segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A sucessão na UFRN: notas introdutórias I

Apenas no início de 2011, portanto após as eleições presidenciais, teremos a escolha do(a) novo(a) reitor(a) da UFRN. Nos corredores e salas de professores, entretanto, fala-se mais da eleição interna do que daquela para presidente. É compreensível, não? Afinal de contas, quem trabalha na Universidade, via de regra, vive e respira a sua atmosfera. E, para esses e essas, a direção da instituição é fundamental em muitos momentos da vida cotidiana. Por isso, aponto, nas notas introdutórias abaixo, algumas observações sobre o que vai (ou deveria estar) em jogo em tal processo sucessório.

1. Ivonildo Rego e Lula: algumas semelhanças.

A popularidade do Presidente Lula, registrada por sucessivas pesquisas, indica-nos, goste-se ou não do fato, que para a esmagadora maioria dos brasileiros o petista é o melhor presidente que já tivemos. Coisa parecida ocorre na UFRN. Ivonildo Rego, dizem não as pesquisas, mas todos os interlocutores, é o melhor Reitor que a instituição já teve. Ocupando o posto pela terceira vez, nesta atual passagem, cujo segundo mandato caminha para o término, Ivonildo se aproveitou, como poucos, dos ventos favoráveis da política para o ensino superior do Governo Lula. O seu mandato levou a UFRN a mudar de cara. E não apenas fisicamente. A ampliação da infra-estrutura física e do aumento do número de vagas ocorreu concomitante a uma elevação da exelência acadêmica e o fortalecimento dos grupos de pesquisa no interior da instituição. A pós-graduação, conduzida com competência e habilidade pela Professora Edna, pró-reitora da área, deu inegável salto de qualidade. Prova disso é a boa posição alcançada pelos cursos da instituição nas avaliações feitas pela CAPES. Mas muito mais pode ser contabilizado. A começar pela produtiva e enriquecedora parceria cultivada com o cientista Miguel Nicolelis.

2. Qual a face da continuidade da gestão de Ivonildo?

Ivonildo Rego, como Lula, não poderá mais se candidatar. Fora do processo eleitoral, mas, certamente, muito presente no jogo sucessório interno, Ivonildo Rego não tem, como Lula, uma cara a quem possa transmitir a sua herança administrativa. Especulações existem. Muitas, por sinal. Mas daí a ter um nome profundamente identificado (e, mais que isso, patrocinado) pelo Reitor, ah!, isso não existe mesmo. E essa situação, sabemos de antanho, abre uma larga avenida para que projetos que se manteriam no armário, saiam a campo, buscando algum lugar ao sol. Nada mais legítimo, diga-se de passagem. Mas, e essa é a indagação que devemos fazer, isso é bom e positivo para a instituição? Há um legado da atual administração da UFRN que pode (e, diria mais, deve) ser preservado e ampliado. Se há mais bônus do que ônus em assumir a defesa da continuidade da atual gestão, isso não significa que essa candidatura (ainda inexistente) possa tudo. Não existem espaços vazios em política, dizem-nos os sábios acacianos. O que isso significa? Que logo, logo, alguém pode se apresentar na praça, com um discurso meio ensaboado, dizendo-se ser continuador, mesmo que, na prática, seja oposição (nem sempre franca) à atual gestão.

3. O Pós-Ivonildo.

Hum! O discurso em defesa de uma gestão pós-Ivonildo é uma cópia mal-feita, mas que tem seus arautos, do pega-moleque tucano do pós-Lula. Me engana que eu gosto! É uma tentativa de passar ao largo das mudanças estruturais produzidas e potencializadas pela atual gestão. Diante de muitas delas, não tem prá onde se correr, ou se é contra ou a favor. Ou se tem compromisso efetivo com a sua continuidade, ou não. É o caso do Bacharelado em Tecnologia, por exemplo. Essa pequena revolução corajosamente levada adiante pela atual gestão precisa ser firmemente defendida e reproduzida em outros ambientes (penso, por exemplo, em um Bacharelado em Humanidades e outro em Saúde). Tem gente que, na planície, faz reticências à iniciativa, mas, lá na direção, fará apenas isso? Podemos ter retrocessos, sim. Então, como diria a minha amiga Luciana Chianca: "muito cuidado, nessa hora..".

Continuarei...

Temas para as próximas postagens:
A sustentabilidade do REUNI na UFRN
O compromisso social da UFRN
Os dilemas da inclusão social
A excelência acadêmica e a inclusão: não há contradição.

Um comentário:

Dennys disse...

olá Edmílson,

esperamos muito pelo desenvolvimento destas contribuições, nós do ME já também somos intimados a nos preocupar com esta sucessão, mas majoritariamente pedimos calma, e uma construção planejada que envolva coletivamente os sujeitos que se colocam como defensores dos avanços desta gestão, e o posicionamento claro daqueles que querem ser os oposicionista na disputa vindoura, apesar ainda de alguns postularem uma terceira via (hehehe)...

e o ME da UFRN pode se colocar bastante tranquilo e lúcido nesta disputa, já que fizemos parte da defesa pró-ativa do principal projeto deste governo, o Reuni, mesmo com o BAC, apesar do ME de todo o Brasil ter ficado intimidado e tímido com a oposição extremista, sem base e compromisso social a curto prazo...

Por isto, nos colocaremos por dentro deste debate, entretanto acreditando que a discussão deve vir por partes e buscando um projeto que mantenha unificada as forças que construiram este modelo de gestão dentro da ufrn!

abraços,
e agradecimentos!

p.s.1: conseguiu falar com Tilda?
p.s.2: preciso te levar lá na residência universitária!