Em sua coluna de hoje, no jornal Folha de São Paulo, a jornalista Eliane Catanhêde, após fazer uma rápida análise da performance do presidente Lula, esboça uma opinião sobre a eleição presidencial deste ano (pois é, já estamos em 2010...) com o qual concordo inteiramente:
"...Mas não custa fazer justiça neste primeiro dia de um ano tão eletrizante: o elenco de candidaturas é mais que um sinal; é uma prova de quanto o Brasil vem evoluindo desde os anos 1980, antes mesmo do início formal da redemocratização.
Serra, Dilma, Marina e, menos um pouco, a incógnita Ciro (que queria tudo e pode ficar sem nada) têm credenciais, história, imagem limpa e experiência administrativa, representam ideias e setores. São, enfim, bons candidatos. O eleitor tem produtos de qualidade na prateleira, terá tempo para analisá-los, confrontá-los e escolher qual será melhor para o país de hoje e para o país de amanhã.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Em Lula, o povo confia
Pesquisa realizada pelo DATAFOLHA e publicada na edição do jornal Folha de São Paulo de hoje indica que Lula é a personalidade pública brasileira em quem o brasileiro mais confia. Confira textos da matéria abaixo.
Lula é o brasileiro mais confiável, aponta Datafolha
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a pessoa mais confiável para os brasileiros, segundo ranking com 27 personalidades elaborado pelo Datafolha. Lula está à frente de apresentadores de TV como William Bonner e Silvio Santos, do padre Marcelo Rossi e de cantores como Roberto Carlos e Chico Buarque.
Os 11.258 entrevistados, de 14 a 18 de dezembro, deram nota de 0 (menos confiável) a 10 (mais confiável) às personalidades apresentadas. Lula lidera a lista, com nota média de 7,9.
(...)
De todas as personalidades, apenas duas -Lula e Silvio Santos- são conhecidas por todos os entrevistados.
Maria Celina D'Araújo, professora de ciência política da PUC-RJ, diz que os primeiros lugares são ocupados por "homens de mídia". "Lula é um grande artista, sabe se comunicar. É um aspecto das novas sociedades de espetáculo. Poucos sabem se aproveitar disso, e o Lula sabe", diz.
Para Maria Celina, especialista nos governos Getúlio Vargas, nenhum presidente explorou tanto a comunicação de massa, principalmente via programas de rádio e TV e colunas em jornais.
Ex-presidentes
Chama a atenção o fato de que, dos últimos cinco colocados, quatro são ex-presidentes: Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, este o menos confiável de todos.
(...)
O cientista político Luciano Dias diz que "a imagem positiva ou negativa é resultado do fluxo de notícias sobre essa pessoa". Segundo Dias, artistas como Chico Buarque ou o padre Marcelo Rossi raramente são expostos a um noticiário negativo, o que explica o bom desempenho deles na consulta.
Para o cientista político, o raciocínio também pode ser aplicado ao presidente Lula, que hoje sofre ataques menos contundentes da oposição. "Na medida em que ele foi ampliando sua popularidade e não é candidato, o interesse em atacá-lo é muito baixo."
Lula é o brasileiro mais confiável, aponta Datafolha
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a pessoa mais confiável para os brasileiros, segundo ranking com 27 personalidades elaborado pelo Datafolha. Lula está à frente de apresentadores de TV como William Bonner e Silvio Santos, do padre Marcelo Rossi e de cantores como Roberto Carlos e Chico Buarque.
Os 11.258 entrevistados, de 14 a 18 de dezembro, deram nota de 0 (menos confiável) a 10 (mais confiável) às personalidades apresentadas. Lula lidera a lista, com nota média de 7,9.
(...)
De todas as personalidades, apenas duas -Lula e Silvio Santos- são conhecidas por todos os entrevistados.
Maria Celina D'Araújo, professora de ciência política da PUC-RJ, diz que os primeiros lugares são ocupados por "homens de mídia". "Lula é um grande artista, sabe se comunicar. É um aspecto das novas sociedades de espetáculo. Poucos sabem se aproveitar disso, e o Lula sabe", diz.
Para Maria Celina, especialista nos governos Getúlio Vargas, nenhum presidente explorou tanto a comunicação de massa, principalmente via programas de rádio e TV e colunas em jornais.
Ex-presidentes
Chama a atenção o fato de que, dos últimos cinco colocados, quatro são ex-presidentes: Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, este o menos confiável de todos.
(...)
O cientista político Luciano Dias diz que "a imagem positiva ou negativa é resultado do fluxo de notícias sobre essa pessoa". Segundo Dias, artistas como Chico Buarque ou o padre Marcelo Rossi raramente são expostos a um noticiário negativo, o que explica o bom desempenho deles na consulta.
Para o cientista político, o raciocínio também pode ser aplicado ao presidente Lula, que hoje sofre ataques menos contundentes da oposição. "Na medida em que ele foi ampliando sua popularidade e não é candidato, o interesse em atacá-lo é muito baixo."
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Mais um ano se passou...
Quase dois anos blogando. Bate uma sensação legal, agora. Na despedida de 2009. E aí, neste momento que também é de balanço (é meio ritual isso, eu sei, mas a gente termina caindo, ñão é?), eu queria dirigir algumas palavras aos que me visitam desde o início.
Este espaço, acreditem, me dá uma força danada. Nele, meus demônios saem da penumbra em qualquer hora. Logo eu, moleque matuto e desterritorializado, ainda menino nos meus quase cinqüenta anos, torno-me loquaz e meto-me em todos os assuntos. Aqui, minha timidez vai pro espaço...
Inicialmente, havia pensado neste como um blog de sociologia econômica. Um espaço para reflexões tímidas, comedidas e focadas. Não foi o caminho seguido.
O blog foi ganhando vida e devorando o blogueiro. Quando dei por mim, como diria o meu amigo Cadu, tinha me metamorfoseado em um Tom Zé. Não sei se, ao dizer isso, o Cadu faz-me um elogio. Como eu adoro o talentoso músico, fala para os meus botões que se trata, sim, de algo positivo. Mas, quando diz isso, Cadu refere-se, quero crer, ao fato de que me meto em todos os assuntos...
Mas, como eu ia dizendo, este espaço ganhou vida. E deu-me também energia vital. Nele, apontei o que pensava e me descobri sendo de tudo um pouco. Maravilha!
Tem gente que me gosta menos devido ao blog. Paciência! Esses, penso eu, não me gostavam mais; conheciam-me menos... Outros e outras, passaram a me fazer companhia. Seguem-me, de seus blogs. Mandam-me mensagens e escrevem para o meu e-mail. Ou comentam coisas aqui colocadas quando encontramo-nos em alguma esquina... São cúmplices, companheiros de jornada...
Um ano e meio de blog. E eu sinto com se tivesse começado ontem. Tanto há para dizer e fazer...
Como esta deve ser a minha última postagem de 2009, gostaria de desejar a todos que me visitaram um 2010 tudo de bom.
E é para vocês que eu coloco o vídeo abaixo. Trata-se de uma música que eu escutava, menino sertanejo, pelas ondas da Rádio Rural de Mossoró, no início da década de 70. Coisa do século passado! Mas, maIs atual do que nunca. Um convite à celebração... Uma aposta na vida.
Este espaço, acreditem, me dá uma força danada. Nele, meus demônios saem da penumbra em qualquer hora. Logo eu, moleque matuto e desterritorializado, ainda menino nos meus quase cinqüenta anos, torno-me loquaz e meto-me em todos os assuntos. Aqui, minha timidez vai pro espaço...
Inicialmente, havia pensado neste como um blog de sociologia econômica. Um espaço para reflexões tímidas, comedidas e focadas. Não foi o caminho seguido.
O blog foi ganhando vida e devorando o blogueiro. Quando dei por mim, como diria o meu amigo Cadu, tinha me metamorfoseado em um Tom Zé. Não sei se, ao dizer isso, o Cadu faz-me um elogio. Como eu adoro o talentoso músico, fala para os meus botões que se trata, sim, de algo positivo. Mas, quando diz isso, Cadu refere-se, quero crer, ao fato de que me meto em todos os assuntos...
Mas, como eu ia dizendo, este espaço ganhou vida. E deu-me também energia vital. Nele, apontei o que pensava e me descobri sendo de tudo um pouco. Maravilha!
Tem gente que me gosta menos devido ao blog. Paciência! Esses, penso eu, não me gostavam mais; conheciam-me menos... Outros e outras, passaram a me fazer companhia. Seguem-me, de seus blogs. Mandam-me mensagens e escrevem para o meu e-mail. Ou comentam coisas aqui colocadas quando encontramo-nos em alguma esquina... São cúmplices, companheiros de jornada...
Um ano e meio de blog. E eu sinto com se tivesse começado ontem. Tanto há para dizer e fazer...
Como esta deve ser a minha última postagem de 2009, gostaria de desejar a todos que me visitaram um 2010 tudo de bom.
E é para vocês que eu coloco o vídeo abaixo. Trata-se de uma música que eu escutava, menino sertanejo, pelas ondas da Rádio Rural de Mossoró, no início da década de 70. Coisa do século passado! Mas, maIs atual do que nunca. Um convite à celebração... Uma aposta na vida.
Marcos Rolim, a ética e o panetone
Marcos Rolim, ex-vereador em Santa Maria (RS), ex-deputado estadual e ex-deputado federal pelo PT do RS, é um dos políticos mais inteligentes, críticos e honestos que eu tive oportunidade de conhecer. Quando o encontrei, há décadas, eramos, ambos, militantes de uma organização de esquerda já extinta. Em um ambiente pouco propício à reflexão, Rolim afirmava-se com as suas proposições e posicionamentos.
Para dizer a verdade, penso agora, era um quadro político com pouco futuro. Ético e intransigente na defesa dos seus princípios, Rolim não tinha mesmo muito lugar na realpolitik brasileira. Em 2o02, dizem-me conhecidos, tiraram o seu tapete e ele, apesar de mais de 70 mil votos, não conseguiu se reeleger para a Câmara dos Deputados. Pelo PT, partido ao qual pertencera por mais de duas décadas.
No PT, pelo que acompanhei de longe, ainda tentou articular uma corrente "humanista". Deu com a cara na parede. Percebeu, em algum momento da caminhada, que, no partido, não existia mais espaço para a política que sempre sonhou: alicerçada na disputa racional de posições.
Fora da política partidária, mas atuante, Rolim mantém um ótimo site (que você pode acessar aqui), e tem atuado como consultor na área de segurança pública. Etornou-se uma referência em relação à esta temática tão carente de reflexões sérias e inovadoras.
Fora do PT, tem contribuído com a candidatura da ex-ministra Marina Silva. Não o sigo nessa caminhada, mas, cá do meu canto provinciano, acompanho e partilho com muitos dos seus posicionamentos. Como não tenho a sua verve, transcrevo, abaixo, artigo em que ele comenta o Arrudagate. E fornece lições que vão além da denúncia moralista tão em voga na internet.
AO VENCEDOR, OS PANETONES
Marcos Rolim
I – O livro de Ori e Rom Brafmam, “A Força do Absurdo” (Objetiva, 228p.) me permitiu conhecer o professor do curso de Administração em Harvard Max Bazernan.
Ele inventou um jogo muito simples para demonstrar a irracionalidade de determinados comportamentos. No primeiro dia de aula, balançando uma nota de 20 dólares, ele propõe aos alunos um leilão por ela. Todos podem fazer ofertas, obedecendo a duas regras: a) os lances devem ser de um dólar e b) o vencedor leva a nota, mas aquele que ofereceu a penúltima oferta perde o valor de seu lance. Pela regra, então, o segundo colocado no leilão é o perdedor. Percebendo a chance de ganhar a nota por um pequeno valor, os estudantes começam a levantar as mãos. Há uma certa agitação até as ofertas alcançarem algo entre 12 e 16 dólares. Neste ponto todos desistem, menos os dois responsáveis pelas ofertas mais altas. Estes ficam em um beco sem saída. O próximo lance será de 17 dólares. A desistência do competidor que ofereceu 16 acarretará um prejuízo razoável, então ele faz o lance de $18 e, assim, sucessiva e alternadamente. Logo, os lances serão superiores a 20 dólares. É comum que, no jogo, os rivais cheguem a mais de 100 dólares e, em uma oportunidade, a disputa terminou em 204 dólares! Ou seja: quanto mais fundo é o buraco que cavam, mais eles cavam. O erro dos participantes é considerar apenas seus próprios interesses, sem se dar conta que o leilão conduzirá ambos à derrota. Não sei por que me lembrei desta história...
II- Quando tudo vai bem, somos todos muito bons. Temos princípios, claro. Mas conhecemos a realidade dos nossos valores quando as coisas vão mal. É sob pressão, nas condições mais estressantes ou atemorizadoras que emerge aquilo que temos de melhor ou de pior. Então, o gentil vizinho vira um delator sob a ditadura ou o garoto tímido e frágil é o herói da resistência ou o amor de tantos anos e juras se converte em lâmina na separação. Ser honesto é simples. Até um famoso banqueiro – ainda solto - te oferecer uma consultoria de 3 milhões. Então nos descobrimos. Por isso, demonstra conduta ética aquele que ignora ou coloca em risco seus próprios interesses para fazer o que julga ser sua obrigação. Aquele que age em conformidade com o dever, para usar a expressão kantiana. Agora comecei a me lembrar por que me pareceu importante falar disso...
III – Quincas Borba contou a Rubião sobre as duas tribos famintas que disputam uma pequena quantidade de batatas, suficiente apenas para alimentar uma tribo. Se dividirem a comida, nenhuma delas terá força para transpor a montanha e chegar, muito depois, à vertente onde há batatas em abundância. Para Quincas Borba, a paz, neste caso, é a destruição e a guerra, a salvação. Assim, sentencia: “ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor as batatas”. A política no Brasil tem sido regrada pela mesma lei da selva em prol do mais forte. Há novidades, é claro. Afinal, agora os pufs são verdes, corruptos rezam e os panetones substituíram as batatas, triunfantes.
Para dizer a verdade, penso agora, era um quadro político com pouco futuro. Ético e intransigente na defesa dos seus princípios, Rolim não tinha mesmo muito lugar na realpolitik brasileira. Em 2o02, dizem-me conhecidos, tiraram o seu tapete e ele, apesar de mais de 70 mil votos, não conseguiu se reeleger para a Câmara dos Deputados. Pelo PT, partido ao qual pertencera por mais de duas décadas.
No PT, pelo que acompanhei de longe, ainda tentou articular uma corrente "humanista". Deu com a cara na parede. Percebeu, em algum momento da caminhada, que, no partido, não existia mais espaço para a política que sempre sonhou: alicerçada na disputa racional de posições.
Fora da política partidária, mas atuante, Rolim mantém um ótimo site (que você pode acessar aqui), e tem atuado como consultor na área de segurança pública. Etornou-se uma referência em relação à esta temática tão carente de reflexões sérias e inovadoras.
Fora do PT, tem contribuído com a candidatura da ex-ministra Marina Silva. Não o sigo nessa caminhada, mas, cá do meu canto provinciano, acompanho e partilho com muitos dos seus posicionamentos. Como não tenho a sua verve, transcrevo, abaixo, artigo em que ele comenta o Arrudagate. E fornece lições que vão além da denúncia moralista tão em voga na internet.
AO VENCEDOR, OS PANETONES
Marcos Rolim
I – O livro de Ori e Rom Brafmam, “A Força do Absurdo” (Objetiva, 228p.) me permitiu conhecer o professor do curso de Administração em Harvard Max Bazernan.
Ele inventou um jogo muito simples para demonstrar a irracionalidade de determinados comportamentos. No primeiro dia de aula, balançando uma nota de 20 dólares, ele propõe aos alunos um leilão por ela. Todos podem fazer ofertas, obedecendo a duas regras: a) os lances devem ser de um dólar e b) o vencedor leva a nota, mas aquele que ofereceu a penúltima oferta perde o valor de seu lance. Pela regra, então, o segundo colocado no leilão é o perdedor. Percebendo a chance de ganhar a nota por um pequeno valor, os estudantes começam a levantar as mãos. Há uma certa agitação até as ofertas alcançarem algo entre 12 e 16 dólares. Neste ponto todos desistem, menos os dois responsáveis pelas ofertas mais altas. Estes ficam em um beco sem saída. O próximo lance será de 17 dólares. A desistência do competidor que ofereceu 16 acarretará um prejuízo razoável, então ele faz o lance de $18 e, assim, sucessiva e alternadamente. Logo, os lances serão superiores a 20 dólares. É comum que, no jogo, os rivais cheguem a mais de 100 dólares e, em uma oportunidade, a disputa terminou em 204 dólares! Ou seja: quanto mais fundo é o buraco que cavam, mais eles cavam. O erro dos participantes é considerar apenas seus próprios interesses, sem se dar conta que o leilão conduzirá ambos à derrota. Não sei por que me lembrei desta história...
II- Quando tudo vai bem, somos todos muito bons. Temos princípios, claro. Mas conhecemos a realidade dos nossos valores quando as coisas vão mal. É sob pressão, nas condições mais estressantes ou atemorizadoras que emerge aquilo que temos de melhor ou de pior. Então, o gentil vizinho vira um delator sob a ditadura ou o garoto tímido e frágil é o herói da resistência ou o amor de tantos anos e juras se converte em lâmina na separação. Ser honesto é simples. Até um famoso banqueiro – ainda solto - te oferecer uma consultoria de 3 milhões. Então nos descobrimos. Por isso, demonstra conduta ética aquele que ignora ou coloca em risco seus próprios interesses para fazer o que julga ser sua obrigação. Aquele que age em conformidade com o dever, para usar a expressão kantiana. Agora comecei a me lembrar por que me pareceu importante falar disso...
III – Quincas Borba contou a Rubião sobre as duas tribos famintas que disputam uma pequena quantidade de batatas, suficiente apenas para alimentar uma tribo. Se dividirem a comida, nenhuma delas terá força para transpor a montanha e chegar, muito depois, à vertente onde há batatas em abundância. Para Quincas Borba, a paz, neste caso, é a destruição e a guerra, a salvação. Assim, sentencia: “ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor as batatas”. A política no Brasil tem sido regrada pela mesma lei da selva em prol do mais forte. Há novidades, é claro. Afinal, agora os pufs são verdes, corruptos rezam e os panetones substituíram as batatas, triunfantes.
No apagar das luzes de 2009, uma crise... militar
Crise militar? Parece meio demodê, não é? Mas o assunto, ao que tudo indica, é grave. E tem todos os ingredientes para se constituir em um caldeirão político agora em janeiro. Logo em janeiro! Um mês tradicionalmente incolor do ponto de vista político. Pois é, os bivaques estão em polvorosa. E as vivandeiras, como dantes, em longínqua data, não se cansam de açular os quartéis. Aproveite e leia, abaixo, a análise sempre lúcida de Alon Feuerwerker sobre o imbroglio.
Uma "CPI" da ditadura (31/12)
Alon Feuerwerker
Desconfortável que a palavra “anistia”, resultado de belas e grandes lutas, vá sendo transformada em sinônimo de problema, esperteza, impunidade. Mas o fenômeno é com certeza passageiro.
É bom que o país tenha conhecimento da sua História. Mas isso deve ser visto à luz do interesse nacional. E quem define o interesse nacional? Costumam ser os poderes constituídos. Então, é natural que a busca da verdade histórica se submeta à lógica da luta política. Eis (mais) uma qualidade da alternância no poder: quando os diversos grupos se revezam no comando do Estado, ao fim de certo tempo haverá alguma democratização dos “podres” divulgados.
O governo federal acaba de tomar iniciativas para repor na agenda a revisão dos atos cometidos por autoridades, especialmente militares, ao longo da ditadura de 1964-1985, com o objetivo de lançar luz definitiva sobre aquele período e, eventualmente, responsabilizar por crimes. Essa segunda parte é inócua. Nenhuma legislação pode retroagir, e quem vai decidir se a Lei de Anistia e suas ampliações valeram ou não para os torturadores não são nem o presidente da República nem o Congresso Nacional: será o Supremo Tribunal Federal (STF).Por isso, é razoável concluir que o gesto presidencial, impulsionado pelas pastas dos Direitos Humanos e da Justiça, tenha também o objetivo de colocar pressão sobre o STF.
Mas não apenas: com a medida, o governo reabre uma frente de combate para enquadrar as Forças Armadas num figurino mais adequado aos atuais ocupantes do poder. Tentou isso na rebelião dos controladores de voo anos atrás, quando o Planalto operou para minar a autoridade da FAB. Deu errado, talvez por falta de apoio social à ideia de deixar o controle do espaço aéreo nacional nas mãos de um sindicato.Terá agora Lula força suficiente para empurrar as Forças Armadas contra o canto da parede? O presidente e o governo estão no ápice do poder, ou da sensação de poder. Afinal, se a guerra travada pelos que combatiam as organizações armadas foi em certas situações hedionda, tampouco a guerrilha de esquerda atuou como se colhesse rosas num jardim. Guerra bonita, só nos filmes. Mas o governo, aparentemente, julga que poderá passar a limpo apenas um lado da coisa, descascar apenas uma metade do abacaxi.
Os entes queridos dos mortos e desaparecidos na ditadura têm o direito inegável e inalienável de saber o que aconteceu. É um direito que em situação normal deveria ser buscado na Justiça. Mas o governo aparentemente considera que a situação não é normal, e que o assunto deve ser reaberto na esfera política, criando uma espécie de “CPI da ditadura”. Veremos no que vai dar.Mas uma vitória pelo menos o governo já colheu: cada vez que mexe no tema, a administração do PT coloca-se num planto moral supostamente acima. De um lado, os que desejam apurar os crimes contra os direitos humanos e punir os culpados; do outro, os que não querem, por mera conveniência política. Fácil de explicar, fácil de faturar.
As circunstâncias da Anistia conquistada no final dos anos 70 do século passado são conhecidas. Ela resultou de um amplo movimento democrático, que havia criado no país um ambiente político propício. Um ambiente que, entre outras coisas, permitiu a emergência do movimento sindical do ABC e de Lula. Boa parte dos grupos que confluiriam depois para o PT não apoiaram a Anistia, ainda que dela tenham se beneficiado. Assim como tampouco viriam a apoiar Tancredo Neves no colégio eleitoral. Assim como resistiriam depois a endossar a Constituição de 1988.O PT não parece se reconhecer como protagonista pleno da luta dos anos 70 e 80 pela redemocratização do país. Parece identificar-se melhor com as organizações que se levantaram em armas contra a ditadura nos anos 60, por projetos políticos que não necessariamente implicariam um desfecho como a Nova República, uma democracia representativa clássica.
É a política, e quem não tiver estômago que mude de ramo. Desconfortável, apenas, que a palavra “anistia”, resultado de belas e grandes lutas do povo brasileiro, vá sendo transformada em sinônimo de problema, de esperteza, de impunidade. Mas o fenômeno é passageiro. A ideologia –qualquer ideologia– é impotente para revogar os fatos. E todo poder que se considera absoluto um dia descobre que não é. Quando tem sorte, descobre a tempo.
Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta-feira (31) no Correio Braziliense.
Uma "CPI" da ditadura (31/12)
Alon Feuerwerker
Desconfortável que a palavra “anistia”, resultado de belas e grandes lutas, vá sendo transformada em sinônimo de problema, esperteza, impunidade. Mas o fenômeno é com certeza passageiro.
É bom que o país tenha conhecimento da sua História. Mas isso deve ser visto à luz do interesse nacional. E quem define o interesse nacional? Costumam ser os poderes constituídos. Então, é natural que a busca da verdade histórica se submeta à lógica da luta política. Eis (mais) uma qualidade da alternância no poder: quando os diversos grupos se revezam no comando do Estado, ao fim de certo tempo haverá alguma democratização dos “podres” divulgados.
O governo federal acaba de tomar iniciativas para repor na agenda a revisão dos atos cometidos por autoridades, especialmente militares, ao longo da ditadura de 1964-1985, com o objetivo de lançar luz definitiva sobre aquele período e, eventualmente, responsabilizar por crimes. Essa segunda parte é inócua. Nenhuma legislação pode retroagir, e quem vai decidir se a Lei de Anistia e suas ampliações valeram ou não para os torturadores não são nem o presidente da República nem o Congresso Nacional: será o Supremo Tribunal Federal (STF).Por isso, é razoável concluir que o gesto presidencial, impulsionado pelas pastas dos Direitos Humanos e da Justiça, tenha também o objetivo de colocar pressão sobre o STF.
Mas não apenas: com a medida, o governo reabre uma frente de combate para enquadrar as Forças Armadas num figurino mais adequado aos atuais ocupantes do poder. Tentou isso na rebelião dos controladores de voo anos atrás, quando o Planalto operou para minar a autoridade da FAB. Deu errado, talvez por falta de apoio social à ideia de deixar o controle do espaço aéreo nacional nas mãos de um sindicato.Terá agora Lula força suficiente para empurrar as Forças Armadas contra o canto da parede? O presidente e o governo estão no ápice do poder, ou da sensação de poder. Afinal, se a guerra travada pelos que combatiam as organizações armadas foi em certas situações hedionda, tampouco a guerrilha de esquerda atuou como se colhesse rosas num jardim. Guerra bonita, só nos filmes. Mas o governo, aparentemente, julga que poderá passar a limpo apenas um lado da coisa, descascar apenas uma metade do abacaxi.
Os entes queridos dos mortos e desaparecidos na ditadura têm o direito inegável e inalienável de saber o que aconteceu. É um direito que em situação normal deveria ser buscado na Justiça. Mas o governo aparentemente considera que a situação não é normal, e que o assunto deve ser reaberto na esfera política, criando uma espécie de “CPI da ditadura”. Veremos no que vai dar.Mas uma vitória pelo menos o governo já colheu: cada vez que mexe no tema, a administração do PT coloca-se num planto moral supostamente acima. De um lado, os que desejam apurar os crimes contra os direitos humanos e punir os culpados; do outro, os que não querem, por mera conveniência política. Fácil de explicar, fácil de faturar.
As circunstâncias da Anistia conquistada no final dos anos 70 do século passado são conhecidas. Ela resultou de um amplo movimento democrático, que havia criado no país um ambiente político propício. Um ambiente que, entre outras coisas, permitiu a emergência do movimento sindical do ABC e de Lula. Boa parte dos grupos que confluiriam depois para o PT não apoiaram a Anistia, ainda que dela tenham se beneficiado. Assim como tampouco viriam a apoiar Tancredo Neves no colégio eleitoral. Assim como resistiriam depois a endossar a Constituição de 1988.O PT não parece se reconhecer como protagonista pleno da luta dos anos 70 e 80 pela redemocratização do país. Parece identificar-se melhor com as organizações que se levantaram em armas contra a ditadura nos anos 60, por projetos políticos que não necessariamente implicariam um desfecho como a Nova República, uma democracia representativa clássica.
É a política, e quem não tiver estômago que mude de ramo. Desconfortável, apenas, que a palavra “anistia”, resultado de belas e grandes lutas do povo brasileiro, vá sendo transformada em sinônimo de problema, de esperteza, de impunidade. Mas o fenômeno é passageiro. A ideologia –qualquer ideologia– é impotente para revogar os fatos. E todo poder que se considera absoluto um dia descobre que não é. Quando tem sorte, descobre a tempo.
Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta-feira (31) no Correio Braziliense.
Uma análise interessante e interessada sobre as eleições de 2010
César Maia, ex-prefeito do Rio, do DEM, faz a sua análise prospectiva sobre as eleições de 2010. Como escreve de uma posição definida e interessada, a análise de César Maia pode e deve ser levada em conta por todos quantos queiram entender como está se armando o quadro para a disputa que já começou. Confira abaixo!
2009: AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010!
Ex-Blog do César Maia
1. Aqui sim Lula termina 2009 com um quadro muito mais favorável que o que iniciou 2009. Uma escolha açodada de candidata sem currículo e sem charme eleitoral terminou chegando ao ponto que Lula queria: acima dos 20%. E com cruzamentos em pesquisa que indicam que crescerá ainda mais nos meses iniciais de 2010.
2. A oposição se mostrou incapaz de entrar em campo com seu time escalado. A tática de ganhar tempo não só abriu caminho a Dilma, como afetou a situação em vários Estados importantes e ainda produziu feridas, que são certamente sanáveis, mas que sempre deixam uma casquinha ou outra.
3. Cabe a candidatura presidencial da oposição usar bem o primeiro trimestre de 2010 para curar as feridas, reerguer nomes em vários Estados e voltar ao quadro de favoritismo que apontava no início de 2009. Ainda há tempo. Mas nem tanto assim.
2009: AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010!
Ex-Blog do César Maia
1. Aqui sim Lula termina 2009 com um quadro muito mais favorável que o que iniciou 2009. Uma escolha açodada de candidata sem currículo e sem charme eleitoral terminou chegando ao ponto que Lula queria: acima dos 20%. E com cruzamentos em pesquisa que indicam que crescerá ainda mais nos meses iniciais de 2010.
2. A oposição se mostrou incapaz de entrar em campo com seu time escalado. A tática de ganhar tempo não só abriu caminho a Dilma, como afetou a situação em vários Estados importantes e ainda produziu feridas, que são certamente sanáveis, mas que sempre deixam uma casquinha ou outra.
3. Cabe a candidatura presidencial da oposição usar bem o primeiro trimestre de 2010 para curar as feridas, reerguer nomes em vários Estados e voltar ao quadro de favoritismo que apontava no início de 2009. Ainda há tempo. Mas nem tanto assim.
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Dica de pesquisa e leitura enviada pela Professora Eliane Tânia
Eliane Tânia, professora do Departamento de Antropologia e dos programas de pós de antropologia e ciências sociais, enviou aos colegas o e-mail abaixo, com dicas de pesquisa e leitura. Repasso para você.
Pasta de textos no 4Share, aberta a novas colaborações. Tem muita coisa boa. Quem quiser pode explorar e pesquisar no link:
http://www.4shared.com/dir/16336925/86dedf15/ANTROPOLOGIA_SOCIAL_-_TANIA.html
Qualquer texto pode ser transferido (download) para seu computador. Estão em ordem alfabética (por autor, título ou assunto). Se tiver algum texto online que queira arquivar e compartilhar lá, é só fazer upload dele, do seu computador para a pasta online. Essa pasta recebe colaborações espontâneas dos membros da minha comunidade virtual de antropologia (do orkut).
Não deixe de divulgar entre seus alunos e orientandos. O principal objetivo é esse.
E feliz 2010 para todos vocês.
Tania
Pasta de textos no 4Share, aberta a novas colaborações. Tem muita coisa boa. Quem quiser pode explorar e pesquisar no link:
http://www.4shared.com/dir/16336925/86dedf15/ANTROPOLOGIA_SOCIAL_-_TANIA.html
Qualquer texto pode ser transferido (download) para seu computador. Estão em ordem alfabética (por autor, título ou assunto). Se tiver algum texto online que queira arquivar e compartilhar lá, é só fazer upload dele, do seu computador para a pasta online. Essa pasta recebe colaborações espontâneas dos membros da minha comunidade virtual de antropologia (do orkut).
Não deixe de divulgar entre seus alunos e orientandos. O principal objetivo é esse.
E feliz 2010 para todos vocês.
Tania
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