sexta-feira, 14 de maio de 2010

O Programa do PT na TV foi uma oportunidade perdida

Deu saudade dos velhos tempos! Quando os programas de TV do PT eram ousados, criativos e, dentro dos limites, criativos. Ontem, com um tempo razoável (dez minutos, acho), o partido perdeu uma boa oportunidade de estreitar o seu relacionamento com aquela fatia do eleitorado na qual vai mal: a classe média, a juventude e os setores escolarizados.

Isso porque o programa de TV apresentado ontem foi medíocre. Só o Lula, carismático e com a capacidade de comunicação de sempre, fez a diferença. Mesmo assim, no discurso, seguiu o tom maniqueísta que dominou o programa: ou nós ganhamos ou é o retorno da barbárie. Esse tipo de elaboração, muito bom para açular e cativar a “militância” (essa entidade mítica cuja existência eu ponho em dúvida), é, no mínimo, desrespeitosa para quem quer pensar (ou pensa que pensa, vá lá!) o mundo para além das fórmulas fáceis do “bem” contra o “mal”.

Para completar, eis que colocaram a Dilma contracenando com beneficiários do Programa Luz para Todos e falando platitudes demagógicas. E a candidata, além disso, tem limitações gigantescas na comunicação via TV...

Para coroar, nada de estrelas partidárias, apenas ministros. Aquelas falas burocráticas e de homens com cara de poder de sempre.

Depois do que eu vi ontem, fiquei com a sensação de que o PT está, cada vez mais e em todos os sentidos, com o seu destino atrelado às decisões de Lula. Conformado a essa condição de ator coadjuvante, o partido vai destruindo mitos fundantes que legitimavam a sua contrução como "diferente de tudo que está aí". Dentre esses mitos, aquele de que a novidade política do partido se expressava em uma proposta de comunicação renovadora, crítica e criativa. O que vimos ontem, infelizmente para a candidatura Dilma, foi a repetição do velho padrão despolitizado e demagógico com o que os partidos tradicionais preenchem, há décadas, o horário televisivo.

2 comentários:

Roberto Hugo disse...

Caro Edmilson, em 1982, meus amigos estudantes do PT de então, bolcheviques da gema, defendendo a importância de formas de organização de corte leninista, me diziam que o PT, se bem sucedido como um partido de massas, seria mais ou menos como os partidos de massa social democratas que se via então pelo mundo afora. Pois o futuro chegou e aí está o PT, mais ou menos como o anunciavam estes meus amigos estudantes de então. As revoluções não chegaram, os sonhos dos “reformistas” de então, de podermos contar com uma organização partidária "diferente de tudo que está aí" com as características de “novidade política” capaz de se expressar “em uma proposta de comunicação renovadora, crítica e criativa”, que você lamenta estar perdida no PT, talvez andem mesmo cada vez mais distantes neste nevoeiro “pós-moderno” que temos pela frente. Contudo, acho que o PT não está nem acima nem abaixo do jogo eleitoral, que é esta tristeza de apostar todas as fichas em como chegar lá, acima de qualquer coisa. E enquanto peça de um jogo, o programa me pareceu elementarmente direto e eficiente na única tarefa a qual se propos que foi de dizer a dezenas de milhões de telespectadores que Lula é Dilma. Que pobreza, dirão os apoiadores dos demais candidatos. Que maravilha, dirão os petistas … “Entonce, é vero memo”, dirá possivelmente algum agricultor encantado por Lula lá de Apodi… Treino é treino,jogo é jogo, dirão os marqueteiros...
a[]s
RHB

Marcia disse...

Caro Professor,
gosto muuito de ler vc tanto que o acompanho, quase sempre concordo com tudo....mas hoje faço minhas as palavras do Beto Hugo, pois o bendito programa que achei mediano, aqui entre meus livros e computador acertou de cheio a minha diarista que mora em São Pedro do Potengi, e diz que agora e Dilma, não porque eu falei, mas sim porque programa fez ela acredita
bjs
saudade das aulas e das discussões
Márcia