate franco e leal. Apupos, gritos e a utilização ostensiva de objetos de som dominavam. Os atores dessa mácula contra a Universidade foram muitos, a maior parte deles estranha à UFRN e ao ambiente acadêmico.  Alguns, dirigentes da FASUBRA. Além de dirigentes sindicais de outras unidades da federação. No meio, algumas dezenas de alunos de uma escola pública, arregimentados para participar de uma assembleia sobre assunto sobre o qual eles pouco ou nada entendiam.  Alguns desses alunos eram adolescentes, que estavam ali, muito provavelmente, sem a autorização de pais ou responsáveis.

Apesar do clima hostil criado pelos sindicalistas, a Magnífica Reitora conduziu com serenidade e tranquilidade a discussão da pauta.  Mesmo com o desrespeito e as agressões verbais de parte da plateia aos conselheiros que apresentaram posições discordantes daquela defendida pelo SINTEST, conseguiu-se chegar à votação do plebiscito. Antes mesmo de concluída a votação, quando se deram conta de que a sua proposta havia sido rejeitada pela esmagadora maioria dos conselheiros presentes, parte dos presentes, atendendo a instigação de alguns, tomou de assalto à mesa. Em seguida, as luzes do auditório foram apagadas. Desse momento em diante, a truculência tomou conta de um espaço que deveria ser do debate racional.  Insultos, gritos ensurdecedores e ameaças veladas aos conselheiros.

De repente, o palco no qual a UFRN teve alguns de seus melhores momentos como Universidade, foi tomado por gente que queria não apenas gritar, mas também esmurrar, bater. Pessoas foram poupadas, felizmente. Até porque os conselheiros não reagiram às provocações insultuosas. Mas a mesa foi alvo da truculência. Nela, pessoas, algumas com máscaras, desferiam seus golpes de ira.
Interrompida a reunião, a Magnífica Reitora convocou, para hoje, dia 01, a sua continuidade no Auditório da SEDIS. Os mesmos atores da patuscada do dia anterior protagonizaram novo ataque ao CONSUNI, à UFRN e ao ideal de Universidade. Invadiram o local e impediram a entrada dos conselheiros. Para complementar a sua ação, e buscar alguma legitimidade para a sua violência, os dirigentes sindicais protagonizaram uma farsa: impediram o Pró-Reitor de Administração, Profº João Batista, de adentrar o local, empurrando-o e levando-o a reagir para defender a sua integridade física, o que fez com que, de forma inescrupulosa, o grupo tivesse um referente para posar de vítima e, assim, diminuir o peso da ação anti-Universidade de que foram os protagonistas.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Mineiro, a vitória da política e o sonho possível.


É de reconhecimento geral que a campanha de Fernando Mineiro à Prefeitura da Cidade do Natal guiou-se pela política. Em nenhum momento a candidatura petista resvalou para os ataques pessoas, para a subpolítica ou para sensacionalismo. Nem, tampouco, fez concessões ao moralismo de bolso. Em um tempo no qual é quase de bom tom se cultivar uma certa aversão ao fazer política e aos políticos, no qual a negação da possibilidade de mudar os rumos da vida pública entroniza a ditadura das coisas e do “é assim mesmo”, Mineiro velejou contra o vento da alienação e apostou na discussão dos grandes problemas da cidade.

E essa postura não é apenas o resultado de uma “escolha”, um conselho de um marqueteiro experiente. Longe disso! Nem todos poderiam fazê-la. Somente quem, como Mineiro, atuou, seja na Câmara Municipal de Natal ou na Assembleia Legislativa, orientado pela abordagem de questões fundamentais para a cidadania, poderia dar esse rumo a uma campanha eleitoral.

Ao que indicam as últimas pesquisas de opinião, e também certo sentimento que parece tomar conta da cidade, Mineiro começa a colher os frutos da direção republicana imprimida à sua candidatura. Esses frutos se traduzem em votos, mas não só. A candidatura Mineiro também colhe dividendos políticos. O que se traduz em reconhecimento de sua figura pública. Não por acaso, adversários os mais diversos reconhecem o candidato como aquele que mais apresentou propostas concretas e que mais procurou abordar de forma qualificada os gigantescos desafios colocados para Natal neste momento.

A escolha de Mineiro foi por uma campanha educativa, por diversas razões. Em primeiro lugar, por mostrar que a gestão de uma cidade com mais de 800 mil habitantes, na segunda década do século XXI, não é tarefa que possa alcançar êxito se descolada da incorporação cotidiana da política. Dada a complexidade econômica, social e cultural da vida urbana em um mundo marcada pela oposição entre os “de dentro” e os de “fora”, uma administração municipal positiva somente é possível se uma concepção positiva e propositiva de condução da máquina pública fundamenta as ações e projetos do prefeito.

Nessa direção, não camuflar e nem reprimir os múltiplos e contraditórios interesses que emergem legitimamente no solo urbano é um bom começo. Orientado pela mesma perspectiva política respeitosa em relação aos que pensam e atuam conforme interesses e valores diferentes dos seus, Mineiro demonstra que se encontra à altura do desafio que é conduzir a gestão urbana de uma cidade que não pode avançar rumo ao futuro repetindo fórmulas, atores e projetos já destituídos de sentindo ou ultrapassados pela voragem do tempo.

Trabalhadores do setor de serviços, empresários da construção civil, incorporadores imobiliários, sindicatos, funcionários públicos, grandes comerciantes, pequenos empreendedores que apostam ganhos de toda uma vida em projetos constrangidos pela incerteza, investidores locais, nacionais e estrangeiros, empresários do pujante setor de serviços e prestadores de serviços públicos, dentre tantos outros atores do mundo social urbano de uma metrópole como Natal, merecem e devem ter as suas demandas processadas pela gestão pública com respeito político e reconhecimento público. O que não é a mesma coisa, diga-se de passagem, de subordinar-se aos seus interesses legítimos. Negociar republicanamente esses interesses, criando espaços (conselhos, câmaras de negociação) para a sua explicitação é fundamental. Mas é igualmente decisivo que o Prefeito não tema o contraditório e assuma posições. O que não se traduz, é bom avisar, como vimos em momentos recentes e como o verbaliza certo populismo rasteiro, na arrogante negação da contribuição de setores importantes, como o empresariado da construção civil, por exemplo, ao desenvolvimento urbano de Natal. Especialmente quando se lhes espinafra pela frente e, na calada da noite, busca-se os seus apoios e financiamentos.

Mineiro tem credibilidade para conduzir a negociação de interesses nesta metrópole em busca de afirmação positiva para Natal. Sua trajetória e perspectiva política fundamentam essa nossa percepção. E isso, convenhamos, deve-se ao fato de que Mineiro é mais, bem mais do que um político do PT.

Mineiro tem condições também para fazer uma gestão na qual as esperanças, anseios e demandas nem sempre muito bem explicitadas dos excluídos das áreas vistosas das rotas do turismo na esquina do Atlântico Sul possam, se não serem atendidas, ao menos serem processadas e ganhar visibilidade pública. Visibilidade que, no caso dos jovens e adolescentes sedentos de espaços e de momentos de reconhecimento, quando não efetivadas, traduzem-se nas dramáticas estatísticas que cobrem de sombras áreas gigantescas da periferia desta Cidade do Sol.

Mineiro fez a aposta na política, não na sua negação populista ou moralista. A sua campanha propositiva expressa um tipo de postura que Natal precisa abraçar para começar a realizar o seu destino manifesto de metrópole na qual desenvolvimento urbano se conjugue com cidadania. É um sonho? Então, Mineiro é um sonho possível para Natal.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Existir é ser visto?

Transcrevo abaixo trechos de um artigo de autoria de Umberto Eco. O texto foi publicado na edição de segunda-feira do CLARIN. A tradução das partes abaixo é de responsabilidade do EX-BLOG DO CÉSAR MAIA. Vale a pena conferir!

1. Já há algum tempo a ênfase na reputação cedeu lugar à ênfase na notoriedade. O que importa é ser “reconhecido” pelos outros. Não no sentido de estima ou de prêmios, mas no sentido mais banal de quando se é visto na rua podem dizer: “Olhem, é ele/a”. A chave está em ser visto por muita gente e a melhor forma de fazer isto é aparecer na TV.

2. Pelo menos na Itália esses primeiros heróis foram os “papagaios de pirata” que na noite seguinte num bar ouviam: Vi você na TV, ontem. Mas a fama não durava muito tempo. De forma que gradualmente foi aceito que para poder fazer aparições frequentes e proeminentes, era necessário fazer coisas que, em épocas passadas, teriam arruinado a reputação de uma pessoa.

3. Não é que não se aspire a ter uma boa reputação, mas é bastante difícil adquiri-la. É mais fácil converter-se em uma pessoa de interesse popular, especialmente, o que facilita, nas variedades mais mórbidas. Não estou brincando. Esses momentos de exposição e notoriedade bem valem até um tempinho na cadeia.

4. Esse desejo frenético de ser visto, e de obter notoriedade a qualquer preço, mesmo que signifique fazer algo que antes era considerado vergonhoso, é porque se vai perdendo o sentido da vergonha, pois, atualmente, é mais importante ser visto, ainda que isso signifique o risco de cair em desgraça.

5. É tanto o valor que se dá ser visto, e assim converter-se em tema nas conversas, que pessoas estão dispostas a abandonar, sem temores, o que antes era chamado de decência (e até a proteção da própria privacidade).

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A injustiça no julgamento do mensalão

Confira aqui artigo de autoria do Professor Víctor Gabriel Rodríguez e publicado na edição de hoje do jornal VALOR ECONÔMICO.

O impacto do julgamento do mensalão nas eleições municipais

Qual será o impacto do julgamento do mensalão nas eleições municipais? Confira aqui a análise do cientista social Alberto Carlos Almeida e publicada na edição de hoje do VALOR ECONÔMICO.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O radicalismo acadêmico e suas fantasias

Não é raro encontramos professores, e, com mais frequência, estudantes que fundamentam as suas elaborações (para não dizer “visões de mundo”) nas opções políticas. Para eles, o que alicerça uma boa atividade acadêmica é o seu pertencimento (ou não) ao “lado certo”. O que geralmente significa o “lado” dos “setores populares” e das chamadas minorias.

Quando envolvidos por essa “epistemologia do lado certo”, os professores e estudantes deixam de levar em conta os dados de realidade e a falseabilidade das leituras desses dados para tomar como marco divisor do mundo o enquadramento (ou não) de cada autor nos cânones do aceitável. E o aceitável, não se tenha dúvidas, é apenas o mais radical e desconstrucionista possível.


Em um país no qual discutimos mais os autores do que as suas elaborações, esse tipo de postura leva a que se tome a radicalidade dos autores de referência dos trabalhos como principio de legitimação. Para aumentar o seu capital social, decisivo para a mobilização de recursos materiais e simbólicos, dentre os quais “acessar” editais de órgãos públicos subordinados aos ditames dos enunciadores das “boas políticas”, os radicais constroem clientelas que lhes fornecem audiência, alguns dados enviesados do mundo e uma base segura para trabalhos de “intervenção”.

O campo científico estreita-se, com o agigantamento desse mundo, dado que se subordina aos ditames do campo político. Por outro lado, e em consequência, a conquista de posições superiores no campo acadêmico passa a depender, mais e mais, do tamanho das clientelas formadas antes mesmo da publicação dos trabalhos desses autores/atores.

Quando as proposições acadêmicas derivam de posições definidas antes mesmo de alguma investida mais substancial na pesquisa, a pergunta que não quer calar é: para que, afinal de contas, deve-se pesquisar? E há mesmo quem, dominado por sinceridade, questione, sem pejo e em tom arrogante: “para quê pesquisar?” Quem já sabe o caminho certo não tem mesmo por que ficar perguntado (inquirindo através de custosas pesquisas) à realidade. Ora, bolas!


A saída mais fácil, no mundo do radicalismo acadêmico, é encontrar logo um autor reconhecido (e radical) que forneça legitimidade para as suas proposições. Nesse mundo, uma frase de Zizek vale mais do que mil questionários. Uma referência a David Harvey substitui qualquer análise demorada de dados demográficos.

Fechados em si mesmos, sem condições de participar do embate científico, os atores desse mundo produzem um simulacro de academia. Formam discípulos, não futuros pesquisadores. Estes, mesmo que concluam seus cursos, continuarão a reproduzir as relações de vassalagem.

Há algo de esquizofrênico na arquitetura desse mundo “crítico”, percebe-se logo. Para dar força à sua radicalidade, os “mestres críticos” são levados a dizer que nada muda. Ou, o que dá quase no mesmo, que as mudanças são sempre para pior. Tudo se passa como se o único mundo possível fosse aquele dos espaços para as performances acadêmicas.

O mundo lá fora, o mundo de "mesmo mesmo", é tenebroso demais para eles. Assentados em análises das limitações de percepções dos outros (que, oh, coitados!, estão subsumidos à ideologia, ao essencialismo, ao binarismo, ao sexismo e a todos os ismos à disposição nas prateleiras do politicamente correto), os radicais vivem o gozo e o desespero da “solidão das posições justas”. Não por acaso, sentem-se ccomo eternos incompreendidos...

É certo que os radicais acadêmicos produzem um mundo. Isso é palpável. E esse mundo vai engolindo as humanidades e tornando-as inaptas para o debate científico com campos que ficaram um tanto quanto imunes à lógica perversa do “radicalismo ”. Nesses dias, convidei uma colega que pesquisa antropologia evolutiva para uma qualificação de um aluno meu que pesquisava sobre desvios em uma empresa a partir da mobilização de um arsenal de jogos e simulações computacionais. Ela, uma brilhante professora de biologia, confessou que não consegue publicar (e nem dialogar) com ninguém das humanidades que pesquisa sobre a sua temática (o uso de alimentos em situação de extrema escassez). E por quê? Porque simplesmente, mesmo sem conhecer o seu referencial teórico, o pessoal o rejeita a priori...

Bom, mas o fato é que com a intensificação dos fluxos de bens e pessoas ao redor do mundo, o radicalismo acadêmico ganhou ares de uma Internacional Acadêmica. Criou-se um jet-set de intelectuais radicais. São os mercadores das últimas verdades desconstrucionistas...

O neoliberalismo, em não poucos momentos, assume a forma do adversário primeiro do radicalismo acadêmico. Mas, nem sempre. Quando a audiência debanda, o radicalismo acadêmico pode se aliar à velha ultraesquerda. É um casamento de interesses. O primeiro fornece verniz modernizante à segunda, o que garante a esta a incorporação em seus brancaleônicos exércitos de jovens rebeldes sem causa. Já a primeira, confirma o primeiro confirma a sua “conexão” com os “condenados da terra”.

Esse mundo exótico apenas nos divertiria se a sua existência não obnubilasse o investimento na pesquisa cuidadosa e na formação paciente das novas gerações. Não é um dano menor o fato de gerações e mais gerações se descuidem de uma boa formação quantitativa nas ciências sociais. Ou que modelos teóricos sofisticados, como aqueles da escolha racional ou da teoria dos jogos, sejam esnobados. Frequentemente, com presunçosa ignorância.

Programa do Haddad é show de bola

Confira abaixo o programa eleitoral do Haddad. Maravilha!

A internet e os partidos políticos na visão de Castells

O cientista social Manuel Castells dispensa apresentações. Com certeza, você já leu algum livro, ou pelo menos um artigo, dele. Clique aqui e acesse uma ótima entrevista. O assunto é política e internet.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O mensalão e a farsa

O vídeo abaixo, um comentário do jornalista Bob Fernandes a respeito do julgamento do mensalão, coloca os pingos nos devidos "is". O Bob é um jornalista da velha escola, embora seja um cara ainda novo. O "velha escola", diga-se de passagem, tem aqui um sentido claramente positivo.

Os negros e a cidadania

Uma leitura obrigatória para todos quantos nos dispomos a pensar/intervir sobre a ampliação da cidadania no Brasil. O artigo foi publicado no último número da revista LUA NOVA. Confira abaixo!


Cidadania e retóricas negras de inclusão social*

Citizenship and black rhetoric for social inclusion
 Antonio Sérgio Alfredo Guimarães
Professor do Departamento de Sociologia da USP

As sociedades modernas são herdeiras das revoluções dos séculos XVII, na Inglaterra, e XVIII, na França. Foram tais acontecimentos históricos que estabeleceram os padrões de sociabilidade e de civilização que se alastraram e ainda se alastram por todo o mundo pós-colonial, cujo pilar é o Estado de direito que protege indivíduos e cidadãos. T. H. Marshall (1977), em texto clássico, classificou a cidadania a partir dos direitos que a garantiam - civis, políticos e sociais -, e mostrou como eles foram conquistados progressivamente na Inglaterra. Em outros países, como ficou claro no debate das ideias seminais de Marshall (Turner, 1990; Carvalho, 2002), a história seguiu diversos outros cursos. Mas, se o desenvolvimento e conquista da cidadania não seguiram um padrão evolutivo ou uniforme em todos os Estados-nação, é incontestável que esses processos seguem em cada país uma certa periodização para a qual, para fins analíticos, a classificação sugerida por Marshall continua útil.

Para o caso das colônias europeias nas Américas, as revoluções modernas significaram, sobretudo, a formação de Estados independentes, como atestam a revolução norte-americana, no século XVIII, e as guerras de Independência das colônias espanholas e portuguesa, no século XIX. Tais Estados, entretanto, à diferença das metrópoles de que se separavam, não tinham a possibilidade de formarem-se como Estados-nação inclusivos para todos os seus habitantes, ou mesmo para todos os nativos de seus territórios. Ou seja, eram incapazes de estender o estatuto da cidadania moderna e o sentimento de pertencimento nacional, que lhe era atrelado, para todo o corpo social. A instituição da escravidão, assim como a reprodução de culturas e etnias variadas que serviam de base para a exploração de trabalho servil, impediram que se organizasse a unidade nacional e a igualdade de direitos. Mesmo o mais básico direito político - o voto -, no Brasil, foi restrito até recentemente - 1988 - por exigência legal da alfabetização (ou seja, o acesso à cultura letrada) como pré-requisito para a participação eleitoral.

Na verdade, se, na Europa, o nascimento num determinado território e o compartilhamento de certos traços culturais, como uma língua comum, foram condições de primeira hora para a generalização da cidadania no interior dos Estados-nação; nas Américas, as etnias e, posteriormente, a racionalização e percepção das mesmas como raças, passaram a ser justificativas para garantir a negação desses direitos de cidadania e permitir a continuidade da escravidão ou do servilismo como modo de produção e como relação de trabalho. Aqui, como desenvolvi em outro texto (Guimarães, 2011), a solidariedade social, ou seja, a promessa aberta de integração racial e étnica pela via da aculturação, substituiu o ideal de igualdade social para as massas, uma vez abolida a escravidão e instituída a República como forma de governo.

O processo de construção da cidadania nos países americanos passa, pois, necessariamente por duas etapas: primeiro, a abolição do escravidão; segundo, a construção de um sentimento nacional que inclua toda a sua população. Só assim os direitos civis, políticos e sociais podem ser generalizados para um corpo nacional, seja ele ou não multicultural.

LEIA O ARTIGO COMPLETO AQUI.

Carta Potiguar se posiciona: opta pela candidatura de Mineiro

Carta Potiguar, um site que é expressão de criatividade, ousadia e argúcia crítica, não ficou em cima do muro. Fez sua escolha. E a assumiu publicamente. Em Natal, optra pela candidatura de Mineiro para Prefeito. Leia abaixo a justificativa.

Por que vou votar em Fernando Mineiro
Daniel Menezes

A Carta Potiguar é uma realização de vida. Para nós, este veículo de comunicação é coisa séria. Gastamos o nosso tempo, o nosso dinheiro, perdemos fins de semana, construindo um espaço condizente com aquilo que a gente acredita.

Nos meus textos, sempre fui coerente com os pontos de vista que fazem sentido para mim. Nunca trai o meu olhar para agradar quem quer que seja, inclusive, aqueles que costumo, na maioria das situações, concordar. O diálogo aqui é sempre franco, objetivo e direto. Não há subterfúgios. Os princípios norteadores da opinião são explicitados.

Emprego essa perspectiva, com todas as minhas limitações, naquilo que publico na Carta Potiguar, nas análises que produzo sobre a política norte-riograndense. E para ser honesto com a postura esboçada acima, sem a pseudo-imparcialidade que ronda a imprensa local, vou expor em quem irei votar em Natal e explicar os fundamentos da minha posição. Antes, não posso deixar de ressaltar que fico muito a vontade para tomar tal decisão, já que não sou militante e muito menos filiado a qualquer tipo de organização política.

Vou votar em Fernando Mineiro porque acredito que ele apresenta um projeto de desenvolvimento inclusivo e um modo de fazer política, que tem como pilar fundamental a noção do diálogo.
Durante a sua atuação como vereador, e depois como deputado estadual, Fernando Mineiro atuou na defesa de bandeiras imprescindíveis para a cidade. Com conhecimento de causa, fomentou o debate em torno do plano diretor, da gestão da água, da defesa das minorias, de direitos. Fernando Mineiro é o que mais atende a minha concepção de democracia. É uma pessoa aberta a conversa e nunca toma uma decisão sem ouvir aqueles que representa.

Penso que Natal precisa de participação social. Não é possível mais consolidar políticas públicas, que ditam o presente e o futuro da cidade, sem chamar a sociedade para o debate, sem envolver os cidadãos, os principais interessados. Esta maneira de gerir a coisa pública tem de acabar.
Entendo que os natalenses estão cansados da política, que desconfiam do diferente em decorrência da fé depositada – e não correspondida – na mudança que Micarla de Sousa, em 2008, dizia encarnar. Porém, nada pode ser pior do que votar com medo. Democracia é coragem, esperança e Natal precisa se (re) inventar.

Há outros bons candidatos. Mas numa eleição a gente procura votar naquele que considera o melhor. Por isso escolhi Mineiro.

domingo, 19 de agosto de 2012

Os grevistas que não amavam os livros

O texto abaixo, da lavra de Alysson Freire, mestrando em Ciências Sociais da UFRN, merece leitura e discussão. Um alerta contra a boçalidade!

Meu medo é que os grevistas, para radicalizar, passem a queimar livros...

Greve UFRN: Fechar bibliotecas é ação política?
Alysson Freire

A justiça de uma causa não faz, por conseguinte, “justos” ou “corretos” os meios empregados para atingir essa causa. Nem a concordância ou apoio a um movimento, blinda-o de críticas e questionamentos. À bem da verdade, em muitas poucas situações valem os tais “fins justificam os meios” ou “por causa do santo, beija-se o altar”. A greve é, por exemplo, um instrumento vital à serviço dos trabalhadores e de suas reivindicações, assim como importantíssimo para o próprio desenvolvimento social de uma sociedade rumo a uma maior e melhor situação de igualdade e dignidade compartilhadas. Porém, é preciso não perder de vista, quanto a sua razoabilidade, a pertinência das modalidades de ação e protesto político de que, por vezes, se valem os movimentos como estratégia de repercussão e radicalização.

Se é verdade que, por um lado, professores e alunos precisam ouvir as razões dos grevistas para sua ação radicalizada, por outro, é verdadeiro, também, que estes precisam ouvir os que se opõem a esse tipo de ação. Dialogar e negociar. Que se feche, pra debater e divulgar, a biblioteca central por um par de horas ou turno, vá lá, mas prolongar por um dia inteiro ou mais não parece sensato nem produtivo para o próprio movimento.

Por mais que se defende o direito à greve e a legitimidade das reivindicações colocadas pelo movimento dos servidores técnico-administrativos da UFRN, fechar uma biblioteca, numa cidade já carente de espaços públicos como esses, é, no mínimo, uma atitude infeliz. Que se diga logo para aqueles que, por pressa ou malícia interpretativa, que criticar um aspecto do movimento não significa desqualificá-lo em sua totalidade. A esperança, aqui, sincera, pretensiosa ou iludida, à depender de quem a compre ou rejeite, consiste apenas em contribuir para a uma postura de reflexão sobre o que fazemos.

Não se trata de ponderar quais direitos ou questões estão acima de quais outros, ou o que é, de fato, prioridade: se o direito de greve ou direito à educação, se a luta dos trabalhadores por melhorias ou o acesso à cultura/conhecimento, se o interesse coletivo ou interesse individual. Aliás, enveredar por justificativas do tipo que pressupõe, para todos os casos e situações, a superioridade do coletivo sobre o individual é algo bastante perigoso, penso; é flertar de perto com o poder cego diante de toda espécie de coletivo, e esta é uma das condições essenciais da barbárie, tal qual Theodor Adorno a entende.

Além do mais, ao obstruir o acesso a biblioteca Zila Mamede não se estar, em nome de interesses mais dignos, sociais e urgentes, apenas impedindo que alunos individualistas estudem para obter seus diplomas, passar num concurso público ou realizarem suas pesquisas – interesses, todos, diga-se, legítimos – mas impedindo a própria razão de ser de uma instituição, criada e sustentada para o livre acesso e dedicação ao estudo, ao conhecimento e seus produtos – livros, aulas, palestras etc..
Que isso aconteça por meio dum movimento interno e essencial à própria Universidade, numa instituição formada por trabalhadores à serviço da educação, torna a “estratégia radicalizada” ainda mais lamentável. Há outras estratégias de pressão mais eficazes e mais certeiras para atingir o verdadeiro alvo – o governo federal.
Afinal, creio, não é contra a educação contra o que se está lutando, nem é a cultura o inimigo. Se a educação deve, como pensava Adorno, evitar a barbárie e buscar a emancipação humana, ao se fechar uma biblioteca se está, muito mais do que chamar a atenção para as causas ou esclarecendo, na prática, a importância da ação política, contribuindo para a barbárie.

Não se trata de sustentar uma visão idealizada e romântica de livros e bibliotecas como coisas sagradas, improfanáveis, nem de afirmar que a educação restringe-se a uma questão de livros e leitura. Não, muito longe disso, pois o engajamento em movimentos políticos e sociais, a luta contra aquilo que se considera injusto, é, também, profundamente formador e emancipatório; muitas vezes bem mais do que uma dezena de livros lidos ou aulas. A questão não é essa, e a barbárie diz respeito a uma outra coisa, a um modo de agir irrefletido, insensato e insensível, que se fecha na própria identidade das ordens ou visão de mundo.

A luta dos servidores técnico-administrativos da UFRN é legítima, e a paralisação de suas atividades, além de pressionar o poder público no atendimento de suas reivindicações, produz debates e discussões que agitam as opiniões e as inteligências. É, por isso mesmo, uma experiência política educativa para os que a acompanham ou são por ela afetados de alguma forma, ainda que a contragosto. Seria leviano jogar todo o foco da crítica sobre grevistas, pois uma das raízes da greve e das ações radicalizadas é a intransigência do próprio governo que se nega a negociar. Por outro lado, seria igualmente equivocado retirar a parcela de responsabilidade que cabe aos grevistas no sentido da escolha por este tipo método de ação em vez de outro.

Portanto, quando este mesmo movimento age de modo irrefletido, automático, conduzido e movido por qualquer “razão”, “crença” ou “causa” que acredita estar acima do diferente, do contraditório, do divergente, e, por isso, sem se importar com as consequências de sua ação sobre aqueles, que por seus motivos ou indiferença, não enchem suas fileiras ou não compartilham de sua identidade, ele perde algo de essencial a toda ação política; a capacidade de autorreflexão, o agir ciente e sensível às próprias responsabilidades e consequências da ação. É nisso em que o movimento grevista, quer queira ou aceita ou não, ajuda a produzir a barbárie no seio do lugar onde se deveria, em tese, formar as principais armas contra esta.

sábado, 18 de agosto de 2012

O segredo do sucesso de Fernando Mineiro


Mesmo pessoas distantes do PT, ou não muito simpatizantes do partido, reconhecem em Fernando Mineiro o candidato a prefeito que tem a melhor performance nos debates e sabatinas com os aspirantes à prefeitura de Natal.
Esse desempenho não é algo ocasional, fruto de sacadas geniais ditadas por algum marqueteiro. Na verdade, sói ocorrer o contrário. Mineiro se dá bem nos debates e sabatinas porque é ele mesmo. Não cria para si um personagem, como não poucos candidatos por aí afora nestas eleições insossas.
Quando Mineiro expõe os seus diagnósticos sobre algumas das questões urbanas centrais da Cidade do Sol, ou aponta saídas para alguns dos nossos angustiantes problemas (saúde, educação, mobilidade urbana e segurança pública, não exatamente nessa ordem), ele o faz com base na sua experiência de mais de duas décadas dedicadas à intervenção propositiva na vida social e política de Natal.
Na sabatina ocorrida no CTGás, na segunda-feira, dia 13, Mineiro foi a estrela. Pena que o público tenha sido aquém daquele que se esperaria para um evento dirigido à classe empresarial local. À parte isso, ouvi, de parte dos presentes, comentários elogiosos diante das respostas dadas por Mineiro às questões formuladas pela UFRN, pela FIERN e pela Fecomércio.
O desempenho positivo de Mineiro não é fortuito, nem gratuito. Tampouco é a tradução de uma inspiração pessoal elevada. Não que o candidato petista não tenha tino e sensibilidade para perceber o ambiente no qual intervém. Ele tem isso de sobra, mas, convenhamos, essas são competências quase obrigatórias para um parlamentar com mais de duas décadas de atuação destacada na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa.
O "segredo de Mineiro", ou, se quiserem, o "Diferencial Mineiro", advém de muito trabalho e dedicação. E de estudo e capacidade de escuta. Isso não vem de um dia para o outro, sabemos todos.
No CTGás, ouvi um candidato dizendo, não sem certa presunção, que tinha feito o “dever de casa” e que havia estudado por “dezesseis meses os problemas de Natal”. Sei! O que saiu desse estudo? Um discurso livresco, cheio de estatísticas e indicações marqueteiras. O que pode ser traduzido por muito palavrório e pouca substância.
A boa performance de Mineiro nos debates e sabatinas tem um sentido educativo importante: se ele brilha é porque as suas intervenções estão conectadas com o enfrentamento prático, e engajado, com a vida da cidade.
E foi esse engajamento que o permitiu construir uma visão política da administração municipal sintetizada com elegância no CTGás: cabe ao prefeito de uma cidade como Natal assumir um papel de coordenador de uma concertação governamental na qual os conflitos não são escamoteados, mas concretamente explicitados. Explicitação que se traduz em hierarquização. Nesta, os interesses da maioria e do acesso universal a serviços e espaços se sobrepõem.
Mas, ao contrário de certa esquerda que se nega a encarar os desafios do presente, talvez com medo de que o abismo a engula junto com as suas certezas eternas, Mineiro tem como propor formas de inclusão positiva do empresariado da cidade. Suas apostas no ordenamento territorial, dando sentido e concretude à regulação estatal municipal, mais do que limitadoras, são garantias de que, após décadas de improvisações (que fornecem as bases para os "jeitinhos" a corrupção desbragada), teremos, enfim!, um marco institucional municipal claro para o setor imobiliário.
Claro! O discurso de Mineiro ganha força autorizativa pela feliz escolha do PT do seu companheiro de chapa. Carlos Alberto, professor da UFRN e empresário, aporta mais do que experiência à candidatura petista. O candidato a vice reforça o discurso de gestão (com reconhecimento político) dos interesses legítimos e conflitantes em torno das grandes questões urbanas de Natal.
Mineiro se sai bem nos debates? Sim! Mas isso não se deve a uma qualidade intrínseca do candidato, como dizem alguns, mas, sim, porque é a expressão de uma trajetória política que não começou ontem.


A desconstrução de Serra

José Serra, candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, até bem recentemente tido como imbatível, perde apoios a cada dia que passa. Na última pesquisa eleitoral divulgada, o tucano está tecnicamente empatado com o Celso Russomano.

O Fernando Haddad parece se movimentar positivamente. Após o abraço mortal em Maluf, rodopiou nos seis por cento durante um tempo. Agora, quando o embate parte para os lances mais decisivos, o petismo parece sair das pasmaceira e se movimentar em defesa do ungido de Lula. Cresceu 3%. Não é muito, mas já é alguma coisa.

Mas o jogo está embolando e o cenário pode mudar. Logo, logo. Por quê? Porque parte do tucanato, vejam só!, decidiu apoiar o Gabriel Chalita, candidato do PMDB e amigo pessoal do Governador Geraldo Alckimim. A foto abaixo é expressiva dessa realidade:



terça-feira, 14 de agosto de 2012

Os efeitos perversos da criminalização das drogas

As drogas serão descriminalizadas, cedo ou tarde. Pode até demorar um pouco, mas isso vai acontecer. A legalização da maconha no Uruguai é um pequeno passo nessa direção. Agora, quem diria?, até o Chile pode seguir o mesmo caminho do país hermano.

O fato é que está ficando cada vez mais evidente a estupidez política e social da política de "Guerra às Drogas". E quem paga os efeitos perversos das apostas demagógicas e intolerantes são os jovens. É o que acontece com os consumidores do ecstasy.

Bom. E quem está comprovando o desastre?  A Polícia Federal, através de um estudo científico sobre aquilo que é vendido como ecstasy no Brasil. Trata-se de algo aterrador, pode acreditar.

Quer saber mais? Leia aqui uma análise do estudo da PF escrita, com a competência de sempre, pela corajosa jornalista Fernanda Mena.

domingo, 12 de agosto de 2012

O jogo perigoso dos grevistas das federais: uma análise de esquerda

O CARTA MAIOR, site insuspeito, pela auto-identificação com a esquerda, divulga uma posição crítica sobre a greve dos servidores federais. Dado o lugar de onde vem essa crítica, vale a pena reproduzi-la.

Os sucateiros do Estado apoiam o funcionalismo?
SAUL LEBLON

A greve de setores do funcionalismo público tem sido canibalizada com voragem por esferas do dispositivo midiático demotucano. Veículos e gargantas que se notabilizaram pelo aplauso esférico ao ciclo de privatizações promovido nos governos do PSDB, servindo como lubrificante ideológico ao desmonte do Estado, agora se esponjam no conflito entre as reivindicações dos grevistas e as respostas, inábeis, em certos casos, do governo.


Nesta sexta-feira, (10-08), o jornal Folha de São Paulo conseguiu desengavetar a palavra 'caos' trazendo-a de volta às manchetes em letras garrafais: ' Greve trava estradas e gera caos em Cumbica'. Isso para descrever uma operação padrão que atrasou vôos e gerou filas de caminhões em alfândegas. A soma de todos os engarrafamentos por certo equivale a um farelo do colapso permanente do trânsito em São Paulo, onde a competência tucana conseguiu o colosso de construir a média anual de 1,5 km de metrô em 17 anos de poder.

No sábado (11-08), o mesmo jornal que se notabilizou como sirene da retroescavadeira neoliberal carregou no tom desaforado e provocativo da chamada: 'Dilma diz a grevistas que tem outras prioridades'.

Disse mesmo?

Nas páginas internas, o editor matreiro já se despede da responsabilidade calça o exagero com outro título: 'Em meio a protesto, presidente diz querer serviço público de qualidade'. Na letra miúda do texto, lê-se o seguinte relato dos fatos: 'sem citar diretamente as greves a Presidenta disse que tem de olhar o que é mais importante no país (...) assegurar empregos para aquela parte da população que é a mais frágil, que não tem direito à estabilidade, que sofre porque pode e esteve, muitas vezes, desempregada'.

A Presidenta foi vaiada por um grupo de docentes, alunos e servidores de instituições federais de ensino, diz a Folha.Em seguida informa: eram 35.

A recomposição das carreiras, salários e quadros do serviço público é uma prioridade da agenda progressista brasileira. Atacada por uma campanha implacável durante os dois primeiros governos do PT, o resgate do serviço público ganhou margem de manobra ideológica com a crise, que escancarou o risco de se entregar a sociedade aos desígnios dos mercados, sem o contrapeso de um contraponto estatal eficiente e transparente.

Reduzir a despesa rentista com os juros, como tem feito o governo, é um passo importante para gerar folga orçamentária, capaz de beneficiar a educação, a saúde e a infraestrutura pública. Nada disso será feito sem uma atenção gêmea com carreiras, salários e servidores qualificados, capazes de colocar planos e projetos de pé.

Não se trata de 'ideologismo estatizante'.

O país vive uma situação kafkiana:'sobram' recursos públicos em algumas áreas sem que planos de investimentos consigam migrar das intenções para os canteiros de obras.

Será difícil reordenar a macroeconomia do desenvolvimento brasileiro sem
novas empresas públicas que funcionem como espelho e alavanca. O exemplo vem dos bancos estatais.Em seus segmentos eles tem conseguido induzir o mercado a trabalhar pela sociedade, como evidencia a queda nos juros do financiamento imobiliário.

O governo Dilma, o PT e a CUT precisam estabelecer uma convergencia estratégica sobre esse ponto preliminar: a porta entreaberta pela desordem neoliberal exige ousadia para não ser desperdiçada. O mito da eficiência dos livres mercados trincou; sepultá-lo exige instituições, recursos, pactos e desassombro que subordinem os interesses a ele associados. Sem isso a porta se fechará; o passado continuará a asfixiar o futuro, como se comprova na agonia européia, sob tacão ortodoxo.

Faltam recursos? Sempre. Para isso existe a política, por definição uma disputa entre prioridades de classes divergentes. Ademais, recorde-se que a elite nativa que inaugura 'impostômetros' e enche a boca para denunciar a 'carga' ocupa o 4º lugar no pódium dos maiores sonegadores do planeta. Tem US$ 520 bilhões acantonados em paraísos fiscais. Como esse dinheiro chegou lá? Não chegaria sem a inestimável colaboração de bancos e instituições do mercado cujos chefes de departamento de 'análise econômica' inundam os jornais com alertas sobre o 'desequilíbrio fiscal' e oferecem o antídoto:'as reformas', cujo cerne é o escalpo de direitos, de serviços públicos e de folhas de servidores do Estado.

O jornalismo engajado no apoio à greve dos servidores é filho dessa mesma cepa. Tem sido um porta-voz militante contra 'a gastança', incluindo-se aí o custo da 'corrupção', 'inerente', como se sabe, à 'companheirada sindical-petista', conforme a mesma mídia tenta induzir o STF a sentenciar.
Demonização e desqualificação do servidor constituem uma das armas desse arsenal sistêmico anti-estatal e socialmente regressivo.

O conjunto carrega a inoxidável determinação de jogar a classe média contra tudo o que remeta ao interesse público, como se fosse possível pavimentar a convivência compartilhada sem solidariedade fiscal. Habilidosamente, alimenta-se a esquizofrenia que torna o imaginário social receptivo ao discurso dos Demóstenes de plantão: exige-se cortes de gastos nas páginas de economia; denuncia-se a insegurança pública na cobertura policial.

Foi assim também que se deformou o discernimento do país para legitimar o corte de R$ 40 bilhões no orçamento da saúde pública, com a extinção do CPMF, em 2007. Ato contínuo, a mídia 'isenta' discorria sobre o 'caos' nos corredores lotados de macas da rede pública de saúde.

Programas sociais nucleados em torno do Bolsa Família padecem de identico tratamento. Com apenas 0,47% do PIB eles fornecem um piso de renda a 25% da população, expandindo o mercado interno em plena crise mundial. Mas a atenção prioritária do dispositivo midiático é com os 'desvios' dos benefícios, pinçados com lupa para comprovar o 'descontrole da máquina pública'.

Governos e grevistas não podem menosprezar esse pano de fundo histórico sobre o qual se trava a atual campanha salarial. Sem um denomidador comum feito de compromissos políticos em relação ao país e ao futuro, o risco é se perderem numa dízima de porcentagens, oferecendo combustível desagregador a quem sempre esteve do outro lado da mesa.

As entidades dos servidores públicos e a CUT devem se perguntar, objetivamente: na atual relação de forças quem pode liderar o caminho (que não é curto) na construção de um serviço público suficiente, bem remunerado, digno e de qualidade? O governo Dilma , por sua vez, deve saber a essa alura da crise que não existe hipótese de atravessar
o Rubicão para o desenvolvimento sustentável sem Estado indutor; isso não se faz com um funcionalismo descontente, professorado sem ânimo e base sindical estilhaçada.

O Instituto Teotônio Vilela, insuspeito think tank tucano, repõe em um texto recente a verdade dessa correlação de forças ao elencar os dados e a posição do conservadorismo sobre fatos hipocritamente dissimulados na cobertura da greve atual. Com a palavra, o PSDB:

"Em 2010, o gasto da União com pessoal atingiu R$ 183,3 bilhões. Isso equivale a mais de R$ 500 milhões por dia. Em 2002, havia sido de R$ 75 bilhões, em valores correntes. O salto registrado ao longo do governo petista foi astronômico", acusa o instituto tucano: "em termos nominais, isto é, sem considerar a inflação, as despesas cresceram 144%. Em valores reais, o ganho do funcionalismo foi de 56%, ou seja, muito acima da elevação do custo de vida no período. Não há quem seja contra um Estado que preste melhores serviços à população. Para tanto, é importante remunerar bem o servidor, motivá-lo e preservá-lo nas carreiras públicas. Mas a questão é saber se a sociedade está disposta a arcar com os custos desta política, uma vez que ao crescimento da folha sempre corresponde a cobrança de mais tributos".(ITV- nCARTAS DE CONJUNTURA ITV – Nº 74 – ABRIL/2011)