quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A (falta de) vergonha no mundo atual


Sentimos mais vergonha do que culpa nos dias de hoje, constata Anthony Giddens em um dos seus livros (não pergunte qual, eu não lembro). Preocupamo-nos mais com nossas performances públicas do que com a transgressão ou não de regras morais. Quer refletir um pouco sobre essa questão? Sim? Então, convido-lhe a ler trechos de um artigo de autoria do psicanalista argentino Pacho O´Donnel, publicado no Clarin. A tradução para o português é de responsabilidade do Ex-Blog do César Maia. Vale a pena conferir!


CUSTO DE PERDER A VERGONHA!
Pacho O´Donnel


1. Costuma ser devastadoramente comum,nos tempos em que vivemos, falhar esse decisivo preservador do funcionamento moral de uma sociedade: a vergonha. Será útil aqui resgatar o conceito de "vergonha", tal como formulada por Aristóteles em sua obra “Retórica” e também “Ética a Nicômaco”, que por vezes torna-se sinônimo de "pudor". O primeiro define a vergonha como "arrependimento ou embaraço relativo a vícios presentes, passados ou futuros, cuja presença acarreta uma perda de reputação". É o sentimento que se sofre como resultado de haver cometido um ato desonroso.


2. A obra “Ética a Nicômaco” a define como "medo do descrédito" sentimento anterior a consumação do ato reprovável que assim se constitui em um freio moral. Em ambos os casos, o fantasma da iminente perda de reputação, pelo realizado ou pelo pensado, perturba e provoca o medo do julgamento dos outros e da conseguinte rejeição social.


3. Para que isso aconteça é necessário ter um consenso coletivo concreto e definido sobre o que é bom e o que é ruim para a sociedade. Mas a sociedade em que vivemos está longe de incentivar ações virtuosas. Pelo contrário, o que prevalece é a inescrupulosidade, o pragmatismo, a ganância, o “ter” como substituto do “ser”.


4. Onde terá ido parar a vergonha daquele que desvia para seus bolsos, fundos públicos destinados a diminuir a pobreza de 30% de nossos semelhantes? E não é o único "sem vergonha". Infelizmente são muitos. Demasiados. No decorrer dos cem anos passados a vergonha socializada foi-se extinguindo. Somos uma sociedade que foi perdendo e minguando anticorpos contra a autodestruição. Entre eles o da vergonha.


Leia aqui o artigo completo (em espanhol).

Um comentário:

Rosângela disse...

Que vergonha, hein?

Gosto de seus pontos. Exclamam, interrogam, "reticenciam", e dois pontuam". Espero que tão cedo não "pontue finalmente".

palavrinha verificada ( Gosto de aproveitar essas palavrinhas aleatórias que aperecem para finalizar meus comentários. E a palavrinha que aparceu aqui foi: "antop"
"Ponta"
Eis a frase para concluir:

"Não importa os pontos, pois seus textos são de "ponta". hehe

Abçs