quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Transações econômicas e intimidade
Há alguns anos, ancorado nos aportes fornecidos pela Nova Sociologia Econômica (NSE), venho chamando a atenção para o fato de que, ao contrário da apreensão comum dominante, não há exatamente uma ruptura entre as transações econômicas e as relações íntimas. Não se trata, penso eu, de que o "mercado" tenha invadido e dominado completamente o "mundo da vida" (das relações familiares, de amizade, etc.), mas, pelo contrário, de entender que as próprias relações de mercado não excluem (ao invés disso, incorporam) os laços de intimidade. Uma das principais autoras da NSE, Viviana Zelizer (veja aqui o seu curriculum) trabalha nessa direção. Coloco aqui um link para uma entrevista de Zelizer (em francês) sobre o tema.
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Os cursos de medicina das particulares vão mal
A Folha de São Paulo de hoje, em matéria construída a partir dos dados do último ENADE (o exame nacional dos estudantes, feito pelo MEC através do INEP), chama a atenção para uma situação preocupante: um em cada médico deste país está sendo formado (no caso, não formado) em cursos ruins. E pensar que essas faculdades que ofertam ensino de qualidade duvidosa cobram mensalidades caríssimas! Logo, logo, as pessoas vão começar a levar em conta, na escolha do seu médico, a informação sobre a instituição que o formou. O drama é que, rejeitados pelo mercado, esses profissionais de segunda categoria certamente irão parar no serviço público (onde há sempre carência de profissionais) e aí quem irá pagar o pato serão os de sempre: os mais pobres. Por que o MEC não fecha esses cursos? Ora, a maioria deles funcionam em instituições cujos proprietários têm força política considerável (são parlamentares ou "têm" seus parlamentares). Ninguém quer, verdadeiramente, meter a mão nesse vespeiro. Voltarei ao assunto outra hora.
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Novamente em Londrina
Acabei de chegar em Londrina. Após uma noite de viagem em ônibus e um dia de trabalho em Taubaté (na UNITAU), estou de volta à cidade onde morei no agora distante início da década. Vou ver como estão as coisas por aqui, especialmente as eleições municipais, e depois comento para vocês. Vale lembrar que o PT, com Nedson Michelleto, está na prefeitura há oito anos. O que os londrinenses acharam da gestão petista? Não vou fazer pesquisa a respeito, mas estou curioso para ouvir a imprensão das pessoas.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Marcelo Coelho e a olimpíada
Marcelo Coelho, há tempos, é um dos melhores colunistas da imprensa escrita brasileira. Toda quarta-feira, brinda-nos com uma análise instigante e provocativa (mas sem as pseudo-provocações de certos colunistas da "nova direita" que criam moda e imitadores pelos quatro cantos do país) no jornal Folha de São Paulo. Hoje, em uma coluna intitulada "Olimpíada Sinistra", faz uma análise cáustica da alienação em torno dos jogos olímpicos. Vale a pena ler.
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Mapa do Crime
O jornal Folha de São Paulo publica na edição de hoje uma matéria sobre o mapa da criminalidade. A folha teve acesso a dados detalhados das diversas modalidades delituosas na cidade de São Paulo. Até agora, informa o jornal, as autoridades policiais paulistas só informavam os macrodados. Esse tipo de levantamento é fundamental para a construção de uma cultura de enfrentamento à criminalidade marcada pela mobilização de conhecimento. Por outro lado, é de fundamental importância que entidades da sociedade civil e estudiosos possam ter acesso a esses dados. Eles municiam análises e propostas de ação. A mais básica dessas propostas é a distribuição do contingente policial na cidade. Entretanto, sabemos bem, quanto menos informação disponível, mais ficamos à mercê da "vontade política" das autoridades. Como aprendeu cedo aquele aspirante do filme "Tropa de Elite", a distribuição de contingente policial nas nossas cidades, não raramente, está relacionada a outros fatores (alguns bem obscuros, por sinal). Nesse quadro, para muitas autoridades policiais, menos informação (para o público), por mais absurdo que isso seja, é melhor.
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terça-feira, 5 de agosto de 2008
A TV e as eleições: uma visão pragmática
Abaixo, reproduzo uma visão pragmática sobre o papel da TV como instrumento da disputa política eleitoral. Trata-se de análise desenvolvida por César Maia, em seu "Ex-Blog" de hoje.
"A TV NAS ELEIÇÕES HOJE!
1. Desde 2003 que se sente um impacto cada vez menor dos programas e comerciais políticos de TV sobre os eleitores. A "morte do comercial de 30 segundos" se sentiu especialmente na comunicação política.
2. Curiosamente, para os eleitores, quem tem muito pouco tempo de TV é como se não fosse competitivo, não estivesse no jogo. Mas ao contrário, quem tem muito tempo não tem mais a vantagem que tinha anteriormente. Em 2006, Cabral tinha mais que o dobro do tempo de Denise Frossard na TV, mas -na Capital- perdeu para ela a eleição no primeiro turno. Denise chegou a TV com 13%. Cabral com 40%. Depois de 45 dias, ela teve 31% e ele 30%. Crivella caiu de 22% para 14% neste período de TV.
3. A comunicação política na TV, hoje, para ser eficiente deve ser muito mais direta e menos rebuscada. As cenas chocantes voltam-se como bumerangue contra quem as usa. O eleitor já as vê todos os dias nos noticiários da TV. Não se impacta com um programa eleitoral. Quem sai com uma câmera na mão buscando desgraça na rua termina sendo parte dela mesma.
4. Há um nó fatal na comunicação em TV: confiança. Esse é o único decisivo. Como comunicar para que o eleitor tenha confiança no candidato? Esse é o X da questão. O conteúdo só entra, se o nó da confiança for aberto.
5. Esse ano as Olimpíadas entram atrasadas, entre 8 e 23 de agosto. E depois vem as dramatizações das coberturas da TV com as famílias dos medalhistas torcendo, chorando, com suas chegadas em carro do corpo de bombeiros, com suas vidas tão sacrificadas, com o apoio de um parente ou amigo, com o beijo de seu namorado ou namorada, esposo ou esposa ou filhos, ou pais... Isso no mínimo completa agosto. Será portando uma eleição de tiro curto.
6. Usar a TV a partir do dia 19 exigirá comunicar num ambiente de enormes ruídos. Não adianta falar alto. Deve-se falar certo. No ouvido. Quase murmurando pela TV. Abaixo do nó ou vértice da confiança vem o triângulo do perfil do candidato: proximidade, capacidade de realizar, ideologia ou tema. O ideal é um grande triangulo eqüilátero. Mas é raro. Se for um triângulo isósceles, que o vértice da maior altura, o seja muito alto, caracterizando claramente pelo menos um perfil.
7. O lugar adequado de bater forte é na internet."
"A TV NAS ELEIÇÕES HOJE!
1. Desde 2003 que se sente um impacto cada vez menor dos programas e comerciais políticos de TV sobre os eleitores. A "morte do comercial de 30 segundos" se sentiu especialmente na comunicação política.
2. Curiosamente, para os eleitores, quem tem muito pouco tempo de TV é como se não fosse competitivo, não estivesse no jogo. Mas ao contrário, quem tem muito tempo não tem mais a vantagem que tinha anteriormente. Em 2006, Cabral tinha mais que o dobro do tempo de Denise Frossard na TV, mas -na Capital- perdeu para ela a eleição no primeiro turno. Denise chegou a TV com 13%. Cabral com 40%. Depois de 45 dias, ela teve 31% e ele 30%. Crivella caiu de 22% para 14% neste período de TV.
3. A comunicação política na TV, hoje, para ser eficiente deve ser muito mais direta e menos rebuscada. As cenas chocantes voltam-se como bumerangue contra quem as usa. O eleitor já as vê todos os dias nos noticiários da TV. Não se impacta com um programa eleitoral. Quem sai com uma câmera na mão buscando desgraça na rua termina sendo parte dela mesma.
4. Há um nó fatal na comunicação em TV: confiança. Esse é o único decisivo. Como comunicar para que o eleitor tenha confiança no candidato? Esse é o X da questão. O conteúdo só entra, se o nó da confiança for aberto.
5. Esse ano as Olimpíadas entram atrasadas, entre 8 e 23 de agosto. E depois vem as dramatizações das coberturas da TV com as famílias dos medalhistas torcendo, chorando, com suas chegadas em carro do corpo de bombeiros, com suas vidas tão sacrificadas, com o apoio de um parente ou amigo, com o beijo de seu namorado ou namorada, esposo ou esposa ou filhos, ou pais... Isso no mínimo completa agosto. Será portando uma eleição de tiro curto.
6. Usar a TV a partir do dia 19 exigirá comunicar num ambiente de enormes ruídos. Não adianta falar alto. Deve-se falar certo. No ouvido. Quase murmurando pela TV. Abaixo do nó ou vértice da confiança vem o triângulo do perfil do candidato: proximidade, capacidade de realizar, ideologia ou tema. O ideal é um grande triangulo eqüilátero. Mas é raro. Se for um triângulo isósceles, que o vértice da maior altura, o seja muito alto, caracterizando claramente pelo menos um perfil.
7. O lugar adequado de bater forte é na internet."
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Brasil, Chavez e Argentina: a visão de Atílio Boron
Leia aqui (em espanhol) artigo do cienstista social argentino Atílio Boron sobre a situação política no mercosul.
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