sexta-feira, 11 de março de 2011

Eleições no CCHLA: posições

GURU ENTRA NO DEBATE

Lembro aqui um artigo de Gustavo Lins Ribeiro (que também está para dar aula inaugural, no ppgas da ufrn) sobre a questão, que teve mta polemica na UnB: http://www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=68208

É uma pena, mas desconfio que Isabela Bentes, mesmo prosseguindo na indignação, eventualmente deixará de se admirar com a preponderância de Stuart Mills sobre Tragtenbergs na academia. Este é um tipo raríssimo (aliás, sempre foi). Aquele é hegemônico desde o tempo de vovó. O mais admirável - e o mais indignante - é a perpetuação desta desproporção.

E quero destacar aqui esta parte de seu texto "...numa tendência em fazer com que os alunos reproduzam as picuínhas departamentais entre professores tão comentada em corredores de aula". Isso é crucial. Sei muito bem como grande parte das ocasiões em que algum docente favorece um pleito dos estudantes (como a paridade em questão) é por pura oposição ao dirigente do colegiado e em busca da adesão dos estudantes. Isto seria em parte o 'populismo' mencionado pelo prof. Edmilson.

Mas registro também que amiúde ocorre o inverso: se argumenta em prol de alguma idéia da "situação" apenas por picuinha com algum grupo que defende a oposta. Nisto há uma boa dose de medo Reginaduarteano.

Ora, isso é o bê-a-bá da política! Mas pega muito mal a "política com ética própria" quando estamos num espaço de atribuições reflexivas como a universidade. Quando um professor ou um estudante argumentam enquanto tais, o fazem sob a responsabilidade de elaborar um pensamento qualificado. Exige-se, principalmente de uma universidade pública, que seus membros tomem suas decisões baseadas em um diálogo reflexivo e comprometido com pelo menos um dentre os vários projetos republicanos de universidade.

E não sob as picuinhas e miudezas do "mundo dos corredores". Ao menos não principalmente, já que há uma espécie de imperativo político na administração de egos, quanto mais numa instituição de tamanha ambivalência meritocrática.

Já em minha opinião, não se pode nivelar um estudante que age de acordo com um projeto sério de universidade com um burocrata com décadas de atividades em transparências, relatórios e planilhas. Mas ambas as categorias devem ter o mesmo valor nas decisões universitárias.

Claro que não falo do nosso professor-blogueiro, que é um daqueles pensadores livres e, nesse sentido, guarda até semelhanças com o "mocinho da história", o Tragtenberg. Sinta-se à vontade para se inspirar mais nele :D

10 de março de 2011 12:39

DANIEL TAMBÉM

Caro Edmilson,

Às vezes a gente tem até medo de se posicionar porque isto trará, lá na frente, conseqüências (na maioria das vezes negativas) para a gente. O pau costuma quebrar nas costas dos mais fracos. Porém, mesmo assim, vou apresentar a minha opinião também.
Penso que seus argumentos são mais do que razoáveis. O aluno, pela inserção e relação diferenciadas que têm com a universidade, não apresenta as mesmas condições reflexivas de escolha de um professor. Não é algo substancial. É relacional. Não vejo nada de aristocrático nisso, como a colega tentou argumentar.
No entanto, o que me impressiona nisso tudo é o uso, digamos, “seletivo” dos regimentos da universidade. Os mesmos setores que se calaram quando o voto paritário foi “interessante” na eleição para reitor, porque era positivo para Ângela, são os que agora pedem o império da lei.
Numa hora vivemos a “judicialização da universidade” e o uso da lei como parâmetro mínimo de vida é algo absurdo, pois só traz heteronomia para as relações intra-acadêmicas. Em outro momento, os regimentos devem ser seguidos, pois do contrário, a universidade pode virar casa de mãe Joana, uma luta ferrenha contra a anomia. Tudo é uma questão de sentir o sabor do momento e defender os “princípios”, altamente negociáveis, que contextualmente convêm.
E os alunos? Ah... Os alunos sempre entram como bois de piranha na história. São usados e jogados de um lado para o outro pelos grupos que, no momento, tem interesse na paridade.
Ora, é por isso que acho tola a tese da “judicialização da universidade”. Este argumento costuma ser mobilizado por quem costuma querer resolver as coisas ao “seu modo”.
O que, ao meu ver, vem ocorrendo é o crescimento de uma incapacidade generalizada por parte das instâncias acadêmicas de resolver seus próprios conflitos e seguir parâmetros – muitas vezes – mínimos de coerência democrática.
Aí... quem não se governa, já dizia o ditado, passa a ser governado.
É por causa dessas coisas que eu não duvido nada que esta discussão sobre o voto paritário possa ir parar nos tribunais.

Abs.

Daniel Menezes

3 comentários:

Anônimo disse...

Uma única coisa tem que ser dita quanto a essa polêmica toda é... tanto os alunos, como os professores e servidores; eles passam! o voto paritário é uma questão democrática!

Os únicos alunos que são manobrados (poucos, mas, a maioria do movimento estudantil hoje), são pessoas da mesma espécie que tais professores, e que no futuro fará as mesmas coisas. E isso na UFRN, não tem nome, nem endereço, mas tem partido político. E é o PT. Várias figuras que todos sabem quem são.. a ala vanguardista e os companheiros de uma pró-reitoria de pesquisa e os renascentistas do DCE que só tem argumentos a partir do investimento que gera vantagens e crescimento estrutural da universidade a partir do REUNI.

A eleição para reitor, foi mais que uma vergonha, e quase uma palhaçada, mas nada quebra a natureza da academia

E essa eleição para o centro está a ponto de se tornar uma tragédia.

Paridade sim!

Derland disse...

Muito legal seu blog e otimo, e muito criativo, se depois vocês quiser olhar o meu blog e dar a sua opnião eu ficarei muito grato: http://derlandreflexivo.blogspot.com/

Thadeu Brandão disse...

Edmilson,

Max Weber argumentou, com muita eleg ância, que quando um professor desce da cátedra e assume o púlpito, temos aí não mais um cientista, mas um diletante. Fez isso em sua sempre esquecida palestra "Ciência como Vocação".
O velho mestre de Heidelberg nos lembrou que populismo universitário é algo tão velho quanto a academia.
No final das contas, percebo o velho afã de poder ou de preencher de forma explícita o espaço da universidade com os programas partidários.
Concordo com você no tocante aos motivos. Se a universidade ousar querer durar mais um mil anos, terá que se fortalecer. Não vejo como esse tipo de proposta populista chavista resolveria, a não ser construir, de facto, uma nova forma de clientelismo na universidade.
Finalizo, deixando também a cara à tapa, afinal, aluno é temporário assim como suas expectativas em relação à IES.